Por Ana Margarida Furtado
Arruda Rosemberg (*)
Ontem, 1º de setembro de 2026, partiu um querido confrade
da Academia Cearense de Medicina.
Hoje, ao recordá-lo, quero fazê-lo através daquilo que
tantas vezes nos encantou: a Arte, esse território onde a Medicina também
encontra a sua mais profunda dimensão humana.
Penso na célebre tela de André Brouillet, “Uma lição
clínica na Salpêtrière”, que eternizou o professor Jean-Martin Charcot diante
de seus alunos, em uma das mais emblemáticas cenas da história da Medicina.
Ali, ciência, observação, sofrimento humano e Arte se encontram em uma mesma
imagem.
Essa obra, que tantas vezes nos aproximou em conversas e
reflexões, hoje adquire, para mim, um significado ainda mais profundo, pois a
escolhi, entre tantas outras, para a capa do meu livro, com o intuito de
homenagear o Dr. Flávio Leitão.
O médico que partiu deixa de estar entre nós, mas
permanece na memória daqueles e daquelas que tiveram o privilégio de
compartilhar sua presença, sua amizade e sua dedicação à Medicina e à luta por
uma sociedade mais igualitária e justa.
Que a Arte seja também hoje uma forma de dizer adeus e
que permaneça, na memória de seus confrades e confreiras, a imagem de um homem
que soube compreender que a Medicina é ciência, mas também é humanidade e que,
como na grande Arte, cuidar é, antes de tudo, saber olhar.
À sua memória, minha homenagem, meu carinho, meu respeito
e minha saudade.
Descanse em paz, querido confrade!
Fortaleza, 2 de setembro de 2026
(*) Da Academia Cearense de Medicina e da Sobrames/CE.

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