terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ANEDOTAS DO QUINTINO III


Quintino Cunha era um notável poeta. Ficou famoso por motivos menos nobres é verdade, mas não menos interessantes. As suas respostas ferinas às provocações, as suas atuações como advogado dos oprimidos e a sua inteligência invejável e invejada, fizeram dele um mito. Muitas histórias surgiram e foram atribuídas ao Quintino. Nem todas são verídicas, mas a maioria tem registro. Aqui estão algumas das mais curiosas e também as suas melhores poesias. Esta seção pretende fazer justiça ao mérito de Quintino como poeta, já que, como repentista, é incontestável. Além disso, visa preencher uma lacuna. Até então, não existia nenhuma alusão ao célebre cearense na internet.
A Repartição
Quintino entra numa repartição do governo - Comissão de Estradas e Rodagens. O tesoureiro, que, no momento, contava dinheiro, quis impedir a sua entrada.
- Não pode entrar, aqui é uma Repartição!
- Então cheguei em boa hora. Reparta comigo, diz o poeta.
Mas, o tesoureiro insiste:
- Doutor Quintino, isto aqui é uma comissão!
- Melhor ainda. Diz o poeta. - Quero "comer" também!
(Plautus Cunha - Anedotas do Quintino)
Fazendinha da Fome
Quintino, certa feita, foi convidado a passar um final de semana em uma fazenda de um conhecido. Lá chegando na sexta-feira à noite foi muito bem recebido pelo dono da casa e pelos serviçais. Apesar disso, passaram-se as horas e nenhuma comida era servida. Por volta do horário da ceia foi servido um caldinho de bila (consomê de feijão verde) acompanhado duma nesga de pão passado na nata, e pronto!
Passou-se assim o sábado, no mesmo modelo. Porém, com uma noite de apetitosos sonhos com pão de milho no leite do coco, coalhada, mel de rapadura, carne de sol, um alguidar cheio de farinha de mandioca e os beijus saindo de dentro, de quebra um copo de quibebe de murici ou um copo duplo da garapa de cana com limão. Acordou babando. Com as tripas revirando de fome vestiu as calças pulou a janela e logo no caminho recitou:
"Adeus fazendinha da fome
jamais me verás tu
aqui criei ferrugem  nos dentes
e teia de aranha no cu ".
(Enviada por Eristow Nogueira)
Quintino no bonde
Quintino entrou no bonde e procurou lugar para se sentar. Logo viu um assento vago ao lado de uma senhora com ares muito antipáticos. Mesmo assim resolveu se sentar e educadamente pediu licença:
- Por favor, posso me sentar?
A senhora olhou para o Quintino com desdém e perguntou:
- Com esta cara?...
Quintino não se fez de rogado e respondeu calmamente:
- Não senhora, com está bunda!...
(Do anedotário popular - Redação: Ceará-Moleque)
Fonte: Internet (circulando por e-mail e sem autoria definida).
Nota: Muitos causos de Quintino Cunha foram contados por seu filho Plautus Cunha, no livro Anedotas do Quintino. 16a Edição. Fortaleza-CE: Editora Ângelo Accetti, 1974.

Defesa de Dissertação em Saúde Coletiva (UECE) de Geisa Passos


Flagrante da banca com a mestranda, logo após a Defesa de Dissertação da farmacêutica Francisca Geísa de Souza Passos. Geísa está ladeada pelos professores Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Ana Paula Soares Gondim, à direita, e por Maria Helena Lima Sousa, à esquerda. (Foto cedida pela mestranda).
Aconteceu na manhã de ontem (30/01/17), na Universidade Estadual do Ceará, mais uma defesa de Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPSAC) da UECE.
A banca examinadora, composta pelos Profs. Drs. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Ana Paula Soares Gondim e Maria Helena Lima Sousa, aprovou o Projeto de Dissertação “Medicamentos potencialmente perigosos um uma unidade de internamento hospitalar”, apresentada pela mestranda e nossa orientada FRANCISCA GEÍSA DE SOUZA PASSOS.
Com essa conclusão, completamos 42 (quarenta e dois) orientados de mestrado.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor do PPSAC-UECE

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

FRASES E PENSAMENTOS DE MARK TWAIN II


8 “É curioso que no mundo a coragem física seja tão comum e a coragem moral tão rara.”
9 “Não ceda às suas ilusões Quando elas se forem você ainda existirá, mas terá deixado de viver.”
10 “Toda pessoa é uma lua, e tem o seu lado obscuro que nunca é mostrado a ninguém.”
11 “Algumas pessoas nunca repetem os mesmos erros. Descobrem novos erros para cometer.”
12 “O radical de um século é o conservador do século seguinte.”
13 “Nada permanece imune a uma boa gargalhada.”
Fonte: gingaronline.com

FRASES E PENSAMENTOS DE MARK TWAIN I


1 “A ficção é obrigada a avançar nas possibilidades. A verdade, não.”
2 “Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo, e não a ausência do medo.”
3 “Sempre que alguém se encontrar ao lado da maioria, é tempo de parar e refletir.”
4 “A arte da profecia é muito difícil, principalmente sobre o futuro.”
5 “A diferença entre a palavra certa e a palavra quase certa é a mesma diferença entre um relâmpago e um vaga-lume.”
6 “O homem que não lê bons livros não tem vantagem alguma sobre aqueles que não podem lê-los.”
7 “É melhor merecer as honras sem recebê-las do que recebê-las sem as merecer.”
Fonte: gingaronline.com

