segunda-feira, 25 de maio de 2026

A EDUCAÇÃO SEM ESCOLA POLÍTICA

Por Raimundo Padilha (*)

No ensino superior quando foi quebrado o sistema seriado, substituído pela oferta por disciplina, se deu uma ruptura na educação política. No sistema seriado as turmas fechadas com seus 40 ou 50 alunos, facilmente eram identificados os seus líderes e com eles formados os seus Centros Acadêmicos, uma excelente escola de formação política. As suas lideranças se revelavam e eram facilmente identificadas.

Desta estrutura foram forjados líderes, que posteriormente foram atraídos para a militância político partidária levando valores que passaram a ocupar os parlamentos municipais, estaduais e federais. O nível médio dos parlamentares era bem mais elevado do que os atuais, tendo como consequência um debate de conteúdo e um maior e melhor nível de projetos.

O pensamento deles era voltado para a sociedade, ao contrário do que predomina hoje, que são voltados para os interesses pessoais dos próprios políticos, tendo como exemplo o absurdo de emendas parlamentares. A maioria dos eleitores não sabe em quem votou e a comunicação dos parlamentares com o eleitorado se dá predominantemente no período eleitoral à caça de votos para suas eleições e/ou reeleições. As casas legislativas não são avaliadas pelos seus eleitores, tendo como consequência mandatos sucessivos, quase que se transformando num emprego vitalício. E ainda há, o chamado "baixo clero", que vegeta e dorme em todo o seu mandato. É muito triste e pobre, o nosso parlamento, respeitadas as raríssimas exceções. Precisamos de muitas reformas e quem tem coragem de propor, se a nossa política é da conveniência pessoal? Está cômodo para eles e o povão que se lasque.

Foi apagado o processo de formação de líderes e ninguém contesta o fechamento da antiga escola política, nem alunos, nem professores. É como se estivéssemos no estado da arte, embora, com um parlamento fraco e sem visão de futuro. E onde está o MEC, que não enxerga o mal causado pelo período militar e que ainda persiste? Por conveniência, miopia ou frouxidão, nesta área, nada ou quase nada se faz no nosso país, a superficialidade é o que predomina.

Quando estudante do curso ginasial, hoje ensino fundamental participei ativamente dos Grêmios Literários. Eram verdadeiras escolas de formação política, havendo inclusive eleições bastante disputadas. Nos grêmios se praticava o exercício da oratória, de artes cênicas, dentre outras manifestações culturais. Isto era a base da formação de um caldo de cultura que tinha prosseguimento no período universitário, para aqueles vocacionados, sendo um caminho aberto para as atividades político partidárias. Daí o contraste entre os políticos de ontem e de hoje.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 15/04/26. Opinião. p.21.


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