Feiúra aumenta com o tempo, é
pega...
No
café da manhã com Maria, regulava 8h da segunda-feira chuvosa, e o celular da
mulher toca. É a sobrinha Donana, pra tirar dúvida:
-
Mulher, tu lembra do nome daquele primo bem distante da gente, que um dia
apareceu lá em casa - eu era menina ainda - e tomei um susto medonho?
-
Que botou a cara na janela e tu sem querer viu ele e lascou o grito de medo?
-
Sim! Chorando, falei apavorada: - Mãe, tem um bicho aqui!!! Tira!!!
-
É Rosmildo Neto! Por causa disso, tu passou um mês sem dormir, lembrando da
cena...
-
Isso, isso, isso!
-
Lembro dele, bicho véi magro que era ver uma vara de virar tripa, boca murcha,
urêa de abano, corcunda... Morreu?
-
Não, vi ele ontem no aniversário de 99 anos de seu Nozinho!
-
Continua feio, ele?
-
Feio, o Rosmildo?!? Bota fêi nisso! Tá muito pior! 20 vezes mais!
-
Donana, num foi ele que fugiu com uma sobrinha nossa?
-
Dizem que ela fugiu, mas foi com medo dele!
-
Bem o fato é que tiveram cinco filhas, e a melhorzinha era Dinete, bem
desabonitada!
-
Mas eu tô invocada é com Rosmildo mais feio que antes!
-
E eu? Às vezes acontece de a pessoa feia ficar menos feia com o tempo...
-
Com Rosmildo, não, pelo visto...
-
A versão que tu viu ontem vai a cemitério e espanta visagem brincando!
-
Mas tem uma coisa boa nisso tudo...
-
Sei, onde ele mora - e na redondeza toda, não fica uma muriçoca!
-
Só se tu num quiser!
Caixão e vela preta
O
amigo Dr. Manel conta que, nos tempos de juiz de simpática do Centro-Sul do
estado, foi convidado por um ilustre morador da zona rural a pegar uma merendar
em sua humilde residência. Juiz na casa de homem simples, algo revestido de um
acontecimento. Barraco simples, miúdo, mas bem arrumado. Na mesa de tudo em
quanto: café, lei natural, pão, inhame, cuscuz, ovos estrelados, banana e
mamão. Juiz admirado com o banquete. Lá fora, a vizinhança admirada.
Começa
o desjejum matinal, só os dois na casa. Súbito, a conversa animada é estacada.
O homem da lei está horrorizado com o que vê pregado na parede da sala...
-
Que faz esse caixão de defunto aí, amigo?!?
-
Pra eu lembrar que cada dia é um dia a menos!
-
E precisa disso?
-
Veja bem: se eu já pago plano funerário, se tenho por vizinhas quatro
carpideiras de alta qualidade, por que não um caixãozinho de leve?
-
Mas, na parede?!?
-
Melhor que uma televisão, que só passa morte!
Sabedoria de seu Dedé Gordim
1
- Teste para saber se o leite é puro: botar uma gota do leite (de vaca) na unha
do dedo fura-bolo; se o pingo cair, não está apto a ser bebido.
2
- Saber se tem bom "inverno": fazer uma coivara - tocar fogo no mato.
Se saírem dali de dentro 158 preás - e três punarés, o ano é de pouca chuva.
3
- Ainda sobre quadra chuvosa: se a vaca urinar e não pingar no chão, o inverno
é bom!
Fonte: O POVO, de 13/03/2026. Coluna
“Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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