domingo, 31 de maio de 2026

AS FAMOSAS ÚLTIMAS PALAVRAS III

Eu amo montanha-russa!

Claro que aguenta...

Como assim, tem que abrir o paraquedas?

O que acontece quando você mistura isso com isso..?

Mais rápido!

Cinto de segurança para quê?

Isso está com um gosto estranho...

Pode mexer sim, ele está hibernando...

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 30 de maio de 2026

AS FAMOSAS ÚLTIMAS PALAVRAS II

Viu? Não precisa de duas pessoas!

Claro que é seguro!

Não é uma bomba, olha!

Acho que entendi como funciona...

Eu tenho certeza que o corrimão é seguro.

Iuuuupiiiiiiii!

Eu vou lá cutucá-lo!

Vamos lá tirar uma foto!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

AS FAMOSAS ÚLTIMAS PALAVRAS I

Só mais um pouco...

A hélice não tinha que estar girando?

Eu faço as honras!

Olha, nenhum clipe de segurança!

Pode ir que não tem nenhum carro!

Olha, sem as mãos!

Atire, eu te desafio!

O que acontece quando você aperta esse botão?

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 29 de maio de 2026

Crônica: As dores de cabeça da cobra-de-duas-cabeças ... e outros causos

As dores de cabeça da cobra-de-duas-cabeças

Sábado chuvoso e lá encontramos um exemplar, passeando "apressada" no bananeiral do quintal de seu Zezinho, que "cavava lento" o terreno de semear feijão. Theo, neto observador, pergunta que "bicho era aquele", movendo-se retilineamente. Especialista em tijubinas, piriguás, punarés e cururus, tão-somente, pesquisei ligeiro na Internet e falei que se tratava de "um lagarto sem patas com hábitos subterrâneos".

- Falou um quilo, não entendi "uma" grama, vô! É ver uma minhoca!

- Não é. Essa aí "se move cavando o solo com movimentos musculares anelados, similares aos de uma lagarta"...

- Nem de "largata" eu gosto!!!

- No popular, meu bichim, chama-se "cobra-de-duas-cabeças", alcunhada cientificamente de Amphisbaena.

Em seguida fomos prosear no alpendre da fazenda, matutando sobre o réptil de "corpo cilíndrico e musculoso" que "pode se locomover pra frente ou pra trás, criando a ilusão de ter duas cabeças funcionais". Theo quebrou o silêncio de segundos e, fraternal, expôs, conforme a tenra vivência, o que supunha lógico: a mãe deveria usar duas colheres pra dar a sopa dela - "uma pra cada cabeça". Me abri, dei corda e assuntei, frescando.

- Eu tenho pra mim que são dois bonés que ela usa em dia de sol brabo!

- Vô! Será que uma só vê o sol nascer enquanto a outra só vê o sol se pôr? Ou as duas cabeças da cobra-de-duas cabeças concordam e olham pro mesmo lado?

- Na minha mente olham pro mesmo lado, são amigas. Diferente do bicho homem...

- Então, vô, quando tomam banho, cantam a mesma música, né?

- "A cobra não tem pé / A cobra não tem mão / Como é que a cobra sobe / Num pezinho de limão?"

- Vô, tu num disse que era uma cobra só de agá?!?

Com pouco, falando sério, tornei a pescar no celular que, ao sentir-se ameaçada, "a cobra-de-duas-cabeças levanta tanto a cauda quanto a cabeça, confundindo predadores sobre qual extremidade é a verdadeira". Também aprendi que, apesar da mordida forte, aquela de que falamos não tem peçonha nem oferece riscos graves. "Não ofende um pinto".

Nesse momento, tomado de invulgar espírito moleque, indaguei de mim para comigo, sob o olhar questionador de um Theo - felizmente - ainda desconhecedor dessas coisas de adultos metido a besta, sem graça:

- Se o namorado dela fugir com a minhoca da vizinha, em qual cabeça fica o chifre?

Apracur Duo

Ele ainda existe e é comercializado aos montes. Medicamento antigripal clássico e bastante tradicional, é utilizado há um tempão para o alívio dos sintomas de gripes e resfriados, conhecido que é pela ação combinada - atuando como analgésico, antitérmico e antialérgico. O nome é motivo de gozação pela molecagem aqui de nós. Nem na versão duplamente terapêutica ele escapa da fulerage.

Na casa da septuagenária Rosita Meire, esse comprimido revestido, tiro e queda em caso de "estalicido", sempre foi motivo de gaiatice pelos irmãos. Tanto que a moça velha evitava pronunciar-lhe o nome onde fosse. Certo dia, bem chumbada - e sem ter quem fosse à farmácia pegar uma caixa com 12 comprimidos, ela mesma chegou lá espirrando, se queimando de febre. Com muito esforço e lascada de vergonha ousou perguntar:

- Tem Aprabunda, seu Dedé?

Fala Cearense - edição segunda

Aguar a grama - Fazer sexo.

Precisa só dum pezim! - Carece só dum motivo, pequeno que seja, pra começar uma discussão, uma briga.

Puxe um banco e sente no chão! - Pegue um tamborete e se abanque - sente-se!

