domingo, 4 de janeiro de 2026

Lipoaspiração, evolução, limites e novas alternativas

Por Danilo Dias (*)

A lipoaspiração é, há décadas, um dos procedimentos cirúrgicos mais procurados no Brasil. Usada para remover depósitos localizados de gordura, tornou-se símbolo de transformação estética rápida e eficaz. Com o passar dos anos, no entanto, o que antes era reservado a grandes áreas corporais passou a ser desejado também em regiões menores, como a papada, braços e joelhos, impulsionado, principalmente, pelas redes sociais e pela estética da selfie.

De fato, a lipo evoluiu: técnicas mais modernas, cânulas mais finas e abordagens menos invasivas tornaram o procedimento mais seguro. Ainda assim, é importante lembrar que a lipoaspiração não é uma solução mágica. Ela não substitui hábitos saudáveis, nem é indicada para todos os casos. Existe uma falsa sensação de simplicidade em torno da cirurgia, o que pode levar pacientes a decisões precipitadas, sem a devida avaliação médica.

A boa notícia é que, com o avanço da tecnologia, surgiram métodos não invasivos para tratar gordura localizada e flacidez, com resultados progressivos e seguros. Um bom exemplo é o Quantum, equipamento de radiofrequência multipolar com pulsos magnéticos que estimula colágeno, melhora a firmeza da pele e ajuda a redefinir o contorno corporal e facial, especialmente útil em casos onde a flacidez predomina.

O Quantum não exige tempo de recuperação, é indolor e pode ser uma excelente alternativa para pacientes que não desejam ou não podem realizar cirurgias. Embora seus resultados sejam mais sutis e progressivos, a segurança e a naturalidade conquistam cada vez mais espaço nas clínicas modernas.

No final das contas, a escolha pelo procedimento facial precisa ser feita com base em avaliação médica individualizada, considerando não só o desejo estético, mas a saúde, o estilo de vida e as expectativas reais de cada pessoa. A medicina estética não deve seguir modismos, e sim respeitar o que há de mais precioso: a singularidade de cada corpo.

(*) Médico cirurgião plástico,

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/12/2025. Opinião. p.18.

sábado, 3 de janeiro de 2026

CEARÁ UM SÓ: a força da cooperação na gestão pública

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Elinor Ostrom foi a primeira mulher a receber o prêmio Nobel de Economia, em 2009, pela análise sobre governança econômica, especialmente no que se refere aos bens comuns. De infância pobre, a economista dedicou-se a buscar exemplos e analisar experiências de cooperação entre comunidades que, em vez de competirem entre si pelos mesmos recursos, aprenderam a compartilhá-los para se desenvolver.

O trabalho de governança de Ostrom é uma crítica à Teoria da Tragédia do Bem Comum, segundo a qual o ser humano estaria fadado ao conflito em razão da escassez. Para a pesquisadora, “as instituições são capazes de prosperar vendo alternativas para resolver conflitos de interesse e aproveitando as oportunidades da cooperação”. Redescobrir a importância da cooperação por meio da ação coletiva e agir de acordo com esse princípio deveria ser uma das chaves para enfrentarmos os desafios na gestão pública.

A obra de Elinor Ostrom que nos deu o arcabouço teórico para a construção do Programa de Governança Interfederativa Ceará um Só, no qual trabalhamos há mais de 15 anos. Encontramos apoio decisivo para sua aplicabilidade na gestão do governador Elmano de Freitas, na qual empreendemos um conjunto de iniciativas que fortalecem a ação coletiva institucional. Entre elas, destacamos a Caravana Ceará um Só.

A Caravana é uma ação realizada em parceria com a Escola de Gestão Pública do Ceará (EGPCE), com suporte do Centro de Treinamento e Desenvolvimento (Cetrede) e da Universidade Federal do Ceará. Criamos um programa de capacitação e formação voltado, exclusivamente, para gestão local, estruturado em quatro eixos: Gestão e Planejamento das Finanças Municipais; Transformação Digital da Gestão Pública; Gestão de Pessoas e Previdência; e Gestão Pública e Governança.

As formações apresentam práticas objetivas, sistêmicas e integradas à realidade dos municípios cearenses. Nossa jornada interfederativa alcançou os 184 municípios cearenses, capacitando 3.517 servidores e colaboradores. Firmamos 88 acordos de cooperação técnica com a EGPCE, 54 pactos com o programa Ceará Sem Fome e 17 acordos com a Companhia de Habitação do Estado (Cohab-CE), que poderão resultar na entrega definitiva de escrituras para 1.844 famílias.

