Por Lauro Chaves Neto (*)
O desenvolvimento
sustentável pressupõe uma indústria forte. A atividade industrial é a que mais
gera encadeamentos produtivos, inovação, empregos qualificados e renda. No
Estado do Ceará, representa 18,3% da economia, 82% das exportações e sustenta
387 mil empregos formais - cerca de 28% do total do estado. Esses números, por
si só, já justificam prioridade a uma agenda estratégica: infraestrutura
moderna, integrada e orientada ao futuro.
Infraestrutura
não é gasto; é investimento estruturante. É ela que reduz custos, amplia
competitividade e transforma potencial em realidade econômica. A ampliação das
redes de transporte, energia, segurança hídrica e telecomunicações não pode ser
vista como opção, mas como condição para que o Estado consolide seu
protagonismo industrial no Nordeste e no Brasil.
No campo
logístico, a duplicação de corredores rodoviários, a melhoria da mobilidade
urbana e a integração efetiva com o interior produtivo fortalecem a conexão com
o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
A conclusão da
Ferrovia Transnordestina, integrada ao sistema porto-rodovia, representa um
divisor de águas para o escoamento de grandes volumes, reduzindo custos e
elevando a competitividade das nossas cadeias produtivas.
No eixo
energético, já demonstra vocação para liderar a transição. A expansão das
energias renováveis, o avanço do hidrogênio verde, os projetos eólicos offshore
e a atração de data centers posicionam o estado na fronteira da economia de
baixo carbono. Trata-se de uma oportunidade histórica de industrializar com
inovação, agregar valor e gerar empregos qualificados.
Segurança hídrica
e infraestrutura digital completam esse ciclo virtuoso, ampliando a resiliência
produtiva e interiorizando oportunidades. A digitalização e a adoção de
tecnologias da Indústria 4.0 não são tendências, são exigências do presente.
O Estado do Ceará
reúne condições únicas para consolidar-se como polo logístico, industrial e
energético. Mas isso exige visão estratégica, continuidade de políticas e
investimentos. O desenvolvimento industrial cearense está intimamente ligado à
evolução da infraestrutura.
(*)
Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de
Economia.
Fonte: O Povo, de 2/03/26. Opinião. p.18.

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