domingo, 29 de janeiro de 2017

DORIA, O PROFESSOR


João Brainer Clares de Andrade (*)
Além da comoção popular por, finalmente, vermos um gestor público trabalhar de fato feito gestor, João Doria já é a principal lição de 2017. Desde o primeiro dia, vestiu-se como trabalhador emblemático da maior capital brasileira e desempenhou ofício de quem cuida da cidade: o prefeito-gari usou a alegoria das roupas para mostrar a que estava disposto.
João é objetivo: mesmo que possa ter sido estratégia, definiu metas ao secretariado e multa aos que chegam atrasados; eis a cabeça da máquina privada que funciona aniquilando a rotina do funcionalismo público naturalmente pouco eficiente do País. João é econômico: cortou gastos e forçou que fornecedores da prefeitura também o fizessem; afinal, assim o teria feito como líder de suas empresas.
À equipe, boa parte do mérito. O perfil técnico parece ter nascido de rodas de entrevista de grandes corporações, e o Conselho de Gestão, que integra ex-prefeitos de vários partidos e professores com expertise nos temas da cidade, são a prova de que é preciso ouvir além de tudo.
João é zeloso: anunciou oposição aos que dizem expressar arte nas paredes de prédios e locais públicos; é como um anúncio que ali há dono, feito qualquer um de nós faria em nossas casas. É um zelo pela coisa pública, apesar da rotina brasileira de não zelar porque nunca aparece um dono.
Visitar unidades, providenciar pessoalmente material em falta e reclamar da parede com infiltração é o preço que os políticos de carreira enfrentam com João. A rotina de fazer cegas para agradar aos apadrinhados parece não mais ser tolerada.
João não santificou a pobreza e muito menos demonizou a riqueza. A pobreza nem sempre é a única causa da pobreza: pode faltar moral, como também há na riqueza, para se buscar estudo, seguir regras e, mais ainda, não querer depender do assistencialismo hipertrofiado e, por vezes, eleitoreiro no Brasil. João quer ensinar a pescar; feito ele faz todos os dias.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/01/2017. Opinião. p.10.
(*) Médico. Professor substituto da Uece.

NO CÉU, O CORONEL AMIGO


Lúcio Flávio Gonzaga Silva (*)
Nosso irmão, o coronel José Cleber Gonzaga Silva foi para a casa do Pai neste 18 de janeiro de 2017, após longos meses de resignação, paciência, grandeza, no enfrentamento incansável, no combate renhido, dia-pós-dia, face a evolução de sua enfermidade.
Um exemplo de vida a deste homem, que nada reclamou, ao contrário, tudo aceitou e tudo suportou e tudo enfrentou, magnânimo, no seu destino final.
Formado na arma de engenharia em 1963 (AMAN e IME) do Exército Brasileiro, que tanto amou, esse verdadeiro soldado pátrio construiu, em tempos de paz, pontes, edifícios, rodovias, poços, açudes, aclives, declives, desvios, entretanto e, sobretudo, construiu o coronel Cleber amizades perenes por todos os quatro cantos de nosso Brasil, desde Cajazeiras, na Paraíba, Natal, São Gabriel da Cachoeira, no extremo Norte, Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, Itaitinga, Tabuleiro Grande (lugar onde nasceu em 1941), Fortaleza (os ex-alunos lembram honrados seu professor do Colégio Militar, amante da física e das matemáticas).
Homem justo, correto, trabalhador, empreendedor, ético, amigo, como o definiram as pessoas, espontaneamente, durante sua missa de corpo presente, inquiridos pelo celebrante, diante de Deus.
Acompanhamos pari passu os últimos meses de nosso bravo irmão coronel Cleber, sua força inquebrantável, sua persistência na imensa luta, sua admirável vontade de viver. Sofreu muito, resistiu demais, não se acovardou diante de sua moléstia jamais, altivo como um oficial à estatura de seu porte e coragem, sorria, apesar de suas dores, a expressar força e nobreza, a todos, o seu exemplo final.
Gostava de música, adorava cantar. A última canção que deliciamos juntos foi de Lupicínio Rodrigues, na voz maravilhosa de Elis Regina, enquanto seu filho Carlos Sergio dedilhava alguns acordes ao violão. A fantástica Cadeira Vazia, do extraordinário músico: “entra, meu amor, fica à vontade e diz com sinceridade o que desejas de mim…” Cantou, a voz já não era a mesma dos tempos da saúde, mas era afinada e testemunhava sua grandiosa fortaleza interior, sua grandiosa vontade de viver.
Seus últimos momentos foram serenos, tranquilos, em paz, como muito bem o merecia, um presente de Deus nos seus instantes finais. Depois, muitos se acercavam de mim e proclamavam unânimes: o seu irmão era uma pessoa singular, um grande amigo.
Para o céu, o coronel que conquistou, cultivou e regou amizades. Deixa sua marca indelével em nosso coração e muitas saudades. Foi para o céu o coronel irmão e amigo.
(*) Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e conselheiro do Conselho Federal de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/01/2017. Opinião. p.11.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Homenagem da Academia Cearense de Direito a Luiz Carlos da Silva


A Academia Cearense de Direito (ACD), por intermédio do seu presidente Roberto Victor Ribeiro, divulga homenagem a LUIZ CARLOS DA SILVA, patrono da cadeira 22 desse sodalício, no transcurso do seu genetlíaco.
Nosso pai, falecido em 20/11/2000, estaria completando hoje 99 anos de idade, se vivo fosse.
Em nome da descendência e dos familiares de Luiz Carlos da Silva, agradecemos ao Dr. Roberto Victor Ribeiro, por sua expressão de reconhecimento ao nosso genitor, ele que teve quatro filhos formados em Direito, formação também abraçada por sete dos seus netos.
Agora, seus herdeiros genéticos se preparam para a celebração do centenário de nascimento a acontecer em janeiro do próximo ano. 
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Filho de Luiz Carlos e pai de
Felipe (engenheiro) e André Gurgel (advogado)

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Janeiro/2017


A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de JANEIRO/2017, que será realizada HOJE (28/01/2017), às 18h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Sociedade Médica São Lucas

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CONFRONTO DAS IDEIAS: o poder público fornecer medicamentos de alto custo?