Fonte: O POVO, de 24/04/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Exame de Qualificação em Ciências Farmacêuticas (UFC) da Profa. Jaciara Alves

Ocorreu na tarde de ontem (27/05/26), de forma virtual, na Universidade Federal do Ceará, o Exame de Qualificação de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Ceará.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marta Maria de França Fonteles, Marcos Aguiar Ribeiro, Kilvia Helane Cardoso Mesquita e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, aprovou o Projeto de Tese Desenvolvimento e validação de uma matriz lógica de indicadores para avaliação econômica da assistência farmacêutica básica no Sistema Único de Saúde”, apresentado pela doutoranda JACIARA ALVES DE SOUSA, orientada da Profa. Dra. Marta Maria de França Fonteles.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva- PPSAC UECE


SOBRE A "INÉRCIA COGNITIVA"

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

O título faz alusão às possibilidades da ignorância e do ato de manter -se ignorando, ou seja, desconhecer ou negar os fatos e a realidade, as contradições morais de nossa consciência.

Pois, uma coisa é fato. Ser ignorante pressupõe um desconhecimento da realidade, no aspecto intelectual. Já manter-se ignorando traduz não querer conhecer, ou, simplesmente, gozar do desconhecimento.

Noutro aspecto, Jacques Lacan, psicanalista francês, definiu o termo "a passion for ignorance" baseado em estudos budistas, para descrever como seus pacientes faziam de tudo para não saber a causa do sofrimento, mesmo quando expunham que gostariam de entendê-la. Na psicanálise a ignorância apresenta-se em formas distintas na neurose, na psicose e na perversão. Por Freud enquanto a psicose repudia a realidade, a neurose somente a ignora. Tal fato pude comprovar com uma experiência traumática quando ainda estudante, ao expor, por solicitação da própria família e de especialistas, o estado de um paciente com câncer terminal. Embora o paciente insistisse em conhecer a verdade, sua reação à notícia foi inesperada. Logo pela manhã falava-me das providências de vida e de estar preparado para enfrentar esse momento. Acho, até, que desconfiava do diagnóstico.

Por outro lado, muitas pessoas usam a negação e a ignorância como estratégia diante de verdades inconvenientes e que fogem das suas percepções de realidade, e ainda, como forma de criar cenários fantasiosos.

É fato que a distinção entre o ato de ignorar e o de manter-se ignorando remonta a aspectos morais que transitam entre responsabilidade e inocência. Sobre esse ponto de vista ouvi muitas vezes do meu pai; "quanto mais consciência e quanto mais conhecimento, maior sua responsabilidade social".

Num mundo instantâneo a informação é imediata, mas nem sempre respaldada de veracidade. Os algoritmos são, em si, uma nova forma de envolver, de aculturar e de transgredir valores.

Tudo isso gera ansiedade, e muitos optam por cerrar os olhos, não escutar ou silenciar diante de informações que causam desconforto.

Em tempos de crise, duvidar da verdade pode ser uma atitude cômoda para negar o sofrimento, ou ainda, uma estratégia de manipulação para impedir reações ao "status quo".

Enfim, o termo "inércia cognitiva", parece-nos adequado a um tempo de indiferença ao que é ou não verdade ou real. São os tempos da "post-truth", que, infelizmente, relaciona-se à inabilidade de aprender ou mesmo, a ausência da vontade de conhecer.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/04/2026. Opinião. p.23.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Defesa de Memorial de Dafne Rodrigues para Professor Titular da Enfermagem da Uece

Aconteceu na tarde de hoje, quarta-feira (27/05/26), na Sala 1 do PPCLIS da Universidade Estadual do Ceará - Uece, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da referência “O” de professor associado para referência “P” da classe Titular do Grupo Ocupacional Magistério Superior-MAS, da Professor Titular do docente do Curso de Enfermagem da Uece.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Jackson Coelho Sampaio (efetivo Uece), Ana Fátima Carvalho Fernandes (efetivo UFC), Andrea Gomes Linard (efetivo Unilab), Patricia Neyva da Costa Pinheiro (suplente externo) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (suplente interno), tendo por secretária a Profa. Dra. Lucilane Maria Sales da Silva, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora DAFNE PAIVA RODRIGUES.

Congratulações à professora Dafne Rodrigues, por atingir o topo da carreira universitária consolidada em sua bonita trajetória de vida, marcada por realizações pessoais e profissionais expressivas, que traduzem o seu espírito científico e a sua inestimável devoção ao ensino superior.

Também merecem os parabéns a graduação em Enfermagem e o programa de pós-graduação em Cuidados Clínicos e Enfermgem da Uece, por contarem com a professora Dafne Rodrigues em seus quadros docentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE

Autocuidado e liberdade radical são carne e unha para uma ótima velhice

Por Márcia Alcântara Holanda (*)

Minha amiga Rita me ligou de São Paulo cobrando o artigo que prometi escrever sobre a população velha — aquela não bem-dotada de saberes e recursos para o bem-viver. Disse, mais uma vez, que eu romantizo a velhice, como se os velhos não sofressem e bastasse querer para serem felizes. "E não é bem assim", resmungou.

