segunda-feira, 13 de julho de 2026

SELEÇÃO, SAMBA E RAÇAS

 Por Raimundo Padilha (*)

Estamos entrando em clima de Copa do Mundo. O técnico da seleção brasileira já anunciou a convocação de 26 jogadores. Embora estejamos com um dos mais consagrados técnicos do mundo, não deixa de ser um momento difícil a escolha dos convocados. As torcidas vibram quando os seus ídolos são anunciados. O Brasil é penta

campeão, mas há mais de 20 anos não traz o troféu. Tivemos uma fase áurea do futebol e hoje, embora, com alguns valores individuais não temos conquistado a taça. No dia do anúncio o clima era de expectativa, principalmente, para se saber se Neymar seria ou não convocado. A sua convocação era defendida pela grande maioria dos torcedores.

Acho que um bom time precisa do binômio talento individual e espírito de equipe (entrosamento). E são 11 que precisam estar bem alinhados, Assim, não foi fácil a escolha do técnico Carlo Ancelotti. Pessoalmente, achei longo o período de observação dos jogadores e muito curto o período de treinos para ser criado o espírito de equipe.

Particularmente quanto à convocação do Neymar, talvez, tenha sido a maior dificuldade do Ancelotti. Neymar ainda é um craque, mas já não é o craque de ontem, embora o seu nome ainda pese. Historicamente, ele é muito marcado e recebe muitas faltas passando longos períodos fora de campo.

Acho que o técnico passou pelo seguinte dilema: se não convocar o Neymar e perder a copa, a culpa é dele (técnico), mas se escalar o Neymar e perder a taça a culpa será do jogador. Não desejo que Neymar assuma o peso desta responsabilidade que poderá comprometer o seu desempenho. Quero que entre em campo fazendo o que ele ainda pode fazer de melhor. Ele tem o apoio de toda a torcida brasileira e dos seus 10 companheiros, que ainda veem nele um talento.

E justiça lhe seja feita ele tem noção das quatro linhas, da bola redonda, das traves e dos seus companheiros de equipe. E isto ele vai levar para toda a sua vida, mas a idade vai limitando o seu desempenho. E isto é da natureza humana.

Mas, é bom lembrar que somos 26 e todos têm muito valor e responsabilidade pela camisa que vestem. Enfim, somos penta. E temos raça.

Aliás, a propósito de raça, no mundo temos várias raças: a branca, a negra, a parda, a amarela e a indígena.

No futebol brasileiro e na música, os melhores têm sido da raça negra. Pelo menos, esta é a minha observação pessoal. E isto se constitui num grande valor, que pode eliminar a má ideia dos preconceituosos. A nossa arte musical, principalmente, no samba, no baião, no chorinho e no rap, a predominância com talento e elegância é a raça negra que melhor nos representa.

No futebol/arte é da mesma forma. Basta lembrar de Zizinho, Didi, Pelé, Garrincha, Barbosa, Jairzinho, Djalma Santos e tantos outros, que para orgulho nosso vestiram a camisa canarinha. Sem demérito das demais, a raça negra é orgulho nacional.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 10/06/26. Opinião. p.17.

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