sábado, 24 de janeiro de 2026

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Janeiro/2026

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de janeiro/2026, que será realizada HOJE (24/01/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Formação médica no Brasil preocupa ministérios e entidades

Por Ana Ruth Ramires, jornalista de O Povo.

Com resultado do Enamed, entidades reiteram riscos de cursos com desempenho insuficiente. Entidades particulares contestam exame.

O desempenho insatisfatório de parcela significativa dos cursos de medicina no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, especialmente em instituições privadas, preocupa Governo Federal e entidades médicas. Cerca de 30% das 351 instituições que participaram obtiveram conceitos 1 e 2, considerado insatisfatório, e passarão por medidas de supervisão do Ministério da Educação (MEC).

Os resultados foram divulgados na segunda-feira passada, 19. "Há uma grande preocupação nos ministérios da Educação e da Saúde em assegurar que os cursos oferecidos aos alunos brasileiros possam garantir a qualidade da formação médica nesse País, até porque são profissionais que cuidam da vida das pessoas", disse Camilo Santana, ministro da Educação.

Marcelo Gurgel, professor titular e decano do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), argumenta que o aumento de escolas médicas no País, que supera numericamente nações muito mais populosas, compromete a formação acadêmica e exige mecanismos de avaliação mais rigorosos.

Para ele, os resultados do Enamed são reflexo de uma expansão desordenada e de um modelo de "formação em massa". Para solucionar essas deficiências, ele propõe a adoção de um modelo de avaliação por etapas, que permitiria identificar falhas específicas em diferentes ciclos da graduação.

"A formação básica de disciplina básica, de anatomia, de fisiologia tá muito boa, mas o ciclo clínico tá ruim. Aí serve para orientar o que a instituição precisa melhorar", exemplifica.

Ele acredita que, a despeito de sanções imediatas, o mercado servirá de balizador, pois as pessoas evitarão se matricular em cursos com notas mais baixas, o que pode levar ao esgotamento e fechamento natural de cursos deficientes.

Diante do resultado divulgado na segunda, o Conselho Federal de Medicina (CFM) quer impedir que os estudantes do último semestre de Medicina que não atingirem a nota mínima no exame recebam o registro profissional.

Segundo Estevam Rivello Alves, diretor de Comunicação do CFM, "o Enamed é um extrato daquilo que as entidades médicas já vêm falando há cerca de duas décadas". O médico elogia a realização do Enamed, mas considera que o exame precisa ser melhor implementado.

"Essa é uma avaliação que foi feita só de forma objetiva, uma prova de múltipla escolha, com 100 questões, é necessário que se tenha uma avaliação em estações práticas, que é o que é feito também no mundo, né, pra que a gente tenha a noção exata se esse estudante tá bem avaliado", pormenoriza.

O CFM também defende a criação de um exame de proficiência médica para regular a atuação na área (PL 2.294/2024). "No Senado Federal, nós já fomos aprovados, esse projeto já foi aprovado na Comissão de Educação, está na Comissão de Assuntos Sociais em última votação e em terminando ela pode ser remetida já diretamente para a Câmara", diz sobre o PL.

Nessa quinta-feira, 22, o ministro da Saúde Alexandre Padilha, contudo, afirmou que o Governo Federal vai propor ao Congresso Nacional que o Enamed se torne também um exame de proficiência.

"Primeiro porque ele [o exame] vai ser feito no segundo, no quarto e no sexto ano (de faculdade), ou seja, ele avalia o progresso. E ele é feito pelo Ministério da Educação, que tem como interesse principal a formação médica, e não por outra entidade que possa ter qualquer outro interesse com relação a isso", declarou o ministro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Padilha esclareceu que a proposta só pode entrar em vigor após uma mudança na legislação brasileira, portanto, valeria para edições futuras do Enamed e não para a edição de 2025. (com Agência Brasil)

Entidades criticam metodologia e "falta de transparência"

De outro lado, associações de ensino como a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) e a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) criticam a metodologia do exame, alegando falta de transparência e critérios definidos tardiamente.

