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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Solidão na velhice: paz e liberdade para uns; crueldade para outros

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

— Até que enfim! — disse minha amiga Rita ao ler este título. — Agora você vai falar da solidão sem romantizá-la.

Ela tinha razão. Enquanto liamos o texto, acompanhava cada frase com o dedo na testa, cenho franzido, caras e bocas, mas, desta vez, parecia solidária às minhas ideias.

— É isso mesmo, Rita. Existe a solidão cruel: a do abandono, da invisibilidade e do idadismo. Essa fere, aniquila vidas e precisa ser combatida. A boa notícia é que hoje já conhecemos a dimensão do problema. Os números mostram que o Brasil envelhece rapidamente e precisa aprender, com urgência, a cuidar de seus velhos. É tempo de inovar na forma de acolher idosos com suas limitações da idade e das doenças crônicas, prevenindo sofrimentos que tantas vezes decorrem do descuido "Quem vai cuidar de você? Brasil envelhece sem se preparar para a conta da longevidade (Folha, 12-07-2026) desvenda essa grande questão sugerindo rotas possíveis de controle das mazelas de nós, os velhos brasileiros.

Mas existe outra solidão. É dela que falo agora.

Fernanda Montenegro disse, em entrevista ao Canal Brasil: "Por mais que você seja amado, por mais que seja cuidado, a velhice é solidão. É saber viver na solidão."

Concordei.

Não pela falta dos outros, mas porque chega um tempo em que ninguém pode ocupar o lugar da nossa própria consciência. É você diante de si mesmo, do que ainda é e do que já não é mais.

Foi isso que aconteceu comigo quando, aos 79 anos, a velhice me sacudiu inteira.

Assustou-me, mas trouxe uma paz que eu nunca conhecera.

Passei grande parte da vida correspondendo às expectativas da sociedade: ser produtiva, bonita, jovem, disponível, mãe e profissional competente. Como tantas mulheres, deixei que aparassem meus desejos para caber nos moldes do tempo.

Hoje percebo que meu livre-arbítrio era menos livre do que imaginava.

A velhice devolveu-me algo precioso: a liberdade de escolher por mim, sem culpa, sem disputas e sem a necessidade de provar meu valor.

Rita interrompeu meu entusiasmo:

— Mas nem toda velhice vive isso.

— Sim! — respondi. — Estás com razão.

A Organização Mundial da Saúde afirma que o idadismo atinge metade da população mundial. É ele que invisibiliza, infantiliza e afasta pessoas idosas, produzindo a mais dolorosa das solidões.

Clarice Lispector mostrou isso magistralmente em "Feliz Aniversário". Cercada pela família, Dona Anita chega aos 89 anos profundamente só.

Percebo, então, que existem algumas solidões na velhice.

A que nos é imposta pelo preconceito.

E a que nasce quando aprendemos a fazer boa companhia a nós mesmos.

A primeira precisa desaparecer.

A segunda pode ser uma das maiores conquistas da velhice.

— Então você continua gostando da palavra solidão? — insiste Rita.

Continuo.

Porque já não a confundo com abandono acabamos de discernir as duas.

Passei boa parte da vida tentando não ficar só.

A velhice ensinou-me que era justamente ali, no encontro comigo mesma, que morava a liberdade que procurei durante toda a vida.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/2026. Ciência & Saúde. p.16.


sábado, 22 de agosto de 2026

O VELHINHO NO OCULISTA!

Um velhinho já de idade bastante avançada vai ao oculista. Chegando lá, o médico começa a fazer o exame como de costume. Coloca o paciente um pouco distante da placa com as letras de tamanhos diferentes e pergunta:

— O que o senhor vê na fileira de baixo? Quais são as letras?

E o velhinho responde:

— Ih, doutor, não consigo responder isso para o senhor.

Então o médico sobe uma linha acima, com letras maiores, e faz as mesmas perguntas:

— E agora? O que o senhor vê?

O velhinho diz: — Continuo sem entender, doutor...

O médico estranha. Mesmo com idade avançada, não é possível que não conseguisse enxergar as letras. Então ele aponta para as maiores e faz a mesma pergunta. O velhinho responde a mesma coisa:

— Doutor, não entendo nada. —

– Muito estranho.... – diz o médico

– Acredito que vamos ter que operar o senhor.

No dia seguinte, a operação foi feita. Depois, o médico pergunta ao velhinho:

— E então? Como se sente?

— O senhor acha mesmo que agora eu vou conseguir ler, doutor?

— Claro que sim – diz o médico

– Sua cirurgia foi um sucesso!