Confronto das ideias. O Supremo Tribunal Federal (STF) julga um processo que trata da obrigatoriedade de o poder público fornecer medicamentos de alto custo, mesmo que não estejam disponíveis no SUS ou não tenham registro na Anvisa. O poder público deve ser obrigado a atender a essa demanda?
SIM
João Brainer Clares de Andrade
Médico e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece)
O SUS é um sistema ousado: sua robustez é oferecer saúde integral, longitudinal e universal a mais de 200 milhões de brasileiros, em um contexto de diversidade regional e marcado por uma determinação social complexa do processo de saúde-doença. Sua robustez impacta em duas dimensões pouco claras em seu desenho original: financiamento e burocracia.
Nesse contexto, oferecer saúde integral em todos os níveis significa ofertar tudo o que está bem estabelecido na literatura médica, em uma visão macro e micro da assistência, individualizando cada caso. O desafio é se atualizar, manter protocolos periodicamente revisados e oferecer medicamentos e tecnologias mais atuais e eficazes possíveis; o problema impacta, porém, exatamente como dito: financiamento e burocracia.
No mote do conceito, juízes deliberam em favor de pacientes para medicamentos ou procedimentos ainda não disponíveis no SUS. Justo. Havendo suporte conceitual, indicação médica precisa (a partir de prescrições e condutas idôneas, sem conflitos de interesse, sem interferência de laboratórios, sem corrupção) é preciso, sim, oferecer o que há de melhor e eficaz, após, no entanto, regulamentação estrita de agências como a Anvisa. Não estar disponível no SUS não significa não ter indicação médica, o que força rotas colaterais dentro e fora do sistema para prover a melhor assistência possível.
É preciso dinamizar e atualizar continuamente a oferta de medicamentos e procedimentos. Alguns medicamentos são, à primeira vista, de alto custo, mas podem representar chance de recuperação na forma de independência funcional e menor morbidade, o que compensa enormemente seus custos.
Reduzir a burocracia, com comissões que revisem e criem protocolos e com auditorias que atestem as prescrições de alto custo, feito nos planos de saúde privados, é a forma, talvez, de prover o melhor tratamento de forma mais ágil e menos judicializada.
NÃO
Moacir Tavares Martins Filho
Professor Adjunto da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Sou a favor da vida. Sou a favor do conceito de saúde já definido na Constituição Federal no seu Art. 196, em que “é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Sou a favor do conceito de equidade, que é próximo de justiça e que pode ser resumido em tratar desigualmente os desiguais. Em um país de abismos sociais e marcado pela profunda desigualdade, se tratarmos a todos igualmente, alargaremos o fosso da injustiça.
Sou a favor de financiamento suficiente para o SUS como já definido em inúmeros e repetidos estudos comparativos entre países com sistemas de saúde e padrões epidemiológicos assemelhados. Sou a favor da não ingerência mercantil da indústria farmacêutica internacional que acelera o processo de produção visando exclusivamente ao lucro e sem nenhum critério humanitário ou de solidariedade. Sou a favor da quebra de patentes e do estímulo aos nossos cientistas e centros de pesquisa.
Sou a favor do reforço da Anvisa para que disponham de recursos suficientes para minimizar o tempo de testes e aprovação de componentes, medicamentos aí inclusos. Sou a favor do ressarcimento ao SUS por parte de planos e seguros de saúde das situações em que se eximam do tratamento e imputem a responsabilidade à esfera pública. Sou a favor que as ações judiciais não beneficiem quem pode pagar pelo próprio tratamento e assim inverta o sentimento de solidariedade orgânica e basilar de qualquer sistema de saúde que se pretenda público, universal e gratuito. Sou a favor que a justiça seja democratizada, ou melhor, que o acesso seja ampliado e não apenas privilégio de quem tenha mais informações, coincidindo assim com os que são mais bem posicionados na desigual pirâmide social.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/11/2016. Opinião. p.10.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

SIMPLICIDADE


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
José (18 anos) e Ana (17 anos) eram dois adolescentes enamorados. Ambos de classe média, moravam na rua República do Peru, entre Nossa Senhora de Copacabana e Barata Ribeiro, na cidade do Rio de Janeiro. Estudavam para concluir o curso médio e ingressar na UFRJ. Conseguiram. Os dois cursaram a faculdade de Medicina, fizeram os estágios necessários e tornaram-se médicos. Passaram a trabalhar, numa mesma clínica de pediatria, relativamente bem remunerados, decidiram se casar. Continuaram com a vida normal. A união matrimonial, no entanto, durou pouco mais de 2 anos, pois havia uma certa incompatibilidade entre o casal, causada pela vaidade de José. Talvez fosse uma maneira de demonstrar o desejo que possuía de ser mais competente do que ela. Não era o caso. Ana era preferida por um número cada vez maior de clientes. Certo dia, de forma grosseira e covarde, ele espancou a mulher, e resolveu abandonar o lar. Ainda bem que não tiveram filhos. Passou a ter uma vida de “play boy”. Largou a medicina e gastava de forma pródiga, gorda herança recebida de um tio industrial. Ana prosseguia, com amor e humildade, dedicando-se à medicina, visando superar o sofrimento conjugal como também reconstruir sua vida. A vaidade, causada pelo complexo de inferioridade, dominou José. Dinheiro na mão. “Muitos amigos”. Noitadas e mais noitadas. Perdeu a noção do ridículo. Tragicamente faleceu num desastre quando vinha de um “programa” na Barra da Tijuca. Ana, sempre seguindo os princípios cristãos, constituiu um novo lar. Com certeza, José não sabia que “A simplicidade é o mais alto degrau da sabedoria”, segundo Platão. A vida, às vezes, é assim.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 16/9/2016.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

SERÁ QUE SOU DA DIREITA?


