Por Raimundo Padilha (*)
Estamos entrando
em clima de Copa do Mundo. O técnico da seleção brasileira já anunciou a
convocação de 26 jogadores. Embora estejamos com um dos mais consagrados
técnicos do mundo, não deixa de ser um momento difícil a escolha dos
convocados. As torcidas vibram quando os seus ídolos são anunciados. O Brasil é
penta
campeão, mas há
mais de 20 anos não traz o troféu. Tivemos uma fase áurea do futebol e hoje,
embora, com alguns valores individuais não temos conquistado a taça. No dia do
anúncio o clima era de expectativa, principalmente, para se saber se
Neymar seria ou não convocado. A sua convocação era defendida pela grande
maioria dos torcedores.
Acho que um bom
time precisa do binômio talento individual e espírito de equipe (entrosamento).
E são 11 que precisam estar bem alinhados, Assim, não foi fácil a escolha do
técnico Carlo Ancelotti. Pessoalmente, achei longo o período de observação dos
jogadores e muito curto o período de treinos para ser criado o espírito de
equipe.
Particularmente
quanto à convocação do Neymar, talvez, tenha sido a maior dificuldade do
Ancelotti. Neymar ainda é um craque, mas já não é o craque de ontem,
embora o seu nome ainda pese. Historicamente, ele é muito marcado e recebe
muitas faltas passando longos períodos fora de campo.
Acho que o
técnico passou pelo seguinte dilema: se não convocar o Neymar e perder a
copa, a culpa é dele (técnico), mas se escalar o Neymar e perder a taça a culpa
será do jogador. Não desejo que Neymar assuma o peso desta responsabilidade que
poderá comprometer o seu desempenho. Quero que entre em campo fazendo o que ele
ainda pode fazer de melhor. Ele tem o apoio de toda a torcida brasileira e dos
seus 10 companheiros, que ainda veem nele um talento.
E justiça lhe
seja feita ele tem noção das quatro linhas, da bola redonda, das traves e dos
seus companheiros de equipe. E isto ele vai levar para toda a sua vida, mas a
idade vai limitando o seu desempenho. E isto é da natureza humana.
Mas, é bom
lembrar que somos 26 e todos têm muito valor e responsabilidade pela camisa que
vestem. Enfim, somos penta. E temos raça.
Aliás, a propósito
de raça, no mundo temos várias raças: a branca, a negra, a parda, a amarela e a
indígena.
No futebol
brasileiro e na música, os melhores têm sido da raça negra. Pelo menos, esta é
a minha observação pessoal. E isto se constitui num grande valor, que pode
eliminar a má ideia dos preconceituosos. A nossa arte musical, principalmente,
no samba, no baião, no chorinho e no rap, a predominância com talento e
elegância é a raça negra que melhor nos representa.
No futebol/arte é
da mesma forma. Basta lembrar de Zizinho, Didi, Pelé, Garrincha, Barbosa,
Jairzinho, Djalma Santos e tantos outros, que para orgulho nosso vestiram a
camisa canarinha. Sem demérito das demais, a raça negra é orgulho nacional.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 10/06/26. Opinião. p.17.

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