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domingo, 20 de setembro de 2026

SULIVAN MOTA

Por Lêda Maria, jornalista de O Povo

Desde criança ele já manifestava o desejo de ser médico. Aos 9 anos, conseguiu comprar o seu primeiro livro de pequenos socorros e logo aprendeu a aplicar injeção, ganhando a confiança das pessoas e entregando-se à prática de um "pequeno doutor", recebendo da família orientação e motivação.

Após a formação em Medicina, pela UFC, conheceu o Iprede, ali exercendo sua vocação de amor. São 40 anos de dedicação. Aqui está Sulivan Mota, nosso entrevistado.

1. Quem é você?

Eu sou o Sulivan Mota. Ou melhor, eu fui o Sulivan Mota até alguns anos atrás, quando assumi o Iprede. A partir dali, passei a ser o Sulivan do Iprede.

É assim que a sociedade carinhosamente me chama. E eu sou imensamente feliz por isso — por estar nesta casa e ouvir "o Sulivan do Iprede" e não o inverso, "o Iprede do Sulivan", o que me deixaria profundamente triste. Sou pediatra de alma.

Professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, onde exerci a docência por escolha de vida durante 44 anos.

2. Por que optou pela profissão de médico?

É difícil dizer, porque me falta a lembrança de ter pensado em qualquer outra profissão. Sempre tive a certeza absoluta de que seria médico.

O que me levou a isso, realmente, não sei. Não tive um pai ou um irmão mais velho médico para me influenciar.

Aos 10 anos de idade, depois de insistir muito, meu pai comprou para mim um livro que ensinava a aplicar injeção intramuscular.

Li e reli aquele livro e, depois de meu pai tomar a lição repetidamente, abri meu pequeno ambulatório para fazer curativos e aplicar injeções.

Tinha uma maletinha que eu carregava para cima e para baixo, atendendo a vizinhança ou alguém da família que necessitasse. Assim, ainda menino, eu já me projetava médico.

3. E o Iprede, como chegou à sua vida?

O Iprede chegou de forma muito suave, muito terna. Não sou fundador, mas, logo depois de fundado, cheguei ao Iprede como professor da UFC, levando meus alunos da disciplina de Desnutrição para aulas práticas.

Naquela época, a desnutrição atingia um pouco mais de um terço de nossas crianças. Logo me encantei com o Iprede, pela sua capacidade de estudar e por suas articulações com entidades do mundo inteiro, como o Instituto de Nutrição de Londres, onde Waterlow era o maior pesquisador em desnutrição da época.

Depois passamos a ser plantonista e médico do ambulatório, sempre nos comprometendo com aquele trabalho lindo, que transforma vidas. Falo no plural porque essa caminhada tem a companhia inseparável do pediatra João Nelson.

Nos encantamos tanto que, quando o Iprede esteve ameaçado de fechar as portas, decidimos assumir a entidade, mesmo em meio a grandes dificuldades. Chegamos com o coração aberto, com muita fé em Deus, que se faz manifestar aqui a todo instante.

4. Hoje quais são os seus dois principais desejos nessa caminhada no Iprede?

Alimentamos um dos maiores sonhos: a autossustentabilidade. No início nos pareceu utopia, mas a cada dia nos aproximamos mais dela. O primeiro desejo foi honrar e pagar as dívidas.

O segundo, o sonho que hoje nos move, é alcançar escala no atendimento das crianças neurodivergentes. Hoje temos uma demanda que jamais o Estado brasileiro terá condições de atender sozinho.

Mesmo havendo recursos, não teremos profissionais suficientes para assistir todas as crianças necessitadas.

A metodologia que se tem hoje para a intervenção no autismo exige um contingente de especialistas que o Brasil não dispõe.

O Iprede estudou e desenvolveu uma metodologia 10 a 12 vezes mais barata que a tradicional e que pode ser implantada tanto no pequeno quanto no grande município do Brasil.

Meu sonho é vê-la implantada, atendendo à demanda por inteiro. Só em Fortaleza, esta demanda ultrapassa 55.000 crianças buscando uma vaga para atendimento que, certamente, não terão se nada mudar.

5. Devoto de Irmã Dulce, como se relaciona com ela e qual uma graça alcançada?

Irmã Dulce tem sido a nossa mentora, a nossa santa milagrosa fazendo com que aqui dentro hoje possamos atender 4 mil crianças, 4 mil famílias.

A gente conseguir fazer a transformação dessas realidades confirma a cada momento a verdadeira realização de um milagre dela.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/09/2026. V&A. Lêda Maria. p.3.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Francisco Flávio Leitão (1939-2026): uma forte comoção silenciosa

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Professor Dr. Francisco Flávio Leitão (1939-2026) que está nos deixando, causou uma forte comoção silenciosa, mas profunda no seio da sociedade de Fortaleza.

Flavio nasceu com os horizontes escurecidos da II Guerra Mundial. A Igreja Católica Apostólica Romana, último bastião contra a Modernidade erguia na cidade pernambucana do Recife, o III Congresso Eucarístico Nacional. Um dos versos do hino falava ”quem não crê, brasileiro não é”.  Flávio, cidadão de Fé, estendeu ao longo de sua vida um caminho afortunado de luz. O Congresso Eucarístico do Recife foi um marco que conseguiu frear o Iluminismo que desejava toldar os rumos intangíveis de nossa Igreja.

Flávio entrava no Seminário da Prainha, no mesmo ano em que o Professor Eliseu Paglioli iniciava o ensino da Neurocirurgia no Pavilhão São José da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A Santa Casa gaúcha agrupa em torno de sua imensa enseada cerca de 9 hospitais, sendo 7 de alta complexidade. O maior centro médico da América Latina. O incrível do fenômeno gaúcho é que está plêiade de nosocômios, acontece no próprio seio da Casa da Caridade.

O pai poeta e a mãe pianista, Flávio Leitão aprendeu cedo a compreender cedo que a vida se engrandece com o serviço.  Flávio era um ser onipresente sem ser onipotente. Foi presidente da Sobrames, mas não aceitou ser reeleito. Frequentava com assiduidade a Sociedade São Lucas de Médico Católico. Quando era voluntário no serviço médico de Guanacés sempre o procurava. Sempre era bem acolhido.

João Alves, o sanfoneiro da Vila era um excelente músico. Certa feita começou a tropeçar nas palavras. A errar as notas. Depois começou a ter convulsões. Conseguimos realizar exames. A TC do Crânio mostrava uma massa expansiva na região frontal. Mostrei o caso ao Flávio. Ele acolheu o diagnóstico.  Disse que operaria. Porém seria interessante realizar uma ressonância magnética do crânio.