Hoje, sem ela por perto, mas tentando acalmá-la e entrando na "real" que ela cobra, digo: os velhos no Brasil vivem, sim, o desamparo. Como lembra Alexandre Kalache: "Envelhecer não é tão fácil não". E não é mesmo. Os dissabores da velhice exigem políticas públicas claras e eficazes.

Se volto à história, vejo que, desde o Brasil Colônia, os cuidados com os velhos ficaram muito mais nas mãos da caridade — Santas Casas de Misericórdia e famílias — do que sob o dever social do Estado.

Como mostra Mary del Priore em História da Velhice no Brasil, o envelhecer, por muito tempo, foi vivido à margem de direitos, sustentado mais pela compaixão do que por políticas bem estruturadas. Esse modelo desembocou nos asilos do início do século passado, ainda sob a lógica assistencial.

Foi com a Constituição de 1988 que a proteção à velhice ganhou status de direito. Vieram, depois, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, a Política Nacional da Pessoa Idosa e o Estatuto da Pessoa Idosa. Em tese, deixamos de ser objetos de cuidado para nos tornarmos sujeitos de direitos.

Mas que direitos são esses, Rita, se as calçadas daqui seguem como pistas de trekking impossíveis a velhos? Se espaços públicos — como a nossa Beira-Mar, construída com pistas exclusivas para pedestres — são tomados inescrupulosamente por bicicletas, skates e patins, com seus proprietários deslizando a altas velocidades e colocando em risco quem apenas quer caminhar? Esse descaso tem nome: idadismo institucional disfarçado.

Diante desse cenário, para amenizá-lo, trago o que considero o ponto mais "top" do envelhecer hoje: a política pessoal.

(*) Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro honorável da Academia Cearense de Medicina.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/04/2026. Ciência & Saúde. p.16.

terça-feira, 26 de maio de 2026

EMPREENDEDORISMO E BENEFÍCIO SOCIAL

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Inovação é a implementação de novas ideias, produtos, serviços ou processos que geram valor, melhoram a eficiência e resolvem problemas. Não se trata apenas de inventar, mas de aplicar a criatividade para criar impacto econômico e social. Dois grandes pensadores austríacos do século XX trazem conceitos convergentes e complementares sobre o tema. Joseph Schumpeter definiu a inovação como o motor do desenvolvimento econômico por meio da "destruição criativa". Já Peter Drucker compreende a inovação como um processo de busca por oportunidades planejadas, voltadas ao empreendedorismo e aos benefícios sociais.

O Ceará é o estado da inovação. Aqui, ampliamos a capacidade energética e atraímos empresas graças a esse potencial inovador e empreendedor. Somos hoje um dos principais hubs tecnológicos e de conectividade do Brasil. Isso se deve a nossa posição estratégica como ponto de chegada de cabos submarinos, aliada à instalação de data centers. Esses fatores vêm promovendo uma profunda transformação digital.

A predileção dos investimentos em data centers está relacionada não apenas com a concentração global de cabos submarinos, mas também com a capacidade articuladora do governador Elmano de Freitas em atrair esses investimentos. Somada a isso, está a atuação da Secretaria de Planejamento e Gestão, por meio do Programa Ceará Mais Digital, com respaldo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que envolve o investimento de US$ 31 milhões.

Nesse cenário, o Ceará figura como o segundo ponto focal dessas conexões que atravessam os oceanos, atrás somente de Shima, no Japão. Essa infraestrutura conecta o Brasil a América do Norte, Europa e África, tornando a cidade estratégica para empresas de tecnologia interessadas em baixa latência e alta conectividade.

O Cinturão Digital, iniciado na gestão do ex-governador Cid Gomes, alcançou, no Governo Elmano, mais de 6 mil quilômetros de extensão, abrangendo os 184 municípios do Estado. Com o objetivo de ampliar a conectividade, o Governo do Ceará lançou o Programa 5G Rural, que prevê a implantação de mil torres com a tecnologia 5G em até quatro anos. Neste ano, já serão instaladas 300 torres, promovendo inclusão digital no campo, pois o Ceará é um só.

A digitalização de matrículas escolares, os sistemas integrados de saúde pública e as plataformas de gestão pública são exemplos concretos de inovação voltada ao benefício social. Em 2026, 92 mil alunos fizeram a matrícula on-line, evitando deslocamentos e reduzindo custos de transporte para as famílias.

Este é o verdadeiro sentido da inovação: implementar novas ideias, gerar oportunidades, reduzir desigualdades e garantir que o desenvolvimento chegue a todos os cearenses. 

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 16/04/26. Opinião. p.21.


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Defesa de Tese em Saúde Coletiva (Uece) de Francisco Valdicélio Ferreira

Aconteceu na manhã de hoje (25/05/26), de forma emota via Meet, mais uma defesa de tese do Doutorado em Saúde Coletiva do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da Uece.

