Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Os pais, geralmente, intentam propiciar aos
seus filhos todo conforto possível, mesmo os mais humildes e conforme suas
possibilidades.
O filhote humano, ao nascer, é, dentre
todas as criaturas, o mais desprotegido e, portanto, necessitado de mais
cuidados.
O carinho e o afeto são laços, que nunca se
devem romper, nem se confundir com o respeito, a gratidão, o amparo e,
sobretudo, a autodeterminação. Filhos não são pajens, nem reféns da família.
Devem ser educados para a realidade da vida, nos seus contraditórios, nas suas
avenidas, como nas suas picadas.
O ninho familiar, por mais aconchegante que
seja, não pode esconder os espinhos da jornada, que deverá encetar, sob a
justificativa de proteção. O conforto eterno paralisa o dinamismo mental e o
aconchego excessivo acomoda e congela a definição de rumos, a inserção social e
a busca de sonhos: assim, os filhos nunca partirão para construir sua
autonomia.
Lembro-me aqui do que fazem as águias. Aos
seus filhotes nada falta, mas, quando ‘adolescem’, o ninho é desfeito e eles
são impelidos a iniciarem seus voos. É o desconforto que os impulsiona a
assumirem o poder de suas asas, que os obriga a crescer e a buscar seus sonhos.
O dever é carregá-los na sua pequenez,
todavia, mais tarde, é fazê-los sentir a firmeza de seus pés e a pujança de
seus sonhos, bem como ajudá-los a descobrir que podem e devem administrar sua
vida: seu crescer não pode ser apenas físico, mas conjuntural, no holismo, que
a vida abrange: social, econômico, ético, moral, espiritual.
Conforto demais é prisão e não amor. Mantém
eternos bebês, quando o mundo precisa de homens e mulheres de escol e de fé.
O bem viver atrela-se, prioritariamente, a
escolhas do querer e à determinação da mente, que jamais serão substabelecidas.
Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/04/26.

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