João era pobre. Um pobre agricultor que aprendeu a tocar sanfona. Senti dó do João. Pobre, doente e sem dinheiro para se tratar. Fui ao Dr. Arimatéia Santos e ele pagou a RNM. Pedíamos a Deus pelo pobre João. Pois fizemos a RNM e o tumor havia desaparecido.  Um milagre. Uma graça de Deus. Ary ajudando. Flávio sensível ao drama do João. Foi quando sem que fosse chamado, Deus faz a sua parte. E cura o João. Ditosa lembrança que guardo de Arimatéia Santos, Flávio Leitão e a Vila de Guanacés.

Deus é bom!

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Loas a Pedro Salgueiro

Por Raymundo Netto (*)

Conheci o contista e cronista Pedro Salgueiro em uma van rumo ao Aracati, em 2005, quando lancei meu primeiro livro: "Um Conto no Passado: cadeiras na calçada".

O Pedro é funcionário público. Na época, tinha parte das tardes livres e eu estava terrivelmente desempregado. Assim, passei a encontrá-lo muito frequentemente, fosse em sua casa - e até participando das festas de sua família, pois ele ama a sua família -, em livrarias, sebos e bares ou em lançamentos, onde ele me apresentava a escritores cearenses e aos escritores do mundo, em horas e horas de conversas sem pressa em alguma calçada de bar. Além de ter uma biblioteca imensa, ele compra livros para distribuir aos amigos e chegados. Sensível, inteligente e generoso, ele lê as obras desses amigos, percebe-lhes as tendências, estilos e afinidades e oferece a eles livros que crê serem indispensáveis à sua formação literária. Acompanhado de copos de cerveja e de tripa assada, em seus grupos - é muito gregário - ele é apenas um leitor, mas um grande leitor. Sem pedantismo, analisa as obras, destrincha narrativas, discorre sobre a biografia e particularidades daqueles autores, quase como se fossem vizinhos ou amigos, numa naturalidade de quem vive o que diz e o que faz.

Na época que o conheci, ele estava com a coletânea de contos "Dos Valores do Inimigo" no Vestibular da Universidade Federal do Ceará (UFC). Diversas vezes, pude assistir ao brilho do olhar dos jovens estudantes que se reuniam em grupos para conversar com ele. Eram rodas alegres, e não havia ali uma estrela, um escritor sobre pedestal, mas um homem simples que ama a literatura que lê - e como lê - e que produz, mas em um ritmo descansado, pois sempre preferiu viver do que cultuar a viciosa sede da fama. Com seu boné sobre a cabeça, o copinho americano de cerveja em uma mão e pendendo na ponta do indicador da outra um saco plástico com mais livros adquiridos de sebos da região, Pedro desmitificava a figura do escritor. Expunha sobre sua escrita, suas influências e seus mestres em uma conversa tão despretensiosa a deixar claro para aqueles jovens que a leitura e a escrita são manifestações e expressões humanas, e é nisso que reside a sua arte e magia.

Ensimesmado em meu canto, podia imaginar o menino que acordava no fundo encardido da rede, despertando o olhar para os caibros tortos com ripas de marmeleiro de sua casinha humilde no Alto das Pedrinhas de Tamboril, sob as bênçãos do Serrote do Feiticeiro. Aquele que trazia no peito em lágrimas a grande admiração pelo pai, o seu Arimateia, que fora agricultor, comerciante, prático de farmácia e que, na experiência de ser candango em Brasília, aprendeu a "arte das solas, vaquetas, pregos e virolas", vivendo e morrendo sapateiro, ainda jovem, aos 58 anos. Um menino grande e ainda malino cujo sangue do braço esquerdo corria "pelas veredas pedreguentas do Carão. Do outro braço, o sangue das tristes Oliveiras, dos tontos bons da Curimatã, do Jumentão da Maravilha". Sua escrita é atraída pelos "minúsculos seres que sobrevivem nas sombras", e seu tema predileto é a morte e os "assassinatos verbais", assombrado que é pelo som de badalos e chocalhos tinindo no escuro.

É provável que sua escrita, principalmente das crônicas, se dê tomando o cafezinho coado da vó Candinha e comendo as bruacas assadas de dona Geny em cadeiras de balanço à sombra de castanholeiras, ao lado do avô Chico Inácio, a prosear sobre seus livrinhos de caubói e assistindo ao "diabo que, rosianamente, redemoinha no terreiro".

Eu tive muita sorte de ingressar no meio literário com a colaboração, incentivo e a amizade desse "sertanejo exilado no litoral". Aprendi e sempre aprendo muito com ele. É uma grande figura, inegavelmente escritor dos melhores já nascidos no Ceará. E aqui carimbo essa homenagem sincera de gratidão e respeito para esse meu grande amigo.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/07/26. Vida & Arte, p.2.


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

FLÁVIO LEITÃO - UM CAVALHEIRO

Por Antônio Fernando Melo Filho (*)

Tentei dar o título de “gentleman” a este humilde texto, mas já publiquei um esboço de crônica com este título lembrando de meu pai. Para não ser repetitivo, vou recorrer para sua tradução, ou melhor, para nosso vernáculo, o português.

Sempre com um sorriso largo, atendia aos amigos e clientes, fosse em ambiente social ou profissional.

Falo do grande Flávio Leitão, um nome da medicina, da literatura e da sociedade cearense, feliz de quem teve a alegria de seu convívio.

Minha convivência foi limitada, mas muito rica de boas lembranças, muitos escreveram, postaram nos grupos de sociedades, academias etc.; não me contive e corri para o teclado, para nele extravasar minhas emoções e lembranças.

O gentleman, quer dizer, meu pai, teve câncer gástrico, no início dos anos oitenta. Após uma cirurgia para câncer gástrico, meu velho e querido pai apresentou uma dor lombar; de pronto lhe deram o diagnóstico de metástase, e nos aconselharam a procurar um neurologista.

Com a minha mãe, fomos ao hospital de referência da época, “Casa de Saúde e Maternidade São Raimundo”. Era, aproximadamente, 19 horas de um dia de semana, preto no calendário, e lá chegando, encontramos o Dr. Flávio e outro médico, este disse: interna o Fernando (o pai) que amanhã eu vejo. Dr. Flávio, num gesto humano, olhou para minha e disse: Thereza, vou à casa de vocês examinar o Fernando. Felizmente não era nada, poupamos a internação, e com gratidão ganhamos a noite e uma estória para compartilhar com os amigos.

Após me iniciar no mundo das letras, entre Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Sobrames-CE e Academia Cearense de Médicos Escritores – Acemes, e, para a minha alegria, nossa convivência foi mais próxima.

Lembro bem de uma palestra, por ele proferida, em uma reunião da Acemes sobre a História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará.

A pedido do amigo piauiense Luiz Ayrton, colaborei com um capítulo para “História da Medicina Piauiense”, sobre o Dr. Ivan de Moura Fé. A minha principal fonte de pesquisa foi o discurso de saudação, quando da posse do Dr. Ivan na Academia Cearense de Medicina – ACM, uma obra literária, da lavra do Dr. Flávio Leitão.

