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sábado, 22 de julho de 2023

UMA AULA GRATUITA SOBRE A PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS DA NATUREZA

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente.

- Você está certo - respondeu a senhora. Nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente, não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo.

Até as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. A secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas secadoras elétricas. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela de 14 polegadas, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado, como não sei.

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia batedeiras elétricas, que fazem tudo por nós. Quando enviávamos algo frágil pelo correio, usávamos jornal velho como proteção, e não plástico-bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava motor a gasolina para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam à eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos água diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

Na verdade, não tivemos uma onda verde naquela época. Naquele tempo, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus coletivos e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar os pais como serviço de táxi 24 horas.

Então, não é incrível que a atual geração fale tanto em "meio ambiente", mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época!

Agora que você leu esse desabafo, envie para os seus amigos que têm mais de 50 anos de idade, e para os jovens que tem tudo nas mãos e só sabem criticar os mais velhos!!!

Uma aula gratuita ministrada por uma idosa considerada ultrapassada...

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

sexta-feira, 1 de maio de 2020

O LEITEIRO DE LONDRES E AS BOMBAS QUE NOS FRAGMENTAM

O leiteiro de Londres (1940). Fotógrafo Fred Morley.
Por Edu Oliveira (*)

Outubro de 1940, em uma Londres devastada por mais um bombardeio nazista, um leiteiro caminha entre os escombros enquanto atrás de si bombeiros apagam um incêndio.
Essa clássica foto foi divulgada como um símbolo da resistência britânica aos ataques do Eixo, e deu certo. Embora os bombardeios continuassem até maio de 1941, Hitler teve que reconhecer que foi incapaz de acabar com o moral dos ingleses.
A fotografia do leiteiro era uma mensagem de que, apesar de tudo o que acontecia, era preciso manter a calma e continuar em frente, a vida deveria seguir adiante.
Essa imagem, porém, foi preparada pelo fotógrafo Fred Morley e seu assistente, que escolheram o caminho e o ângulo para que fosse tirada, pegando emprestado o jaleco e a caixa de leite de um leiteiro.
Isso o desanima? É uma fraude?
Pense de novo. A foto foi planejada, sim, mas havia um leiteiro que emprestou suas coisas para compor a cena. Havia um homem trabalhando e entregando leite, mesmo com bombas nazistas caindo dia e noite, porque, bem, era o seu trabalho e as pessoas dependiam dele.
E para que houvesse um leiteiro, alguém deveria estar cuidando das vacas, transportando o leite, envasando e distribuindo.
Apesar das bombas, apesar dos incêndios, apesar de tudo, a vida continuava, plena e soberana, como se seu simples vicejar bastasse como desafio à política de morte de um nazismo totalitário.
As brigas no parlamento, as traições, as interferências políticas, os financiamentos à guerra por empresários inescrupulosos que se refestelavam sobre a mão-de-obra de Auschwitz e outros campos de extermínio… As grandes questões econômicas e as estratégias decididas no Olimpo nunca foram problema do leiteiro.
Ai, se perdesse seu tempo brigando em bares, hoje na internet, para dizer como o mundo deveria ser e que quem discordasse era idiota!
O leiteiro fez o que fazia melhor: seu trabalho. E dele dependiam tanto o operário, quanto Winston Churchill, porque as convenções sobre poder não nos expurgam da condição humana que nos iguala em fragilidade.
Foi também em Londres que outra foto foi tirada, em dezembro de 1940, quando, após uma gélida noite de intenso bombardeio sobre a região da Catedral de São Paulo, os britânicos saíram pela manhã às ruas com a certeza de que o prédio não haveria resistido aos ataques.
Ali, no cenário coberto de fumaça, um súbito golpe de vento clareou o ambiente e mostrou-a, a catedral, intacta e imponente. Se ela resistiu, pensaram os ingleses, nós também podemos.
É verdade que a foto de Morley foi preparada, mas é tão verdadeira quanto qualquer quadro ou escultura que retrate um evento real, porque de fato as pessoas comuns continuavam suas rotinas como um desafio às atrocidades nazistas.
Nas nossas vidas, individual ou coletivamente, passaremos por tragédias. Podemos escolher lamentá-las e sucumbir. Podemos escolher discutir com os outros como o mundo deveria ser, como se vencer um debate pudesse mudar as coisas. Podemos nos agarrar a ídolos com pés de barro e suas promessas vãs e palavras vazias.
Ou podemos fazer o mais difícil: continuar a entregar o leite mesmo que andemos sobre a terra devastada.
O caminho mais árduo é o de tomar posse daquela parcela do mundo que depende de nós para permanecer em pé.
E cada um tem a sua função, nenhuma pequena ou irrelevante.
Apenas o super-homem voa sem ajuda. O resto de nós tem os pés no chão e sabe que ninguém vive sozinho: o soldado que vai à guerra precisa daquele que semeia o campo para comer, o médico que vai ao consultório precisa do mecânico para arrumar seu carro.
A diferença não nos separa, ela nos completa em sociedade. Solitários, somos entulho, cacos de vidro espalhados pelo chão. Unidos, somos um vitral cuja imagem formada por seus vários pedaços é destacada pela luz que a atravessa.
A verdade é que ninguém é imune aos bombardeios da vida. Quem te disser o contrário estará mentindo.
Mas as bombas só destroem a matéria. O maior perigo é o que sua existência representa, a capacidade de fragmentar a nossa alma, de nos afastar uns dos outros na angústia egoísta de sobreviver sozinho.
Não há antídoto para bombas, mas para a doença do desespero que elas carregam sempre há a cura pela fé.
Entregue o seu leite.
Fique calmo e continue em frente.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Com autoria atribuída a Edu Oliveira.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