A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Helena Alves de Carvalho Sampaio (Uece Orientadora), Virginia Visconde Brasil (UFGO), Katarinne Lima Moraes (UnB), Marcelo Gurgel Carlos da Silva (Uece), Clarice Maria Araújo Chagas Vergara (Uece), Ana Suelen Pedroza Cavalcante (Uece suplente) e Soraia Pinheiro Machado (Uece suplente), aprovou a Tese “Organização letrada em saúde: validação de ferramenta de autoavaliação e estudo multicêntrico”, apresentada pelo doutorando FRANCISCO VALDICÉLIO FERREIRA.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do Doutorado em Saúde Coletiva PPSAC-UECE


A EDUCAÇÃO SEM ESCOLA POLÍTICA

Por Raimundo Padilha (*)

No ensino superior quando foi quebrado o sistema seriado, substituído pela oferta por disciplina, se deu uma ruptura na educação política. No sistema seriado as turmas fechadas com seus 40 ou 50 alunos, facilmente eram identificados os seus líderes e com eles formados os seus Centros Acadêmicos, uma excelente escola de formação política. As suas lideranças se revelavam e eram facilmente identificadas.

Desta estrutura foram forjados líderes, que posteriormente foram atraídos para a militância político partidária levando valores que passaram a ocupar os parlamentos municipais, estaduais e federais. O nível médio dos parlamentares era bem mais elevado do que os atuais, tendo como consequência um debate de conteúdo e um maior e melhor nível de projetos.

O pensamento deles era voltado para a sociedade, ao contrário do que predomina hoje, que são voltados para os interesses pessoais dos próprios políticos, tendo como exemplo o absurdo de emendas parlamentares. A maioria dos eleitores não sabe em quem votou e a comunicação dos parlamentares com o eleitorado se dá predominantemente no período eleitoral à caça de votos para suas eleições e/ou reeleições. As casas legislativas não são avaliadas pelos seus eleitores, tendo como consequência mandatos sucessivos, quase que se transformando num emprego vitalício. E ainda há, o chamado "baixo clero", que vegeta e dorme em todo o seu mandato. É muito triste e pobre, o nosso parlamento, respeitadas as raríssimas exceções. Precisamos de muitas reformas e quem tem coragem de propor, se a nossa política é da conveniência pessoal? Está cômodo para eles e o povão que se lasque.

Foi apagado o processo de formação de líderes e ninguém contesta o fechamento da antiga escola política, nem alunos, nem professores. É como se estivéssemos no estado da arte, embora, com um parlamento fraco e sem visão de futuro. E onde está o MEC, que não enxerga o mal causado pelo período militar e que ainda persiste? Por conveniência, miopia ou frouxidão, nesta área, nada ou quase nada se faz no nosso país, a superficialidade é o que predomina.

Quando estudante do curso ginasial, hoje ensino fundamental participei ativamente dos Grêmios Literários. Eram verdadeiras escolas de formação política, havendo inclusive eleições bastante disputadas. Nos grêmios se praticava o exercício da oratória, de artes cênicas, dentre outras manifestações culturais. Isto era a base da formação de um caldo de cultura que tinha prosseguimento no período universitário, para aqueles vocacionados, sendo um caminho aberto para as atividades político partidárias. Daí o contraste entre os políticos de ontem e de hoje.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 15/04/26. Opinião. p.21.


domingo, 24 de maio de 2026

Causo Médico: MEDO DE CUCARACHA

Uma professora de uma escola médica foi fazer um curso na área de Saúde Pública, em um país insular, no começo da década de setenta do século passado, com duração de apenas dois meses. Quando retornou ao Brasil, ela, dizendo-se acostumada ao castelhano, só queria hablar, tendo “esquecido” o idioma pátrio.

Esse comportamento atípico perdurou, por algumas semanas, quando, um dia, ela se encontrava sozinha em seu gabinete de trabalho, e apareceu uma barata voadora, traçando um voo rasante. Foi aí que ela passou a gritar:

Una cucaracha! Una cucaracha!

Como não viesse ninguém em seu socorro, ela gritou ainda mais alto, quase urrando:

Una cucaracha!!! “Una cucaracha!!!

De novo, nenhuma viv’alma veio a acudi-la.

Já no desespero, pelando-se de medo do inseto, coevo dos dinossauros, ela lembrou-se do nome vulgar da Periplaneta americana em nosso vernáculo:

– Uma barata! Uma barata!

De pronto, entrou um servente que, sem pena nem dó, pegou um chinelo e liquidou a intrusa, no caso, a barata, tão sensível aos jatos de “superflit”, da época.

Depois desse choque, a tal professora esqueceu o castelhano e reaprendeu o português, sua língua materna.

De vez em quando, entretanto, só de ver uma barata, ela dava os seus pulinhos, querendo passar um atestado de feminilidade, com base no que, no popular, se diz: “Mulher de verdade é a que tem medo de barata”.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.76.

SILVA, M.G.C. da. Causo médico: medo de cucaracha. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Setembro de 2024 - Edição n.37. p. 18 (online). (Doc. Nº 8.2.740).


UMA SINGELA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Os pais, geralmente, intentam propiciar aos seus filhos todo conforto possível, mesmo os mais humildes e conforme suas possibilidades.

O filhote humano, ao nascer, é, dentre todas as criaturas, o mais desprotegido e, portanto, necessitado de mais cuidados.

