segunda-feira, 4 de maio de 2026

250 ANOS DA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Por Lauro Chaves Neto (*)

Publicado em 1776, em meio às transformações que antecederam a Revolução Industrial, A Riqueza das Nações, de Adam Smith, marcou o nascimento da economia como campo de análise. Junto com o Capital, de Karl Marx, e a Teoria Geral, de Keynes, são três das mais importantes influências para a Economia Política.

Ao romper com o pensamento mercantilista, a obra introduziu conceitos fundamentais como divisão do trabalho, livre concorrência e o papel dos incentivos na organização dos mercados. Mais do que um tratado econômico, tratou-se de um marco intelectual que buscava compreender as fontes da prosperidade das nações.

Adam Smith não escreveu apenas sobre mercados - escreveu contra privilégios. E é justamente aí que sua obra permanece atual.

Ao proteger ineficiências, transfere-se o custo para a sociedade - seja por meio de preços mais altos, menor produtividade ou oportunidades limitadas. Trata-se de um modelo que concentra ganhos e socializa perdas, ampliando as desigualdades sociais e territoriais, contrariando frontalmente a lógica defendida por Smith.

O problema não é a existência de regras, mas a sua assimetria. Regras que deveriam nivelar o jogo acabam sendo moldadas para favorecer poucos. O resultado é um sistema que penaliza quem produz, inova e compete de fato. A competitividade, hoje, exige sustentabilidade, inovação e capacidade de adaptação.

No pensamento de Adam Smith, a atuação do Estado não é descartada, mas deve ser orientada ao interesse público!

Há uma "boa intervenção", associada à provisão de bens públicos, à garantia da justiça, da segurança e de regras claras que assegurem a concorrência. Em contraste, a "má intervenção" ocorre quando políticas públicas passam a favorecer grupos específicos, por meio de privilégios, comprometendo a livre concorrência e a alocação eficiente de recursos.

Segundo Smith, quando o Estado se afasta do seu papel de garantidor do jogo e passa a interferir de forma desigual, a mão invisível deixa de promover eficiência e passa a conviver com distorções, reduzindo produtividade e inovação, e, em última instância, o bem-estar da sociedade.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 30/03/26. Opinião. p.20.


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