JECA TATU... HOJE

Por Angela Gutiérrez (*)

Não paga a pena...” Mesmo quem nunca leu Ideias de Jeca Tatu nem o artigo “Urupês”, publicado n’O Estado de São Paulo, em 1914, há de lembrar a célebre frase do personagem, criado por Monteiro Lobato como protótipo do caboclo brasileiro. Jeca Tatu ficaria famoso a partir de 1924, quando é apresentado pelo autor em folhetos do Laboratório Fontoura: o homem da roça, magro, sem ânimo, tido como preguiçoso, mas que muda sua vida ao tomar Ankilostomina, que cura o amarelão de que padece e dá-lhe cores e força para trabalhar e até derrubar onça com murro! As ilustrações e a narrativa do folheto, distribuído pelo país em 18 milhões de exemplares até 1960, imprimiram, fortemente, no imaginário brasileiro, a figura do homem do mato, ainda antes do medicamento, desanimado, a repetir seu bordão: “Não paga a pena...
A que título venho ressuscitar esse homem derrotado – “A vida que rodasse... Jeca Tatu não queria saber de nada” -,sem respeito por si mesmo e desrespeitado por todos? Os leitores e as leitoras já adivinharam. Penso no brasileiro de hoje, assistindo apaticamente a seus direitos serem desrespeitados, as instituições nacionais de poder público corromperem-se, o País desmoronar...
Se a ideia de meter às costas do Jeca a culpa por suas mazelas, é injusta e desligada da realidade, infelizmente, vejo que retorna em nosso agora, ao ser imputada ao próprio povo a culpa por sua fome, precária saúde, falta de instrução, moradia e emprego, fragilidade diante da violência – seu metafórico amarelão.
Mas, se nós, povo brasileiro, continuarmos a agir como jecas tatus desencorajados e não acharmos forças na consciência cidadã para reclamar nossos direitos e o respeito pela nação, o que nos reservará o amanhã? “Não paga a pena” lutar por nosso presente e pelo futuro de nossos filhos e netos? Ou seremos para sempre pobres coitados sem coragem para enfrentar democraticamente as injustiças que sofremos, o aviltamento das instituições públicas do país e a desvairada alienação do patrimônio e da soberania do Brasil?
(*) Escritora. Membro da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/11/2017. Opinião. p.10.