O carinho e o afeto são laços, que nunca se devem romper, nem se confundir com o respeito, a gratidão, o amparo e, sobretudo, a autodeterminação. Filhos não são pajens, nem reféns da família. Devem ser educados para a realidade da vida, nos seus contraditórios, nas suas avenidas, como nas suas picadas.

O ninho familiar, por mais aconchegante que seja, não pode esconder os espinhos da jornada, que deverá encetar, sob a justificativa de proteção. O conforto eterno paralisa o dinamismo mental e o aconchego excessivo acomoda e congela a definição de rumos, a inserção social e a busca de sonhos: assim, os filhos nunca partirão para construir sua autonomia.

Lembro-me aqui do que fazem as águias. Aos seus filhotes nada falta, mas, quando ‘adolescem’, o ninho é desfeito e eles são impelidos a iniciarem seus voos. É o desconforto que os impulsiona a assumirem o poder de suas asas, que os obriga a crescer e a buscar seus sonhos.

O dever é carregá-los na sua pequenez, todavia, mais tarde, é fazê-los sentir a firmeza de seus pés e a pujança de seus sonhos, bem como ajudá-los a descobrir que podem e devem administrar sua vida: seu crescer não pode ser apenas físico, mas conjuntural, no holismo, que a vida abrange: social, econômico, ético, moral, espiritual.

Conforto demais é prisão e não amor. Mantém eternos bebês, quando o mundo precisa de homens e mulheres de escol e de fé.

O bem viver atrela-se, prioritariamente, a escolhas do querer e à determinação da mente, que jamais serão substabelecidas.

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/04/26.

sábado, 23 de maio de 2026

Tradição Cristã ou Tradicionalismo Católico?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Em se tratando da Igreja Católica, assiste-se a uma avassaladora onda de liberalismo progressista, e, diante desses ‘neologismos pragmáticos’, é necessário um ponto de reflexão para não sairmos da estrada, definida por Jesus.

Trago aqui minha singela opinião, sem pretensões de maiores aprofundamentos, tampouco de convencer ninguém.

A tradição é a transmissão de valores, princípios e costumes de geração em geração, de tal maneira a manter a identidade cultural e a essência dos valores e princípios de um povo, de uma nação, de uma instituição. O tradicionalismo, por sua vez, está mais atento ao como, valoriza mais o rito do que a essência.

A Igreja Católica tem como suporte a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.

O Cristianismo não existiria sem a historicidade dos Apóstolos e de Jesus Cristo, cujo ensinamento foi preservado e transmitido pelos Apóstolos, a partir da Igreja primitiva, sem a qual a Bíblia seria apenas um livro sem contexto.

Há registros, tanto na cultura grega, quanto na cultura romana, de baluartes que nos legaram a Bíblia. Assim, temos Clemente de Roma e Policarpo de Esmirna, no século I, Irineu de Lião, no século II, Agostinho de Hipona, no século V, Tomás de Aquino, no século XIII e os gregos Orígenes, Atanásio de Alexandria, entre tantos outros. Romper, portanto, com a Sagrada Tradição, é desvincular-se da história, rompendo com os próprios Apóstolos e, enfim, com a Palavra que é o Cristo Jesus.

A liturgia, com seus gestos, atitudes, músicas e símbolos propicia um ambiente de espiritualidade e de adoração, não deve ser adaptada à vaidade e transitoriedade do mundo, aliás o fermento é a Palavra e jamais o mundo.

Dando um olhar pragmático, é possível perceber-se que a atitude de adoração à Eucaristia parece ter-se encolhido, o Santíssimo circula pelo meio das pessoas como algo vulgar, não há sinalização de que Jesus está passando; a atitude de alguns sacerdotes e alguns ministros, diante da Eucaristia, não chega a ser nem mesmo uma vênia e a distribuição da Santíssima Eucaristia é mais semelhante a uma feira do que ao Santíssimo Sacramento, o Filho de Deus encarnado, presente no pão eucarístico.

Como católico, há vezes, que eu não me sinto num templo católico, sendo mais convidativo à oração e ao encontro com Deus o interior de minha moradia. Muitos ritmos musicais, nas celebrações, espantam e afastam mais do que despertam o espírito e não convidam à adoração, ‘data venia’, parece-me mais um show de calouros; muitas proclamações da Palavra são péssimas e incompreensíveis leituras sem qualquer preparo, nem compreensão do próprio leitor, constituindo, na minha visão, um desrespeito para com a Palavra.

O objetivo da substituição da língua oficial, o latim, pelo vernáculo, parece-me que vulgarizou, mas não espiritualizou, como se pranteava.

E o Presidente da celebração não é o sacerdote, é o próprio Cristo, tanto que a consagração é feita ‘in persona Christi’. O sacerdote é o intercessor, junto a Jesus Cristo, de quantos participam da liturgia e extensivo a todos.

A Igreja não é estática, nem o sacrifício da cruz e a ressurreição, riqueza museológica. Mas, a sua dinâmica não coincide com a dinâmica do mundo. É o Espírito que a vivifica, e não o mundo. Sempre foi, é e sempre será!!!