Questionada sobre os resultados das universidades privadas no Enamed, a Anup responde ao O POVO que a avaliação da formação médica "não pode se apoiar em um único dado ou em um único instrumento, sobretudo quando esse instrumento ainda está em processo de consolidação". A entidade se preocupa com "a forma como esses dados foram produzidos, tratados e comunicados".

A Anup cita "inconsistências nos dados utilizados, critérios divulgados apenas após a aplicação da prova, problemas de representatividade da amostra - incluindo a participação de estudantes do 11º período - e a utilização de um exame inaugural para sanções regulatórias".

Para se consolidar como ferramenta essencial de avaliação, conforme a entidade, é necessária "definição prévia de critérios, um regime de transição adequado, integração com os demais instrumentos do sistema regulatório e engajamento efetivo dos estudantes".

A Abmes publicou nota afirmando que o Enamed "não demonstrou que a saúde da população brasileira esteja em risco, tampouco que a criação de uma prova de proficiência para egressos seja a solução para o aprimoramento da formação médica no País".

Associação cita que "os estudantes realizaram a prova sem o devido comprometimento, uma vez que não foram previamente informados de que o exame serviria como parâmetro de proficiência, nem de que haveria um corte mínimo de 60 pontos".

Ainda em nota pública, a entidade critica o que chama de "interesses corporativistas" das entidades médicas e reforça que "as instituições privadas mantêm firme compromisso com a qualidade da formação médica e apoiaram a criação do Enamed como instrumento de avaliação educacional".

"No entanto, a primeira edição do exame foi marcada por inconsistências (erros), ausência de critérios previamente definidos, falta de diálogo com a comunidade acadêmica e descumprimento do cronograma, o que comprometeu a previsibilidade, a transparência e a segurança jurídica do processo", acrescenta.

81% dos resultados insatisfatórios são de instituições privadas

Conforme o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, dos 107 cursos com resultados insatisfatórios, 81% (87) são de instituições privadas. Quase metade (49,4%) dos cursos privados registraram notas 1 e 2, resultado considerado insuficiente e passível de sanções.

César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), por meio de comunicado, defende que os dados do Exame "evidenciam uma forte assimetria na formação médica no Brasil". "Universidades públicas federais e estaduais concentram mais de 84% de seus cursos nas faixas de excelência, enquanto os piores resultados ocorrem principalmente em instituições municipais e privadas com fins lucrativos", analisa.

Ele cita os riscos da expansão desordenada de escolas médicas. Segundo o presidente da AMB, muitas vezes, as instituições são abertas "sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado ou condições mínimas para a formação segura de novos médicos, nem residência médica".

"Não se trata de formar mais médicos, mas de formar bons médicos, preparados para atuar no SUS e para responder às necessidades da população brasileira", acrescenta César Eduardo Fernandes.

Conforme Marcelo Gurgel, professor titular e decano do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), muitas faculdades privadas não possuem hospitais próprios e utilizam a rede pública para o internato. Ele cita também a oferta de vagas para residência.

"A melhor formação de um médico é na residência. Nós tínhamos vaga para residência médica que alcançava 70% dentro dos egressos. De cada 10 formados, sete deles iam para a residência médica. E, atualmente, com a grande oferta de vagas em Medicina, nós vamos ter menos de 30% de vagas em residência para os que estão se formando", relaciona.

Ele cita também que muitas instituições aumentam a oferta de vagas sem ampliar a estrutura proporcionalmente. "Quando o curso é reconhecido e consegue um upgrade para Centro Universitário ou para Universidade, ela tem autonomia para expandir as vagas sem dar satisfação ao MEC. Então, ela tem uma autorização inicial para receber 50 alunos e quando menos espera tá com 200 alunos", afirma o médico Marcelo Gurgel.

Conforme o Ministério da Educação, os cursos que obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2 — menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed — e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.

Medidas incluem a suspensão total de ingresso de novos alunos; redução do número de vagas autorizadas; restrição de acesso a programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Sobre as medidas aplicadas aos cursos que não atingiram o nível mínimo de aprendizagem, o ministro Camilo Santana destacou que o objetivo "não é aplicar sanções ou penalidades intencionais a qualquer instituição, mas assegurar a formação de médicos de qualidade no Brasil".