domingo, 1 de dezembro de 2019

A ESTÚPIDA DECADÊNCIA DA MÚSICA BRASILEIRA


TRISTE REALIDADE!!!
Década de 1930: “Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada. És formada com o ardor da alma da mais linda flor, de mais ativo olor, na vida é a preferida pelo beija-flor...."
Década de 1940: "A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar"
Década de 1950: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça. É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. / Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que eu já vi passar."
Década de 1960: “Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem mais bonito. Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar, como é grande o meu amor por você...."
Década de 1970: "Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar.... Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar...."
Década de 1980: "Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda...."
Década de 1990: "Bem que se quis, depois de tudo ainda ser feliz. Mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor?"
Em 2001: “Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão! Eu vou passar cerol na mão, vou sim, vou sim! Eu vou te cortar na mão! Vou sim, vou sim! Vou aparar pela rabiola! Vou sim, vou sim"!
Em 2002: "Só as cachorras! Hu Hu Hu Hu Hu! As preparadas! Hu Hu Hu Hu! As poposudas! Hu Hu Hu Hu Hu!"
Em 2003: "Pocotó pocotó pocotó...minha eguinha pocotó!
Em 2004: "Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela dá uma rodada, elas estão descontroladas!
Em 2005: "Hoje é festa lá no meu ap, pode aparecer, vai rolar bunda lele!"
Em 2006: "Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!! Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim!"
Em 2010: "Chapeuzinho pra onde você vai, diz aí menina que eu vou atrás./ Pra que você quer saber? / Eu sou o lobo mau, au, au./ Eu sou o lobo mau, au, au./E o que você vai fazer? / Vou te comer, vou te comer, vou te comer, Vou te comer, vou te comer, vou te comer, Vou te comer, vou te comer, vou te comer"
ONDE FOI QUE NÓS ERRAMOS? SERÁ QUE AINDA É POSSÍVEL PIORAR?
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria explícita.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A VITÓRIA DA APARÊNCIA SOBRE A REALIDADE


