Por Sofia Lerche Vieira (*)
A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) é
um todo complexo, multifacetado e desigual. Agrega 19 municípios marcados
por grandes disparidades econômicas e educacionais. Se de um lado, está a
cidade com maior renda per capita do estado (São Gonçalo do
Amarante), que abriga um pujante distrito industrial e o Porto do Pecém; de
outro, localiza-se o território de maior população carcerária do estado
(Itaitinga), situação responsável pelo aumento do fluxo de mobilidade de
familiares desta população.
Compreender a realidade educacional desse
território requer cuidadoso exercício de reflexão. A isto se propõe o projeto
Política Educacional no Ceará: Igualdade de Condições para o Acesso e
Permanência na Escola" (nov./2023-abr./2026).
Desenvolvido com apoio financeiro da
Funcap, por equipe da Uece, sob nossa coordenação, a iniciativa tem foco na
formação de novos pesquisadores e envolve mestrandos e doutorandos do PPGE da
referida universidade.
A pesquisa aborda as interfaces entre o
território, a diversificação da oferta e a desigualdade, procurando
desvendar as estratégias de gestão educacional e escolar na região e em cada um
desses municípios.
Os primeiros achados da pesquisa indicam
que não há uma relação direta entre a capacidade econômica dos municípios e o
desempenho de suas redes de ensino. Nesta perspectiva, é oportuno considerar o
caráter estratégico da gestão educacional e da gestão escolar.
O bom desempenho das redes não significa
apenas ostentar melhores indicadores, mas, contribuir para a melhoria efetiva
da qualidade de vida da população e a ascensão socioeconômica dos egressos da
escola pública.
Num contexto de diversificação da oferta na
região, a expansão da escola de tempo integral cria novas desigualdades, uma
vez que os alunos das escolas regulares são privados dos benefícios que esta
modalidade traz. O território, por sua vez, é o espaço por excelência onde tudo
acontece, inclusive e sobretudo, a vida sob o signo da onipresença das facções.
Mudar tal realidade é desafio para o Poder Público. Essas outras questões serão
tratadas em artigos próximos.
(*) Professora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/26. Opinião. p.22.

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