segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DOM MARCOS BARBOSA: FÉ E CULTURA

Lauro de Araújo Barbosa nasceu em Cristina-MG, em 12 de setembro de 1915.
Depois de cursar o ginásio em Itajubá-MG, matriculou-se, em 1934, na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, tendo então participado da Ação Universitária Católica e do Centro Dom Vital, quando conheceu Alceu Amoroso Lima, o grande pensador católico, de quem se tornou secretário particular.
Interrompeu o Curso de Letras Clássicas, iniciado após a conclusão do de Direito, para ingressar no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, em 1940, onde foi ordenado sacerdote, em 1946, recebendo o nome religioso de Dom Marcos Barbosa.
Quando universitário, Lauro de Araújo Barbosa publicou crônicas e poemas em A Ordem e Vida, revistas de que foi redator, e em O Jornal e na Revista do Brasil.
Dom Marcos, que julgava ter renunciado à vocação literária, ao ser admitido na ordem beneditina, aos poucos, foi retomando sua vocação de escritor, produzindo autos e poemas escritos para determinadas ocasiões e depois reunidos em livro. Desses poemas, “O Varredor”, foi muito divulgado pela Ação Católica, e o “Cântico de Núpcias”, já publicado neste Boletim da SMSL, obteria notável repercussão, sendo lido ainda hoje em celebrações de casamento, inclusive por alguns juízes de paz, e até mesmo na mídia televisa.
Após uma breve passagem pelas rádios Cruzeiro e Mayrink Veiga, manteve, de 1959 a 1993, na Rádio Jornal do Brasil, o programa Encontro Marcado, que ia ao ar, diariamente, às 18 horas. Em seguida, esse programa passou a ser transmitido pelas rádios Carioca-AM e Catedral-FM, também diariamente. Foi colaborador do Jornal do Brasil, escrevendo todas as quintas-feiras, durante anos a fio.
Logrou os dois primeiros lugares no concurso para a letra do Hino do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional realizado no Rio de Janeiro em 1955, como também fez parte da equipe de tradutores de textos litúrgicos da Conferência Nacional dos Bispos.
Traduziu, para o português, obras de grandes escritores, como: Saint-Exupéry, Maurice Druon, Paul Claudel e François Mauriac. Dessas traduções, três livros se tornaram famosos: O Pequeno Príncipe, O Menino do Dedo Verde e Marcelino Pão e Vinho, tendo larga aceitação geral, na verdade, mais em adultos do que no público infanto-juvenil a que, prioritariamente, se destinavam.
Dom Marcos Barbosa inovou a oratória sacra, pelo estilo manso e poético dos seus sermões, tendo sido escolhido para saudar, em nome dos intelectuais brasileiros, o Papa João Paulo II em sua primeira viagem ao Brasil.
Suas principais obras literárias foram: Teatro (1947); Livro do Peregrino (1955); XXXVI Congresso Eucarístico Internacional (1955); A Noite Será como o Dia: autos de Natal (1959); O livro da Família Cristã (1960); Poemas do Reino de Deus (1961); Mãe Nossa, que Estais no Céu (s.d.); Para a Noite de Natal: poemas, autos e diálogos (1963); Para Preparar e Celebrar a Páscoa: autos, diálogos e fogo cênico (1964); Eis que Vem o Senhor (1967); O Livro de Tobias (1968); Oratório e Vitral de São Cristóvão (1969); Manifestações de Autonomia Literária: A Escola Mineira e outros movimentos. In: História da Cultura Brasileira (2 vols., 1973-76); Um Menino Nos Foi Dado, org. por Lúcia Benedetti, In: Teatro infantil (1974); A Arte Sacra (1976); Nossos Amigos, os Santos (1985); Congonhas, Bíblia de Cedro e de Pedra, em coautoria Hugo Leal (1987); Um Encontro com Deus: teologia para leigos (1991); As Vinte e Seis Andorinhas (1991) e Poemas para Crianças e Alguns Adultos (1994).
Integrou, por vários anos, o Conselho Federal de Cultura. Pertenceu, como membro efetivo, a diversas e importantes confrarias culturais: Academia Brasileira de Letras, empossado em 23 de maio de 1980; Pen Clube do Brasil, admitido em 15 de outubro de 1981; e Academia Brasileira de Artes, tomando posse em 12 de setembro de 1985.
Ao longo de sua existência, foi alvo de diferentes distinções, cabendo citar: o título de Cidadão Honorário do Município do Rio de Janeiro (1984); o Prêmio de Poesia do Pen Clube do Brasil (1986); a condecoração de Chévalier des Arts et des Lettres, concedida pela República Francesa (1990); e o Prêmio São Sebastião de Cultura da Arquidiocese do Rio de Janeiro, como Personalidade do Ano (1995).
Faleceu, esse destacado sacerdote e monge beneditino, e, igualmente, poeta e tradutor, no Rio de Janeiro, aos 81 anos, em 5 de março de 1997.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas
* Publicado In: Boletim Informativo da Sociedade Médica São Lucas, 8(61): 3-4, agosto de 2012.

Um comentário:

paulo renan finholdt disse...

Marcelo Gurgel, pesquisar sobre Dom Marcos Barbosa, certamente muito mais do que garimpar preciosidades, é um passeio ao lado de um amigo, em longa caminhada, e, se muito transpirou muito mais se inspirou, respirando do mesmo ar que alimentou e deu vida plena a Dom Marcos Barbosa, a quem conheci, por acaso - acaso muitíssimo feliz, em palestras radiofônicas, verdadeiras exortações humanistas e cristãs, a brindar meus dias na década de sessenta, já às seis da matina - ao raiar da aurora no Beraba'bão, no Triangulo Mineiro das Minas Gerais. Muita saudade e lembrança, ainda a dar cor e enriquecer meu caminho à velhice, hoje somados 71 anos.
A você Marcelo, não perca o fio dessa trama, o amanhã ninguém conhece e coincidências não existem, mas surpresas nem tão surpresas, e a qualquer hora em qualquer lugar poderemos nos esbarrar - Paulo Renan, Marcelo Gurgel e Dom Marcos Barbosa(Lauro). Au revoir, ou mineiramente inté!

 

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