Em maio de 2025, viajamos para Lavras da Mangabeira para participar do “VII Encontro de Academias de Literatura”, fiquei bem impressionado com o cuidado e carinho dele para com a sua amada Marimilia.

No segundo semestre do ano pretérito nosso mestre e amigo foi submetida a uma cirurgia, que não nos cabe aqui detalhar.

Apesar de tudo, do diagnóstico, da cirurgia, no maio seguinte, neste ano corrente, estivemos juntos naquele ônibus doube deck; embaixo o alto clero, do qual ele era cardeal, quando fomos à Camocim para o “VIII Encontro de Academias Literárias do Ceará”. Da primeira escala, em Itapajé, guardo com carinho uma foto de Inês com o casal querido. Ele participou de 100% das atividades do evento; na programação social não perdia a elegância com seu copo de scotch.

Sou muito inquieto e gosto de caminhar. No final da tarde de sábado, ao sair para caminhar no calçadão de Camocim, encontro nosso mestre na recepção do hotel tentando uma solução para comprar um medicamento; me dispus para a compra na minha caminhada, e na volta fiz-lhe a entrega. Ele foi insistente em me pagar, no que recusei, não podia fazer diferente. Na segunda-feira chega em nossa residência um envelope com o valor em espécie e um delicado bilhete, que aqui transcrevo:

“Fort. 25 de maio de 2026.

Meu caríssimo Fernando,

Quase não consigo dormir, com a angústia de Marimilia em querer que eu pagasse minha dívida com você.

Vão setenta, porque segundo as contas dela é este o valor e não sessenta, como você havia me dito.

De qualquer modo fico-lhe devendo este favor.

Do seu amigo e admirador.

Flávio”

Do “setenta” não lembro o destino, o bilhete, com certeza, o guardo com carinho.

Não poderia deixar de dizer que o “gentleman” e o “cavalheiro”, por um capricho do destino, partiram tendo como causa o mesmo CID (código internacional de doenças).

Aqui ficamos nós com as boas lembranças.

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e vice-presidente da Sobrames/CE.


domingo, 6 de setembro de 2026

Professor Flávio Leitão (1939-2026): o médico

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Brasil colônia não tinha médico. Portugal não admitia alguém que lesse. Queria manter seus súditos analfabetos. Fazia uma exceção os seminários católicos. Estes estabelecimentos possuíam Filosofia e Teologia.

Somente com abrupta vinda de Dom João VI se iniciaria Faculdade de Medicina. A primeira no Terreiro de Jesus em Salvador. A Faculdade de Medicina de Salvador fez florescer a vocação de médicos que adormecia em tantos lares.

Flávio Leitão e seu irmão caminharam com brilho e com determinação na arte de curar. Flávio engendrou os caminhos misteriosos da neuromedicina. Foi mais longe. Buscou a Neurocirurgia. Formado foi para longe. Em 1949 Eliseu Paglioli, filho de Caxias do Sul, inaugurava o Pavilhão São José.

A Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, inaugurada em 1881, é um conglomerado de Hospitais. Lá você encontra o Pavilhão Pereira Filho, inaugurado por um grande médico cearense o Dr. Fernando Carneiro. A proximidade com a Argentina uma das maiores e mais ricas potências pós-guerra, só benefícios trouxeram para os pampas. Flávio trouxe consigo não somente conhecimento, mas a maneira de ser médico. De um comportamento profissional incontestável.

O Hospital Geral de Fortaleza do ex-Inamps, era um hospital de alta complexidade com a predominância de casos cirúrgicos. A equipe de Neurocirurgia era relativamente grande. Dr. Djacir, Dr. Vicente Lobo, Dr. Flávio Leitão, Dr. Sérgio Pouchain, Dr. Soleno Paiva, Dr. Vicente Leitão e Dr. Firmo Holanda. Era a mesma equipe que atuava na Casa de Saúde São Raimundo.

Por muitos anos Flávio foi médico do meu tio José Olímpio de Moraes, portador da Síndrome de Parkinson. A neurocirurgia, como a cirurgia cardíaca, sofreu o impacto do intervencionista. Flávio foi pioneiro em Fortaleza na abordagem cirúrgica transesfenoidal. Foi o pioneiro, que tenho conhecimento da Tomografia do Cérebro. Depois viria a RNM.

Encontrava-se em Flávio, um remanso de serenidade. Uma segurança de um porto iluminado de esperança. Seja pelo sonho que se leva. Seja pelo barco que sai em busca para minar o desespero. Mas Flavio que sempre retornava cheio de alegria. Cheio de vidas alentadas de esperança. Deus é bom.

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


Flávio Leitão - Requiescat in pace

Por Sebastião Diógenes e família (*)

Tive a fortuna de conhecer e conviver com o médico Flávio Leitão desde o tempo da Faculdade de Medicina. Tornamo-nos amigos ao longo da caminhada de mais de meio século. Dou fé. Foi meu professor e foi bom professor.

Fomos colegas no Departamento de Cirurgia e foi um bom colega. Fomos confrades na Academia Cearense de Medicina e foi um bom confrade, amigo, atencioso e lhano. Fomos confrades na Sobrames e foi um escritor dedicado às letras quanto o foi ao bisturi. Este o levou ao panteão nacional dos grandes neurocirurgiões. A pena, vocacionada para o clássico, o levou à gloriosa Academia Cearense de Letras.

O simpático e sempre bem-humorado Flávio Leitão foi um cidadão de bem que se tornou referência exemplar por onde o lume de Deus o guiou.

Marido extremamente cuidadoso com a esposa. Em conversas, quando o assunto pedia, ele adorava pronunciar Marimília. Até em aulas formais. Por vezes, em aulas de neurologia sobre o diagnóstico diferencial entre “hematoma subdural e extradural”, para os alunos da graduação da UFC, dizia que era fácil fazê-lo. “Até Marímília sabe”.

A minha aula de Otorrino seguia à dele. Chegava mais cedo e tinha o prazer de assistia à aula do admirável mestre.

Estou triste com a partida do amigo. Embora ciente da evolução da doença, o impacto da notícia me causou profunda consternação.

Que Deus o receba no Céu e conforte Dona Marimília e toda amada família.

2/9/2026

(*) Da Academia Cearense de Medicina, da Faculdade de Medicina da UFC e da Sobrames/CE.


sábado, 5 de setembro de 2026

Flávio Leitão ditava para todos a necessidade de entender, cativar e acolher a dor do próximo

Por Leda Maria, jornalista e escritora

Havia em Flávio Leitão uma maneira singular de caminhar pela vida: com sabedoria, simplicidade e um profundo reconhecimento de tudo aquilo que verdadeiramente importa. A solidariedade, o bem-querer, a delicadeza nas relações e a capacidade de acolher o outro eram valores que cultivava com naturalidade. Preferia sempre a paz à disputa, a essência às aparências, a suavidade à vaidade e a firmeza do coração às palavras vazias.