E o velhinho responde:

— Que bom! Eu não sabia que a medicina estava assim tão avançada! Até ontem eu não conseguia ler nada porque era analfabeto!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 20 de junho de 2026

A osteoporose e o Congresso de Fortaleza

Por Vandick Queiroz (*)

Fortaleza sediará hoje, no Hotel Gran Mareiro, o Congresso Norte-Nordeste de Osteoporose e casos cirúrgicos ortopédicos em idosos. Será uma iniciativa inédita da Associação Brasileira Ortopédica de Osteoporose, devendo reunir os maiores médicos especialistas nessa área científica. Como sabemos, nossa população está em processo de envelhecimento acelerado e a tendência é que possa vir a sofrer cada vez mais, infelizmente, de osteoporose, osteoartrite e sarcopenia (que é a perda de massa musculação).

A Osteoporose é uma doença silenciosa, até começarem a ocorrer fraturas pelas quedas e por traumas de baixa energia, resultando em dores e limitações crônicas que afetam a mobilidade e a qualidade de vida, além de custos sociais (pois alguém da família ficará sem trabalhar, para cuidar dessa pessoa idosa) e também para os sistemas de saúde público ou privado.

Atualmente, temos mais de 10 milhões de brasileiros com osteoporose e a carga pessoal e social só tende a aumentar. Todo um esforço está sendo feito para a adequada prevenção dessas doenças, sendo fundamental a discussão dessa problemática entre os médicos especialistas (razão maior desse congresso médico em nossa cidade) e todos os setores da sociedade envolvidos.

Na conjuntura atual, não somente no Brasil como também no mundo inteiro, após o paciente sofrer uma queda da própria altura associada a uma fratura da coluna, quadril ou outras articulações, em cerca de 80% dos casos, é feito muitas vezes somente o tratamento cirúrgico da fratura.

Devemos evoluir para uma situação em que os pacientes também devam se encaminhados para fazer o diagnóstico e tratamento da doença osteoporótica que realmente foi a causadora da fragilidade óssea. Com isso, preveniremos efetivamente mais e mais fraturas, evitando sofrimentos e gastos, possibilitando uma vida mais longa e de qualidade para as pessoas idosas.

Informação importante: fratura osteoporóticas em idosos, não somente as do fêmur, matam mais que câncer de mama, infarto agudo do miocárdio e AVC!!!

(*) Médico ortopedista. Especialista em osteoporose.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/06/2025. Opinião. p.26.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Autocuidado e liberdade radical são carne e unha para uma ótima velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Minha amiga Rita me ligou de São Paulo cobrando o artigo que prometi escrever sobre a população velha — aquela não bem-dotada de saberes e recursos para o bem-viver. Disse, mais uma vez, que eu romantizo a velhice, como se os velhos não sofressem e bastasse querer para serem felizes. "E não é bem assim", resmungou.

Hoje, sem ela por perto, mas tentando acalmá-la e entrando na "real" que ela cobra, digo: os velhos no Brasil vivem, sim, o desamparo. Como lembra Alexandre Kalache: "Envelhecer não é tão fácil não". E não é mesmo. Os dissabores da velhice exigem políticas públicas claras e eficazes.

Se volto à história, vejo que, desde o Brasil Colônia, os cuidados com os velhos ficaram muito mais nas mãos da caridade — Santas Casas de Misericórdia e famílias — do que sob o dever social do Estado.

Como mostra Mary del Priore em História da Velhice no Brasil, o envelhecer, por muito tempo, foi vivido à margem de direitos, sustentado mais pela compaixão do que por políticas bem estruturadas. Esse modelo desembocou nos asilos do início do século passado, ainda sob a lógica assistencial.

Foi com a Constituição de 1988 que a proteção à velhice ganhou status de direito. Vieram, depois, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Política Nacional da Pessoa Idosa e o Estatuto da Pessoa Idosa. Em tese, deixamos de ser objetos de cuidado para nos tornarmos sujeitos de direitos.

Mas que direitos são esses, Rita, se as calçadas daqui seguem como pistas de trekking impossíveis a velhos? Se espaços públicos — como a nossa Beira-Mar, construída com pistas exclusivas para pedestres — são tomados inescrupulosamente por bicicletas, skates e patins, com seus proprietários deslizando a altas velocidades e colocando em risco quem apenas quer caminhar? Esse descaso tem nome: idadismo institucional disfarçado.

Diante desse cenário, para amenizá-lo, trago o que considero o ponto mais "top" do envelhecer hoje: a política pessoal.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/04/2026. Ciência & Saúde. p.16.

domingo, 26 de abril de 2026

O HOMEM NO PARQUE!

Um homem de oitenta e quatro anos de idade estava sentado em um banco do parque chorando sem parar, quando um jovem passa por ele e pergunta o que está errado. Com lágrimas no rosto, o velho responde:

"Eu estou apaixonado por uma mulher de 22 anos de idade".