Disponibilizamos para todos os municípios e para você, leitor do O POVO, as trilhas de capacitação que foram construídas pelos servidores e colaboradores da Seplag-CE e EGPCE, acessíveis em: <www.egp.ce.gov.br/trilha>. O programa Ceará Um Só converge com o legado de Elinor Ostrom, para quem “a diversidade de formação e de experiência gera mais eficiência na solução de problemas”.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 27/11/25. Opinião. p.17.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Dia do Sanitarista - 2026

Hoje celebramos o Dia do Sanitarista, uma data para reconhecer profissionais que dedicam suas trajetórias à promoção da saúde, à equidade e ao fortalecimento das políticas públicas no Brasil.

Destacamos o líder do GPECS Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, médico sanitarista cuja atuação representa o compromisso com a Saúde Coletiva, a gestão responsável e a defesa de um sistema de saúde mais justo e eficiente. Sua contribuição reforça a importância do olhar técnico, ético e humano na construção e no aprimoramento do SUS.

O GPECS homenageia todos os sanitaristas que, por meio da pesquisa, da gestão e da prática em saúde, trabalham diariamente para melhorar as condições de vida da população.

Nosso respeito e reconhecimento!

#DiaDoSanitarista #SaúdeColetiva #SUS #EconomiaDaSaúde #GPECS SaúdePública Sanitaristas

 https://www.instagram.com/p/DTBPrtzkcoF/?igsh=aWFreGQ3emQ2NWg1


Quando a emenda é pior que o soneto

Por Romeu Duarte Junior (*)

Depois de inúmeras horas de debate, de diversas audiências públicas e de várias proposições discutidas entre os vereadores e a comunidade, o Plano Diretor Participativo (PDP), em processo de revisão e atualização, se vê agora ferido de morte como diploma legal em razão do seu atropelamento por um "emendão". Cacifado pelas assinaturas de 34 edis, 33 deles pertencendo ao grupo de apoio do chefe do executivo municipal, fica difícil, para não dizer impossível, que a manobra não tenha sido preparada no círculo que protege o prefeito e com o conhecimento e a anuência deste. Apiedo-me das pessoas e instituições que perderam o seu precioso tempo tentando contribuir para melhorar a Cidade e defendê-la de más práticas. Valendo: o murro na mesa e a alteração de regras.

Em plena COP-30, justo quando são discutidas alternativas ambientais para o planeta, esta nossa sofrida casa, vê-se que o tal "emendão" é composto de propostas que têm como objetivo, da forma mais descarada, retirar o status de preservação de áreas verdes, desmatar setores urbanos frágeis e acrescidos no período de discussão da minuta do plano e construir onde não se deve. A face emblemática dessa articulação é o centro logístico do aeroporto de Fortaleza, cuja construção custará a supressão da Floresta do Cocorote. É claro que um processo de produção de possibilidades de uso e ocupação da terra urbana, com a definição de indicadores urbanísticos e zoneamentos, envolve tensão e disputa. Contudo, como fica o interesse da coletividade? Vai para a lata de lixo?

Fala-se que quem mexe os cordéis nesse teatro de marionetes é o mercado imobiliário e a construção civil, segmentos que desejam que a Cidade seja somente uma folha de papel em branco, a-histórica, sem predicados ambientais e à mercê dos seus desígnios. Mecanismos criados na base da sorrelfa e à socapa, tais como a tal "transição flexível", viabilizam a construção de obras que seriam simplesmente proibidas se fosse mantida a redação original do PDP. Ao ver de muitos, o "emendão" elimina as Zonas de Preservação Ambiental (ZPAs), as Zonas de Patrimônio Cultural (ZPCs), as Áreas de Relevante Interesse Cultural (ARICs) e as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), dando banana para a garantia da justiça socioambiental e a reverência à memória e à natureza.

Parece que mais uma vez, por motivo da ação dos podres poderes, perderemos uma excelente oportunidade de elaborar a lei maior da Cidade de forma equilibrada e justa, na qual prevaleça a vontade da maioria, principalmente a das faixas mais humildes da população, e não somente os projetos de quem quer investir e ganhar dinheiro no espaço urbano. Como dizia a minha saudosa mãezinha, caixão de defunto não tem gaveta. Até quando ficaremos reféns da ganância e do arbítrio? Fortaleza, que no ano vindouro, completa 300 anos de vida, caminha celeremente para os 3 milhões de habitantes sem contar com uma infraestrutura urbana que atenda às suas demandas. Nossa Capital não é apenas o Meireles e a Aldeota. Enquanto isso, ela sussurra: "Decifra-me ou devoro-te...".