Autor: J.R. Guzzo
O registro em cartório de cerca de 2200 paginas contendo todas as obras, realizações e triunfos atribuídos por Lula a si mesmo é uma inutilidade, mas fecha a perfeição um governo em que as versões valeram mais que os fatos.
Pouco antes de completar o último dia de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou imprimir de uma vez só seis livros de formato extragrande, com cerca de 2200 páginas no total, para deixar anotadas todas as obras, realizações e triunfos que, segundo ele próprio, seu governo deixará para o Brasil. Mandou até registrar em cartório o que está escrito ali, fiel à antiga tradição dos políticos brasileiros de colar estampilha e reconhecer firma em declarações ou promessas que fazem, na esperança de que um carimbo no tabelionato de notas possa lhes dar uma cara mais verdadeira aos olhos do público em geral. E mais perda de tempo do que qualquer outra coisa. Quem é que vai ter coragem de ler uma montoeira de papel desse tamanho? O próprio Lula, com certeza, não vai algo que combina muito bem, aliás, com a despedida de um governo que representou com perfeição a vitória da aparência sobre a realidade. De nada serve, além disso, encarar esse tratado em seis volumes para ser informado, por exemplo, de que Lula fez o “trem-bala” e outras maravilhas; nem o trem-bala nem as maravilhas passam a existir só porque os livros dizem que existem. Mais que tudo, a obra é inútil porque não mostra o que houve de melhor, realmente, no governo que agora se encerra. E o melhor do governo Lula foi o que ele não fez. O lado positivo de seus oito anos na Presidência começa e termina aí - no mal que poderia ter feito e acabou não fazendo. Não é mais que isso. Também não é menos.
Naturalmente, um governo como o de Lula, que acaba com mais de 80% de aprovação popular segundo os institutos de pesquisa, leva a um julgamento quase automático: só pode ter sido muito bom, com números desse porte. Como seria possível haver qualquer opinião diferente? De fato, 80% da população brasileira, ou até mais, é uma multidão. Ao mesmo tempo, é igualmente verdadeiro que não existe nada de bom, em si, numa multidão o fato de juntar muitos, ou quase todos, não a torna mais virtuosa nem quer dizer que esteja certa. Maiorias servem para escolher quem vai governar; não é sua função definir o que é bom e o que é ruim, nem tornar obrigatório que se concorde com elas. A população brasileira, em massa, acha que Lula fez um grande governo? Tudo bem, e melhor para ele. Talvez seja essa mesmo, por sinal, a maneira mais prática ou eficaz de julgar um presidente e sua obra. Nada disso, por fim, tem força para mudar os fatos. Os fatos são o que são, não aquilo que parecem ou aquilo que se acha deles; o que aconteceu é aquilo que foi possível observar, não aquilo que se conta ou se imagina. No caso de Lula, é um fato da vida real que seu governo não fez muitas coisas que poderia ter feito, ou se esperava que fizesse, ou foi pressionado a fazer. E nisso, ao final das contas, que está o seu principal mérito.
Lula, para começar, não desmanchou a política econômica do seu antecessor do combate à inflação aos aumentos reais do salário mínimo, da formação de superávit nas contas públicas à estratégia de juros, foi mais fiel ao roteiro que recebeu de Fernando Henrique do que seria, talvez, um sucessor vindo do mesmo partido do ex-presidente. Não demitiu o presidente que nomeou para o Banco Central, Henrique Meirelles, embora o PT e suas vizinhanças tivessem feito todo tipo de pressão para conseguir isso, nem cedeu à tentação de fazer demagogia com a taxa de juro. Não fez o “programa econômico da esquerda”, como exigiam à sua volta. Não experimentou nenhum dos truques de circo que, até o Plano Real, marcaram a condução da economia brasileira durante anos a fio. Não fez a “reforma agrária” fez exatamente o contrário, o que foi decisivo para o Brasil mais do que dobrar a produtividade rural entre 1988 e 2008. Não estatizou nada do que fora privatizado nos governos anteriores, embora falasse o tempo todo contra as privatizações. Não sustentou para valer no Congresso nenhuma proposta para reduzir a liberdade de imprensa embora, também aí, tenha passado quase todo o seu mandato dizendo que o Brasil precisava colocar os meios de comunicação “sob o controle da sociedade”, ou das “organizações sociais”
Lula não tocou no direito de propriedade, na liberdade de iniciativa nem no respeito ao cumprimento de contratos, apesar de toda a sua discurseira contra “os ricos” e “as elites”. Não hostilizou o capital estrangeiro, que bateu recordes de investimento no Brasil durante o seu governo, apesar de todas as pragas que rogou contra o “imperialismo” e as “grandes potências”. Não socializou nada; foi de esquerda no microfone e neoliberal com a caneta de presidente na mão, ou, como observou o ex-ministro Delfim Netto, deveria ser festejado como um dos heróis do capitalismo brasileiro. Não mexeu nas normas e nos programas montados no governo anterior para fortalecer o sistema bancário, o que muito ajudou o Brasil a superar as crises financeiras internacionais dos últimos anos. Não transformou o Brasil numa Cuba ou Venezuela, países que tanto diz admirar; talvez não conseguisse, mas o fato é que não tentou. Não levou adiante a aventura de tentar um terceiro mandato, e vai sair do Palácio do Planalto no dia marcado. Não fez, em suma, o governo que o seu partido queria, ou dizia querer a ponto de o grão-cacique José Dirceu afirmar que só agora, quando ele sair e Dilma Rousseff entrar, o PT vai chegar de fato ao poder. E talvez o maior de todos os elogios que Lula poderia receber.
Isso é o que se vê de bom, e isso é o que se tem. No mais, os oito anos de governo Lula são quase sempre uma caminhada por um mundo escuro. Não há, no conhecimento público, um único ato de generosidade em sua conduta durante esse tempo todo. Comportou-se desde o começo, e cada vez mais, com uma combinação de soberba, arrogância e mania de grandeza que provavelmente não encontra paralelo em nenhum outro presidente brasileiro. Passou o governo inteiro dizendo que ninguém, em 500 anos, fez mais pelo Brasil do que ele. Atribuiu a si obras imaginárias, ou realizações que vêm sendo construídas há anos. Disse, mais de uma vez, que os outros países do mundo, sobretudo os desenvolvidos, deveriam aprender com ele como se deve governar; em diversas oportunidades, comparou-se a Deus. Foi uma marca sombria de sua passagem pela Presidência, ao mesmo tempo, o rancor declarado aos adversários, gente que, em seu modo de ver a vida política, deveria ser “exterminada”, e em relação à qual queria “vingança”. Nunca deixou de mostrar um grau muito baixo de tolerância com qualquer opinião diferente das suas; num de seus momentos de maior excitação, acusou um repórter que lhe havia desagradado de “doente mental” e recomendou que ele se submetesse a “tratamento psiquiátrico”. A mensagem, aí, parece ser bem clara: “Quem discorda de mim só pode ser louco”.
Lula, pelo demonstrado em sua conduta, fez questão de aproveitar ao máximo as oportunidades que teve para utilizar mal a popularidade serviu-se dela, dia após dia, como uma autorização para dizer e fazer qualquer coisa que lhe passasse pela cabeça, como na ocasião em que se colocou contra os presos poIíticos cubanos que faziam greve de fome e a favor dos seus carcereiros ou quando disse que era preciso respeitar a legislação do Irã, que condenou à morte por apedrejamento uma mulher acusada de adultério. Lula também promoveu, como ninguém fez antes dele no Brasil, um culto sistemático à ignorância. Podia, mas não quis, ter curado a sua, através do esforço para aprender: preferiu o caminho mais cômodo de transformar a ignorância em virtude e o conhecimento em defeito. Do primeiro ao último dia de governo, insistiu em dizer que não precisou de mais que o 4° ano primário para chegar à Presidência da República, enquanto tanta gente que estudou não conseguiu nada. Mais: sempre deixou transparecer o seu desprezo por quem sabe mais do que ele, e a sua hostilidade a quem estudou; na sua opinião. é tudo gente suspeita de ser “antipovo”. Não parou de dizer que foi preciso “um operário”, ou “um menino sem estudo” do Nordeste, para fazer “a transposição das águas” do Rio São Francisco ou armar a maior “negociação de paz” jamais conseguida até agora no Oriente Médio, para encontrar petróleo no pré-sal ou construir “mais universidades” que qualquer outro presidente brasileiro.
Um jogador que está com boas cartas na mão, dizia Oscar Wilde, deveria ter a obrigação de jogar limpo. Não foi o que Lula fez. Como presidente da República, recebeu uma maravilha de jogo ajuda do Congresso, apoio popular, situação favorável na economia mundial, uma oposição que nunca chegou a incomodar de verdade. Mas Lula não se contentou com os favores que recebeu da sorte. Desde o início, preferiu embaralhar os fatos para criar uma realidade da qual só tirou proveito. O problema é que a realidade criada por ele é uma falsificação maciça dos acontecimentos e nada deixa isso mais claro do que a sua decisão de transformar o mensalão, um dos casos de corrupção mais comprovados e grosseiros da história política do Brasil, numa “tentativa de golpe” na qual se coloca, ao mesmo tempo, nos papéis de vítima e de herói o campeão da causa popular que “eles” não conseguiram derrubar. Ao vencedor, as batatas, claro, e Lula recebeu um batatal inteiro. Mas nem ele nem seu governo podem dar existência ao que não existiu nem podem levar, na hora da partida, mais crédito do que merecem.
Nota do Editor do Blog: Permanece atual mesmo tendo sido publicado na revista “VEJA”, dezembro 29, 2010.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

