Por Pe.
Raimundo Neto (*)
Conheço padre Antonio Carlos, hoje dom
Antonio Carlos, desde que ele era seminarista. Sua família morava na Paróquia
de São Vicente de Paulo, no bairro Dionísio Torres, e ele foi acolhido pelo meu
antecessor, padre Mariano Rocha Matos (in memoriam), e por mim também.
Dom Antonio Carlos, bispo auxiliar da Arquidiocese
de Fortaleza, é um homem marcado pela simplicidade e humildade, de voz pausada
e mansa, sem perder a galhardia de um “gentleman”. Possui trato fino com
os colegas sacerdotes e proximidade com os leigos. Indubitavelmente, foi esse
um dos motivos pelos quais foi escolhido bispo de nossa Igreja Católica Romana.
Formado em Direito Canônico e exercendo suas funções no Tribunal Eclesiástico
com competência e acolhimento, nunca foi sabujo de ninguém a fim de receber
prestígios ou galgar alto posto na hierarquia da Igreja. Tornou-se bispo pelo
chamado de Deus e de sua vontade.
Com a ordenação de um bispo, a Igreja
renasce e se configura sempre de novo, assegurando a sucessão apostólica
ininterrupta, desde os primeiros discípulos de Jesus. É bom saber que o
episcopado não é um carreirismo, uma honraria, mas um serviço que nasce da
amizade com Cristo. “Já não vos chamo de servos, mas amigos” (João 15,15). O
ministério confiado aos bispos é um serviço ao Amigo (Jesus), é a doação da
vida por amor. Por isso, o episcopado é um caminho de entrega, sacrifício, cruz
e oferta da vida. A centralidade de si mesmo e o destaque precisam desaparecer
para que Cristo, seu Evangelho e os mais humildes estejam no centro.
Devemos olhar para o bispo com o olhar
da fé, ou seja, da visão teológica. E o que o olhar da fé diz sobre o nosso
bispo auxiliar, dom Antonio Carlos? Ele é um enviado de Deus, “bendito o que vem em
nome do Senhor” (Mateus 21,9). É um sucessor dos doze apóstolos. É o mestre da
fé, da doutrina e do culto sagrado. É aquele que, à semelhança de Jesus, lava
os pés de seus discípulos (João 13,16). É o servidor do Evangelho. É aquele que
está em comunhão com o Colégio Episcopal e com o Romano Pontífice, o papa. É um
irmão, pai e amigo. É chamado a viver a espiritualidade de Marta e Maria (Lucas
10,38). Por fim, é aquele que recebeu o múnus de santificar, ensinar e
governar.
Dom Antonio Carlos, Sua Excelência,
revestido da autoridade de Cristo, é o arauto da fé, doutor autêntico da fé
apostólica. Receba de seus irmãos padres as mais expressivas boas-vindas. Que
Deus lhe dê o discernimento e a paresia para enfrentar as borrascas que o mundo
contemporâneo nos apresenta. O multilateralismo, as polarizações, as inversões
axiológicas, ou seja, a perda dos valores, que são desafios da nossa sociedade
moderna, sejam combatidos pelo seu ministério episcopal.
Que o Senhor Jesus o abençoe e o faça um
pastor segundo o coração de Deus.
(*) Sacerdote. Vigário paroquial da Paróquia de São Vicente de Paulo.
Fonte: O Povo, de 4/02/2026. Opinião. p.15.

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