Por Luiz Gonzaga Porto Pinheiro (*)
No nosso genoma estão os seres que cruzamos
na evolução. Predadores carniceiros e rapineiros estão em alguns dos nossos
genes. A expressão de uma ou a repressão de outra proteína pode se manifestar
como ganância, inveja, preconceito, soberba ou crueldade. Uma paixão, uma
frustração, álcool, alucinógenos ou uma injustiça explícita podem liberar
formas bizarras de comportamento no homem. Veja-se a atitude de dois jovens
ditos normais, no metrô de São Paulo: embriagados, espancaram até a morte um
morador de rua que defendia um homossexual.
Acho que uma parte destes comportamentos
atípicos se explica pela frustradora sociedade de consumo. Todos querem ter
tudo que lhes agrada. Coletivamente também surgem comportamentos predatórios:
países fortes se apropriam do poder, corrompem ou são corrompidos, perseguem
minorias e expoliam Estados fracos.
Nações promovem guerras por interesses
geopolíticos, religiosos, comerciais ou ideológicos. Impérios dominam extensas
áreas do planeta e usam artefatos nucleares e químicos para manter seus
privilégios. Nem o meio ambiente escapa dos homens. Espécies extintas, a
natureza degradada, mostra a insensibilidade coletiva. Necessário que se
exercite a ética, centrada na vida, embasada em coletivo justo, identifique
desvios, controlando-os e punindo os culpados.
O Estado deve dar chances iguais a todos,
corrigir as desigualdades e facilitar o crescimento dos cidadãos. Enquanto
as respostas não chegam, evite-se soluções violentas, a criação de um estado
policialesco, onde a ação policial é distorcida com mortes evitáveis pela ação
violenta desnecessária.
O controle da criminalidade não pode ser
usado como estímulo ao armamento da população que levara ao aumento da
violência. Que em cada um de nós prevaleça o bom senso, o autoconhecimento, a
observação dos modelos de honestidade, solidariedade e de generosidade; que a
esperança vença o niilismo forjando o equilíbrio interior entre o Dionisíaco e
o Apolíneo, sonho humanista do nosso animal interior com a sabedoria criada
pelo córtex evoluído.
(*) Médico. Professor aposentado da UFC. Presidente
da Sociedade Cearense de Cancerologia, presidente do GEEON e pesquisador CNPq.
Fonte:
Publicado In: O Povo, de 28/02/2026.
Opinião. p.16.

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