"Ah, tudo bem, mas qual seria o problema a respeito disso?", diz o jovem.

Em soluços, o senhor responde:

"Você não me entende, antes de ir trabalhar, fazemos amor todos os dias e também na hora do almoço. Quando ela chega em casa do trabalho, fazemos amor novamente e, em seguida, ela prepara a minha refeição favorita para, depois do jantar, repetirmos tudo de novo na cama. Quando eu preciso de alguma coisa, ela sempre está disponível e corre para casa e me faz o que eu quero, sempre querendo me agradar de maneiras inimagináveis. Essa mulher é a melhor coisa que um homem como eu poderia desejar!" O homem cai em lágrimas e não é mais capaz de falar.

O jovem coloca o braço em volta dele e fala:

"Eu não entendo. Parece que o senhor tem um relacionamento perfeito! Então, por que está sentado aqui neste parque chorando?"

O homem responde, com lágrimas no rosto: "Eu não consigo me lembrar onde moro!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 25 de abril de 2026

UMA VELHINHA COM O OLHO ROXO...

Duas amigas bem velhinhas, ambas na terceira idade, se encontraram na praça da cidade para conversar. Com o avanço dos anos, uma delas, Madalena, já estava fazendo algumas confusões. Coisas da idade. E eis que, nesse encontro, ela aparece com o olho roxo. Sua amiga Sueli fica espantada:

— Madalena, minha amiga! O que é esse olho roxo? O que foi que aconteceu? Não vai me dizer que seu marido...

— Não, não, amiga. Meu marido é um santo!

— Então por que esse olho roxo?

— É o cafezinho que me deixa assim... Sueli não entende nada.

— O cafezinho? Como assim?

E Madalena explica:

— Todas as vezes que vou tomar um café eu fico com o olho roxo.

Sueli fica mais confusa ainda. E pergunta:

— Mas você foi ao médico para ver por que isso acontece?

— Sim, fui sim.

— E o que ele falou? É um tipo de alergia?

— Não, só me disse para tomar mais cuidado.

Aí Sueli se confunde por completo e diz:

— Não consigo mais entender, minha amiga. Que tipo de cuidado?

E Madalena responde:

— Ele me disse: Dona Madalena, toda vez que a senhora for tomar um café, tente não esquecer de tirar a colher da xícara!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

A cidadania não se acaba aos 70...

Por Heitor Férrer (*)

É muito comum, no meu consultório, ouvir de muitos de meus pacientes que não podem mais votar. Imediatamente, pergunto "por que?". A resposta é automática: "não posso mais votar, doutor, porque completei 70 anos". Isso revela um equívoco disseminado entre a nossa população, principalmente, nos que atingem a terceira idade. Acham que perderam o direito ao voto, como se fossem anulados do processo eleitoral, quando, na verdade, deveria ser o contrário, com mais experiência, melhores escolhas.

Nunca é demais explicar e faço isso com todas as pessoas que dizem não mais poder votar porque completaram70 anos, que o voto apenas deixa de ser obrigatório, mas continua sendo voluntário, permitido e importante. O mais grave desse sentimento comum é que muitos cidadãos e cidadãs simplesmente deixam de votar, abrindo mão de um item importantíssimo de sua cidadania, que é a de participar das decisões eleitorais de sua cidade, do seu estado e do seu país.

Para fortalecer os meus argumentos e convencimento, digo a eles que quem não pode votar são apenas os menores de 16 anos. Completados os 16 anos, até a morte, o direito ao voto é garantido pela Constituição brasileira.

Abraço a iniciativa do Ministério Público, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Prefeitura de Fortaleza, que tem intensificado campanhas de cidadania para divulgar que o direito ao voto não se acaba aos 70 anos e que essas pessoas garantam a sua atividade plena nos processos de eleição em todas as esferas de poder. O objetivo, ressaltam os órgãos, é reinserir a população da terceira idade no processo eleitoral de escolha democrática dos seus governantes.

Do ponto de vista psicológico e social, quando o cidadão encarna a ideia de que não pode mais votar, ele acaba se afastando ainda mais da vida pública, do destino de onde mora, caindo numa marginalização cômoda, porque, para muitos, ir às constitui sacrifício. Não sabem eles que estão se anulando em vida.

Devemos ser pedagógicos nesse tema, fazendo todo o esforço de convencimento para que as pessoas a partir dos 70 anos não deixem de votar por desinformação, diminuindo a sua cidadania. O voto continua sendo a mais legitima, importante e poderosa ferramenta para defender posições e influenciar os rumos da política local, regional e nacional.

