Uma professora de
uma escola médica foi fazer um curso na área de Saúde Pública, em um país
insular, no começo da década de setenta do século passado, com duração de
apenas dois meses. Quando retornou ao Brasil, ela, dizendo-se acostumada ao
castelhano, só queria hablar, tendo “esquecido” o idioma pátrio.
Esse comportamento
atípico perdurou, por algumas semanas, quando, um dia, ela se encontrava
sozinha em seu gabinete de trabalho, e apareceu uma barata voadora, traçando um
voo rasante. Foi aí que ela passou a gritar:
– Una
cucaracha! Una cucaracha!
Como não viesse
ninguém em seu socorro, ela gritou ainda mais alto, quase urrando:
– Una
cucaracha!!! “Una cucaracha!!!
De novo, nenhuma
viv’alma veio a acudi-la.
Já no desespero,
pelando-se de medo do inseto, coevo dos dinossauros, ela lembrou-se do nome
vulgar da Periplaneta americana em nosso vernáculo:
– Uma barata! Uma
barata!
De pronto, entrou
um servente que, sem pena nem dó, pegou um chinelo e liquidou a intrusa, no
caso, a barata, tão sensível aos jatos de “superflit”, da época.
Depois desse
choque, a tal professora esqueceu o castelhano e reaprendeu o português, sua
língua materna.
De vez em quando,
entretanto, só de ver uma barata, ela dava os seus pulinhos, querendo passar um
atestado de feminilidade, com base no que, no popular, se diz: “Mulher de
verdade é a que tem medo de barata”.
Marcelo Gurgel
Carlos da Silva
Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos
Escritores
Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza:
Edição do Autor, 2022. 144p. p.76.
SILVA, M.G.C. da. Causo
médico: medo de cucaracha. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Setembro de 2024 - Edição n.37. p. 18 (online). (Doc. Nº 8.2.740).

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