domingo, 24 de maio de 2026

UMA SINGELA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Os pais, geralmente, intentam propiciar aos seus filhos todo conforto possível, mesmo os mais humildes e conforme suas possibilidades.

O filhote humano, ao nascer, é, dentre todas as criaturas, o mais desprotegido e, portanto, necessitado de mais cuidados.

O carinho e o afeto são laços, que nunca se devem romper, nem se confundir com o respeito, a gratidão, o amparo e, sobretudo, a autodeterminação. Filhos não são pajens, nem reféns da família. Devem ser educados para a realidade da vida, nos seus contraditórios, nas suas avenidas, como nas suas picadas.

O ninho familiar, por mais aconchegante que seja, não pode esconder os espinhos da jornada, que deverá encetar, sob a justificativa de proteção. O conforto eterno paralisa o dinamismo mental e o aconchego excessivo acomoda e congela a definição de rumos, a inserção social e a busca de sonhos: assim, os filhos nunca partirão para construir sua autonomia.

Lembro-me aqui do que fazem as águias. Aos seus filhotes nada falta, mas, quando ‘adolescem’, o ninho é desfeito e eles são impelidos a iniciarem seus voos. É o desconforto que os impulsiona a assumirem o poder de suas asas, que os obriga a crescer e a buscar seus sonhos.

O dever é carregá-los na sua pequenez, todavia, mais tarde, é fazê-los sentir a firmeza de seus pés e a pujança de seus sonhos, bem como ajudá-los a descobrir que podem e devem administrar sua vida: seu crescer não pode ser apenas físico, mas conjuntural, no holismo, que a vida abrange: social, econômico, ético, moral, espiritual.

Conforto demais é prisão e não amor. Mantém eternos bebês, quando o mundo precisa de homens e mulheres de escol e de fé.

O bem viver atrela-se, prioritariamente, a escolhas do querer e à determinação da mente, que jamais serão substabelecidas.

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/04/26.

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