Em um país que envelhece rapidamente e que, muito em breve, terá mais idosos do que jovens em sua população, é urgente estimular a participação das pessoas com mais de 70 anos no processo eleitoral para que políticas públicas sejam construídas de forma a atender às suas reais necessidades. Garantir essa participação é essencial para a efetivação dos direitos da pessoa idosa.

A cidadania não se acaba aos 70 anos.

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/03/26. Opinião. p.19.

terça-feira, 3 de março de 2026

A REVOLUÇÃO 80 +

Texto de Nélia Fontenele, jornalista

Em entrevista exclusiva, o médico, gerontólogo e escritor Alexandre Kalache — que celebra 80 anos de vida e 50 de carreira — desafia o "idadismo" e alerta: o país que não valorizar seus velhos ficará para trás.

Você já pensou na sua velhice? Pensou que, dependendo de sua atual idade, você será o velho de amanhã? O médico, gerontólogo e escritor Alexandre Kalache nos ajuda a refletir sobre o tema a partir de sua trajetória de oito décadas de vida e meio século dedicado à Gerontologia. Em entrevista ao O POVO, ele apresenta reflexões contidas em seu novo livro, "A Revolução da Longevidade", que será lançado em Fortaleza em março.

Quando Kalache nasceu, em 1945, a expectativa de vida no Brasil era de 46 anos. Hoje, avançamos para a casa dos 78 anos — uma transformação imensa ocorrida em pouco tempo. "Em apenas uma vida, conquistamos mais de 30 anos extra. Mas é preciso fazer uma correção urgente no imaginário: não ganhamos 30 anos de velhice; ganhamos 30 anos de vida", alerta.

A longevidade conquistada é, em sua avaliação, algo a se comemorar, mas exige um reenquadramento da visão e da posição ocupada pelos idosos na sociedade. "Vivemos um fenômeno sem precedentes: o único grupo etário que continua aumentando no país é o de pessoas com mais de 60 anos, que já representa cerca de 16% da nossa população. As projeções para 2050 são contundentes: daremos um salto de 33 milhões para 68 milhões de idosos, compondo 31% do país. Enquanto isso, os demais grupos — crianças, jovens e adultos — diminuirão".

Diante desse cenário, a mensagem é clara: os idosos são essenciais para que o Brasil dê certo. No entanto, há um inimigo silencioso e onipresente, aponta Kalache: o idadismo, o preconceito baseado na idade, uma ideologia supremacista que tenta "tirar do caminho" quem já não se encaixa em um padrão produtivo arcaico - algo amplamente aplicado durante a pandemia.

Ele aponta quatro pilares desse preconceito a ser combatido: 1) ideológico (o decreto antecipado de que o idoso não serve, não produz e não tem vez); 2) institucionalizado a negação de oportunidades no mercado de trabalho); 3) interpessoal (silenciamento através de frases como "Você é velho, não tem opinião"); e 4) internalizado (o próprio idoso passa a acreditar que é um fardo). "Eu sou bem claro: sou velho e não sou um fardo", enfatiza ele.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/02/2026. Ciência & Saúde. p.14.

sábado, 24 de janeiro de 2026

SAIAM JÁ DO CARRO!

(Esta é uma história tida como real, registrada na Polícia de Sarasota, Flórida, EUA)

Uma senhora idosa, na Flórida, fez as suas compras e, ao retornar ao seu carro, encontrou quatro homens saindo com o seu veículo. Largando as compras, ela sacou sua arma, gritando a plenos pulmões: "Eu tenho uma arma, e sei usá-la! Saiam já do meu carro!" Os quatro homens não esperaram por uma segunda ordem e saíram correndo como doidos.

A senhora, bastante agitada, começou a colocar as compras no banco de trás e, feito isto, sentou-se ao volante. Estava tão nervosa que não conseguia colocar a chave na ignição. Tentou várias vezes sem sucesso, até que ela entendeu por quê não conseguia. Era pelo mesmo motivo que havia uma bola de futebol, um taco de beisebol e uma embalagem com 12 latas de cerveja no assento da frente.

Minutos mais tarde, ela encontrou o seu carro estacionado uns 5 espaços adiante. Ela colocou suas compras no carro e dirigiu-se até a Delegacia de Polícia para registrar o seu engano. O sargento a quem ela relatou sua história não conseguia parar de rir. Ele apontou para a outra ponta do balcão, onde quatro homens pálidos estavam registrando um roubo de carro feito por uma anciã maluca, com menos de 1,55, cabelos brancos e encaracolados, usando óculos e portando um enorme revólver. A queixa foi retirada.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A finitude descortina a exuberância da velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Aos 80 anos, depois de cinquenta dedicados à pneumologia, minha velhice não chegou de mansinho: revelou-se de supetão. Atendia um paciente quando a palavra "dipirona", companheira por meio século, fugiu vertiginosamente da minha memória. Não era falha grave; era um sinal íntimo, uma fresta por onde entrou a consciência da finitude. De súbito, vi a linha reta do mar da Beira Mar — horizonte antigo, mas nunca tão nítido quanto naquele instante, quando se revelou, para mim, como a própria finitude.

