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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 728

Abro com uma historinha de Frei Damião.

Casamento no Maranhão?

Acompanhemos a pregação do Frei Damião em Cajazeiras, na Paraíba. Com aquela voz que parecia sair das cavernas, perorava contra os amancebados, os luxuriosos, os desonestos, desfilando todos os pecados contra os 10 mandamentos. No meio do sermão, parou e perguntou:

– Quantos aqui são amancebados? Quantos vivem juntos e não casaram?

Centenas de pessoas levantaram a mão. O frei ameaçou:

– Nesse estado de barbárie, todos vocês vão para as profundezas do inferno. E serão queimados vivos. Vivos.

Começou a descrever a terra incandescente. E arrematou: "amanhã, quero todos os amancebados, aqui, para um casamento coletivo". Dia seguinte, lá estava a multidão. Começou a cerimônia. Frei Damião limpa o suor e joga a pergunta que ferveu na alma de muitos:

– Quem tiver algum impedimento contra esses sagrados matrimônios, que fale, agora, ou se cale para sempre.

Silêncio. De repente, vê-se, no meio da multidão, o braço no ar de Terezinha das Mercês, devota fervorosa de Senhora da Anunciação:

– Raimundinho de Doca num pode se casar, pois ele já é casado no Maranhão.

Perplexidade geral. Raimundinho, o açougueiro, toma um susto. Silêncio. Frei Damião, curioso, sai do púlpito. Multidão em transe. A companheira de Raimundinho, envergonhada, não sabe o que fazer. E muito menos o que dizer. O homem das carnes, encabulado, grita alto para todos ouvirem:

– Foi no Maranhão, no Maranhão. Faz muito tempo. É muito longe daqui. Muito longe, Frei Damião. E adepois, fui a Juazeiro para tomar as benção do padim Ciço.

O "santo italiano" do sertão nordestino baixou a cabeça. Chamou Raimundinho para perto e cochichou a penitência no ouvido:

– 100 terços e abstinência por 7 dias. Se não cumprir a ordem, os dois queimarão vivos no inferno.

Deu meia volta. Tomou lugar no púlpito. Milagre. O durão Frei Damião abençoou a todos.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/350256/porandubas-n-728


domingo, 30 de agosto de 2026

Causo Médico: A EQUIPE DE DISSECAÇÃO MATRIARCAL

Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem merecem ser compartilhadas.

Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.

Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria, talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.

Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus, autor De Re Medica, após um longo período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos corpos de pessoas falecidas.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio jubilado da Associação Médica Cearense

* Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022: 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.90.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de dissecação matriarcal. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41. p.6-7. (online).


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crônica: A colega doutora ... e outros causos

A colega doutora

Gente boa o Neto, homem de bem com quem é bom estar. Servidor e simpático, sóbrio é esse sujeito maravilhoso; lasca quando toma umas pôde a mais, aí é boneco federal, o que não inibe em absoluto a percepção que dele temos acerca do reconhecido valor humano. Sucede que o amigo, de poucas letras, aprontou de novo e foi chamado a responder processo, aberto pela própria esposa em momento de justificável aperreio.

E já está ele diante da juíza - audiência remota. A competente advogada dá as devidas orientações, no sentido de seu cliente tratar com "respeito e educação a digníssima juíza". Que use termos condizentes, mantenha a calma e responda apenas o que for perguntado. Mas vemos um Neto tenso, em risco de baldear o juízo e botar a causa a perder.

A advogada, cautelosa, reforça:

— Ao dirigir-se à meritíssima juíza, chame-a de doutora! Ou de excelência! Ouviu, Neto?

— Na hora, dona Maria!

Final da audiência e a douta juíza prolata:

— Sr. Francisco Neto, pelo que vejo, o senhor, réu primário, não é pessoa má, apenas mais uma vítima do álcool. Por isso, sua pena será a prestação de serviços comunitários.

— Obrigado, colega!!! Maravilha, colega!!!

Juíza ouviu os "colegas" e se riu, entendendo o contexto. Pediu maternal:

— Aproveite (o serviço comunitário) que é numa escola e estude. Seja decente e brilhe!

— Eita, dotorinha! A senhora é só o mí disbuiado!