BECO SEM SAÍDA


Moradores de condomínio, lojistas e clientes de pontos no entorno da obra do VLT ficaram sem retorno para o acesso a essa via. O mais próximo fica a 1,5 km, perto da avenida Santana Junior. Cobram solução da engenharia do trânsito.
Fonte: O Povo, de 16/10/18. Coluna Eliomar de Lima. p.2.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

ESTACIONAMENTO PARA CORNOS


Fotógrafo: Autor e local ignorados.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-phones.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

PREPOTÊNCIA



Por Paloma Jorge Amado (*)
Era 1998, estávamos em Paris, papai já bem doente, participara da Feira do Livro de Paris e recebera o doutoramento na Sorbonne, o que o deixou muito feliz.
De repente, uma imensa crise de saúde se abateu sobre ele, foram muitas noites sem dormir, só mamãe e eu com ele. Uma pequena melhora e fomos tomar o avião da Varig (que saudades) para Salvador.
Mamãe juntou tudo que mais gostavam no apartamento onde não mais voltaria e colocou em malas.
Empurrando a cadeira de rodas de papai, ela o levou para uma sala reservada. E eu, com dois carrinhos, somando mais de 10 malas, entrava na fila da primeira classe.
Em seguida chegou um casal que eu logo reconheci, era um político do Sul (não lembro se na época era senador ou governador, já foi tantas vezes os dois que fica difícil lembrar).
A mulher parecia uma árvore de Natal, cheia de saltos, cordões de ouros e berloques (Calá, com sua graça, diria: o jegue da festa do Bonfim). 
É claro que eu estava de jeans e tênis, absolutamente exausta. De repente, a senhora bate no meu ombro e diz: "Moça, esta fila é da primeira classe, a de turistas é aquela ao fundo."
Me armei de paciência e respondi: "Sim, senhora, eu sei."
Queria ter dito que eu pagara minha passagem enquanto a dela o povo pagara, mas não disse. Ficou por isso.
De repente, o senhor disse à mulher, bem alto para que eu escutasse: "Até parece que vai de mudança, como os retirantes nordestinos".
Eu só sorri. Terminei o check in e fui encontrar meus pais.
Pouco depois bateram à porta, era o casal querendo cumprimentar o escritor. Não mandei a puta que pariu, apesar de desejar fazê-lo. Educadamente disse não.
Hoje, quando vi na TV o Senador dizendo que foi agredido por um repórter, por isso tomou seu gravador, apagou seu chip, etecetera e tal, fiquei muito arretada, me deu uma crise de mariasampaismo e resolvi contar este triste episódio pelo qual passei.
Só eu e o gerente da Varig fomos testemunhas deste episódio, meus pais nunca souberam de nada.
(*) Paloma Amado - Psicóloga, filha do escritor Jorge Amado
OBS: O político se chama Senador ROBERTO REQUIÃO.
Fonte: O texto acima foi publicado recentemente no Facebook de Paloma Jorge Amado e reproduzido no Blog de Cláudia Wasilewski.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O COVARDE