Inteligente, culto e profundamente humanista, Flávio transformava conhecimento em serviço. Foi assim que construiu uma trajetória admirável como professor e líder docente da Faculdade de Medicina da UFC, contribuindo decisivamente para a formação de gerações de médicos. Na medicina, exerceu com competência e generosidade a arte de cuidar.

Em seu consultório e nos muitos hospitais de Fortaleza onde atuou, acolheu pacientes que, muitas vezes, além do tratamento, buscavam nele uma palavra de conforto. Não por acaso, alguns dos mais necessitados chegaram a chamá-lo de "santo", reconhecendo naquele médico uma presença que ultrapassa os limites da profissão.

Mas foi na família que sua missão encontrou uma de suas expressões mais profundas. Ao lado de Marimilia, companheira de toda uma vida, construiu um lar onde o amor, a ternura e o aconchego se tornaram fundamentos. Foi nesse espaço de afetos que os filhos aprendem, por exemplo, a força da generosidade e a responsabilidade de fazer o bem.

Entre os amigos que conquistou, os alunos que formou, os colegas de profissão, os escritores e acadêmicos com quem conviveu e os tantos grupos dos quais participou, Flávio deixou uma marca luminosa. Sua presença tinha a rara capacidade de aproximar pessoas, suavizar diferenças e transformar encontros em vínculos duradouros.

Partiu em 1º de setembro, sob o brilho de uma lua cheia que parecia acompanhar, silenciosamente, sua nova trajetória. Ficou, para todos nós, a lembrança de um homem que fez da vida uma permanente lição de solidariedade, paz, conhecimento e alegria. Um homem cuja luz não se apaga com a partida: permanece na memória, nos ensinamentos e, sobretudo, no coração de quem teve o privilégio de conhecê-lo.

A VOZ DO FILHO

"Chorarás teus mortos por três dias." Papai sempre dizia isso para nós. Agora, eu digo: é impossível, papai, chorarmos a sua partida por apenas três dias, mesmo amparados pela fé e pelas palavras de Cristo: "Não perturbe o vosso coração, porque eu preparei um lugar para vocês".

Ainda assim, é muito difícil, neste momento, manter os olhos secos e conter a emoção. Mas o senhor sempre nos ensinou que o espírito deve prevalecer, amparado pela razão e pela sensibilidade de ouvir e atender os aflitos.

Nós vamos seguir a vida fazendo aquilo que o senhor sempre nos ensinou: praticar a caridade, fazer o bem sem olhar a quem, acolher quem nos procura, oferecer atenção aos pacientes, cercá-los de carinho e compreender a dor do próximo — a dor de um familiar, a dor de um amigo. Ouvindo, escutando e mantendo o bom senso para compreender... É difícil falar. O senhor sempre foi o melhor orientador. Por isso, é impossível, neste instante, explicar o amor mergulhado em uma profunda saudade."

E, entre soluços, encerrou-se o depoimento de Flavinho, o filho amado, que traduziu em palavras aquilo que todos sentiam: a dimensão imensa da perda e a permanência de um amor que o tempo jamais será capaz de apagar.

O RECONHECIMENTO DOS AMIGOS

JOÃO MACEDO, MÉDICO E DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UFC

"Doutor Flávio Leitão foi uma referência da medicina cearense. Ajudou a desenvolver a neurocirurgia em nosso meio, foi um exímio cirurgião e deu uma contribuição muito grande à universidade, tendo-se destacado como chefe do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC. Com a aposentadoria, dedicou-se às letras, tornando-se membro extremamente ativo da Academia Cearense de Médicos e Escritores, da Academia Cearense de Letras e da Academia Metropolitana de Letras."

JUAREZ LEITÃO, ESCRITOR

"Flávio Leitão foi o cidadão querido por todos: afável, sorridente, educado, fino. Era uma das grandes unanimidades afetivas de Fortaleza. Cronista e contista de estilo leve, membro e secretário da Academia Cearense de Letras, deixa uma cidade inteira mergulhada na saudade. Sua figura cativante permanecerá perene na memória de Fortaleza, onde desenvolveu, com dignidade, competência e bem-querência, sua trajetória vital. Flávio Leitão está vivo em nós."

HENRY CAMPOS, MÉDICO E PROFESSOR

"Flávio Leitão foi um homem extraordinário: inteligência fulgurante, humanista profundamente culto, mestre como poucos do conhecimento científico vigoroso e da arte médica. Pontificava pela doçura, elegância, generosidade e solidariedade. Inabalável em sua ética, associada a um grande espírito público e conciliador, deixa um exemplo de cidadania e de defesa intransigente da democracia."

JOSÉ MARIA BONFIM, MÉDICO E ESCRITOR

"Professor Francisco Flávio Leitão (1939-2026), uma eterna saudade. Pouco a pouco, a vida vai nos levando aqueles que nos alegram e encantam, negando-nos o abraço, o sorriso, o encontro que é a vitalidade do nosso viver. Flávio Leitão sintetizava toda essa face admirável de passear pela vida. Era uma referência para toda a comunidade médica. Sabia manter um convívio leve, amigo e jocoso."

FERNANDO PONTE, PADRE E MÉDICO

"Ele foi seminarista no Seminário da Praínha. Por toda sua história atendeu muitos pobres que não podiam pagar um médico. Eramos amigos há mais de 60 anos, e estive com ele durante o período de sua enfermidade. Na segunda-feira, fiz a última visita, acompanhando de pertinho a assistência da família. Ele foi um pai e marido, exemplar".

ERNANDO SOUZA, MÉDICO

"A Medicina cearense perdeu ontem um de seus grandes nomes. Flávio Leitão, neurocirurgião, professor e sensível escritor, deixa um legado que vai muito além da técnica: o compromisso com o conhecimento, com o ensino e com as gerações seguintes. Para nós, médicos mais jovens, fica o exemplo de que uma grande carreira não se mede apenas pelos títulos conquistados, mas pelo conhecimento compartilhado, pelas pessoas que ajudamos a formar e pela mão que estendemos aos mais necessitados."

SULIVAN MOTA, MÉDICO

"Um grande médico. Um grande professor. Um grande ser humano. Hoje, uma grande saudade."

RAFAELA CORTEZ, VIZINHA E AMIGA

"Havia nele uma leveza rara, uma leveza d'alma de quem já estava ancorado em um plano maior. Não precisava de muitos discursos; sabia falar apenas com o olhar. E que olhar! Olhos grandes, luminosos e profundamente expressivos, capazes de acolher, advertir ou acalmar sem que um único som fosse emitido. Mas também era um grande apreciador de uma boa prosa. A porta do céu é bem pequenininha, mas ele passou foi sobrando. Já está com Deus e Nossa Senhora."

Fonte: O Povo, de 5/09/2026. Leda Maria V&A. p.3


Professor Francisco Flavio Leitão (1939-2026): uma eterna saudade

Por José Maria Bonfim de Morais (*)

Pouco a pouco a vida vai nos levando, o que nos alegra. O que nos encanta. Momentos a momentos a vida vai nos negando o abraço. O sorriso. O encontro que é a vitalidade de nosso viver.  Flavio Leitão sintetizava toda esta face admirável de passear na vida!