Ô, taria!

Clarice é esperta. Cinco aninhos e, ouvidos atentos, sabe muito bem o que dizem em derredor, escutando com perfeição a coisa proferida. Estamos na casa da avó Dijé que, na sala, assiste às arrumações do marido-vovô em brincadeiras ingênuas com a netinharada ("calango na parede", "João atrepa", "carrapicho"). Lá pelas tantas, Dijé solta a forma foneticamente reduzida da palavra que, em seu uso informal, é utilizada para descrever bagunça, injustiça, diversão, fulerage, cachorrada...

— Ô taria!!!

Clarice, vigilante, vai até onde está Dijé e, professoral, corrige.

— Vó!!! Não é "taria"! É putaria! Aprende!

Fé muita, fé demais!

Primeiro ano de namoro do casal e Leléo leva Madinha pra passar final de semana na casa dos pais. Domingo bem cedo, é praxe, o jovem sai para o grupo de oração. Madinha fica, entabulando boa conversa com a cunhada. 10 horas da manhã e a moça sente cólicas - vontade urgente e súbita de evacuar. Corre em busca do banheiro. De lá, liga encabulada pro namorado; ele, absorto no culto, "pedindo, agradecendo e louvando o Senhor", não ouve a chamada. Uma, duas, três tentativas... Até que deu certo.

— Oi, amor! Jesus contigo!

— Para, Leléo! O negócio aqui fedeu! Fala baixo! Não volte pra casa sem um...

— ... sem um bocado de louvores abençoados pra te embalar, nunquinha!!!

— Não, Leléo! Não volte sem um desentupidor, o sanitário entalou! Tô no banheiro da sala, traga sem fazer enxame!

Largando vexado o culto, ele compra o desentupidor e, provando que o Senhor lhe tocou o coração, um buquê de rosas. Em casa, Evangelho de João palpitando ainda, entrega a "ferramenta de limpeza de desobstruir vasos sanitários" e as flores, murmurando discreto, na porta entreaberta do banheiro.

— Madinha, na casa de meu Pai há muitas moradas!

— É? Então por que justamente na sua a privada enguiçou? Hein? Me fala!

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 727

Abro a coluna com uma historinha de Pernambuco.

Perspectivas e características

Quais as perspectivas que se apresentam ao Brasil nesse contexto de crise entre os Poderes? Confesso que não sei responder. Mas uma historinha de Pernambuco pode nos apresentar as perspectivas.

Luís Pereira, pintor de parede, dormiu com 200 votos e acordou como deputado Federal. Era suplente de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, em Pernambuco, cassado pela ditadura. Chegou a Brasília de roupa nova e coração vibrando de alegria. Murilo Melo Filho melou o jogo, logo no aeroporto, com a pergunta abrupta:

– Deputado, como vai a situação?

Confuso, nervoso, surpreso, sem saber o que dizer, querendo causar boa impressão tascou:

– As perspectivas são piores do que as características.

Pois é, a esta altura, tem muito deputado imitando Luís Pereira e traçando o panorama do amanhã.

Começo minha análise política com o poema do beco, de Manuel Bandeira.

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

-O que vejo é o beco.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/349574/porandubas-n-727


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Crônica: O lambedor ... e outros causos

O lambedor

A amiga Baixinha é conhecida internacionalmente no Jardim das Oliveiras por preparar o mais potente lambedor que se tem notícia no Ceará, de verdade. Orgulhosa de seu lambedor caseiro (xarope à base de agrião, malva-santa, "pepaconha", mastruz e demais ervas medicinais cozidas com mel, em alquimia que só ela sabe a receita), a querida Baixinha se gaba de já haver curado muita alergia e coqueluche pelaí.

- Meu lambedor já chegou à Inglaterra! Curou tosse braba de muito gringo! Sem falar de gente daqui do Brasil! Nada de gororoba de farmácia, meu lambedor é naturalmente milagrento!