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Era uma bela tarde de domingo na cidade de Rosal, próxima à capital do Estado de São Paulo. Época de férias. Pedro, rapaz elegante, estudante de administração na USP, bem de vida resolveu visitar sua namorada Helena, em Rosal. Encontraram-se na praça da matriz, e com ela foi visitar os pais da moça. Foi bem recebido pelo genitor, o rico fazendeiro Antônio. Conversaram bastante e já no final Pedro propôs casamento. “Seu” Antônio tomou um susto, ponderou que a filha tinha apenas 16 anos e estava se preparando para fazer o vestibular de medicina. Pedro, temperamental, não gostou. Retirou-se para o hotel. A jovem chorou pela mal-sucedida reunião e à noite, sem que ninguém percebesse, foi ao encontro de Pedro. Tiveram momentos de amor no hotel das orquídeas e bem cedo foram no carro do rapaz para a capital paulista, dispostos a contraírem núpcias. A família de Helena logo percebeu e o pai, de forma constrangida, autorizou o casamento. Durou pouco, aliás apenas 60 dias. Pedro logo mostrou seu frágil e perverso caráter. Além de bater covardemente na moça grávida, não permitia que ela procurasse um curso pré-vestibular. A alternativa era pedir ajuda ao pai. Este ao saber da situação, deslocou-se até à capital do Estado para buscar a filha. Ao chegar foi recebido de forma grosseira e agredido fisicamente pelo psicopata Pedro. Sua intenção era assassinar “Seu Antônio”, mas a bala disparada do revólver ricocheteou e atingiu mortalmente o malvado e irresponsável Pedro. Helena, levando um filho no ventre, retornou para casa paterna, visando reconstruir a vida. Infelizmente, às vezes, a vida é assim.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 2/12/2016.

sábado, 11 de março de 2017

Anúncio contra lixo em local impróprio


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Foto sem autoria explícita.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Recomendações para o Carnaval de 2017


Mensagem sem autoria definida.
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Astúcia feminina


 Fonte: Circulando por e-mail (internet), sem autoria definida.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN)


Quando a gente pensa que o Brasil vai começar a se recompor, a melhorar seus padrões éticos e de moralidade, leva na cara uma cusparada dessa.
A B S U R D O
I N T O L E R A V E L
I N D E C E N T E
I M O R A L

DIVULGAÇÃO A PEDIDO
Veja mais essa aberração do judiciário. Vamos denunciar.
O cúmulo será a aprovação da Nova LEI ORGÂNICA da Magistratura Nacional (LOMAN).
O projeto cria, por exemplo, auxílio-educação para filhos com até 24 anos de juízes, desembargadores e ministros do Judiciário em escolas e universidades privadas; auxílio-moradia equivalente a 20% do salário; transporte, quando não houver veículo oficial; reembolso por despesas médicas e odontológicas não cobertas por plano de saúde, e licenças para estudar no exterior com remuneração extra.
FONTE: Internet (circulando nas redes sociais).

sábado, 21 de janeiro de 2017

PCC, CV ou MST x USP


Chargista: Arivon?
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

NOVEMBRO AZUL: troque o preconceito


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O BURACO É MAIS EMBAIXO


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta

… O crescimento insatisfatório do bebê no útero influencia a altura do bebê no nascimento e a forma como o cérebro se desenvolve. Além disso, deturpa a produção dos neurotransmissores como a serotonina…

Ao nascer, a média do tamanho dos bebês nordestinos continua muito baixa, apesar da diminuição da mortalidade infantil (aquela que acontece durante o primeiro ano de vida). Porém uma coisa não mudou – a fome ancestral que assola a maior parte do povo brasileiro. Quando se compara o tamanho dos neonatos nordestinos com os de populações brasileiras de melhor renda, a diferença dos nossos recém-nascidos pobres é gritante.

Houve, de fato, uma diminuição no número de crianças com peso insuficiente ao nascer (menos de 2.500 g), mas essa diminuição é um indicador pouco significativo.

Nascer pequeno não é um handicap apenas físico, é também emocional. Diminui a capacidade de aprendizado enquanto aumenta o comportamento antissocial e a violência. Aqueles que nascem com menos de 47 cm são os que têm maior risco, já que um crescimento fetal insatisfatório poderá ter efeitos de longo prazo sobre a química do cérebro.

