Por
Fernando Barroso (*)
Nos dias de hoje um dos temas mais
debatidos, é sem dúvida a grande proliferação de escolas médicas, essa
profissão nobilíssima, desde os primórdios da humanidade. Há relatos que temos
no Brasil aproximadamente 500 escolas médicas na atualidade e este número é
mesmo inexato, e somente de janeiro de 2024 até setembro deste ano, mais 77
escolas médicas foram criadas e estima-se que mais de 50000 médicos se formam
por ano, e só perdemos para Índia, que tem 600 escolas médicas, porém tem 1,4
bilhões de habitantes.
Podemos dizer que na busca de resolver o
problema, criamos um maior. Existe uma plêiade de questões envolvidas: Não
temos professores suficientes para o ensino, estas faculdades em sua maioria
não têm um Hospital escola para treinamento destes estudantes, e esse trinômio
professor, hospital e paciente, é essencial para a formação adequada.
Infelizmente corremos o risco de formar profissionais despreparadas para o
exercício e as vagas de residência médica, um campo de prática necessário, não
são suficientes.
A medicina é uma das profissões mais nobres
que alguém pode escolher, aprendemos desde cedo que a saúde é o bem maior que
temos e precisa ser preservado. O curso de medicina exige muita dedicação nos
estudos, nos plantões, nas noites mal dormidas, na angústia de ter que dar um
diagnóstico correto ou mesmo decidir qual a melhor conduta, fazendo que muitas
vezes nos deparemos com a vida e a morte, e esta então temos que aprender a
lidar, sem jamais perdermos a esperança ou o sentimento de compaixão com a dor do
paciente ou seus familiares.
Inevitavelmente me questiono o que pode ser
feito para atenuar essa situação, pois nos últimos anos vimos a criação de
programas de governo, como Mais médicos ou o mesmo o Mais Especialistas, mas
lamentavelmente não acompanham em termos proporcionais os milhares de novos
médicos e novas escolas que pululam do mar ao sertão.
Talvez nossa missão no momento, seja
alertar e até mesmo apelar para o sentimento de compaixão para com os
pacientes, de se ter empatia, tentar entender a dor e o desespero do outro,
preservando a sua privacidade e se desvencilhando de qualquer preconceito ou
vaidade pessoal, e tudo isso precisa ser exercitado, para minimizar as
deficiências de uma formação médica sob riscos claros de degeneração.
Se espera dos médicos a santidade, a
bondade, a resiliência, a caridade, o acolhimento, as boas virtudes, a
compreensão e talvez atitudes sobre-humanas mesmo, mas eu ouso afirmar que o
principal requisito é gostar de gente, do contrário jamais deveria abraçar essa
profissão.
Que possamos seguir e que essa discussão
não seja esquecida, pois toda a sociedade paga o preço por essa situação.
(*) Professor
da UFC e chefe da Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital
Universitário Walter Cantídio. Membro titular da Academia Cearense de Medicina.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/01/2026.
Opinião. p.17.

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