Essa notícia maravilhosa me remeteu a um tio segundo - tio Manezinho, de meu pai, morador da Barra do Ceará. Ele tinha um cachorro pé duro com esse nome - "Lambedor". Estivemos na casa dele, ao lado do campo do Ferrim, num sábado à tarde, e enfim entendemos o porquê de tão doce e curativo nome - do cachorro. Lá estava o tio de papai refestelado na cadeira de palhinha e, deitado aos seus pés, o dito cachorro, diligente. Lambia-lhe solene, com gosto de gás, a ferida braba de sua canela, ao tempo em que espantava tudo que era mosquito em redor. Papai, horrorizado, deu um pulo e gritou:

- Tí Manezim, o Lambedor!!!!!!

- Peça uma colherada na cozinha à sua tia!

Português nós sabe...

Das Chagas, me confidenciou Paulo Marcelo (O Bigode), queria porque queria estudar Espanhol nas Casas de Cultura Estrangeira da UFC. E fez uma redação à direção, explicando os motivos da escolha do idioma castelhano de Cervantes. Passada uma semana, pegou o Campus do Pici/Unifor e foi bater no Benfica, pra saber o resultado de seu requerimento. Lá chegando, guiando-se pelo waze, a placa dizia em letras garrafais: "Casa de Cultura Hispânica".

Lendo aquilo, deu meia volta, decepcionado. Em casa, já, a mulher indaga de um marido claramente chateado com o que houve. Ele...

- Cacei, cacei e cacei hispanha e hispanhol e num vi nada disso por lá. Nããã!

O querido amigo é o mesmo que, certa vez, perguntado sobre a árvore "seringueira", respondeu que era a que dava "seringuela'.

Para admissão imediata

O empreendedor Jota Crocodilo (exportador de dindin light) está precisando dos seguintes profissionais - levar referências:

- Secador de cueca na base do assopro.

- Caçador de cururu escovado em beira de lagoa.

- Narrador de enterro de sogro enjoado.

- Descamador de peixe com as unhas.

- Animador de briga de galo.

- Comentarista de enterro.

- Analista de cururu enfezado.

- Instrutor de fie duma égua.

- Professor de natação em bacia.

- Decorador de cerca de arame farpado.

- Manicure de quiromante...

Novo cearensês

Água quebrada a frieza - Água tépida, no ponto exato de dar um banho - em criança.

Precisa só dum pezinho... - Basta um empurrão pruma briga, carece de pouca coisa para começar - a confusão, a briga...

Tirar a suja - Dar uma desculpa esfarrapada.

De testa - Frente a frente, misturando os bigodes.

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 726

Abro a coluna com uma fábula.

Em cinco anos, tudo pode ocorrer

Um poderoso sultão, sábio entre os sábios, possuía um camelo muito inteligente. Obedecia a todas as ordens que nem precisavam ser emitidas de viva voz. Faltava-lhe apenas o dom da palavra. Esse detalhe entristecia sobremaneira o sultão. Um dia, decidiu convocar o Grande Conselho e chamou o grão-vizir.

- Quero que ensine meu camelo a falar!

- Mas isso é impossível.

- Cortem a cabeça dele! Tragam-me o adjunto!

Mesma afirmação de desejo sultanesco, mesma resposta, mesma sentença. A cena repetiu-se diversas vezes e cabeças rolaram. Exasperado o sultão declarou.

- Aquele que ensinar meu camelo a falar será meu grão-vizir.

Silêncio! O sultão repetiu a exortação. Eis que surgiu um humilde ajudante de cozinheiro. Disse:

-Dá-me, ó incomparável senhor, um prazo de cinco anos, e farei falar teu camelo.

Estupefação geral. Seguida do cumprimento da promessa.

-Doravante, és meu grão-vizir! Mas se falhares, sabes o que te espera!

- Bem sei!

Encantado, o jovem fez profunda reverência e saiu correndo para dar a boa notícia à esposa.

- Infeliz, acabas de assinar tua condenação.

- Não é bem assim, meu bem. Pedi cinco anos. Você sabe que muitas coisas poderão acontecer em cinco anos: morre o camelo, morre o sultão...