Havia muitos pontos que nos assemelhavam. Havia muitos estreitos que nos estreitavam.  Flavio Leitão era uma referencial para toda a comunidade médica.

Paulo Marcelo o admirava com entusiasmo. Paulo Marcelo quase sempre o consultava. Quando lancei o livro sobre o grande internista, ele fez o prefácio.

No Hospital Geral de Fortaleza trabalhamos juntos. Na fase áurea daquela grande instituição hospitalar. Fiz um ano de Clínica Médica, antes de fazer residência de cardiologia. E fiz a Clínica Médica, na Santa Casa de Porto Alegre.

A Santa Casa é um conjunto de grandes hospitais. Um deles é o de Neurologia e Neurocirurgia onde Flavio fez sua residência. Foi aluno do grande Dr. Eliseu Paglioli (1898-1985) o pioneiro da Neurocirurgia no Brasil. Foi o Dr. Eliseu que inaugurou o Pavilhão São José, onde nosso saudoso professor iniciou seus primeiros passos. Irmanados pelo nosso testemunho de Fé, éramos católicos desassombrados.

Trabalhando com a Dra. Glaura atendi várias vezes seu querido pai o poeta ortodoxo Frâncico Valdevino de Carvalho. Uma certa feita nos encontramos na celebração dos 150 anos do Seminário da Prainha. Uma missa totalmente em latim.

Nas sessões do HGF. Nos corredores da Casa de Saúde São Raimundo. Depois na Sobrames e por fim na ACADEMIA de Médicos Escritores. Um convívio leve. Amigo. jocoso.

De repente surge esta ruptura dolorosa que nos deixa mais tristonhos. Mais empobrecidos por perdermos um profissional tão precioso.

Requiescat In Pace.

Deus é bom.

(*) Da Academia Cearense de Médicos Escritores, da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.


FLÁVIO LEITÃO: o legado do confrade imortal

Por Luiz Gonzaga de Moura Jr. (*)

Todos nós temos o professor, o confrade, o escritor, a verve literária, a lhaneza, a elegância, a experiência, a simplicidade e o fino trato do amigo Flávio Leitão como PROTAGONISTA em várias ações do nosso cotidiano. Delas destaco dois capítulos:

O convívio informal das nossas viagens para os Encontros de Academias Literárias, Ceará adentro: Crateús, Quixadá, Lavras da Mangabeira, Camocim. Apaixonado, atento, protetor e cuidadoso na caminhada, de mãos dadas com sua Marimilia, musa inspiradora do verso e da prosa!

O outro, dele para mim, num dos momentos mais importantes e simbólicos da minha trajetória da atividade profissional:

“O ponto alto do meu relacionamento com o ilustre aniversariante (ao completar SETENT’ANOS), por determinação do Conselho Departamental, tive a honra de outorgar-lhe, na qualidade de Chefe do Departamento da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, a honrosa Comenda Distinção no Ensino Médico.

Fica gravada na memória a sua história, o exemplo, o legado do confrade imortal!

- Amém!

(*) Da Academia Cearense de Medicina, da Academia Cearense de Médicos Escritores e da Sobrames/CE.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ENTRE A ARTE E A MEDICINA: à memória do Dr. Flávio Leitão

Por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg (*)

Ontem, 1º de setembro de 2026, partiu um querido confrade da Academia Cearense de Medicina.

Hoje, ao recordá-lo, quero fazê-lo através daquilo que tantas vezes nos encantou: a Arte, esse território onde a Medicina também encontra a sua mais profunda dimensão humana.

Penso na célebre tela de André Brouillet, “Uma lição clínica na Salpêtrière”, que eternizou o professor Jean-Martin Charcot diante de seus alunos, em uma das mais emblemáticas cenas da história da Medicina. Ali, ciência, observação, sofrimento humano e Arte se encontram em uma mesma imagem.

Essa obra, que tantas vezes nos aproximou em conversas e reflexões, hoje adquire, para mim, um significado ainda mais profundo, pois a escolhi, entre tantas outras, para a capa do meu livro, com o intuito de homenagear o Dr. Flávio Leitão.

O médico que partiu deixa de estar entre nós, mas permanece na memória daqueles e daquelas que tiveram o privilégio de compartilhar sua presença, sua amizade e sua dedicação à Medicina e à luta por uma sociedade mais igualitária e justa.

Que a Arte seja também hoje uma forma de dizer adeus e que permaneça, na memória de seus confrades e confreiras, a imagem de um homem que soube compreender que a Medicina é ciência, mas também é humanidade e que, como na grande Arte, cuidar é, antes de tudo, saber olhar.

À sua memória, minha homenagem, meu carinho, meu respeito e minha saudade.

Descanse em paz, querido confrade!

Fortaleza, 2 de setembro de 2026

(*) Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Neurocirurgião e escritor, Flávio Leitão morre aos 87 anos em Fortaleza

Descrito pela família como dedicado ao próximo, Flávio Leitão conciliou a carreira médica com a literatura, a fé e a atuação em entidades profissionais

Resumo

Faleceu o médico e neurocirurgião Francisco Flávio Leitão de Carvalho aos 87 anos.

Foi pioneiro em técnicas neurocirúrgicas no Ceará e conselheiro do CRM-CE.

Também atuou como escritor, integrando a Academia Cearense de Letras.

Era conhecido pela generosidade e compromisso com os pacientes.

Seu velório e missa ocorrem em Fortaleza no dia 2 de setembro.

Morreu aos 87 anos o médico e neurocirurgião Francisco Flávio Leitão de Carvalho, figura de destaque na Medicina e na literatura cearenses. Segundo familiares, ele morreu nesta terça-feira, 1º de setembro, em Fortaleza, após um período de doença e de cuidados paliativos nos últimos dias.

Ao longo da carreira, Flávio Leitão teve atuação ligada à modernização da neurocirurgia no Ceará. Segundo o filho, Flávio Leitão Filho, o médico foi responsável por introduzir no Estado técnicas neurocirúrgicas que ainda não eram realizadas na região.

“Ele foi o introdutor aqui no Ceará de grandes técnicas neurocirúrgicas. Ele inovou a neurocirurgia do estado do Ceará”, relatou o filho. A atuação profissional também o levou a ocupar funções em entidades representativas da Medicina, incluindo o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CRM-CE), do qual foi conselheiro.

A trajetória institucional se estendeu às entidades especializadas. Conforme o filho, Flávio Leitão participou da criação da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia e presidiu a Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia. Também esteve à frente de um congresso da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Flávio Leitão: Medicina como compromisso

Para a sobrinha Júlia Lopes, a atuação profissional do tio era acompanhada por uma relação próxima com os pacientes e por uma disposição permanente para atender quem precisava. Ela o descreve como um médico generoso e disponível, especialmente em uma área marcada pela complexidade e pelo alto custo dos procedimentos.