O crescimento insatisfatório do bebê no útero influencia a altura do bebê no nascimento e a forma como o cérebro se desenvolve. Além disso, deturpa a produção dos neurotransmissores como a serotonina, também conhecida como a substância “mágica” ligada ao desenvolvimento e ao humor de um modo geral, cuja presença é notadamente baixa em pessoas com depressão.

O pouco crescimento no útero pode ser causado pelo uso abusivo de drogas pela mãe, inclusive álcool, ou por uma dieta ruim ou mesmo por um ambiente estressógeno – de miséria e tantas outras causas.

É possível identificar gestações de risco em mulheres cuja situação é adversa, como aquelas com problemas sociais, adolescentes e as com passado criminoso. Desemprego, violência e insegurança econômica também causam estresse prejudicial.

Há evidências de que um auxílio a essas mães pode ter efeito no desenvolvimento da criança, no longo prazo.

É preciso pensar em um acompanhamento pré-natal que não se resuma ao fornecimento de cestas básicas ou a orientações médicas de última hora.

O buraco é mais embaixo …. (**)

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).

(**) Na verdade esta expressão nada mais é do que dizer: “as coisas não são tão simples quanto parecem” ou “as aparências enganam”. O buraco é mais embaixo é uma referência à cova onde todos nós vamos um dia sermos enterrados. Simples assim, nós não vemos o buraco porque ele é embaixo da terra. O ditado quer dizer que a pesar de não vermos o “buraco” onde seremos enterrados, ele existe e um dia será bem real. Esta é a origem correta do ditado e, na época, ninguém associava o “buraco” com alguma coisa vinculada a sexo.


 

sábado, 17 de setembro de 2016

PT no MEIO...


 


Fonte: Montagem circulando por e-mail (internet). Sem autoria explícita.

domingo, 26 de junho de 2016

Constrangimento de uma nota


Por Tânia Alves – Ombudsman de O Povo.
Uma nota publicada na coluna Lúcio Brasileiro, edição da quinta-feira passada (23/6), causou incômodo em leitor que se manifestou. No conteúdo, o colunista, em tom jocoso, se apresentava para receber o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Ceará (UFC). “Como catedrático de Bom Tom via Jangadeiro presumo que já posso pretender doutor honoris causa da UFC” (ver fac-símile).
O usuário classificou de inadequado o comportamento do colunista. “Ele utiliza o precioso espaço do jornal para pedir medalhas e condecorações. Ele usa o espaço em benefício próprio. É uso inapropriado do (espaço) jornal”. Ressaltou ainda que não foi a primeira vez que o jornalista cobra homenagens. Lembrou que, na época em que Lúcio Alcântara era governador (2003/2007), o colunista “fez campanha” para receber a Medalha da Abolição. O assunto, destacou, chegou a ser tema de coluna externa do então ombudsman Plínio Bortolotti, hoje diretor institucional do O POVO.
A indignação do leitor faz sentido. Há 13 anos, O POVO publicava a terceira edição do “Guia de Redação e Estilo”, em que estabelece normas a serem seguidas pelos jornalistas da casa. No capítulo VI – “Normas jornalísticas do O POVO”, item “Colunas”, entre outras coisas está escrito: “O colunista não pode utilizar o espaço das colunas para promoção de interesses particulares. Também deve ficar atento à utilização excessiva de alguns personagens. Nas duas situações, cabe à direção de Redação alertar o colunista e adotar as medidas cabíveis para casos reincidentes”. Portanto, não tem razão para um colunismo social do O POVO fazer esta abordagem. Mesmo que em tom espirituoso, a nota, com forte interesse particular, funciona como coerção para a UFC, e como um vexame para o jornal.
O leitor também está correto quando destaca que problema não é de agora. Ele lembrou, corretamente, que Plínio Bortolotti escreveu parte de uma coluna externa criticando nota em que o colunista cobrava do governador a indicação para a Medalha da Abolição. Foi em novembro de 2006. Escreveu Plínio, para finalizar a escrita: “O colunista não tem o direito de constranger o governador do Ceará, de forma extremamente deselegante e desrespeitosa, na tentativa de arrancar-lhe benesses. Coluna não é feudo pessoal, da qual cada colunista pode dispor como quiser. O POVO tem de zelar pela sua credibilidade, portanto, a obrigação de conter tais investidas”. O colunista recebeu a medalha em 2012 por indicação do governador Cid Gomes.
Enviei email para o editor do Núcleo de Conteúdo Social e Relacionamento, Clóvis Holanda, responsável pelas colunas, com pedido para destacar as providências a serem tomadas no caso. Não recebi resposta.
Confesso que, quando li a nota da coluna, após ser advertida pelo leitor, de tão inacreditável, pensei que poderia se tratar de uma brincadeira. Mas como ser brincadeira se O POVO é uma empresa que trabalha com notícia? E notícia pressupõe verdade. Citar-se como merecedor de comenda não é papel para colunista. Uma nota com aquele teor jamais poderia passar pelo crivo de qualidade do jornal, pois é apenas um constrangedor momento de um jornalista movido por vaidade, que um dia tende a se extinguir. Aliás, o esnobismo não deveria ter prioridade sobre as muitas histórias de interesse público que o colunista, por sua longa caminhada no jornalismo, adquiriu e pode contar naquele espaço.
Fonte: O POVO, de 26/06/2016. Coluna do Ombudsman. p.11