(Fábula enviada pelo atento Alexandru Solomon). Nada a ver com as próximas eleições.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/349194/porandubas-n-726


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crônica: Autogripe - quando pego a gripe de mim mesmo ... e outros causos

Autogripe - quando pego a gripe de mim mesmo

Tem juízo não, o Poeta dos Cachorros. Encontrei-lhe nas redondezas da casa do Caboco do Ôi Cego, na Vila União - tem uns dez anos. Foi converseiro medonho. De lá fomos comer tijolim e beber água de pote na dona Dudu. Pelo espirro que deu, no meio do caminho, ali estava um Jair acometido de mui brabo 'estalecido', desses de moer o corpo. (Sobre o espirro que deu: a dentadura foi bater no beiço da Lagoa do Opaia).

Segue o nosso diálogo de antanho, se bem me lembro - primeiro ele; depois eu, até cansar, explicando ele como se autogripou.

- Um amigo com quem eu conversava na paróquia Jesus, Maria e José, aquela ali na praça, tossiu no meu fucim, em plena missa. Com pouco eu já espirrava, me arrupiava de febre, com pontinha de dor de cabeça na croa.

- Égua da virose pegajosa!

- Rapaz, o sujeito me passou a macacoa toda, com mais de mil! Pia só o meu estado agora! Lascado da garganta, só o xerém.

- Tô vendo! Quem é esse seu amigo, Poeta?

- Michael Jackson, meu zabumbeiro! Tava detrás do meu banco na igreja. No que espirrou, na liturgia da palavra, vexado os sintomas dele me agarraram, pegando de proa. Ao ponto de rebolar a doença em mim, já descaído dum 'dord'ólho'.

- Entendo, você foi fulminantemente contagiado pela gripe do seu amigo!

- Eu não! A gripe foi passada pra minha pessoa. Da minha pessoa é que a gripe passou pra mim, me 'contraminando'.

- Peraí, se eu bem entendi, você pegou a gripe do Miachel Jackson de você mesmo?!?

- Não tenha dúvida! Me autogripei de trevessa!

- Muito doido!...

- Quem?

A labareda congelante do futuro

Que criança nenhuma vá na onda do jovem Manezim que conheci na Iparana. Ele defendia a tese de que, logo no começo, todo fogo é frio, suportável. "Com o passar do tempo é que vai esquentando, piorando". Manifestava-se em favor da proposição por experiência própria, com base nos modernos fogões à lenha.

- Só queima a mão de quem acender a chama depois duns 15 segundos.

- No início, quer dizer então, que...

- Pode deixar que nada acontece com quem bota a mão no fogo. Igualmente é o fogo duma fogueira; nesse caso, são 22 segundos pra vir a queimar.

- Tem comprovação científica, isso?

- Ainda não, mas um cientista disse que daqui a 15 anos vai ser assim!

Técnica de fazer lembrar

O médico reconheceu de pronto o paciente, foram colegas dos tempos de infância - Sociedade Beneficente de Porangabussu. Mas o doente estava já esquecido de muita coisa, lembrava de quase nada, por mais esforço fizesse. Geriatra entabula diálogo:

- Amigo Chicão! Alegria revê-lo depois de 50 anos! Mudou nada, você!

- Ô, doutor! Leve a mal não, mas morro sem saber quem o senhor é.

- Gilberto Moura, meu caro! Eu era magrinho...

- Só tirava 10?

- Às vezes!

- Tinha o cabelo liso, dotô?

- Meio encaracolado...

E abrindo aquele sorriso, para deixar a conversa mais próxima, terapeuticamente leve, Dr. Gilberto se autoprovoca, findando por descobrir fórmula infalível de voltar a memória em quem julgava tê-la perdido.

- Diziam que eu era o menino mais feio da escola toda, Chicão!

- Caboré de Urêa!!! É tu, macho?!?

Fonte: O POVO, de 3/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 24 de julho de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 872

Abro a coluna com uma historinha dos mineiros, contada por Sebastião Nery.

Desde que o dinheiro venha

Mais uma da matreirice mineira. Benedito Valadares chegou a Curvelo/MG, para visitar a exposição de gado do município. Na hora do discurso, atrapalhou-se:

- Quero dizer aos fazendeiros aqui reunidos que já determinei à Caixa Econômica e aos bancos do Estado a concessão de empréstimos agrícolas a prazos curtos e juros longos.

Lá do povo, alguém corrigiu:

- É o contrário, governador! Empréstimo a prazo longo e juros curtos.