Os 99 cursos que não obtiveram resultado satisfatório, terão 30 dias para apresentar a defesa ao MEC após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União, antes que as sanções entrem em vigor. Após o prazo, as medidas valerão até a próxima aplicação do Enamed, prevista para outubro de 2026.

Fonte: O Povo, 23/01/2026. Reportagem. p.4-5.


ANTISSEMITISMO DESPUDORADO

Por Maximiliano Ponte (*)

Nós, judeus de todo o mundo, estamos celebrando Chamucá, uma festividade que celebra a resistência à assimilação forçada e o direito de manter a própria identidade religiosa e cultural e que, neste ano, ocorre entre 14 e 22 de dezembro. Entre suas tradições centrais está o acendimento público de velas. Famílias as colocam à janela, voltadas para fora, e comunidades reúnem-se para acendê-las publicamente, mundo afora, como uma afirmação visível de existência, memória e continuidade.

Neste Chanucá de 5786 (2025), no pogrom de Bondi Beach, na Austrália, o antissemitismo, como tantas vezes ao longo da história, também acendeu suas velas publicamente. Fez isso de forma aberta, tanto por meio da violência explícita - com a morte de pessoas pelo simples fato de serem judias - quanto, de modo mais insidioso, pela justificativa despudorada que responsabiliza as próprias vítimas, enquanto grupo, transformando a agressão sofrida em culpa.

Em vez de uma condenação inequívoca dos agressores, multiplicaram-se explicações: o governo israelense, a guerra em Gaza, a complexa geopolítica do Oriente Médio. Essa lógica é eticamente insustentável. Judeus australianos não são o governo de Israel, não são suas forças armadas, nem extensões simbólicas de disputas geopolíticas. São cidadãos exercendo, de forma pacífica, um direito elementar: viver e expressar publicamente sua identidade religiosa e cultural.

Isso ocorre em um momento da história humana em que, ao menos em tese, já não há abrigo na civilidade para discursos que justificam a violência contra minorias, responsabilizando-as pela agressão sofrida. Não se aceita - pelo menos não publicamente - o discurso de que mulheres sejam violentadas por estarem sozinhas à noite ou por usarem determinadas roupas.

Tampouco se admite, no espaço público legítimo, o discurso de que pessoas LGBTQIA+ devam ser agredidas por demonstrarem afeto em público ou por expressarem sua identidade. Pessoas podem pensar dessa forma e até defendê-la em ambientes privados, mas sabem que sua enunciação pública tende a ser recebida com descontentamento tácito ou com oposição firme e imediata. Não é correto, não é ético, não é justo, não é intelectualmente válido responsabilizar a vítima pela agressão sofrida. Nunca. Ou melhor, quase nunca.

No caso do antissemitismo, esse constrangimento frequentemente desaparece. Torna-se socialmente tolerável - e até intelectualmente aceitável - sugerir que a violência contra judeus se explica por seu comportamento coletivo, por sua identidade ou por uma associação imaginada com um Estado, um governo ou um conflito. Quando se trata de judeus, pode.

Essa é mais uma vela acesa publicamente pelo antissemitismo, neste Chanucá.

(*) Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/12/2025. Opinião. p.17.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 855

Abro a coluna com os puxa-sacos e a farta de feição.

Tempos eleitorais. Tempos de fidelidade e infidelidade. Guararé era cabo eleitoral do governador Sebastião Archer, do Maranhão. Convenção do PSD, alguém acusou Guararé de puxa-saco. Guararé argumentou:

- Cada um puxa quem pode. Eu puxo o senhor, governador Archer. O senhor já puxa o senador Vitorino Freire. E o senador puxa o general Dutra. É a lei da fidelidade partidária.

Farta feição

José Aparecido chegou à sua Conceição do Mato Dentro/MG, começou a romaria dos amigos. Entrou um coronel, mansos passos e chapéu na mão:

- Bom dia, doutor. Boa viagem?

- Boa. Como vão as coisas?

- Tudo correndo como de costume. Novidade aqui nunca tem e lá pra fora não sei, porque minha televisão está defeituada.

- O que é que aconteceu com ela?