“Ele foi um médico assim muito querido pelas pessoas, atuou de uma forma muito generosa. Sempre teve disponibilidade para atender quem precisava”, afirmou.

A preocupação com a formação e a atualização profissional também aparece na memória deixada pela família. Segundo Flávio Leitão Filho, o pai entendia a Medicina como uma atividade que exigia aprendizado contínuo e participação ativa na construção da especialidade.

Da medicina à literatura

A atuação de Flávio Leitão, porém, não ficou restrita aos hospitais e às entidades médicas. Nos últimos anos da vida, o neurocirurgião passou a se dedicar à literatura, especialmente à produção de contos.

O interesse pela escrita o levou à Academia Cearense de Letras (ACL). Flávio Leitão tomou posse como integrante da instituição em 10 de janeiro de 2017. Para o filho, a entrada na Academia representou uma das últimas grandes conquistas da trajetória do pai.

Além da produção de contos, o médico escreveu sobre a própria história familiar. Entre seus trabalhos está um livro dedicado à trajetória do irmão mais velho, Tarcísio Leitão, advogado trabalhista e ex-vereador de Fortaleza que teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964.

Família e formação

A história de Flávio Leitão também esteve ligada a uma família com diferentes trajetórias na Medicina, na política e na advocacia. O irmão mais velho, Tarcísio Leitão, teve atuação política e jurídica, enquanto Vicente Leitão, outro irmão, seguiu a neurologia.

Antes de ingressar na Medicina, Flávio Leitão chegou a ser seminarista. Segundo o filho, permaneceu no seminário entre os 10 e os 14 anos, mas decidiu abandonar a formação religiosa por sentir falta da família. Posteriormente, ingressou no curso de Medicina e se especializou em neurocirurgia.

Na vida familiar, foi casado com Maria Emília Esteves de Carvalho. O casal teve quatro filhos: Ana Maria, Flávio, André e Manuela. A família também cresceu com a chegada de cinco netos: Eleazar Filho, Flávia, José Neto, Letícia e Maria Teresa.

Fé e humanismo

A dimensão religiosa era outra característica destacada pelos familiares. Segundo Júlia Lopes, Flávio Leitão era um católico fervoroso e mantinha uma relação próxima com a Igreja, influência que vinha também da família.

A religiosidade, porém, não era colocada como condição para suas relações. A sobrinha destaca que ele mantinha uma postura de compreensão diante de pessoas com diferentes crenças e escolhas religiosas.

Para o filho, a característica mais marcante do pai era justamente a preocupação com o outro. Mesmo durante os últimos dias, quando já recebia cuidados paliativos, Flávio Leitão teria demonstrado preocupação em não provocar sofrimento adicional na família.

Flávio Leitão Filho conta que, quando perguntado por familiares sobre possíveis dores, o pai procurava tranquilizá-los. Também costumava repetir uma frase relacionada ao luto: “Está na Bíblia que você só pode chorar os seus mortos por três dias”.

“Realmente o negócio dele era pensar no próximo. Essa era a coisa mais marcante do papai”, afirmou.

Despedida

O velório de Flávio Leitão será realizado nesta quarta-feira, 2 de setembro, a partir das 8 horas, na Funerária Ternura, em Fortaleza. A missa está marcada para as 15h30min, no mesmo local, conforme informado pela família.

Para os filhos, a despedida é também um momento de reconhecer a trajetória construída pelo médico, escritor e pai. Em nome dos irmãos, Flávio Leitão Filho agradeceu pela convivência com o pai e afirmou que a família pretende manter os valores que ele defendia.

“Nós agradecemos muito ao bom e generoso Deus por ter nos dado de presente, como pai, o Doutor Francisco Flávio Leitão de Carvalho”, declarou.

Aos familiares, fica a lembrança de um homem cuja trajetória atravessou diferentes campos — da neurocirurgia à literatura, da atuação institucional à vida familiar — e que, segundo eles, manteve como princípio central o compromisso com o próximo.

Fonte: O Povo, de 3/09/26. Farol. p.3 (nota reduzida assinada por jornalista Caynã Marques). Versão completa (online)


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

BIOGRAFIA DO MÉDICO ESCRITOR FLÁVIO LEITÃO

FRANCISCO FLÁVIO LEITÃO DE CARVALHO nasceu aos 21 de abril de 1939 em Fortaleza-CE. Filho de José Valdivino de Carvalho, professor e poeta, e Maria Adamir Leitão de Carvalho, pianista. Médico neurocirurgião, contista e memorialista cearense.

FORMAÇÃO E ATIVIDADE PROFISSIONAL

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) (1959-1964). Realizou especialização em neurocirurgia no Hospital São Francisco, em Porto Alegre (1965-1966).

Fellow do Serviço de Neurocirurgia da Tufts New England Medical Center – Serviço do Prof. Dr. Bennett M. Stein. (1973). Mestre em Cirurgia pela UFC (1998-2000).

É professor adjunto aposentado da Faculdade de Medicina da UFC e médico aposentado do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Presidiu a Comissão de Ensino e Cultura do Corpo Clínico do HGF (1972).

OBRAS LITERÁRIAS

Participou das seguintes Antologias da Sobrames-CE: Esmeraldas (1993), Prescrições (1994), Amostra Grátis (1995), Recidivas (1998), Palpitações (2000), Anseios da Face (2002), Veia Poética (2004), Inspiração (2006), Queixa Principal (2007), Achado Casual (2008), Ressonâncias Literárias (2009), Receitas Literárias (2010), Passeata Literária (2011), Murmúrios Literários (2012), Letras que Curam (2013), Digno de Nota (2014), Ritmo Literário (2015), Semeando Cultura (2016), À Flor da Pele (2017), Lapso Temporal (2018), Pontos de Vista (2019), Sopro de Luz (2020), A Plenos Pulmões (2021), Limiar da Criação (2022), Lampejos da Memória (2023), Uso Profilático (2023) e Piscar de Olhos (2025).

Participou da Revista da Academia Cearense de Médicos Escritores: Nº 1 (2017), Nº 2 (2018), Nº 3 (2019), N° 4 (2020), N° 5 (2021), N° 6 (2022), N° 7 (2023), N° 8 (2024) e N° 9 (2025).

Outras Obras: História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará (2009), Algumas Achegas à História da Neurologia Cearense. in: História da Neurologia no Brasil (Capítulo 11), Retórica de Circunstâncias (2016), Ventura de Gamalielzinho & Outros Contos (2016) e Tarcísio Leitão – Trajetória de um Coerente (2022).

AGREMIAÇÕES

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN); da Academia Brasileira de Neurocirurgia; da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia (SNNC); da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia (SOCENNE); do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; da Academia Cearense de Medicina (ACM); da Academia Cearense de Letras (ACL); da Academia Cearense de Médicos Escritores, (ACEMES, Fundador); Membro Titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames‐CE), da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Membro Correspondente da Academia Pernambucana de Medicina (2018). Membro Titular da Associação Brasileira de Bibliófilos (2012).