- Desde que o dinheiro venha, os pronomes não têm importância.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/421845/porandubas-n-872


sexta-feira, 10 de julho de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 870

Abro a coluna com uma historinha que o ex-governador do Piauí, Alberto Silva, contava. Análise da índole piauiense.

Sou do Piauí, e daí?

Alberto Silva dizia que a alma piauiense sofria de complexo de inferioridade. Na Sudene, em Recife, ouvi dele esse chiste: um interlocutor pergunta a outro: o senhor é de onde? Resposta: sou do Piauí e daí? E já mostrava os punhos para esmurrar o interlocutor.

E foi pensando nisso que ele, quando governador, decidiu criar a Potycabana, uma praia de Copacabana, às margens do rio Poty. Importou equipamentos que faziam ondas nas águas. Não foi bem sucedido. No dia da inauguração, discursou: não precisamos ao Rio de Janeiro para tomar banho em Copacabana. Temos a nossa Potycabana. A criançada, em algazarra, mergulhou nas ondas barrentas. Uma criança morreu. O sonho foi embora.

Bonecos de Olinda, prazer!

Certa feita, acompanhei Michel ao Recife para uma visita ao senador Jarbas Vasconcelos, então governador do Estado. Fazia parte da liturgia do presidente do PMDB ouvir as lideranças do partido, ainda mais se tratando de Jarbas Vasconcelos, que realizou um grande trabalho pelo partido, desde os tempos em que o presidiu.

Chegamos já tardinha, com o sol se pondo. A casa do governador parecia um museu a céu aberto. Pela coleção de bonecos, o artesanato pernambucano se fazia intensamente presente nos cômodos. Sentamo-nos na sala de recepção. Os raios do sol abriam uma pequena claridade numa sala contígua, onde em uma mesa de jantar/almoço, convivas pareciam se regalar com os acepipes.

Fiquei curioso. Michel, então, muito educado, pediu licença de Jarbas, levantou-se e se dirigiu aos convivas, querendo cumprimentar cada um.

Mão estendida para o primeiro, veio o susto. Eram 7 ou 8 bonecos de Olinda, em tamanho natural, sentados à mesa e diante de pratos e talheres. Disfarçando o gesto risível, o presidente da Câmara volta ao nosso convívio sem conseguir o riso.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/420911/porandubas-n-870

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Crônica: Decidido: o Ceará não exportará mais bulim pros EUA!... e outro causo

Decidido: o Ceará não exportará mais bulim pros EUA!

A crônica de hoje é documento que tem fé, e a Casa Branca que se vire. Depois do anúncio da taxação de 25% das coisas daqui por parte do galego lá, eu me invoquei todo!

Na verdade eu não gostaria de fazer isso com o povo norte-americano. Porém, nós - os produtores de bulim, rosca, broa, coxão de moça e tijolim - seremos obrigados a tomar medida drástica e a parar vexado com a exportação desses produtos, salvo disposição em contrário. Explico: o Brasil não é estratégico somente por possuir a segunda maior reserva de terras raras do planeta, essenciais à fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos...

Nosso país é uma potência, sobremaneira, por ser o tuxaua mundial na manufatura dos itens que acima citei, especialmente quando a eles se somam a rapadura, a tapioca, o cuscuz, o fubá, o mucunzá e a mingonga, "dicumêres" raros que dão sustança ao despombalizado, coragem ao arrombado, categoria ao pebado e alegria ao (amo)finado.

Em conversa com os fabricantes das sete iguarias do parágrafo acima, fui informado que eles também cessarão suas produções e o "comércio bilateral" com os EUA, caso o presidente lá não pare de frescar com a gente aqui. "Estamos cansados desse estica-encolhe, dessa labutica sem futuro", confidenciou-me o maior produtor de maria-maluca, mariola e quebra-queixo da América Latina - o grande Zé Preguim.

- É prego batido e ponta virada! Babau! Num tem pra ninguém mais!

Confesso que me dói saber que o povo de riba do Equador vai parar de degustar alfenim pelos próximos tempos! Sei nem se vão sobreviver! Mas, fazer o quê, né? Eles que começaram!

