quinta-feira, 2 de julho de 2026

UM MURMÚRIO DE EMOÇÕES

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

- Eu peço desculpas

Tomado de raiva, que lhe envermelha o rosto e franze o cenho, a bruta de uma emoção arremete, tão áspera quanto violenta:

- Não, não desculpo.

E repete, com as pulsações do coração soprando-lhe a camisa branca, à altura do peito esquerdo, no inflar célere dos pulmões:

- Não e não.

Emoções são um dos nossos patrimônios humanos. Elas mesmas nos antecedem o farfalhar da razão, nascem conosco, inda que embrionárias, dentro de seu casulo, mas, com, pelo menos, uma probóscide em atividade, ora instintiva.

Elas não explodem sem, antes, nos implodir, por primeiro.

Mas, o que é emoção?

É um sentimento ou uma forte e abrupta reação a algo ou alguém, que nos provoca, ao atingir a fragilidade de nossos domínios interiores e nos bofeteia ou arranha ou nos acaricia, galanteia e empluma?

Derivada do latim e + movére (mover para fora), emoção apresenta-se como reação psicofisiológica instantânea, provocada por um estímulo qualquer e dispõe de três assessores: neurobiológico, comportamental e cognitivo. A psicologia considera a emoção uma reação biológica automática, enquanto o sentimento decorre da interpretação de nosso consciente, fundamentado em nosso livre arbítrio.

Não há muros que suportem o ataque das nossas emoções, dessas catapultas, que assaltam todos os nossos flancos, traindo nossa interioridade ou admoestando o ‘ignoto’, que somos: segredo, que não conseguimos guardar, pois, nalgum momento, nos expõe, às claras.

Essa lava vulcânica não apenas pode destruir, mas lastreia também um terreno fértil ao exercício de nossa maturidade. São emoções que nos afastam de perigos, que nos estimulam empatia ou antipatia. Emoções podem estimular a produção tanto de serotonina como de cortisol: aquela, de emoções positivas, como a gratidão, a admiração, a esperança e este, de emoções negativas, a exemplo da ansiedade, da angústia, da raiva e da ira.

Se deixas tuas emoções te dominarem, elas decidirão por ti e talvez te denunciem orgulho e autossuficiência de uma certa altivez indomada. E não te assustes com as deletérias surpresas que elas te criarão, mais no interior do que ao teu derredor, que também não são menos deletérias.

Tu lhe deste o timão de tua vida.

Lembra-te: toda decisão que tomares em momentos de forte e profunda emoção, seja de qualquer timbre, provocar-te-á arrependimento e para mitigá-lo, tu engendrarás quaisquer justificativas, far-te-ás de vítima ou remoerás remorsos, inda que com a hipocrisia de mambembes disfarces, que não te promovem paz de consciência tampouco tranquilidade de espírito, a não ser que tenhas imposto algum dano ao teu caráter e humana hombridade.

Enfim, emoções são patrimônio de todos e de cada um de nós, sem as quais o viver seria inviável. Todavia, seu descontrole são raptos espúrios de um caráter agonizante.

Há emoções que doem n’alma, antes que a cabeça comece a entender e o coração comece a experienciar.

Nihil sine onere aut sine praemio suo.

Uma boa quarta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 27/05/26.

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