Por Raimundo Padilha (*)
No ensino
superior quando foi quebrado o sistema seriado, substituído pela oferta por
disciplina, se deu uma ruptura na educação política. No sistema seriado as
turmas fechadas com seus 40 ou 50 alunos, facilmente eram identificados os seus
líderes e com eles formados os seus Centros Acadêmicos, uma excelente escola de
formação política. As suas lideranças se revelavam e eram facilmente
identificadas.
Desta estrutura
foram forjados líderes, que posteriormente foram atraídos para a militância
político partidária levando valores que passaram a ocupar os parlamentos
municipais, estaduais e federais. O nível médio dos parlamentares era bem mais
elevado do que os atuais, tendo como consequência um debate de conteúdo e um
maior e melhor nível de projetos.
O pensamento
deles era voltado para a sociedade, ao contrário do que predomina hoje, que são
voltados para os interesses pessoais dos próprios políticos, tendo como exemplo
o absurdo de emendas parlamentares. A maioria dos eleitores não sabe em quem
votou e a comunicação dos parlamentares com o eleitorado se dá
predominantemente no período eleitoral à caça de votos para suas eleições e/ou
reeleições. As casas legislativas não são avaliadas pelos seus eleitores, tendo
como consequência mandatos sucessivos, quase que se transformando num emprego
vitalício. E ainda há, o chamado "baixo clero", que vegeta e dorme em
todo o seu mandato. É muito triste e pobre, o nosso parlamento, respeitadas as
raríssimas exceções. Precisamos de muitas reformas e quem tem coragem de
propor, se a nossa política é da conveniência pessoal? Está cômodo para eles e
o povão que se lasque.
Foi apagado o
processo de formação de líderes e ninguém contesta o fechamento da antiga
escola política, nem alunos, nem professores. É como se estivéssemos no estado
da arte, embora, com um parlamento fraco e sem visão de futuro. E onde está o
MEC, que não enxerga o mal causado pelo período militar e que ainda persiste?
Por conveniência, miopia ou frouxidão, nesta área, nada ou quase nada se faz no
nosso país, a superficialidade é o que predomina.
Quando estudante
do curso ginasial, hoje ensino fundamental participei ativamente dos Grêmios
Literários. Eram verdadeiras escolas de formação política, havendo inclusive
eleições bastante disputadas. Nos grêmios se praticava o exercício da oratória,
de artes cênicas, dentre outras manifestações culturais. Isto era a base da
formação de um caldo de cultura que tinha prosseguimento no período
universitário, para aqueles vocacionados, sendo um caminho aberto para as
atividades político partidárias. Daí o contraste entre os políticos de ontem e
de hoje.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 15/04/26. Opinião. p.21.