O casal de moucos

De onde estávamos ouvia-se a gritaria do casal, que chegara à casa ao lado havia uma semana. Pelo tom de voz, discussão ferrenha. Desde que os dois aportaram, nunca um olá, apenas os víamos de longe - ele, grandalhão; ela, miúda e franzina. De seus 80 e poucos anos, ambos. Era mais ou menos assim o berreiro:

- Osman, pelo amor de Deus!!!

- Jarina, eu vou tacar-lhe o cacete!!!

- Se for pra matar, mate logo!!!

- É minha especialidade!!! Tome-lhe!!!

Das duas uma: ou a gente ia apartar a briga, em risco de aquilo virar tragédia, ou chamávamos a polícia. Fizemos os dois: ligamos pro 190 e, enquanto os guardas não apareciam, demos um pulinho lá. Gritos continuavam tonitruantes; nos aproximamos, silentes. Uma pancada forte agora se ouviu e ai, ai, ai: bufo!!!

- Olhaí o sangue escorrendo!!!

- Eu acho é pouco!!!

- Tu é um matador!!!

- Dou carne a gato, não!!!

Tocamos a campainha 15 vezes, ninguém apareceu. Preocupados com o que poderia ter acontecido de pior, entramos - porta só encostada. E lá estava a cena: ela trepada numa cadeira, se tremendo; ele em pé, segurando pelo rabo um guabiru de quase um quilo, sangrando pela boca. De relance, a senhora nos vê e dispara, assustada:

- Qué que vocês tão fazendo aqui?!? Hein?!?

- Achamos que vocês...

- Inês??? Meu nome é Jarina!!!

- Tangerina não, mulher!!! É um rato!!!

Fonte: O POVO, de 5/06/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 869

Abro com o repeteco de uma historinha. Sempre solicitada por alguns dos meus leitores.

Levo ou não?

A historinha é conhecida e, por ser muito boa, merece um repeteco.

Rui Barbosa, o Águia de Haia, chegava em casa, à noitinha, quando ouviu um barulho vindo do quintal. Chegando lá, viu um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o, ao tentar pular o muro com seus amados patos, passou-lhe um pito:

- Oh, bucéfalo anacrônico! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da sua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, perplexo e confuso, com um fio de voz, perguntou:

- Doutor, eu levo ou deixo os patos?

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/420579/porandubas-n-869


sexta-feira, 19 de junho de 2026

Crônica: O problema do véi... ... e outros causos

O problema do véi...

A prendada dona Juraci e o descolado "mestre Wilson", que tive o privilégio de conhecer a ambos, botaram no mundo, no longínquo 1929, o resistente homem do campo, tornado agricultor de categoria incomum, um contador de causos único - Juroilson Vieira Souza, dado à luz na aprazível Pirapora, légua e meia do Cauípe.

Nunca, enquanto somava "apenas" 92 anos, um hospital. Remédio, somente quando empanzinado e, aqui e acolá, "umas piula" pra dor articular. Até as nove décadas de vida, sete anos atrás, pois, uma rocha no tocante à saúde - nem toque retal da próstata levou. A presença diária no roçado, brocando; tangia o gado com cipó de marmeleiro em busca do açude; despescava galão com o neto aos domingos; comia feito um bicho…

- Eu era um homem!

Mas apareceram ronchas no corpo, vieram o engulho e o reumatismo, a remela excessiva e a mouquice, o esquecimento e o mijo em queda livre. A filha Judite vexada levou "pai" ao consultório do clínico geral. Uma novidade, aquilo, pra quem jamais sequer havia adentrado a um "posto". Após amenidades, o médico perguntou, singelo, qual o problema do paciente ancião. A resposta simples e direta - e perfeita:

- 97 anos...

O alto funcionário do cemitério

Buscando fazer um por fora, o coveiro oferecia caixão feito por ele pela metade do preço ao familiar enlutado à beira da cova. "É pro futuro!" E prometia ao comprador, de brinde, uma camisa oficial do Ceará com a assinatura de Magno Alves. Indagado pela reportagem sobre esse malfeito, o "alto funcionário do campo santo" explicou que "a vida tava de morte, liseira era braba - tô me virando como posso!"