HOMENAGENS

Recebeu as seguintes Homenagens: Homenagem da SOCENNE por ter sido Membro Fundador; Homenagem da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, no seu 60º. aniversário – 2002; Troféu Coruja de Ouro pela SOCENNE (Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia) – 2006; Troféu cinquentenário do I Congresso Brasileiro de Neurocirurgia – 2008; Distinção no Ensino Médico do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC – 2009; Homenagem Especial patroneada pelo NEAN (Núcleo de Estudos Acadêmicos em Neurocirurgia – 2010; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia – 2013; Homenagem da Escola Municipal Prof. José Valdivino de Carvalho, Medalha Valdivino de Carvalho – 2014; Medalha do Mérito Ético-Profissional do CRM-CE – 2014; Homenagem do NEAN-UFC – 2015; Comenda do Mérito Médico do Curso de Medicina da Unifor – 2016; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia Honra ao mérito condecorado com a medalha Dr. Rafael Rodrigues Holanda – 2017; Homenagem pela Academia Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Medalha da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Certificado de Gratidão – Refeitório São Vicente de Paulo das Irmãs de Caridade – 2023; e Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Nota: Elaborada com base na postagem feita por Pedro Mendes, para o Projeto de Iniciação Artística intitulado “Perfis de médicos escritores do Ceará: incursões literárias e culturais” (Chamada Pública 82/2023 - Exercício 2024), sob orientação e revisão do Dr. Marcelo Gurgel, aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Ceará.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro Titular da ACM, da ACEMES e da ACL


domingo, 23 de agosto de 2026

Melissa Gurgel, professora titular da FEQ/Unicamp

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Minha sobrinha Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ/UNICAMP). Ela já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice de sua carreira acadêmica, cujo currículo já apresenta mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um destes em Stuttgart, na Alemanha.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo, segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier.

Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.

Postagens sobre Melissa no blog "Linha do Tempo":

2009 MELISSA APROVADA

2010 O COBEQ DE 2010

2016 MEURIS E MELISSA, ORIENTADORAS DE TESE DE MESTRADO

2023 NO RANKING DOS PESQUISADORES INFLUENTES

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 31/08/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2026/08/melissa-gurgel-professora-titular-da.html


terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEU AMADO PAI

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Como seguirei sem ouvir a sua voz, sem ouvir a sua risada maravilhosa, sem ouvir o senhor dizer que a casa estava mais bonita quando eu dormia com vocês? Como será não ouvir o senhor perguntar: "Cadê os meninos, minha filha?"? Como será escrever sem ter o meu maior admirador para fazer os comentários amorosos, hiperbólicos e suspeitíssimos - afinal, eram seus, papai? Como seguirei sem o meu melhor amigo, que segurou a minha mão quando eu não tive condições de me sustentar? Como será viver sem o seu olhar e o seu sorriso apaixonados por mim, pai? Como será não ouvir o senhor dizer: "O vovô é axaponado pela Maína"?

Pai, me falta um pedaço. Já não sou mais a mesma. Ao mesmo tempo, algo se expande. Suas raízes se aprofundam em mim. É algo inominável, mas talvez as palavras de Drummond se aproximem do que eu sinto: "A ausência é um estar em mim, e essa ausência assimilada ninguém a rouba mais de mim".

Pai, agradeço a Deus por ter dormido na sua casa na sua última noite. Quando cheguei, conversamos sobre o meu aniversário, que se aproxima, e eu lhe disse: "Vou fazer 45 anos, pai". E o senhor me respondeu: "É muito tempo, minha filha. Mais que o dobro da idade que eu tinha quando perdi o papai".

Ao acordar, dei-lhe um beijo de bom-dia, e o senhor me disse, pela última vez: "A casa está mais bonita!" Depois, voltou-se para a mamãe e perguntou: "Guidinha, quer casar comigo?" Sorri e perguntei: "Quer renovar os votos, pai?" E o senhor respondeu, brincando: "Não. Quero casar de novo com ela".

Lembra do passarinho que vi de longe e mostrei ao senhor, pai? Outro dia, enviei-lhe um vídeo de um bem-te-vi cantando na minha casa, e o senhor me escreveu: "Ele deve estar falando uma coisa muito boa, minha filha". Agora, pai, sempre que um passarinho cantar, vou sentir que é o senhor me falando coisas boas.

Lembra que eu lhe contei que o meu dia anterior tinha sido muito bonito? Que eu tinha ido à Praia de Iracema ver o pôr do sol e senti tanta vontade de tomar banho de mar - porque foi o senhor, pai, quem me ensinou a amar o mar - que entrei de roupa e tudo, e o senhor sorriu? Mostrei também ao senhor a foto de uma criança brincando, e o senhor repetiu uma frase que dizia tantas vezes: "Criança é uma maravilha!"

No seu último dia, pai, o vento soprava forte. Lembra que o senhor dizia: "Dizem que, quando a gente sente o vento no rosto, é Deus nos acariciando." Ele o acariciou, papai.

Lembra que ouvimos juntos "Todo Sentimento", do Chico?

O senhor descansou nos meus braços, papai, que tenham sido o colo do amor mais profundo que uma filha pode oferecer a um pai.

Depois de te perder

Te encontro, com certeza

Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada

Nada aconteceu

Apenas seguirei, como encantada ao lado teu

Da sua sempre, Ticinha

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/07/2026. Opinião. p.17.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Parte de vila militar é demolida para construção de nova praça em Fortaleza

Por Victor Marvo, jornalista de O Povo

Conjunto de residências da Base Aérea de Fortaleza estava desocupado há mais de uma década. Obra com investimento de R$ 3,25 milhões deve ser concluída em 2027

Resumo

“Oito residências da antiga vila militar da Força Aérea Brasileira (FAB), no bairro Aeroporto, em Fortaleza, foram demolidas como parte das intervenções para a implantação de uma praça integrada ao projeto do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Ceará. A demolição foi iniciada no fim de junho. Agora, no local restam árvores em um terreno cercado por tapumes e uma placa que indica a construção do novo pátio.”

Historicamente, as vilas militares eram construídas para abrigar militares da ativa e suas famílias nas proximidades das unidades onde serviam. Esse modelo foi adotado em praticamente todas as bases da FAB criadas entre as décadas de 1940 e 1950.

Em Fortaleza, o conjunto de residências pertencia à Base Aérea de Fortaleza (BAFZ), localizada entre as avenidas Borges de Melo e Aguanambi, e começou a ser desocupado em meados de 2013, quando o 1º Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação foi transferido para a Base Aérea de Natal (RN).

Praça terá nome do criador do ITA

O projeto da praça foi anunciado pelo governador Elmano de Freitas (PT) em abril deste ano, durante a cerimônia de entrega da primeira etapa das obras do campus do ITA Ceará.