Foi aí que compreendi, sem dor, que meu périplo médico se encerrara. Minha amada pneumologia tinha cumprido sua estada em mim. Ficaram as lembranças luminosas do ser médica responsável por vidas que confiaram nos meus cuidados. Mas o que me surpreendeu foi descobrir que a finitude não me encolheu; ela me ampliou. Pela primeira vez senti que podia tomar posse da minha própria vida, sem as pressas, obrigações e tolhimentos que me acompanharam desde a infância.

Ao contrário do que imaginaram Sartre e Beauvoir, ao tratarem a velhice como inviável, percebi que o corpo velho não sela interditos. Apesar das impossibilidades próprias da idade, ele revela contornos: mostra limites, sim, mas também indica por onde ainda posso caminhar, reinventar-me e desejar. Descobri que as limitações não são prisões — são molduras que tornam mais nítida a obra que ainda posso ser. O que se torna inviável pelas limitações da idade cede lugar a novos caminhos possíveis. Como disse Drauzio Varela, ao comentar a interrupção de uma maratona que corria na Alemanha: "Não vou parar de correr. Se não der para fazer todo o percurso, correrei poucos quilômetros — ou até alguns metros. É o poder do querer e do gostar."

Mas a exuberância da velhice não nasce só do indivíduo. Como lembra Beauvoir, ninguém envelhece sozinho: é a sociedade que pode fazer da velhice um tempo digno ou miserável. Para que a liberdade dos velhos floresça, o mundo precisa reconhecer sua presença, acolher seus ritmos e valorizar suas contribuições. Nietzsche dizia que a vida deve ser vivida como obra de arte; mas, para que essa obra exista, é preciso um espaço social que a veja e a escute.

Quando a sociedade nos empurra para a invisibilidade, a velhice se apequena. Quando nos integra ao cotidiano, ela se expande. A velhice exuberante depende, portanto, de cidades, Estados e países que ofereçam programas de assistência à saúde dos velhos, que viabilizem participação, cuidados, circulação segura e afeto. Que criem um ambiente que permita ao velho ser um ser-em-projeto, como quis Sartre, ainda que com outros tempos e formas.

A finitude, para mim, foi acontecimento inaugural. Descortinou não só um fim, mas um novo modo de começar. E é nele que sigo: limitada, sim — mas inteira na lucidez e na consciência de que meu envelhecer só se cumprirá plenamente quando a sociedade reconhecer que a velhice não é resto: é potência.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/12/2025. Ciência & Saúde. p.16.

domingo, 28 de dezembro de 2025

SER VELHINHA TEM SUAS VANTAGENS...

Um casal de velhinhos, na faixa dos 80 anos, queria lembrar os tempos áureos da época em que se conheceram na escola, quando ainda eram crianças.

E justamente no aniversário de casamento de 50 anos, eles foram até a antiga escola onde tudo começou para relembrar essas memórias. A escola ainda estava lá, mas claro que com algumas diferenças. Eles pediram para entrar e passearam pelo pátio e pelos corredores. Depois foram embora.

No caminho de volta para casa, o casal andava calmamente pela calçada quando um carro passou em uma velocidade altíssima, tão alta que a porta traseira abriu e deixou cair um pacote relativamente grande.

A velhinha se aproximou do pacote e, para a surpresa dela estava cheio de dinheiro. Uma surpresa ainda maior foi ver que eram dólares e não reais! Havia ali no mínimo cerca de 50 mil em notas verdinhas e graúdas.

O marido, sempre muito honesto, disse: “Vamos ligar para a polícia, temos que devolver esse dinheiro”. Já ela pensou justamente o contrário: “Ué, achado não é roubado”, e colocou o pacote na bolsa”. Chegando em casa, a velhinha escondeu o dinheiro no sótão.

No dia seguinte, a Polícia Federal começou a fazer uma ronda pela vizinhança, interrogando a todos os moradores em busca do dinheiro, e aí foram à casa dos velhinhos.

O policial toca a campainha e a velhinha abre a porta. “Bom dia, senhora”, ele diz, “desculpe incomodá-la, mas estamos procurando um volume alto de dinheiro que foi perdido ontem nas redondezas. A senhora chegou a ver alguma coisa?”

“Não”, ela respondeu imediatamente. É claro que eles não iam desconfiar de uma inocente velhinha, mas, quando estavam saindo, o marido diz: “É mentira, ela sabe de tudo. Ela achou o dinheiro e escondeu no sótão!”