Por que considerado alto funcionário? A mãe do rapaz explicava, altamente maternal:

- Acima dele só Deus! É meu fí quem faz a entrega do cristão morto ao chão que a terra há de comer. E de quem é o chão, senão dEle?

Isto dito, suspirava - a senhora orgulhosa do rebento ilustre, finalizando a defesa com detalhe imprescindível no concerto funéreo gaiato em tela:

- Ah, o rapaz que ajuda meu Zezito a enterrar é Toinho de Laura Lôra! Com a pá na mão, esse rapaz é um rei!

O santinho precoce

Era praxe na cidade, no decesso de alguém, encomendar santinhos de falecimento na gráfica do Mazinho - "Aqui, quem manda é o freguês". Pois bem. Seu Nonô passou desta aos (acreditem!) 105 anos de idade, na madrugada. Familiares e amigos avisados por portadores, casa em casa. Velório às 10h, enterro às 16h no parque "Nas Mãos de Pedro".

Homem de poucos estudos, Dico Rojão, primogênito de seu Nonô, já na gráfica - precária em equipamentos, mas robusta em gentileza. Pede celeridade na confecção dos santinhos.

- É pra missa de corpo presente! Tem aí um modelo já pronto, seu Mazinho?

- Tenho, Dico! Escolha um desses aí!

E despejou no balcão caixa abarrotada - a coleção completa de santinhos de mortos e mortas, entre velhos e novos, pobres e ricos, cujas famílias ali iam imprimir seus pequenos folhetos de luto. Um particularmente agradou o inculto Dico - de um jovem que morrera precocemente.

- Gostei desse! Troque só o nome do rapaz pelo de papai e as datas!

- Na hora! E sobre o texto?

- Deixe exatamente como está!!!

Hora da missa. Santinhos distribuídos. O padre faz a gentileza de ler o impresso:

- "Ao querido Nonato Gonçalves Serra, carinhosamente 'Nonô', falecido precocemente aos 105 anos, o nosso..."

Fonte: O POVO, de 22/05/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 868

A prisão... suavemente...

José Maria Alkmin, o matreiro mineiro, foi advogado de um crime bárbaro. No júri, conseguiu oito anos para o réu. Recorreu. Novo júri, 30 anos. O réu ficou desesperado:

- A culpa foi do senhor, dr. Alkmin. Eu pedi para não recorrer. Agora vou passar 30 anos na cadeia.

- Calma, meu filho, não é bem assim. Nada é como a gente pensa da primeira vez. Primeiro, não são 30, são 15. Se você se comportar bem, cumpre só 15. Depois, esses 15 são feitos de dias e noites. Quando a gente está dormindo tanto faz estar solto como preso. Então, não são 15 anos, são 7 e meio. E, por último, meu filho, você não vai cumprir esses 7 anos e meio de uma vez só. Vai ser dia a dia, dia a dia. Suavemente.

(Sebastião Nery conta a historinha).

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/420140/porandubas-n-868

domingo, 7 de junho de 2026

Causo Médico: O ENTERRO DE UM FUNDADOR

Corriam os anos setenta do século antanho, quando a comunidade médica e a sociedade locais foram colhidas pelo abrupto falecimento de um dos fundadores da primeira Faculdade de Medicina de um estado nordestino.

À beira do túmulo, sem pedir licença a ninguém, um antigo catedrático da escola médica, possuidor de grande erudição, resolveu fazer uso da palavra e tome a falar, discorrendo sobre os notáveis feitos do falecido, enaltecendo suas valorosas qualidades.

Falou tanto, que só faltou dizer que o morto, como sempre, estava na vanguarda institucional, e que, logo mais, seria seguido por seus colegas docentes, que fariam companhia a ele na morada eterna. Por muito pouco, o orador não chegou a apontar e a nomear os seus colegas médicos, dentre os ali assistentes, que o acompanhariam, algo que, certamente, causaria um certo rebuliço e desconforto entre os que seriam indicados para um tão inusitado séquito funéreo.

Após mais de uma hora de laudatório no campo santo, com o sol a pino, pois chegara o meio-dia, sem sinais de quaisquer nebulosidades que amenizassem os efeitos das radiações ionizantes, com os presentes suando a cântaros, os coveiros, cansados de esperar, encostaram suas pás e foram descansar sob a sombra de uma velha árvore.