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Após a falência das grandes narrativas ideológicas, a pergunta: Você é de direita ou de esquerda? - perdeu o significado. Mesmo assim acredito que a resposta merece uma perquirição. No mínimo um grande recuo histórico de mais de dois séculos.
Que seria do termo ser de direita ou ser de esquerda se os representantes antimonárquicos não se tivessem sentado à esquerda na primeira reunião da Assembleia dos Estados Gerais, nos idos de 1789?
E como seria se assentar à direita ou à esquerda fosse consequência de qualquer razão objetal (termo psicanalítico).
O que importa é o sentido político de ser a favor do poder vigente (seja do clero, das classes aristocráticas ou de um governo ‘popular’).
A maioria dos que se sentaram à direita na Assembleia dos Estados Gerais, era a favor dos privilégios clérigos-aristocráticos, enquanto os sentados à esquerda defendiam o direito das classes trabalhadoras ou camponesas. Quem se senta à direita, desde então, passou a ser considerado defensor do conservadorismo, do Poder estabelecido. A direita é o lado correto, desde quando o filósofo “Platão” (Atenas 428/427 – Atenas, 348/347 a.C.) escreveu na sua República: os justos devem ascender pelo lado direito, pois é frequente considerar o lado direito como o lado bom; até o Bom Ladrão foi crucificado à direita de Jesus.
No século XIX e XX, acontece uma valorização do lado esquerdo, com influência do feminismo, ecos da maternidade e do período romântico. Confesso que dificilmente encontrei alguma das obras de arte de Maria alimentando o menino Jesus na mama direita. Na maioria das vezes, estava mamando a esquerda. Uns dizem que isso é porque a mama esquerda reflete os batimentos cardíacos, som que o embrião e feto ouvem com mais frequência durante o período gestacional.
Essa explicação é fruto da minha imaginação de colecionador, jamais encontrei alguma bibliografia sobre o assunto. A tradição iconográfica e iconológica atribui à esquerda as cores da ameaça do mau. Mesmo assim, não devemos esquecer que existem várias esquerdas e inúmeras variantes da direita: o “estado de bem-estar social” ou qualquer outra designação, não foi obra exclusivamente das pessoas da direita ou da esquerda. Churchill foi um direitista e veja como ele se comportou durante a Segunda Guerra Mundial...
O importante é saber, antes de tudo, onde está situado o ponto que separa os homens da esquerda dos de direita. Sem haver algum marco divisório é geograficamente impossível classificar a posição relativa de qualquer objeto. Quem desejar ser de esquerda ou de direita não deve esquecer que a humanidade é constituída de pessoas diferentes que têm como meta rumos diversos na vida— por sua conta e risco.
Lembro que estou longe de defender a ausência de Estado, mas exijo que ELE garanta uma proteção mínima para todos, sejam vitoriosos ou perdedores do jogo político e não seja demasiado severo para com o lado perdedor. A vida é muito dinâmica. As ideias têm um anverso e um reverso e é quase impossível averiguar qual é o lado em que se encontra a própria realidade. Se isso é ser de direita, então eu sou de direita.
Nota: Artigo publicado primeiro no Diário da Redação em 08/11/13 sob o título: 'Ser de Direita ou de Esquerda?'
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