O Bispo auxiliar de Hertogenbosch, Robert Mutsaerts, afirmou que o colapso da prática religiosa, na Holanda, deveu-se à tentativa de tornar a Igreja mais atraente, ao modernizar suas práticas e diluir a identidade católica, resultando em esvaziamento, ao invés de renovação. (https://www.instagram.com/p/DWbWzLXDolJ/?img_index=1).

A Palavra nunca envelhece e jamais precisará de alterações, mesmo semânticas: evangelizar implica, sim, contextualização dentro do modal cultural, mas nunca o inverso, nem tampouco alteração e/ou adaptação de quaisquer citações da Palavra. À catequese cabe a explicação compreensível do Texto Sagrado.

Domine, auge fidem meam’!!!

Uma boa sexta-feira, as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/04/26.


CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Maio/2026

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de maio/2026, que será realizada HOJE (23/05/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 22 de maio de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 867

Abro a coluna com uma historinha de Tancredo Neves, que mostra a índole matreira do grande político das Minas Gerais.

Um disfarçado sorriso

No segundo semestre de 1984, como chefe do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero, coordenei um debate com os presidenciáveis Tancredo Neves e Paulo Maluf. Eram candidatos à presidência em eleição indireta, que ocorreria em 15 de janeiro de 1985, quando Tancredo venceu Maluf com 480 contra 180 votos e 26 abstenções. Salão nobre do Teatro Gazeta, enorme, lotado. Tancredo veio primeiro. Aplaudido de pé após um debate que terminou por volta de 23h. Por sugestão do banqueiro e ex-prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, fomos (pequeno grupo de professores) jantar com ele no elegante restaurante-pub de Geraldo Alonso, o famoso publicitário, o Santo Colomba, na rua Padre João Manoel. Sentei-me ao lado dele. Puxei conversa. Falamos de política. "Gaudêncio, de onde você é?", indagou. Observara o sotaque. Respondi: "Sou do RN". A conversa girou então sobre Dinarte Mariz, Aluízio Alves, Djalma Marinho, os Rosados etc. O vinho bom descia suave. De repente, no meio de animado papo, Tancredo fecha os olhos e abre um leve bocejo. Nem houve aviso prévio. Fiquei preocupado. Será que a conversa está chata? Setúbal, sentado na nossa frente, com sua voz de barítono, pisca o olho e avisa, sabendo que ele iria ouvir:

- Professor, não se incomode. É assim mesmo. Quando ele quer ir embora, não fala. Simplesmente, inventa que está dormindo.

Mas era visível seu cansaço. Olhei de leve para nosso ex-primeiro-ministro e confesso ter observado um disfarçado sorriso nos lábios. Setúbal pagou a conta e saímos. Felizes por termos participado de um histórico encontro com a matreirice mineira.

Mais uma de Tancredo.

Conchavo

Premido pelos casuísmos, Tancredo Neves foi obrigado a fundir o seu PP com o MDB de Itamar. Alguns pepistas pularam do barco e protestaram alegando conchavo. Tancredo foi curto e seco: "Conchavo é a identificação de ideias divergentes formando ideias convergentes." Tinha razão. Muitas curvas desembocam em retas.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/419809/porandubas-n-867


quinta-feira, 21 de maio de 2026

Meus 53 anos nos 300 de Fortaleza

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Como funcionário do BNB em Itabuna (BA), estive em Fortaleza nos anos de 1970 e 1971 para participar de treinamentos próprios das funções então exercidas - uma prática seguida, à época, por essa exemplar instituição.

Em junho de 1973, após processo seletivo, vim participar de mais um curso do BNB, em que a aprovação significaria transferência definitiva para esta cidade. Confiei e já vim com a família.

Fortaleza contava com 950 mil habitantes, uma pequena metrópole, com raros prédios com mais de três pavimentos e comércio e serviços incipientes. As opções de lazer concentravam-se no Centro, especialmente na Cidade das Crianças, Praça do Ferreira e cines São Luiz e Diogo.

A orla contemplava os principais clubes sociais, o Náutico, o Ideal e o Líbano. A Praia do Futuro era uma esperança no próprio nome, mas o elevado índice de maresia não possibilitou a ocupação imobiliária prevista.

O BNB, como motor de desenvolvimento, contribuía para o crescimento das atividades econômicas e, pela visão de formação de pessoas, colaborava com técnicos de elevado padrão, a ocuparem postos de destaque, especialmente em instituições públicas nos três níveis de governo.

O sonho da Uece viria a se concretizar em 1975, com a visão de interiorização do ensino e formação de professores, mas já demonstrando aptidão para outras áreas. Hoje, o curso de nível internacional de Ciências Veterinárias, o elevado nível de pesquisa e a excelência em inovação são conquistas que a colocam em destaque no Brasil e no mundo.

A nova Fortaleza, dos edifícios de mais de 150 metros e 2,6 milhões de habitantes, tem hoje uma orla revitalizada e posição de destaque nacional na economia. O Estádio do Castelão de 1973, transformado na Arena Castelão (padrão Fifa), e uma cidade policêntrica com hubs de inovação e parques urbanos trazem-nos uma certa saudade daqueles tempos.