terça-feira, 22 de março de 2016

Adam Smith, o autointeresse, a simpatia, Davos e a desigualdade


Por João Soares Neto (*)
A Escócia, parte do Reino Unido, é país bonito, frio e com um inglês bem peculiar, falado pela gente culta, tomando uísque ou cerveja, e até pelos comuns mortais. No século 18, não existia energia elétrica, as estradas - ou caminhos - enlameavam quando das chuvas e petrificavam de gelo nos invernos.
A parca calefação era preocupação individual e sequer havia sido inventada a máquina de escrever. As folhas de papéis, as canetas, os tinteiros e os mata-borrões, afora os livros próprios e os de bibliotecas públicas, eram os únicos recursos de que se serviam os escritores de então.
O escritor múltiplo Adam Smith, filósofo e cientista político, nasceu por lá nesse tempo e, mesmo assim, neste século 21, ainda é referência para ser negado ou elogiado. Não há como negar que ele foi estudioso e queria deixar obras que mostrassem a sua preocupação com a humanidade.
Sua obra capital, publicada em 1776, “Uma Investigação Sobre a Natureza e a Causa da Riqueza das Nações” ou, simplesmente, “A Riqueza das Nações” é considerada a referência basilar do regime capitalista. Essa obra, uma maçaroca de cinco partes, deveria ser conhecida melhor pelos economistas ortodoxos, heterodoxos, econometristas e outros que tais. “Conhecida” é distinta de “folheada”.
No meu pensar, Smith possui outra obra que considero mais importante para os humanos, da qual os economistas fazem parte. “A Teoria dos Sentimentos Morais” foi escrita em 1759 e trata da moralidade humana que, segundo ele, depende da relação de simpatia entre um indivíduo e o restante da sociedade. Ele faz distinção entre simpatia e “autointeresse”, que tomo a liberdade de traduzir como ganância.
Essa digressão histórica com Adam Smith poderia ser estendida a Karl Marx e a Friedrich Engels, mas é apenas caminho para se chegar neste janeiro de 2016.
Esta semana, na cidade de Davos, Suíça, reuniram-se a burocracia financeira, governos, biliardários e supostas cabeças pensantes do mundo, no Fórum Econômico Mundial. Reúnem-se e se desentendem cada vez mais, pois falta a ´simpatia´ de que falava Smith. Sairão de lá e nem um país relevante mudará uma vírgula da sua estratégia. Os outros, que vão lá fazer número, voltam fazendo declarações à imprensa que, cá para nós, acha interessante visitar essa pequena e rica cidade suíça, em pleno inverno.
Toda a mídia noticiou na semana passada que uma organização não governamental, com sede no Reino Unido, a Oxfam, afirmou que, neste ano de 2016: “62 pessoas possuem tanto (capital) quanto a metade mais pobre da população mundial”.
A Oxfam acredita ainda que o patrimônio acumulado por 1% das pessoas mais ricas do mundo superará, em 2016, o dos 99% restantes. Entrei no site da Oxfam e descobri que ela tem ramificações em 94 países e possui como objetivo a luta pela extinção da pobreza e tornar consciente que cada pessoa deve lutar por seus direitos. Algo assim.
Não sei como foram feitas as contas, se os dados são confiáveis, mas não há como não enxergar a existência de uma grande parcela mundial pobre, para não dizer miserável. Essas 62 pessoas, até o final deste ano, poderão ser donas de 50% de todos os recursos do mundo. Como já foi dito na reunião do ano passado, na mesma Davos, há uma explosão de desigualdade que entrava o duelo contra a pobreza mundial. "A escala da desigualdade é chocante”, afirmou a diretora executiva geral da Oxfam, Winnie Byanyima. Descobriram a pólvora. As armas estão no Oriente Médio.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado no jornal O Estado, em 22/01/2016.
 

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