AC MEDICINA: Continuidade & Inovações


Pedro Henrique Saraiva Leão (*)
Contrariando vezo (costume) condenável de administradores brasileiros – a descontinuidade –, a nova diretoria da quase quarentona Academia Cearense de Medicina (05/1978) vem mantendo as diretrizes basilares assentadas pelo diligente condutor anterior, dr. Vladimir Távora F. Cruz. Contudo, ouve-se a pregação de um novo evangelho, pelo atual presidente, não menos notável professor Manassés C. Fonteles. Nesse breviário sobressai sua pretendida disponibilização no enfrentamento especializado de recentes e revelhas moléstias. Destarte, a ACM apontaria a solução para desafios impostos à superintendência oficial de interesses sanitários.
Seria qual um assessoramento jurídico prestado pela OAB quando requisitada. “Mutatis mutandis”, médicos comporiam conselhos de saúde em diversas repartições, ligadas à higidez dos seus afiliados. Sua atuação seria sobremaneira na preservação de doenças mortais como a coronariana, o câncer, o AV – cerebral, os distúrbios respiratórios graves, renais, hepáticos, e o diabetes. Paralelamente, os progressos científicos desde 1966, inclusive a inversão do envelhecimento (!) mereceriam melhor compreendidos à luz da genética e da biotecnologia, como pelos procedimentos com nano – robôs (do grego “nánnos” = anão) estes do tamanho de uma célula sanguínea (fineza ler “Dr. Robô”, 20/1/1992).
Vale aqui salientada a ficção científica do futurólogo russo–americano Isaac Asimov, em “Viagem fantástica”. Hoje, cogita-se até da molécula “reversine” na reprogramação de células envelhecidas, e nos “respirócitos”, mais eficientes do que as hemácias no transporte de oxigênio pelo sangue. É esse o “admirável mundo novo”, do inglês Aldous Huxley, previsto em 1932. Outrossim sedutor é o imperioso estudo da imunologia, fronteira derradeira de uma medicina já denominada “Igi/ênica”.
Enquanto no embate da vida com a morte, esta continuar ganhando, tais preocupações integram o adestramento da ACM para os anos 2026, 2030, ou 2045, data mencionada por Ray Kurzweil para a chegada dos “cyborgs”, ou homens/máquinas, com inteligência artificial superior à biológica. Sendo a real relevância destas inovações discutida mais acuradamente em inglês, o mesmo seria lá ministrado em cursos livres, compactos e rápidos (“cramcourses”), abordados neste espaço em 14/10/2015 (“Cursos de primavera”).
Neste mesmo periódico aludimos às “Remêmoras, - sessões de reverência aos membros falecidos” – sabiamente introduzidas pelo laborioso ex-presidente Vladimir Távora em 2014 – com segunda edição programada para breve (solicitamos reler “Passado, presente”, O POVO, 28/1/2015). Estas evocações igualmente cumprem vitalíssima função nas academias, pois assim seremos lembrados, realmente imortais.
(*) Professor Emérito da UFC. Titular das Academias Cearense de Letras, de Medicina e de Médicos Escritores.
Fonte: O Povo, Opinião, de 16/11/2016. p.10.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MACHO & FÊMEA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Não devemos esquecer que a cada nova geração os modelos vigorantes são questionados, quebrados, modificados ou até esquecidos. No século XXI as profecias não passam de meras conjecturas. Por outro lado, os clichês quanto aos homens e às mulheres passaram a compreender as peculiaridades de cada sexo e creio que, com isso, abrem-se novos caminhos.
Gostemos ou não da pílula anticoncepcional, de trabalhar fora de casa, da independência financeira, sem eles não haveria o aceite da emancipação dos mais diferentes gêneros. O diálogo tem levado a menos tabus, repreensões e hipocrisias. Como na maioria desses modelos binários cridos imutáveis, devemos procurar nas crenças, e agora também na ciência, as raízes da dicotomia homem/mulher. Aqui e agora.
Pressupostos que impedem o aceite psicossocial do modelo binário da espécie autodenominada Homo Sapiens têm sido repensados; dentre eles, o processo de emancipação da mulher e da sexualidade humana.  Apesar desses propalados avanços, curioso é como se culpa as religiões como repressoras dos movimentos feministas ou assemelhados.
No Ocidente, a tradição judaico-cristã é baseada na Bíblia. Jeová criou primeiro o macho (Adão) e depois criou Eva da sua costela. Foi o primeiro transplante registrado na literatura de que tenho notícia. As feministas poderiam dizer que sendo Deus masculino o mortal, o homem criado à sua imagem e semelhança teria sido causador dos preconceitos contra as mulheres. Na cultura chinesa a divindade Criadora é feminina, que inventou duas criaturas, ambas sem genitálias. Como assim não poderia haver a perpetuação da espécie, acrescentou à sua criação, posteriormente, órgãos genitais: feminino & masculino.
O fato de o Deus ter sido masculino e a mulher considerada um pedaço da costela do macho, no Ocidente, onde as mulheres estão mais emancipadas, faz com que essa situação seja - no mínimo – curiosa. Já na China elas passaram milênios sem terem o direito ao crescimento nem dos próprios pés. Determinados pressupostos devem ser analisados para entender a causa. O óbvio não é cientifico e o científico aceita modificações. E, falando ainda dessas rivalidades entre feministas e machistas, posso terminar esta “croniqueta” de duas maneiras: para quê tanto barulho e discussões, se para a mulher, amor é toda a sua existência e para o homem é uma coisa à parte de sua vida.
Devemos tratar a natureza da melhor maneira possível, mas não esperemos ser por ela retribuídos. Cuidado meus companheiros: qualquer homem é filho de uma mulher... o gaúcho diz: “Tchê, lá no Rio Grande todo mundo é macho”. Contesta o cearense “Pois sim, lá no meu Ceará é metade homem e metade mulher; e é.... tão bom!"
Mas é melhor que fiquemos com minha crença, baseada no grito erótico dos franceses: ‘Vive la différence!’
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

domingo, 22 de janeiro de 2017

Big Bandalheira Brasil (BBB do PT)


Chargista: Bonifácio.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

Bebê Brasileiro

 
Chargista: ByH.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 21 de janeiro de 2017

PCC, CV ou MST x USP


Chargista: Arivon?
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

TRUMP E O BRASIL

 
Chargista: André.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

FRASES E PENSAMENTOS DE MÁRIO QUINTANA II


11 “Quem pretende apenas a glória não a merece.”
12 “Sonhar é acordar para dentro.”
13 “A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão.”
14 “A indulgência é a maneira mais polida de desprezar alguém.”
15 “Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.”
16 “Uma vida não basta ser vivida. Ela precisa de ser sonhada.”
17 “O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores.”
18 “Nós vivemos a temer o futuro, mas é o passado que nos atropela e mata.”
19 “O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”
20 “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.”
Fonte: gingaronline.com

FRASES E PENSAMENTOS DE MÁRIO QUINTANA I


1 “A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”
2 “A poesia não se entrega a quem a define.”
3 “Só se deve beber por gosto: beber por desgosto é uma cretinice.”
4 “Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.”
5 “O segredo é não correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até nós.”
6 “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.”
7 “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver.”
8 “O grande consolo das velhas anedotas são os recém-nascidos…”
9 “O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.”
10 “O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo…”
Fonte: gingaronline.com

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

G-20


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Nesta semana estiveram reunidos na China o grupo formado pelos 20 países mais ricos do mundo. Tomamos conhecimento, através da imprensa, que os debates e as propostas apresentadas visaram alcançar melhores dias para a comunidade internacional, pois os problemas são vários e significativos. A ganância de determinados países motiva uma desconfiança que prejudica o entendimento, de um lado, e gera desigualdades e desequilíbrios políticos, econômicos, sociais e culturais, de outro. Nessa linha de raciocínio, surgem a exploração desordenada dos recursos naturais não renováveis, a miséria crescente de milhões de pessoas, a corrida armamentista, a falta de solidariedade humana, a ausência de uma paz estável, dentre outros problemas. O radicalismo tem influenciado de forma negativa as alterações de comportamento e de organização social. Crises, desemprego, miséria e violência decorrem de movimentos radicais que não buscam soluções, mas modelos errôneos do ponto de vista político. Segundo Shakespeare, “A politica está acima da consciência”. A hipocrisia é a chaga maior dessa atividade. Os países precisam de caminhos pavimentados pela crença e pela largueza de propósitos, observando-se, acima de tudo, os verdadeiros interesses das populações. A coerência programática, baseada na justiça democrática e em princípios éticos e morais, é o único remédio capaz de combater, atualmente, os conflitos e desencontros da sociedade mundial. Este será o roteiro do desenvolvimento equilibrado, com investimentos produtivos e distribuição de renda, ou seja, a partição de todos na riqueza das nações, o verdadeiro progresso da humanidade.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 9/9/2016.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

