Por Lauro Chaves Neto (*)
Publicado em
1776, em meio às transformações que antecederam a Revolução Industrial, A
Riqueza das Nações, de Adam Smith, marcou o nascimento da economia como campo
de análise. Junto com o Capital, de Karl Marx, e a Teoria Geral, de Keynes, são
três das mais importantes influências para a Economia Política.
Ao romper com o
pensamento mercantilista, a obra introduziu conceitos fundamentais como divisão
do trabalho, livre concorrência e o papel dos incentivos na organização dos
mercados. Mais do que um tratado econômico, tratou-se de um marco intelectual
que buscava compreender as fontes da prosperidade das nações.
Adam Smith não
escreveu apenas sobre mercados - escreveu contra privilégios. E é justamente aí
que sua obra permanece atual.
Ao proteger
ineficiências, transfere-se o custo para a sociedade - seja por meio de preços
mais altos, menor produtividade ou oportunidades limitadas. Trata-se de um
modelo que concentra ganhos e socializa perdas, ampliando as desigualdades
sociais e territoriais, contrariando frontalmente a lógica defendida por Smith.
O problema não é
a existência de regras, mas a sua assimetria. Regras que deveriam nivelar o
jogo acabam sendo moldadas para favorecer poucos. O resultado é um sistema que
penaliza quem produz, inova e compete de fato. A competitividade, hoje, exige
sustentabilidade, inovação e capacidade de adaptação.
No pensamento de
Adam Smith, a atuação do Estado não é descartada, mas deve ser orientada ao
interesse público!
Há uma "boa
intervenção", associada à provisão de bens públicos, à garantia da
justiça, da segurança e de regras claras que assegurem a concorrência. Em
contraste, a "má intervenção" ocorre quando políticas públicas passam
a favorecer grupos específicos, por meio de privilégios, comprometendo a livre
concorrência e a alocação eficiente de recursos.
Segundo Smith,
quando o Estado se afasta do seu papel de garantidor do jogo e passa a
interferir de forma desigual, a mão invisível deixa de promover eficiência e
passa a conviver com distorções, reduzindo produtividade e inovação, e, em
última instância, o bem-estar da sociedade.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 30/03/26. Opinião. p.20.

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