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/11/25. Vida & Arte. p.2.

Crônica: “7x7 com gosto de... empate em 7 a 7!” ... e outro causo

7x7 com gosto de... empate em 7 a 7!

Lembram de Nonatim, guarda-valas do time da localidade de Pirangi, em Quixadá? Primo do lateral direito Potengi? Nonatim responsável-mor pelo vexame que foi levar seu time a amargar o placar de 9x1 para um adversário ainda no primeiro tempo de jogo, graças à medicação "Calmocitan" que tomou antes da refrega, pra debelar uma ansiedade? E que ficou grogue, arquejando sob os três paus? Rapazote comedor de panelada?

Pois bem. Seis meses após o traumatizante escore, o time de Nonatim, já à época do desastre contando com o lateral Potengi - namorado da amiga Claudinha, preparava-se para voltar às quatro linhas do gramado com o firme propósito de reverter a má fama de timeco, sobretudo da pecha "caldobilançativa" do nervoso arqueiro Nonatim. Difícil campeonato à frente teriam, responsabilidade "monstra" a de apagar a nódoa dos 9x1.

Onzena escalada pelo técnico, ninguém menos que Potengi, o jogo era num domingo ensolarado, começo de tarde. O adversário, a bem armada esquadra do Alto do Putiú, na localidade de Café Campestre, distante uma légua dali. Ir a pé, nem pensar! Daí contrataram uma Rural, que fazia frete no mercado, para transporte das mercadorias. (Precavido, Potengi convidou atletas profissionais pra evitar nova lapada, e armou uma com Nonatim, crente que seria o goleiro.)

Na beira da estrada se encontra a delegação, bem uns 15. "A Rural véa" apontou na curva, lotada, até a tampa de gente e bichos e coisas da feira. A hora avançada, porém, não permitia fossem feitas duas viagens. "Vai todo mundo logo é na ruma!", gritou o roupeiro. Ponta direita no colo do chofer, alas sentados em espinhaço de bacurim, Nonatim dormindo no sobressalente...

- Vai acabar dando o prego, essa geringonça! - comentou a senhora nervosa.

- Deixa! Se quebrar, nós empurra! - respondeu Galego, com o ombro no virabrequim.

A um quilômetro de Café Campestre, Rural subindo o Alto do Putiú, não deu outra: pifou! O jeito foi o plantel descer e empurrá-la até o beiço do campo, com os passageiros originários lá dentro, devidamente abancados. Suor escorrendo, xingamentos troando, gente rolando ladeira abaixo, risadagem nervosa ante a possibilidade d'alguém despencar. Alegria quando o half esquerdo Mateia, enfim, gritou:

- Caaaaalma! Caaaaalma! Cheguemo, meus queridos atletas do drama!

Equipe em campo às exatas 14h, moçada banida do cansaço da empurração. E apenas um objetivo em mente: evitar Nonatim correr pro gol, ele que fora escalado por Potengi, na surdina, pra ser agora o distribuidor de dindin com os jogadores. A lembrança do 9x1 assombrava demais. E não é que deu certo?!? Chicão, o novo goal-keeper, reflexos duma jaguatirica, jogou muito, pegou quase todas, e ainda ganhou medalha e dinheirinho.

O time, graças a Deus, livrou-se do pesadelo d'outrora com um volumoso e oportuno empate em 7x7. "Mas não perdemo!", comemorou Chicão. Jogo pesado, bicho garantido. E assim nasceu a lenda da "Rural do Alto do Putiú", em que heróis comunitários provaram que, com união e tutano nas canelas, vexames viram histórias "épicas e epicêntricas".

Um misto pra estação lunar...

Manel saiu cedo da fazenda, na Pitombeira, em direção ao centro da cidade. Foi pedir a dona Fransquinha uma ajuda para transportar a mãe - morta há pouco - ao cemitério.

- Fico encabulado, mas, como tamo sem dinheiro pra pagar um misto e trazer mãe pra ser enterrada aqui... - lamenta-se o moço.

- Quanto é isso? - perguntou Fransquinha, na boa.

- Uns três mil reais...

- Três mil?!? Peraí, Manel!!! Tu vai levar tua mãe direto pro céu, é?...

