terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Desafios da educação na Região Metropolitana de Fortaleza

Por Sofia Lerche Vieira (*)

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) é um todo complexo, multifacetado e desigual. Agrega 19 municípios marcados por grandes disparidades econômicas e educacionais. Se de um lado, está a cidade com maior renda per capita do estado (São Gonçalo do Amarante), que abriga um pujante distrito industrial e o Porto do Pecém; de outro, localiza-se o território de maior população carcerária do estado (Itaitinga), situação responsável pelo aumento do fluxo de mobilidade de familiares desta população.

Compreender a realidade educacional desse território requer cuidadoso exercício de reflexão. A isto se propõe o projeto Política Educacional no Ceará: Igualdade de Condições para o Acesso e Permanência na Escola" (nov./2023-abr./2026).

Desenvolvido com apoio financeiro da Funcap, por equipe da Uece, sob nossa coordenação, a iniciativa tem foco na formação de novos pesquisadores e envolve mestrandos e doutorandos do PPGE da referida universidade.

A pesquisa aborda as interfaces entre o território, a diversificação da oferta e a desigualdade, procurando desvendar as estratégias de gestão educacional e escolar na região e em cada um desses municípios.

Os primeiros achados da pesquisa indicam que não há uma relação direta entre a capacidade econômica dos municípios e o desempenho de suas redes de ensino. Nesta perspectiva, é oportuno considerar o caráter estratégico da gestão educacional e da gestão escolar.

O bom desempenho das redes não significa apenas ostentar melhores indicadores, mas, contribuir para a melhoria efetiva da qualidade de vida da população e a ascensão socioeconômica dos egressos da escola pública.

Num contexto de diversificação da oferta na região, a expansão da escola de tempo integral cria novas desigualdades, uma vez que os alunos das escolas regulares são privados dos benefícios que esta modalidade traz. O território, por sua vez, é o espaço por excelência onde tudo acontece, inclusive e sobretudo, a vida sob o signo da onipresença das facções. Mudar tal realidade é desafio para o Poder Público. Essas outras questões serão tratadas em artigos próximos.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/26. Opinião. p.22.

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