Contudo, esse saudosismo não imobiliza o presente; antes, permite-nos valorizar a fênix urbana em que Fortaleza se tornou ao completar três séculos. O crescimento acelerado, iniciado na década de 1970, não empana o seu carisma de "Loura Desposada do Sol".

Parabéns, Fortaleza!

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/04/26. Opinião. p.18.


AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA EM RISCO

Por Sofia Lerche Vieira (*)

A origem da universidade remonta à Idade Média. Concebida sob o princípio da "busca da verdade sem constrangimentos", sua autonomia é condição para a liberdade de ensinar, pesquisar e produzir conhecimento. Tal princípio, assegurado pela Constituição Federal de 1988 (Art. 207), é um componente essencial das democracias modernas.

Esse elemento fundamental da universidade, porém, enfrenta pressões crescentes. Nos Estados Unidos, por exemplo, intensificaram-se críticas às universidades, utilizadas para justificar restrições orçamentárias, vigilância sobre conteúdos e limitações à presença de estudantes e pesquisadores estrangeiros, afetando diretamente a diversidade e a produção acadêmica.

O cenário atinge tanto universidades de reputação internacional, como Harvard, Columbia e Princeton, quanto outras instituições do sistema de ensino superior norte-americano, antes livres de ameaças à autonomia. O movimento "No Kings" ("Sem Reis"), que tem levado milhares de cidadãos a protestos de rua naquele país, expressa, em alguma medida, a resistência da sociedade às perseguições em curso, incluindo aquelas dirigidas às universidades.

Esse contexto dialoga com riscos já conhecidos no Brasil. Em cenários de avanço de agendas autoritárias, universidades frequentemente se tornam alvo por sua natureza crítica e questionadora. A história brasileira demonstra que perseguição a professores e estudantes, controle de conteúdos e restrições à liberdade acadêmica já comprometeram o papel das instituições de ensino superior.

A situação nos Estados Unidos permite vislumbrar possíveis desdobramentos sob governos de extrema direita: maior controle político na escolha de dirigentes, enfraquecimento da liberdade intelectual e cortes de financiamento. Trata-se de um padrão em que o pensamento crítico passa a ser visto como ameaça.

A fragilização da autonomia universitária impacta não apenas a educação, mas também a capacidade da sociedade de refletir, inovar e sustentar suas instituições democráticas. Trata-se, portanto, de um alerta global: defender a universidade livre é defender a democracia.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/04/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 20 de maio de 2026

Homenagem aos Ex-Coordenadores do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará

Hoje, 12 de maio de 2026, a querida Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará celebra 78 anos de fundação. Entre os eventos comemorativos, destaca-se a inauguração da galeria de fotografias dos ex-coordenadores do Curso de Medicina — justa homenagem aos professores que, no exercício desse importante cargo, dedicaram-se ao acompanhamento e à formação dos alunos. A iniciativa foi liderada pela atual coordenadora, Profª. Mônica Façanha, com o apoio do Diretor da Faculdade, Prof. João Macedo, e do Magnífico Reitor, Prof. Custódio Almeida, ambos presentes à solenidade.

Por ter exercido a função de coordenador do curso de graduação em Medicina, sei o quanto esse cargo é relevante para o corpo discente, pois envolve o desempenho de múltiplas atribuições. Assumi essa responsabilidade no tempo do Centro de Ciências da Saúde, o qual era dirigido pelo Prof. Afonso Bruno. Recebi o convite com certo receio de não corresponder plenamente às exigências da função. Felizmente, tudo transcorreu bem, graças à colaboração de dois extraordinários servidores: Dona Natércia Esmeraldo e João Carlos Pordeus Freire, com os quais compartilho esta homenagem.

Foi uma fase de grande aprendizado para mim, ocasião em que ampliei minha visão acerca do vasto universo da Universidade Federal do Ceará. No Campus do Pici, realizavam-se reuniões mensais na Pró-Reitoria de Graduação, conduzidas pelo Pró-Reitor, Prof. Gil de Aquino Farias, com a presença de todos os coordenadores dos cursos de graduação da UFC. Eram encontros de grande relevância, nos quais cada coordenador expunha as peculiaridades e os desafios de seu respectivo curso.

Os coordenadores dos cursos do Centro de Ciências da Saúde — Perboyre Castelo (Odontologia), Ana Martins (Enfermagem), Carlos Couto (Farmácia) e Sebastião Diógenes (Medicina) — viajávamos para cidades do interior com o objetivo de acompanhar os alunos do estágio rural. Guardo especial lembrança de duas delas: Croatá e Tejuçuoca. Éramos sempre muito bem recebidos pelos prefeitos e secretários de saúde dos municípios. As viagens, realizadas em ônibus da UFC, tornavam-se momentos particularmente agradáveis de convivência e troca de experiências.

Recordo também que, naquele período, foi implantado o serviço de informatização da UFC, representando um grande avanço administrativo. João Carlos e eu participamos de treinamento na Pró-Reitoria de Graduação, no Pici. Sempre admirei sua inteligência voltada para a informática, assim como a dedicação exemplar ao serviço público demonstrada por Dona Natércia Esmeraldo e João Carlos Pordeus Freire.