NELSON NÃO TINHA RAZÃO


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Nas palavras de Nelson Rodrigues: "por 'complexo de vira-lata' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo".
Em oposição a um Mundo dominado por verdades científicas, Mundo tecnológico, estatístico, cibernético, globalizado e líquido, talvez sejamos mais autênticos. Se fôssemos alimentos seriamos os mais procurados e caros. Basta ir a um supermercado e ver como os alimentos orgânicos (naturais) são mais dispendiosos que os manipulados geneticamente.
Quer ver uma coisa? O departamento de ciências animais da Universidade de Aberdeen chegou à conclusão que os vira-latas tendem a ser mais inteligentes do que os ‘puros-sangues’. Se não bastasse, eles costumam também ser mais saudáveis do que os cachorros de raça. Essas características se devem, em parte, ao fato de que os vira-latas estão sujeitos à seleção natural e só os mais espertos acabam se dando bem nessa jogada, enquanto cães de raça costumam ser o resultado de anos e anos de cruzas que visam preservar algumas características específicas.
Para conservar a aparência ideal, os criadores costumam realizar acasalamentos entre animais consanguíneos e isso faz com que eles tenham uma maior predisposição a desenvolver doenças genéticas. Com isso, é tão natural que um Yorkshire seja pequeno e dócil como que ele desenvolva problemas de dentição dupla ou de luxação da patela. Ou seja, pesquisas indicam que quanto mais puro é o seu pet, mais problemas à vista. E os animais são realmente as maiores vítimas destas cruzas. O resultado é assustador e mostra como um século de seleção genética artificial afetou a aparência e a saúde dos cachorros.
Ser vira-lata, na realidade, é uma vantagem. Então pergunto: por que devemos nos sentir inferiores por sermos vira-latas?
Nelson não tinha razão.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Homenagens da Turma de 2016 da Medicina da Uece


É com imensa satisfação que anuncio ter sido um dos contemplados com certificado e placa de “Professor Homenageado”, da Turma Dr. Daniel Bezerra de Castro, a nona turma de concludentes do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará, concedidos por decisão dos graduandos de 2016, como reconhecimento da atuação docente.
A nova turma tem por patrono o Prof. Filadelfo Rodrigues Filho e, por paraninfa, a Profa. Sheila Márcia Fontenele Fortaleza.
A solenidade de entrega aconteceu ontem, dia 16/01/2017, na Noite de Hipócrates, realizada no La Maison Coliseu. Por acerto com a Comissão de Formatura, coube-me a responsabilidade de discursar em nome de todos os homenageados.
Aos recém-formados, manifesto os meus profundos agradecimentos pela homenagem que tanto distingue a minha carreira acadêmica, acompanhados dos votos de que sigam uma vida profissional bem-sucedida e prenhe de realizações.
Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Docente do Curso de Medicina-Uece

 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Eventos da Nona Turma de Medicina da UECE - 2016


Nesta semana, transcorrem alguns eventos comemorativos da Turma Prof. Daniel Bezerra de Castro, a nona turma de médicos da Universidade Estadual do Ceará, cuja colação oficial de grau aconteceu, na Reitoria da UECE, em 16/12/2016.
Eis a programação traçada:
1) Dia 16/01/17 (segunda-feira), às 19h, no La Maison Coliseu – Bairro Dunas, a Noite de Hipócrates. (Aberta aos formandos, familiares e convidados em geral).
2) Dia 17/01/17 (terça-feira), às 16h, na Coordenação do Curso de Medicina/UECE, o Descerramento de Placa.
3) Dia 18/01/17 (quarta-feira), às 19h30, na Igreja do Pequeno Grande (Av. Santos Dumont, anexa ao Colégio da Imaculada Conceição. Aldeota), a Missa em Ação de Graças.
4) Dia 21/01/17 (sábado), às 22h, no La Maison Coliseu, o Baile de Formatura. (Acesso restrito mediante convites).
Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Docente do Curso de Medicina-Uece

domingo, 15 de janeiro de 2017

APOSENTADORIA SEMINAL


 Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

APOSENTADORIA DO PAPAI NOEL


Chargista: Explícito, mas indecifrável.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 14 de janeiro de 2017

