sexta-feira, 10 de abril de 2026

Crônica: “Feiúra aumenta com o tempo, é pega...” ... e outros causos

Feiúra aumenta com o tempo, é pega...

No café da manhã com Maria, regulava 8h da segunda-feira chuvosa, e o celular da mulher toca. É a sobrinha Donana, pra tirar dúvida:

- Mulher, tu lembra do nome daquele primo bem distante da gente, que um dia apareceu lá em casa - eu era menina ainda - e tomei um susto medonho?

- Que botou a cara na janela e tu sem querer viu ele e lascou o grito de medo?

- Sim! Chorando, falei apavorada: - Mãe, tem um bicho aqui!!! Tira!!!

- É Rosmildo Neto! Por causa disso, tu passou um mês sem dormir, lembrando da cena...

- Isso, isso, isso!

- Lembro dele, bicho véi magro que era ver uma vara de virar tripa, boca murcha, urêa de abano, corcunda... Morreu?

- Não, vi ele ontem no aniversário de 99 anos de seu Nozinho!

- Continua feio, ele?

- Feio, o Rosmildo?!? Bota fêi nisso! Tá muito pior! 20 vezes mais!

- Donana, num foi ele que fugiu com uma sobrinha nossa?

- Dizem que ela fugiu, mas foi com medo dele!

- Bem o fato é que tiveram cinco filhas, e a melhorzinha era Dinete, bem desabonitada!

- Mas eu tô invocada é com Rosmildo mais feio que antes!

- E eu? Às vezes acontece de a pessoa feia ficar menos feia com o tempo...

- Com Rosmildo, não, pelo visto...

- A versão que tu viu ontem vai a cemitério e espanta visagem brincando!

- Mas tem uma coisa boa nisso tudo...

- Sei, onde ele mora - e na redondeza toda, não fica uma muriçoca!

- Só se tu num quiser!

Caixão e vela preta

O amigo Dr. Manel conta que, nos tempos de juiz de simpática do Centro-Sul do estado, foi convidado por um ilustre morador da zona rural a pegar uma merendar em sua humilde residência. Juiz na casa de homem simples, algo revestido de um acontecimento. Barraco simples, miúdo, mas bem arrumado. Na mesa de tudo em quanto: café, lei natural, pão, inhame, cuscuz, ovos estrelados, banana e mamão. Juiz admirado com o banquete. Lá fora, a vizinhança admirada.

Começa o desjejum matinal, só os dois na casa. Súbito, a conversa animada é estacada. O homem da lei está horrorizado com o que vê pregado na parede da sala...

- Que faz esse caixão de defunto aí, amigo?!?

- Pra eu lembrar que cada dia é um dia a menos!

- E precisa disso?

- Veja bem: se eu já pago plano funerário, se tenho por vizinhas quatro carpideiras de alta qualidade, por que não um caixãozinho de leve?

- Mas, na parede?!?

- Melhor que uma televisão, que só passa morte!

Sabedoria de seu Dedé Gordim

1 - Teste para saber se o leite é puro: botar uma gota do leite (de vaca) na unha do dedo fura-bolo; se o pingo cair, não está apto a ser bebido.

2 - Saber se tem bom "inverno": fazer uma coivara - tocar fogo no mato. Se saírem dali de dentro 158 preás - e três punarés, o ano é de pouca chuva.

3 - Ainda sobre quadra chuvosa: se a vaca urinar e não pingar no chão, o inverno é bom!

Fonte: O POVO, de 13/03/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


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