O receio era de que o extinto, a qualquer instante, decidisse despertar do sono da morte, rogando que o fastidioso discurso fosse interrompido, deixando-o, finalmente, descansar na eternidade, liberando, assim, familiares e amigos de tão demorada cerimônia fúnebre.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.77.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: o enterro de um fundadorIn: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Janeiro de 2025 - Edição n.40. p.24 (online). (Doc. Nº 8.2.747).


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Crônica: "Avohaia" - a vaia que leva o avô paia ... e outros causos

"Avohaia" - a vaia que leva o avô paia

Mencionada vaia eu levei dum menino de sete aninhos - o neto Bernardo. Tudo pela ausência de comprovação de que já treinei no Fortaleza Esporte Clube -Tricolor de Aço do Parque dos Campeonatos. Era o primeiro semestre de 1969, eu estive no Estádio Alcides Santos, no Pici, levado pelo Jurandir Branco (Jurandir "Ratinho", como o conhecíamos em São Gerardo), para mostrar alguma habilidade no "dente de leite".

- Com essa perna, vô? - pergunta curioso o amável netinho conversador.

- Não, eu nem caxingava ainda.

- Como foi nesse dia, no Leão?

- A ruma de meninos em campo, Jurandir botou uma camisa no meu ombro, pediu que eu vestisse e entrasse. Queria que eu desse uma de Croinha!

- Fez gol?

- Dez minutos, somente 10 gols!

- Égua do vô!!! Se garantiu!!! Me mostre uma foto do senhor em campo!!!

- Tem não, Bernardo!

- Mas vô, como é que eu vou acreditar nesses 10 gols?

- Minha palavra num vale?

- Vale, com uma foto!!!

Não deu outra - a "avohaia" comeu de esmola. Inda teve coice:

- Esse vovô jogador é muito paia! Em campo, vô! Em campo!...

A outra foi com tia Dilurde

A gente "véve" falando das coisas passadas, quando quase impossível era comprová-las por imagem, e passamos por loroteiros. Desta vez fui eu que duvidei de uma irmã de papai, na famosa história da dentadura. Nesse tempo não havia a fotografia fácil do celular. Que o comprove tia Dilurde, na consulta ao médico. Pela demora em ser atendida, foi ao banheiro. Terminado o serviço, despiu a boca das próteses dentárias para lavá-las, e assim a Binaca (spray de refrescar o hálito) fazer melhor efeito.

Desprovida dos dentes postiços que levara com esmero, deixados sobre o tampo da pia enquanto passava uma aguinha no rosto, ouviu seu nome ser chamado. Aperreada por ser atendida pelo clínico geral, deixou o banheiro e o par de próteses também. Já em atendimento, nem deu fé que estava banguela. O médico falou que tia estava bem, mas...

- ... precisa só botar esses dentes!

- Dentes? Ah! Peraí, doutor!

Lembrou-se da dentadura no banheiro e correu. Lá, porém, o canto mais limpo. Reclamou-se à atendente, que disse nada poder fazer. Confusão chega à gerência. Diretor vai direto ao assunto, pede foto dos dispositivos removíveis na bancada do WC.

- Como é que eu vou acreditar numa história dessa, senhora Dilurde?

- Minha palavra num vale?

- Vale, com uma foto!!!

Adjetivando o "bife do oião"

Todo santo dia lá estava o amigo Manel no restaurante da Vitória, e sempre a mesma comida no almoço: baião de dois, bife mal passado e farofa. Tinha dois anos isso. Até que uma vez, com jeito, perguntou à proprietária senão havia outra opção. Ela cismou.

- O senhor não está gostando do nosso dicumê, Dr. Manel?

- Tô gostando, sim! Ocorre que, tanto tempo com o cardápio igual eu...

- Ah, pois amanhã se prepare para uma surpresa! Maravilhosa surpresa, meu dotô!

Dia seguinte a surpresa: um ovo frito cobrindo o prato de sempre.

- Gostou?

- Formidável, maravilhoso, sensacional, fantástico, fora de série, inigualável!

Fonte: O POVO, de 8/05/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


 

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