- Não sei não. Às vez, farta prosa, às vez farta feição.

(José Aparecido foi deputado federal, ministro da Cultura, governador de Brasília e embaixador em Portugal. Excepcional figura, amigo de meu irmão, Ivonildo Torquato, médico-cirurgião, que o operou no HSE, RJ).

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/410935/porandubas-n-855


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Eventos Corporativos fortalecem a rede hoteleira caririense

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A Região Metropolitana do Cariri (RMC) consolidou-se como uma das mais prósperas e atrativas do Nordeste, em virtude da diversidade econômica, a expansão dos investimentos públicos e privados.

Além disso, a escolha pelo Cariri, em especial Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, liga-se ao fato dos elevados índices de geração de emprego, e um setor de turismo religiosos e ecológico de destaque no cenário nacional.

Para uma melhor descrição da economia local, reportaremos aos dados do IBGE (2024) no qual mensura num espaço de dez anos (2011-2021) o crescimento do Produto Interno Bruto do Cariri, mostrando que a região havia duplicado (R$ 2,47 bi para R$ 5,11 bi) a riqueza gerada na economia.

No ano de 2024 o Produto Interno Bruto da região totalizou R$ 14,67 bilhões, contribuindo com a fatia de 7,53% do PIB do Ceará. (Anuário do Ceará 2025-2026). Consequentemente, a RMC impõe segurança financeira para os investidores, ao mesmo tempo em que exige ações de fomento público na infraestrutura das cidades (saneamento, mobilidade urbana, conectividade, acesso ao transporte rodoviário e aéreo) fator indissociável para o crescimento e desenvolvimento econômico.

Diante deste cenário a economia se movimenta de forma urbana e regional, como ecossistema em que há uma rede de organizações interdependentes, tais como: as universidades, as startups, as franquias, as grandes empresas, investidores privados, etc.).

Cabe observar, ainda, a forte cultura empreendedora da região que impulsiona e mantém competitivos outros setores da economia, como o hoteleiro e o gastronômico. E este avanço é resultado do crescimento da oferta de eventos corporativos - workshops, eventos de networking e treinamentos específicos - na região que buscam atender as necessidades dos parceiros comerciais, assim como proporcionar aos colaboradores a capacitação profissional, a internalização da missão e objetivos da empresa.

Logo, a rede hoteleira criou espaços (auditórios) para locações, como também incrementou o menu da cozinha para atender as demandas específicas dos locatários. Investiu-se em infraestrutura, equipe especializada, acomodações, conectividade e audiovisual.

No Cariri há mais de dez hotéis disponíveis para a realização de eventos, com a diária de um auditório para 100 pessoas variando de R$ 1.380,00 a R$ 1.560,00 reais. A inclusão do coffee-break está condicionada ao pagamento de valores entre R$ 40,00 a R$ 68,00 reais por pessoa.

A média de eventos nestes hotéis fica entre quatro a dez eventos mensais, e isto favorece o caixa em tempos de baixa demanda, além de estimular a concorrência que beneficia os consumidores e ofertantes.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 19/12/25. Opinião. p.19.

ENCONTRO OU DESENCONTRO?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Conviver é a arte do encontro, ainda que no desencontro. Quer seja uma vida em comum, um bom relacionamento com alguém ou ainda uma partilha de ambiente, de empresa, de trabalho.

O ser humano é ‘Homo socialis’.

Desde que a terra experimentou os passos da criatura humana, assistiu e acompanhou sua epopeia, fornecendo-lhe abrigo, alimentação e repouso, não como uma dádiva inerte, mas como uma conquista, uma, diria Darwin, ‘luta pela vida’. Assim, originou-se a ‘companhia’ dos humanos, não por afinidade, senão pela partilha do pão (cum + panis), ou seja, do alimento e da sobrevivência, num meio, tremendamente, tão hostil.

Formaram-se os clãs, que disputavam entre si os mais ricos ambientes de caça, de pesca e de abrigo, cada clã com suas manias e formas de convivência.

A humanidade emergiu, cresceu e desenvolveu-se, tingidas desse ‘grito prodrômico de ‘convivência’’, condição ‘sine qua non’ para a vida. No correr dos séculos, tomou várias dimensões, firmando-se grupos sociais, dos quais a família é o grupo protagonista, por excelência.