APOSENTADORIA NA ENCARNAÇÃO


 Chargista: Não explícito.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

A REFORMA TEMER DA PREVIDÊNCIA


Chargista: Indecifrável.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

PÁDUA, SAFIRA E A FLOR EXPOSTA


Por João Soares Neto (*)
Caro Pádua Lopes, desculpe-me por me imiscuir com a sua Safira. Não a pedra preciosa azul usada nos anéis dos engenheiros e dos administradores. Escrevo sobre a mulher erigida em seu romance, de capa do mesmo matiz, “Safira Não é Flor”.
Uma crendice assevera, para as pessoas nominadas Safira, personalidade com sabedoria, fidelidade e razão. Imagina!
Não haveria muito a acrescentar à crítica segura de Dellano Rios (DN, 05.11.2016). Refiro, mesmo sendo óbvio, nada há em mim de crítico literário. Vou escrever o lido, o sublinhado, sem ordenação e raso como um pé de alface.
Deixo para leitores cultos beber a história lavrada em 278 páginas, palavra a palavra. Admito ser modéstia do Pádua se restringir à marotice de presentear “Safira” a amigos. Obrigado, Pádua. Por favor, deixe o seu belo livro aparecer em estantes condignas nas escassas livrarias locais, aviltadas e semidestruídas pela incursão de empresas de capital aberto ou daquelas financiadas a juros mínimos. Elas se estabeleceram aqui para vender de tudo. Até livros.
Safira parece ter algo a ver com o citado no livro cinco dos Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento. Essa Safira bíblica foi, junto com o marido Ananias, condenada à morte por faltarem à verdade ao Espírito Santo.
A Safira do Pádua não era santa, não foi condenada por sua escapadela à Europa com alguém apenas conhecido via Internet. Ela o fez sem sentimento de culpa, mesmo ao saber de outro estranho na empreitada. Larga o marido e os três filhos. Iria, para consumo familiar, viajar com amigas.
Lá se foi Safira para a Itália, não para rezar, mas para escarafunchar museus, igrejas, lojas, restaurantes com acepipes e vinhos, hospedando-se em requintados ou simples hotéis, sem deixar de vivenciar espelunca.
Passam por cidades como Veneza, Milão, Firenze e Roma. É exato aí quando o autor se desfaz em ciente de artes, contando as histórias de cada obra e do seu artífice. Ele diz: “Gostar de arte, no sentido de apreciá-la com inteligência e sensibilidade, é uma etapa atingida por quem se emociona com a mensagem estética”. Dou fé.
Transpostas as soleiras de igrejas, de praças, de museus, Safira se espanta com a profusão de arte. A Itália é um grande museu, com várias exposições marcando os signos e os significados de escolas e séculos diferentes. Esse grande Museu há resistido a guerras e terremotos. Como o mais recente. Os sismos podem sacudir a terra do indefectível Berlusconi, o vário, mas não a destrói.
Depois de tudo visto, a trinca foi parar na Grécia. O fim do século XX não era ainda pleno de barcaças com imigrantes árabes e africanos morrendo ou singrando o Mediterrâneo, em busca da Europa a apontar não a entrada, mas a saída ou, como dizem os ingleses, the Exit.
Devo arranjar um jeito de incluir a palavra tessitura. Ela aparenta erudição. Não a possuo. Pois bem, há na tessitura de Lopes – fica chique assim – um Aracati novo na brisa literária cearense.
Ele embaralha arte sacra e profana, história geral, geografia e o enlevo picante de (des)amantes de primeira viagem. De sentença em sentença, Pádua marca um ponto no bingo com o leitor.
Ele dá pista, falsa ou vera, de personagens ao falar do figurante Melchior - não o Rei Mago - e de seus seguidores. Mostra pudor ao escrever “calcinha íntima” e finaliza com cartas capitais.
Recomendo a leitura de Safira a quem gosta e sabe ler. Aos embevecidos com a arte. Aos informados ou curiosos da História antiga e da Renascença, com um mínimo de concentração para captar a saudável trama urdida.  Parabéns, Pádua.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado no jornal O Estado, 11/11/16.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pobre Jesus! Estátua de Cristo recebe restauração bizarra no Canadá


Do UOL, em São Paulo

Surgiu uma concorrente de peso para a "pior restauradora do mundo". a dona Cecilia Gímenez, 81, que tentou reparar o afresco "Ecce Homo", do século 19, na Espanha.
A artista revelação do momento, Heather Wise, mora no Canadá e restaurou uma estátua de Jesus ainda bebê em uma igreja de Sudbury, que havia sido decapitada há cerca de um ano.
Mas a restauração vem causando mais polêmica do que o vandalismo. 

Pin it. Reprodução/TV CBC
Por cerca de 10 anos, quem passava na frente da igreja viu uma estátua de pedra branca de Maria com Jesus bebê. Agora, vê uma cabeça de argila que mais se parece com um personagem dos Simpsons do que com Jesus.
Wise passava em frente à igreja quando viu a estátua e resolveu restaurá-la. Ela aprendeu a esculpir em uma faculdade local, mas nunca tinha trabalhado com pedra. A artista conta que passou horas esculpindo na argila. A ideia era fazer algo temporário para enfim, no ano que vem, terminar a obra em pedra branca.

Estátua de Jesus recebeu uma cabeça de argila
 
"Fazer a estátua de Jesus bebê para uma igreja é uma honra para minha carreira artística", afirmou ela em entrevista ao canal de TV CBC.
No entanto, quando a nova cabeça feita de argila foi colocada sobre a estátua, há duas semanas, os paroquianos reagiram com espanto.
Além de não parecer em nada com Jesus, a cabeça está se desfazendo com as chuvas.
Fonte: UOL Notícias, 21/10/2016. Imagens Pin it. Reprodução/TV CBC.

 

 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Posse de Flávio Leitão na Academia Cearense de Letras


Ac. Flávio Leitão diante da mesa diretora da solenidade de posse na ACL.
Aconteceu ontem à noite, 10 de janeiro de 2017, no Palácio da Luz, a solenidade de posse do Dr. Francisco Flávio Leitão de Carvalho na cadeira 34 da Academia Cearense de Letras (ACL), tida como a primeira do gênero instalada no Brasil, tendo antecedido à criação da Academia Brasileira de Letras, em três anos.
A solenidade, conduzida pelo Presidente do sodalício, bibliófilo José Augusto Bezerra, foi preparada, com muito cuidado e organização, pela Diretora Administrativa da ACL, a escritora Regina Cláudia Fiúza.
É justo destacar os discursos de recepção, proferido pelo Ac. Pedro Paulo Montenegro, em nome do sodalício, e do novel imortal Flávio Leitão, que fez um retrospecto da história de vida do patrono da sua cadeira, patroneada por Samuel Uchoa e de seus sucedâneos ocupantes, salientando de forma mais especial o médico e poeta Ac. José Telles da Silva, a quem ele coube suceder nessa instituição cultural.
Muito tocante foi a homenagem prestada ao Prof. José Valdivino de Carvalho, ex-membro da ACL e pai do recipiendário, que abriu a sua fala de saudação com um belo soneto da lavra do poeta, marcado pelas lembranças da infância no Engenho Livramento.