Fonte: O POVO, de 5/12/2025. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

A América do Sul não é Quintal de Ninguém

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O mundo vive uma completa desordem e um clima de hostilidade e descaso pela soberania das nações e os direitos humanos. O declínio acelerado do império dos EUA não pode mais conter a ascensão do sul global. Por conta disso, sucedem-se as ameaças protecionistas e de agressões armadas justificadas pela atual elite dirigente norte-americana como necessárias para preservar sua segurança e seus interesses nacionais. Velhos chavões como a "Doutrina Monroe" e o "Destino Manifesto" voltam à cena para reafirmar os supostos direitos dos EUA de intervir em seus vizinhos das Américas.

Os EUA têm hoje quase 10% de toda a sua imensa frota naval em operação no mar do Caribe e um grupo de ataque de porta-aviões norte-americano chegou próximo à costa da Venezuela e da Colômbia, nossos vizinhos.

Dado que os EUA já bombardearam pelo menos 20 pequenas embarcações acusadas sem provas de tráfico de droga, matando pelo menos 80 pessoas (a chamada Operação "Lança do Sul"), prevê-se que ataquem agora alvos terrestres na Venezuela, num claro objetivo de promover uma mudança de regime no país (eufemismo para deposição violenta de seu presidente), tema de um debate acalorado em curso na mídia internacional apontando para os riscos de uma escalada militar em um continente que tem sido há quase um século uma zona de paz como é a América do Sul.

Mesmo deixando de lado a questão da identidade das pessoas eliminadas nos barcos abatidos pela Marinha de Guerra dos EUA, não há qualquer fundamento para estes ataques, nem na legislação norte-americana nem no Direito Internacional. Mesmo assim, isso não impediu a administração Donald Trump de tentar criar uma justificação legal para os mesmos, referindo-se aos alegados traficantes como "combatentes inimigos ilegais". O termo foi agora ressuscitado para justificar a execução extrajudicial de suspeitos de tráfico de droga, comparando-os a terroristas.

O que é mais estranho nessa estória é que muita gente no Brasil apoia e parece vibrar com essa agressão naval contra os pretensos narcotraficantes no Caribe. Alguns políticos chegaram até a defender de forma venal e impatriótica uma ação semelhante na baía da Guanabara. O que muitos não entendem é que tudo isso é uma cortina de fumaça e desinformação para ocultar os reais desígnios da elite dos EUA de intervir toda vez que achar necessário em algum país da região para mudar governos incômodos a seus interesses econômicos e colocar no poder títeres e sequazes locais que lhes sejam favoráveis e funcionais.

A América do Sul não é quintal de ninguém e seus países são independentes e soberanos. Seus povos merecem respeito e esperam a condenação mundial a tais tentativas de intervenção e rapina em seus territórios.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 23/11/25. Opinião. p.22.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

UM BLOG EM EVOLUÇÃO – a marcha de 2025

Em 31/12/2025, o blog atingiu o patamar de 223.410 acessos, com o adicional de 11.980 visitas durante o ano recém-concluído, correspondentes a uma média de 998 acessos mensais.

Em 2025, foram 695 postagens, conferindo em média 57,9 por mês; isso, em parte, ocorreu porque, principalmente, nos finais de semana, o blog exibia duas ou mais inserções por dia. Em relação ao ano de 2024, houve um implemento de 25 postagens. Ao término deste ano, o Blog acumulou 8.863 postagens.

A regularidade e a qualidade das postagens, assim como a sua diversidade de temas, entre outras razões, têm cooperado para garantir a fidelidade dos visitantes usuais e o acolhimento de adesões ao blog. Neste ano, várias crônicas publicadas pelo editor do blog nas mídias impressas e aqui inseridas como postagens foram replicadas em grupos de WhatsApp, logrando boa repercussão entre os leitores.

De acordo com o contador do blog, confrontando com o ano anterior, teria ocorrido um aumento da ordem, de apenas, 5,5% no total de acessos, mas é bem provável que uma considerável parcela das visitas não esteja sendo computados por motivos operacionais do contador. Esses números, no entanto, podem não espelhar uma situação real, porquanto há postagens que atraíram, isoladamente, centenas de acessos, o que se pode intuir erros de contagem.

Com efeito, ratificando essa comprensão, nota-se no Blogger que muitas postagens atingiram centenas de acessos, e algumas dessas alcançaram mais de mil registros, enquanto o contador do blog indicava algomo como quinhentos acessos cumulativos no mês.

Enfim, assinalo o meu agradecimento a todos que me brindaram com suas visitas ao Blog e ofereço votos de que experienciem um venturoso ano de 2026.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Administrador do Blog do Marcelo Gurgel


 

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