Ela imediatamente respondeu: “Não acreditem nele... ele está gagá!”, mas os policiais, é claro, queriam saber mais a respeito para saber se era verdade ou não.

E um deles perguntou: “Muito bem, meu senhor, então conte-nos o que aconteceu desde o início”.

Ele começa: “Bem... quando nós estávamos voltando da escola ontem à tarde...”

Então um policial olhou para o outro e disse: “Escola? Vamos dar o fora daqui!”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

domingo, 23 de novembro de 2025

ELA QUERIA REVIVER O AMOR DO MARIDO...

Uma idosa foi ao médico, e não porque estava doente, mas porque queria ‘reativar’ a paixão do marido. Afinal, depois de tantos anos e com o aumento da idade, o desinteresse pela vida íntima só aumentou.

“Por que a senhora não dá Viagra para ele?”, disse o médico.

“Ah, muito difícil, doutor”.

“Por quê?”, ele pergunta.

“Ele não toma nenhum remédio! Nem mesmo uma aspirina para dor de cabeça!”

“Ora, mas isso não é problema nenhum”, diz o médico.

“Faça o seguinte: compre a pílula, triture até virar pó e, sem que ele veja, basta colocar no café. Ele nem vai sentir a diferença, pois não tem gosto. E o resultado vai vir.”

Semanas depois, ela volta ao consultório e ele pergunta se a sugestão dele funcionou.

“Ai, doutor!”, ela exclama. “Foi horrível! Eu fiz exatamente o que o senhor sugeriu: eu triturei o Viagra e, quando ele saiu para ir ao banheiro, coloquei na xícara de café dele. Assim que ele tomou, pulou em cima da mesa, me agarrou, tirou as minhas roupas e fizemos amor ali em cima da mesa por uma hora!!”

“Não entendo”, diz o médico. “Não era isso que a senhora queria?”

 “Sim. Na verdade, foi ótimo.”

“Então por que a senhora falou que foi horrível?!”

“Porque eu nunca mais vou poder entrar naquela cafeteria na minha vida!!”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

VELHICE: desgraça? Não, ventura

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Quando Rita leu o título deste artigo — como quase sempre faz — entrou na cozinha falando, sem sequer dar bom dia:

— Ainda bem que você largou o romantismo com que trata a velhice! Fale das desgraças que se abatem sobre os velhos, especialmente os do século XX e XXII.

Respondi:

— Não romantizo, Rita. Mostro o descompasso do corpo velho com as exigências do viver, e como é possível ajustar caminhos, vontade e esforço para sentir a vida plena, mesmo com as grandes limitações que os velhos detêm.

Rita riu, duvidando. Continuei:

— Encontrei respaldo para tocar nas desgraças dos velhos no podcast da historiadora Mary Del Priore, comentando seu livro Uma história da velhice no Brasil. Nele, Clarice Lispector aparece referenciada com a brutal lucidez que sempre teve.

Em Feliz Aniversário (conto de 1960), Clarice mostra Dona Anita, de 89 anos, cercada de filhos e netos que celebram sua data sem afeto, sufocando-a entre compaixão e descaso. A desgraça é social: o abandono, a perda de sentido, o corpo que não se impõe e a palavra que não ecoa.

Rita andava pela sala:

— Dona Anita parece ser de classe média alta. E os velhos pobres?

— Clarice também os retratou — respondi — em Viagem a Petrópolis. A octogenária Dona Margarida, rejeitada e sem renda, vai de casa em casa, sustentada por favores. Invisível, sem lugar no mundo.

Essa exclusão extrema é retomada, de modo fantástico, no filme O Último Azul. Nele, os idosos são obrigados à aposentadoria aos 78 anos e deportados para um exílio forçado, onde se tornam invisíveis e inviáveis — expulsos do direito de sonhar ou trabalhar.

Rita sentou-se, pensativa:

— E pior: cresce o pânico diante da velhice. Às vezes vira ódio contra tudo o que lembra envelhecer. Os séculos XX e XXI desembocaram em buscas frenéticas pelo rejuvenescimento, hoje sem limites — das cirurgias plásticas a procedimentos arriscados e extremos, como mostra o filme A Substância (2024).

Assenti. O preconceito está embutido nas exigências de beleza e produtividade. A OMS aponta que um em cada dois idosos sofre discriminação etária.

Rita, provocadora, insistiu:

— E ainda vai romantizar essa velhice?

Sorri:

— Vou continuar afirmando, com Sartre, que a liberdade está sempre disponível. E com Nietzsche, que em A Gaia Ciência nos convida a dizer "sim" à vida, mesmo nas dores. O ser livre transforma o sofrimento em criação: jardina, escreve, dança, reinventa-se.