E, no andar da carruagem, estamos nós aqui, herdeiros e herdeiras de toda essa frenética e maravilhosa História, com as mesmas necessidades básicas universais, acrescidas de outras, que o tempo nos mostrou indispensáveis.

Somos coevos. Somos encontros, por imposição social e institucional. Somos encontros por crenças, por profissões e por outras situações, como encontros de amizade, encontros de amor, estes nunca por cobranças, nem com imposições.

Em todos esses encontros, alguns tocam-nos mais de perto: o nosso micromundo espera um encontro de nós conosco, predispondo-nos para um encontro aconchegante com o outro, nas emoções de empatia, nas sensações de desejo e no desiderato de partilhar sonhos, rumos e navegações. Encontros têm matizes, têm suas modulações, têm sentimentos próprios e peculiares.

Desencontro é a outra face do encontro, pois somente há desencontro, se falha o encontro ou quando o encontro finda em desencontro. A guerra, por exemplo, caracteriza-se por ser o desencontro do encontro da paz, o ódio é o desencontro do encontro do amor, a intolerância é o encontro do desencontro do diálogo. E vice-versa.

Encontros jamais vingam sem amor, perdão, lealdade, cujas dosagens definem a intensidade.

Em qualquer situação, a criatura humana é, sim, ‘Homo socialis’, ‘Ser de relacionamento’.

Finalmente, somos mesmo encontros, até quando nos desencontramos.

Tenhamos uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 15/01/26.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Cursos de medicina mal avaliados serão punidos

O Povo, Editorial.

O resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) mostrou uma situação preocupante dos cursos de medicina no Brasil. Foram avaliadas 351 instituições públicas e privadas. Dos cursos participantes em todo o Brasil, 30% tiveram desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC), a maioria de faculdades particulares. É preciso dar destaque a esse dado, pois o maior número de formandos atualmente é oriundo de faculdades privadas.

Segundo estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado na página da Associação Paulista de Medicina, das 494 escolas médicas do País (2025), com 50.974 vagas anuais de graduação, 80% dos estudantes estão em instituições privadas.

O levantamento também mostrou uma nova fase de expansão do ensino médico. De acordo com a FMUSP, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o MEC autorizou 77 novos cursos de Medicina. O estudo avalia que o Enamed é parte do esforço para assegurar a qualidade dos cursos de formação de futuros médicos.

É preciso ressaltar que não se trata de desconsiderar o papel importante desempenhado pelas faculdades privadas, mas de preservar aquelas que oferecem ensino de qualidade e obrigar a evoluir aquelas que tiraram notas baixas. São muitas as instituições privadas que conseguem administrar o empreendimento educacional, sem descuidar da preparação de seus alunos e dos interesses da sociedade, que precisa de profissionais bem formados, em área tão sensível, que cuida da saúde e da vida das pessoas.

No Ceará, nove cursos participaram do exame, sendo que três deles obtiveram nota 5 (máxima); três (nota 4); duas (nota 3) e uma (nota 2).

Existe outra proposta, de iniciativa do Senado, já aprovada na Comissão de Assuntos Sociais, que visa criar o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que ficou conhecido como "OAB da Medicina". Seria exigência de uma prova obrigatória para médicos recém-formados receberem o registro profissional. Para o ministro Camilo Santana, o Enamed já cumpre esse papel, juntamente com mais rigor no monitoramento dos cursos, inclusive com visitas presenciais.

As sanções, conforme as notas obtidas, podem incluir redução de vagas de ingresso (nota 2), chegando à suspensão do curso (nota 1). Os conceitos 1 e 2 ainda terão suspendidos os contratos de financiamento estudantil (Fies) e o de bolsas (Prouni). Caso não haja melhora ou as medidas exigidas pelo MEC não forem cumpridas, os cursos poderão ser extintos.

O relevante é que o tema está sendo debatido e o MEC tem implementado medidas positivas, como maior fiscalização e punições aos cursos que obtiverem notas insuficientes.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/01/2026. Editorial. p.16.


 

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