Com investimento de R$ 3,25 milhões, a praça será construída em frente à Base Aérea de Fortaleza e deverá ser entregue no início de 2027, conforme informou a Superintendência de Obras Públicas (SOP).

O equipamento será denominado Praça Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, em homenagem ao cearense considerado patrono da Engenharia da Aeronáutica e idealizador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Conforme registros da FAB, Casimiro Montenegro Filho nasceu em Fortaleza em 28 de outubro de 1904 e ingressou na Escola Militar do Realengo em 1923, sendo declarado aspirante a oficial do Exército em dezembro de 1928.

Como será a nova praça?

Em resposta ao O POVO, a SOP confirmou que as próximas etapas da obra incluem serviços de pavimentação, urbanização e paisagismo, além da revitalização das áreas verdes e da instalação de um busto em homenagem ao marechal.

Com área aproximada de 4,5 mil metros quadrados, a praça contará com quadra poliesportiva, pista de skate, bicicletário, brinquedopraça, academia ao ar livre e espaços destinados ao lazer e à convivência da população, além de intervenções de urbanização e paisagismo.

A iniciativa segue a linha de outros projetos recentes do Governo do Ceará, como o Parque Dom Aloísio Lorscheider e o Polo Esportivo e Cultural do VLT Aeroporto, voltados à promoção da qualidade de vida por meio da requalificação dos espaços urbanos.

Transformação da área começou em 2020

A transformação da antiga vila militar da Força Aérea Brasileira (FAB), na avenida Borges de Melo, não é recente.

Em novembro de 2020, O POVO noticiou o início da demolição de parte do conjunto de residências de oficiais da Aeronáutica, após a cessão da área pela União ao Governo do Ceará para a implantação do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp).

Na época, os imóveis já estavam desocupados havia cerca de oito meses em razão da redução do contingente da Base Aérea de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Cidades. p.15


Doa a quem Doer... Cid Carvalho

Por Raymundo Netto (*)

"Alô, amigos. Aqui, Cid Carvalho."

Assim começava por numerosos anos, no pingo do meio-dia, um dos quadros de maior audiência e credibilidade do rádio cearense. O radialista, jornalista, advogado, ex-senador da República, professor e poeta Cid Saboia de Carvalho veio à luz em Fortaleza, em 25 de agosto de 1935, despedindo-se desse mundo com grande pesar e repercussão em 10 de julho de 2026, prestes a completar bem vividos 91 anos.

Começou muito cedo, aos 12, a trabalhar em comunicação, como um dos redatores do jornal de seu pai, o combativo "Diário do Povo", resistência aos arbítrios do Estado Novo. É preciso dizer: no sangue, o jornalismo gritava, sendo filho de um casal brilhante de jornalistas, Jáder de Carvalho e Margarida Saboia de Carvalho, e neto de Eduardo Saboia, o "Brás Tubiba" da Padaria Espiritual, que, como Cid, foi jornalista, escritor, professor da Faculdade de Direito e político.

Mas não se deteve a jornais, adotando desde a juventude outra tribuna, a mais legítima de sua vida: o microfone de rádio. Aos poucos desenvolveu estilo próprio de narração e expunha o seu ponto de vista sobre os mais diversos assuntos e denunciava, primeiramente nas rádios Uirapuru e Assunção, e depois na Dragão do Mar, atuando como comentarista político e esportivo - era torcedor do Fortaleza. Mais tarde, em emissoras de televisão, quando inaugurada a TV Uirapuru, canal 8, em 1978, e a TV Cidade, em 1981.

Graduou-se em Direito pela UFC, em 1966, onde atuaria no magistério, assim como ministrou aulas nas Ciências Econômicas, na Filosofia e na Comunicação Social.

Como senador, eleito em 1986, participou ativamente na Assembleia Nacional Constituinte, que originou a "Constituição-Cidadã" de 1988. Outro orgulho seu: a cocriação da Advocacia-Geral da União (AGU).

Em sua trajetória, desde sempre se orgulhou de dizer ser independente, honesto e defender os princípios e valores humanos, entre eles, espírita que era, a caridade.

Outro grande amor na sua vida, além da família - e de seus almoços de domingo -, era o livro. Adorava viver, ouvir música, dar aula e ler livros. Tanto os amava, que até aprendera com artesãos a encadernar e a restaurá-los. Lia e escrevia. Entre suas obras, publicou ensaios, discursos e textos jurídicos, mas também inventava tempo, no meio de inúmeras atividades, para encontrar as musas de sua poética. Daí, ingressou na cadeira nº 20 da Academia Cearense de Letras, assim como no Instituto do Ceará, na Academia Cearense de Retórica, Academia Cearense da Língua Portuguesa, Associação Brasileira de Bibliófilos e na Academia Fortalezense de Letras, na qual foi o seu primeiro presidente. Durante uma homenagem da "Feira do Sebo" na praça do Ferreira, o assisti dizer que ainda haveria de escrever uma biografia de seu pai, Jáder de Carvalho. Ouvir aquele homem, popularmente reconhecido, em seus 70 anos, embargar a voz entre lágrimas ao proferir essa "promessa" de admiração foi tocante. Era absoluta e justificadamente fascinado pela figura paterna, seguindo-a em seus passos. Assim, também se comoveu ao receber "O Canto Novo da Raça" (1928), marco do modernismo cearense, do qual o pai foi coautor, editado por mim durante minha passagem pela Secult. Hoje, com a sua partida, imensa lacuna foi aberta no Ceará. Porém, nas palavras do seu "Pássaro de Fogo", o alento: "[...] se no teu morrer diário/ na tua angústia noturna/ pensares que ele se foi/ ele ainda restará no coração".

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Vida & Arte, p.2.


domingo, 9 de agosto de 2026

PAI QUERIDO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Pai querido,

Eu venho te agradecer

Pela vida e pelo amor,

Que me deste,

Desde o nascer.

 

Pelos exemplos de fé

De resistência aos atropelos

De resiliência nas quedas

Que, no silêncio, me deste.

 

Para mim foste perfeito,

Mesmo nas tuas imperfeições.

Quanto trabalho eu te dei,

E tu nunca me deixaste na mão.

 

Perdão pelos dissabores que te dei,

Gratidão pelo teu amor e carinho,

Pelos conselhos, correções e castigos

Com eles aprendi, cresci e amadureci

 

Eu te vejo em celeste dimensão,

No céu, com Maria, mãe de Jesus,

Ao lado de muitas outras Marias,

Uma delas é minha mãe querida.

 

Por ti, Papai, elevo

Uma ardente prece de amor.

Sê feliz e abençoa-me

Até um dia juntos pra sempre.

 

Com esta mensagem, abraçando meu pai, que já partiu, saúdo todos os pais, tanto os vivos como os que se transmudaram para os páramos da eternidade, onde todos nos encontraremos um dia.

Pedro Bezerra de Araújo

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 9/08/26.


 

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