Rita ficou em silêncio. Conclui

— A velhice não é desgraça quando a consciência desperta para a liberdade que se alcançou, mesmo diante de limites e da finitude. O corpo pode fraquejar, mas o espírito aprende a dançar — leve, mesmo sobre o fio que limita o chão do abismo.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/10/2025. Ciência & Saúde. p.20.

domingo, 21 de setembro de 2025

Regras Para Ser Feliz Morando na Casa dos Anos Bem Vividos II

Mente leve, coração tranquilo

15. Desligue um pouco dos noticiários. O mundo não vai acabar só porque você não viu.

16. Use a TV para rir, não para se irritar.

17. Adote um bicho. Eles preenchem o que faltava sem dizer uma palavra.

18. Mexa-se. Caminhe, plante, pinte, invente. Ficar parado atrai teia de aranha.

19. Esteja sempre limpinho e cheiroso. Idade sim, mau cheiro jamais.

Sentido da vida

20. Sinta alegria por ainda estar aqui. Muitos já ficaram pelo caminho.

21. Faça da sua casa um lugar onde as pessoas querem estar. Isso só depende de você.

22. Use a idade como ponte para novos sonhos, não como escada para lamentações.

23. Vá embora deixando saudade, não alívio.

24. Ria. Muito. E faça rir. O riso é o último músculo que devemos deixar cair.

Prazeres da vida

25. Não guarde aquele vinho especial nem a roupa nova.

Amanhã pode ser tarde ou pode não ter energia para abrir a garrafa nem pra sair de casa.

E pra finalizar:

Se você leu tudo isso e gostou...

Não seja pão-duro de sabedoria!

Compartilhe com aquele amigo que já mora na casa dos 70, o que está chegando nos 60 e até com o neto de 12 — porque a fila anda e o tempo não para!

Se possível, compartilhe com o grupo da família, da igreja, do bingo, da dança sênior, do zap do condomínio, da hidroginástica e até com aquele vizinho que só reclama (vai que ele melhora).

A vida é curta, mas a risada é longa.

— Com carinho e umas boas gargalhadas,

Shabat Shalom

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

Regras Para Ser Feliz Morando na Casa dos Anos Bem Vividos I

Convivência e Relações

1. Não se meta na vida dos filhos. Eles já têm GPS (e vão errar do mesmo jeito).

2. Não interfira na criação dos netos. Avós servem para amar, não para educar.

3. Aceite genro e nora. Foi o coração dos filhos que escolheu, não o seu.

4. Fique neutro nos casamentos alheios. Amor de fora não se mete.

5. Reclamar demais espanta visitas. Cultive mais silêncio que queixas.

6. Nada de pena de si mesmo. Ser idoso é privilégio, não castigo.

7. “No meu tempo” já passou. Viva o seu hoje com brilho nos olhos.

Atitude e Bem-estar

8. Tenha planos. O amanhã só chega para quem o espera com café passado.

9. Não vire boletim médico ambulante. Ninguém quer ouvir sobre suas dores 24h.

10. Poupe. Qualquer valor guardado é sinal de sabedoria.

11. Esqueça carnê. Idoso paga à vista ou não paga.

12. Tenha plano de saúde ou dinheiro guardado. Doença não avisa.

13. Planeje seu funeral. Sim, é estranho. Mas evita confusão depois.

14. Deixe tudo em ordem. Testamento, contas, recados. Viva leve.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


sábado, 20 de setembro de 2025

A CASA DOS ANOS BEM VIVIDOS

Por Tio Maneco

"Envelhecer é mudar de casa — não de alma.       A janela do corpo pode se estreitar, mas a paisagem do espírito se amplia. E cada novo cômodo da vida tem sua beleza, sua graça e sua luz."

Meu velho amigo decidiu se mudar. Está saindo da casa dos 60 e indo morar na dos 70, bem ali na rua onde a vida já plantou muitas árvores e também podou algumas ilusões.

Quando me perguntou se gostei da mudança, sorri com o canto dos olhos. Não se trata de gostar ou não. A vida vai empacotando décadas e nos realocando.

Terminei meu tempo na casa dos 60 como quem entrega as chaves com gratidão — poderia ter sido despejado antes.

Cada década tem um cheiro, uma cor e um som. A casa dos 70, antigamente, parecia uma clínica. Hoje é um clube. Tem puxadinhos, coreto, jardim e muito samba no pé — de prótese, inclusive!

Do alto dessa varanda, a vista do passado é a mais linda do mundo. E o futuro? Ah, esse continua aceitando visitas, com café e pão de queijo quentinhos.