Ac. Flávio Leitão acompanhado de colegas médicos na solenidade de sua posse na ACL.
O evento foi abrilhantado pela massiva presença de pessoas do mundo médico e cultural cearense, como integrantes de academias e sociedades locais, como a Academia Cearense de Medicina, a Sobrames/CE e o Instituto do Ceará.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A autonomia universitária e as novas missões decorrentes


Por José Jackson Coelho Sampaio (*)
Os reitores de Uece, UVA e Urca, com as respectivas Procuradorias Jurídicas e a coordenação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), esboçam proposta de Lei Orgânica de Regulamentação das Autonomias das Universidades Estaduais do Ceará. O princípio está contido no Programa Ceará do Conhecimento, do governador Camilo Santana. Depois, ela circulará para amplo debate nas comunidades universitárias, as instâncias adequadas do Executivo e o Legislativo. Este percurso pode levar à aprovação da Lei ao fim de 2017 ou início de 2018. Mas confiamos que a missão é competente, digna e de forte sentido histórico.
O exercício das autonomias acadêmica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial não constitui panaceia que livrará a Universidade de erros, crises e carências, mas significará consistente avanço em dimensões necessárias, como o incremento da responsabilidade política pelas decisões, a internalização da cultura do planejamento e da eficiência de gestão, e o desafio de articular qualidade acadêmica, foco no mérito, com compromisso social, foco na inclusão, e compromisso econômico, foco na inovação tecnológica.
É evidente que a instituição ganhará com a capacidade de fazer concurso docente a cada vez que um professor se exonere, aposente ou morra. Também ganhará se a política de formação de pessoal for assumida, com as autorizações de afastamento para mestrado, doutorado e pós-doutorado internalizadas e agilizadas.
Qualquer escolha financeira implicará percentual do orçamento estadual: arrecadação do ICMS, receita corrente líquida dos tributos ou receita corrente líquida. Ao se inserir no poder de arrecadação do Estado, implica-se a qualidade do desenvolvimento econômico gerador da base tributária. Uma universidade pública autônoma apoia a formação técnica, profissional, cultural, política, científica e tecnológica da Sociedade e do Estado, com destaque para apoio ao desenvolvimento econômico, pois nele amparará o seu. A Sociedade e o Governo terão melhores Universidades e serão melhores.
(*) Professor titular em saúde pública e reitor da Uece.
Publicado. In: O Povo, Opinião, de 22/11/16. p.11.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Podemos reescrever nossa história melhorando o que já estava bom

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)
Cada novo ano é uma dádiva que Deus nos concede. É como uma página em branco, em que podemos reescrever nossa história, acertando o que estava errado, melhorando o que já estava bom.
Mas nada do que planejamos para este ano fará sentido ou atingirá seu objetivo se não tivermos o que é essencial: paz. A paz não é apenas ausência de guerras - claro que precisamos de paz nas ruas, paz entre as nações. Todos os dias nos chegam enxurradas de notícias de conflito entre povos, guerrilhas, brigas, violência no trânsito, violência de todo tipo. A vida humana parece não estar valendo mais nada. Porém, me refiro especialmente à paz interior.
Na ânsia pela paz, muitos, na virada do ano, vestiram-se de branco e fizeram simpatias; outros a procuraram onde jamais a encontrarão, porque a paz que o mundo nos oferece é ilusória, é passageira. A verdadeira paz começa a existir do nosso encontro pessoal com Jesus, o ‘Príncipe da Paz’. Ela brota dentro de cada um de nós, para depois exteriorizar-se, manifestar-se e se expandir em casa, na família, no ambiente de trabalho, nas ruas, nas cidades e no mundo.
Ninguém é santo, ninguém é perfeito. Amamos e odiamos, erramos e acertamos, temos gestos bons e maus. A nossa fragilidade humana é marcada pelo pecado. Mas Deus nos amou tanto que se compadeceu de nós, em Jesus assumiu nossa humanidade, assemelhou-se a nós em tudo, menos no pecado. E porque Jesus veio a nós, a paz tornou-se possível. Ele nos disse: “Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham medo” (Jo 14,27).
O medo é um dos inimigos da paz, porque nos leva à insegurança, à desconfiança, a nos armarmos contra aqueles que pensamos ser uma ameaça para nós. Não digo que estejamos com armas de fogo, também não me refiro só à agressão física... Fazemos de nossa língua uma arma mortal, espalhando fofoca e maledicência, “puxando o tapete”, mentindo e intimidando. A língua pode ter uma força de agressão violenta. Por isso, ao nos deixar a paz, Jesus nos recomendou que não tivéssemos medo. Por isso também, em seguida, Ele nos mandou amar-nos uns aos outros (cf. Jo 15,17). O medo separa, desequilibra e desune; o amor atrai, congrega, dá segurança e traz a paz.
É preciso ter confiança para combater o medo. É a confiança que fará brotar em nós a esperança, que fará brotar os valores do Reino. Se deixarmos a semente do mal permanecer e alimentarmos o vício do pecado, ele produzirá a morte. Se confiarmos em Jesus e permitirmos que a água que brota do seu coração venha a nós, o fruto da graça germinará.
A paz interior é um dom do Espírito Santo, como nos diz a Carta aos Gálatas: “Por seu lado, são estes os frutos do Espírito: amor, alegria, paz” (Gl 5,22). Isso quer dizer que ela deve ser pedida como o próprio Apóstolo Paulo afirma: “Apresentem a Deus todas as necessidades de vocês através da oração e da súplica, em ação de graças. Então, a paz de Deus, que ultrapassa toda compreensão, guardará em Jesus Cristo os corações e pensamentos de vocês” (Fl 4,7). Esse trecho da Carta aos Filipenses nos dá uma certeza de que a paz não é uma utopia, não é um “talvez”, mas é uma certeza em Jesus. Ele venceu o mundo! A paz já nos foi concedida!
Um abençoado ano de paz a todos!
(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).
Fonte: O Povo, de 7/1/2017. Espiritualidade/Opinião. p.11.
 

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