Por fim, gostaria de recordar dois grandes professores que me visitaram logo após eu assumir a coordenação. O Prof. Aprígio Mendes Filho presenteou-me com o Regimento da UFC e recomendou que eu o seguisse fielmente, assegurando-me que assim não haveria erro. Já o Prof. Haroldo Juaçaba aconselhou-me a jamais abandonar o centro cirúrgico e o ambulatório, permanecendo na coordenação apenas o tempo necessário para resolver as pendências administrativas.

Tenho profunda gratidão a todos que me ajudaram nessa trajetória. Felicito a Faculdade de Medicina pelo transcurso de seu 78º aniversário de fundação.

Muito obrigado pela homenagem!

Sebastião Diógenes 12-05-2026


CANETAS EMAGRECEDORAS: do tratamento médico ao uso abusivo

Por Paulo Campelo (*)

Essas medicações representam um avanço importante da ciência no tratamento da obesidade, doença crônica, complexa e multifatorial. O problema começa quando o uso terapêutico dá lugar ao uso indiscriminado, sem prescrição médica, sem diagnóstico adequado e sem acompanhamento profissional.

Estes não são medicamentos inofensivos. Seu uso inadequado pode provocar complicações graves e, em situações extremas, fatais. No noticiário e nas redes sociais, sempre ouvimos casos que trazem uma situação extrema, até mesmo resultante de medicamentos contrabandeados, fracionados ou comprados no mercado ilegal. 

Infelizmente, não são casos isolados. No consultório, tornam-se cada vez mais comuns relatos de pessoas que adquirem essas substâncias em sites informais, com conhecidos, influenciadores digitais e, de forma alarmante, até em salões de beleza. Há ainda histórias de medicamentos manipulados sem controle, frascos sem identificação e produtos vendidos como "naturais", aplicados sem qualquer critério técnico ou segurança.

Isso ultrapassa a irresponsabilidade individual e configura um problema de saúde pública. É fundamental deixar claro: esses medicamentos não foram criados para perda de peso ocasional ou fins puramente estéticos. Eles são indicados para tratar doenças complexas, como obesidade e diabetes, e exigem rigor técnico. Atuam no sistema digestivo, interferem na glicemia e podem impactar a pressão arterial, tornando indispensáveis avaliação médica, exames e acompanhamento contínuo.

A influência das redes sociais tem papel central nessa distorção. Conteúdos superficiais criam uma falsa sensação de segurança e escondem riscos reais. Nenhum resultado estético justifica colocar a própria vida em risco. A banalização dessas medicações abre caminho para novas tragédias. É urgente resgatar o senso crítico e lembrar que obesidade é doença, e tratamento exige responsabilidade.

(*) Médico. Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - Capítulo Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/04/2026. Opinião. p.22.


terça-feira, 19 de maio de 2026

Hospitais de ensino para fortalecer o SUS

Por Josenília Gomes (*)

Desde que foi vinculado à HU Brasil, antes chamada Ebserh, o Complexo Hospitalar da UFC teve sua capacidade de resposta à rede de saúde fortalecida por um modelo de gestão que garante previsibilidade, qualificação de processos e melhores condições para o cuidado em saúde. No último ano, essa parceria institucional se traduziu em resultados que evidenciam isso.

A Maternidade-Escola Assis Chateaubriand seguiu referência para a gestação de alto risco com emergência obstétrica e cuidados a recém-nascidos prematuros extremos, oferecendo cirurgia fetal como correção intrauterina de meningomielocele e fetoscopia a laser para síndrome de transfusão feto-fetal. Também acolheu mulheres vítimas de violência, em tratamento de endometriose e para neovagina com pele de tilápia. Foram realizados quase 490 mil procedimentos com foco no cuidado da mulher durante a gestação e fora dela.

No Hospital Universitário Walter Cantídio, foram registrados quase 400 mil atendimentos ambulatoriais, cinco mil cirurgias, mais de um milhão de exames diagnósticos, 13 mil procedimentos oncológicos e 254 transplantes. Destaque para a primeira infusão da medicação Spinraza para o tratamento de crianças com atrofia muscular espinhal.

Em 2025, o CH-UFC avançou ainda na qualificação do ensino em saúde, com o fortalecimento da formação de preceptores, a ampliação dos programas de residência e a diversificação dos campos de estágio. O período também foi marcado pela conquista do Prêmio PIT HU Brasil/MEC 2025, que reconheceu iniciativas tecnológicas.

A gerência da HU Brasil no CH-UFC trouxe avanços em infraestrutura, como ampliação de consultórios, modernização da unidade de pesquisa clínica e laboratório de simulação para treinamento prático simulado, além da reorganização de unidades administrativas. Foram mais de R$ 11 milhões investidos em obras e aquisição de equipamentos.

Em 2026, será necessário consolidar políticas permanentes de formação, continuar investindo em inovação pedagógica, fortalecer indicadores de qualidade e integrar ainda mais gestão, ensino, assistência e pesquisa. É o caminho para o Complexo Hospitalar da UFC, para a HU Brasil, para o SUS e, sobretudo, para a população que dele depende.

(*) Médica. Superintendente do Complexo Hospitalar da UFC/HU Brasil.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/04/2026. Opinião. p.20.

 

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