Agora, compartilho com você 25 regras preciosas para morar bem nessa fase da vida. São conselhos leves, diretos e cheios de bom senso — do tipo que até o neto escuta e anota.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


A DELICADA ARTE DE VIVER MUITO

Por Mário Donato D’Angelo

Viver muito sempre foi, por séculos, uma raridade quase mítica. Era coisa de avó centenária que conhecia a cura das doenças no cheiro do mato, ou de personagem de romance russo, desses que morriam em São Petersburgo, sob a neve, citando Aristóteles em voz embargada.

Longevidade era exceção. Agora virou estatística.

Vivemos mais. Isso é fato. A medicina avançou, os antibióticos viraram gente da casa, o colesterol passou a ser vigiado como se fosse um criminoso reincidente. A expectativa de vida subiu, e com ela a ideia, quase ingênua, de que bastaria durar para que tudo desse certo.

Mas viver muito não é a mesma coisa que viver bem. E é aí que começa a grande arte.

Porque a verdade é que a longevidade chegou antes do manual de instruções. Achávamos que envelhecer seria como alcançar um mirante: olhar para trás com serenidade, cruzar os braços sobre o próprio legado, saborear os frutos de uma vida bem vivida.

Mas a velhice, como a infância, exige cuidados diários, e também alguma poesia.

O corpo, esse velho cúmplice, começa a dar sinais de que o tempo passou. As juntas rangem como portas de armário antigo, os reflexos hesitam, os músculos se retraem.

Mas não é só o corpo que envelhece: às vezes o mundo ao redor também se torna estranho, distante. Os amigos partem, os filhos se dispersam, as calçadas ganham degraus invisíveis. E de repente, o que mais dói não é o quadril, é o silêncio.

E então vem ela: a queda.

Não só a queda literal, essa que acontece no banheiro, no degrau da padaria, na pressa inocente de atravessar a rua. Mas a queda simbólica: do entusiasmo, da autonomia, da autoconfiança. A queda de uma imagem de si mesmo que antes era firme, decidida, ágil. A queda de um modo de viver que não se encaixa mais no corpo que agora abriga a alma com mais cuidado.

A Organização Mundial da Saúde diz que um terço dos idosos sofre uma queda por ano. E essa queda pode ser o primeiro passo de uma jornada difícil: fraturas, cirurgias, internações, perdas, de mobilidade, de independência, de ânimo.

Mas veja bem: não se trata de um alerta sombrio. Trata-se, aqui, de um chamado amoroso à reinvenção.

Porque o envelhecimento também pode ser reinício. E preparar-se para ele é como preparar um jardim: exige tempo, presença, escolhas. É preciso cultivar força, sim, não para carregar sacos de cimento, mas para levantar-se da cadeira com leveza e poder abraçar um neto sem receio de tombar. É preciso elasticidade, não só nos músculos, mas nas ideias. E é preciso algo ainda mais raro: gentileza consigo mesmo.

Não se trata de negar a velhice. Ela chega, queira-se ou não, com suas rugas e suas lentidões, com seus esquecimentos charmosos e suas manias de repetir histórias. Mas há velhices e velhices. E há aquelas que florescem, porque foram cuidadas, porque tiveram sol e sombra, porque foram vividas com afeto, com liberdade, com algum humor.

Sim, o humor. Ele é, talvez, o músculo mais importante a ser mantido. Porque rir de si mesmo, das gafes, das perdas de memória, do tropeço nas palavras, é um jeito de desarmar o tempo.

O velho ranzinza é um clichê injusto, há velhos encantadores, que dançam bolero na sala com o ventilador ligado e o cachorro olhando desconfiado. Que tomam vinho com moderação e sorvete sem culpa. Que, aos oitenta, aprendem a usar o celular, e ainda erram, mas riem do erro.

A longevidade, quando bem-vivida, é como uma tarde longa e luminosa. Daquelas em que o sol demora a ir embora e o tempo parece suspenso entre uma lembrança e outra. Não é preciso correr. Nem competir. Basta estar inteiro: corpo e alma em compasso.

É isso que propomos aqui: um olhar amoroso para o futuro que já chegou. A velhice não precisa ser sinônimo de decadência. Pode ser plenitude.

E envelhecer bem não é luxo, nem sorte, é construção diária. Com passos firmes, com gestos suaves, com a força das pernas e o riso no rosto. Com o cuidado do corpo, sim, mas também com a ternura da memória.

Porque o segredo não é apenas viver muito.

É fazer da longevidade uma arte íntima, uma coordenação delicada entre o tempo e o desejo.

E que, ao final, quando chegar a noite, a gente possa dizer, com lucidez e com alegria — “Foi bom ter vivido tanto. Mas foi melhor ainda ter vivido bem.”

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).


 

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