segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lavagem nasal não causa mastoidite

Por Daniel Pinheiro (*)

O recente internamento de um comunicador cearense  por mastoidite aguda despertou preocupação e gerou um debate nas redes sociais. Como ele relatou ter realizado uma lavagem nasal antes do início dos sintomas, muitas pessoas passaram a estabelecer uma relação direta entre o procedimento e a doença. Essa associação, entretanto, não encontra respaldo nas evidências científicas.

A mastoidite é uma infecção do osso localizado atrás da orelha, a mastoide, e quase sempre representa uma complicação de uma otite média aguda. Embora hoje seja incomum graças ao uso dos antibióticos, continua sendo uma condição potencialmente grave, capaz de provocar perda auditiva, meningite e outras complicações quando o tratamento é retardado.

É importante esclarecer: a lavagem nasal com soro fisiológico não causa mastoidite. Pelo contrário, ela é recomendada pelas principais sociedades médicas para o tratamento da rinite e da rinossinusite. Quando realizada corretamente, melhora o funcionamento da mucosa nasal, facilita a eliminação de secreções e pode, inclusive, reduzir a ocorrência de otites, especialmente em crianças.

Como qualquer procedimento, entretanto, exige técnica adequada. O uso de pressão excessiva, principalmente durante episódios de intensa congestão nasal, pode provocar desconforto nos ouvidos e, em situações específicas, favorecer a passagem de secreções para a tuba auditiva. Se houver uma infecção respiratória em curso, isso pode contribuir para o aparecimento de uma otite. A mastoidite, quando ocorre, decorre da evolução dessa infecção do ouvido - não da lavagem nasal.

Criar uma relação de causa e efeito entre a irrigação nasal e a mastoidite pode produzir um efeito indesejado: afastar pacientes de um tratamento simples, seguro e eficaz por medo de uma complicação extremamente rara.

Mais do que procurar culpados, este caso deve servir para reafirmar o valor da informação baseada em evidências. Em tempos de conclusões apressadas, a ciência continua sendo o caminho mais seguro para orientar decisões que envolvem a saúde. Afinal, informação de qualidade também salva vidas.

(*) Médico otorrinolaringologista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/07/2026. Opinião. p.18.


domingo, 30 de agosto de 2026

Causo Médico: A EQUIPE DE DISSECAÇÃO MATRIARCAL

Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem merecem ser compartilhadas.

Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.

Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria, talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.

Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus, autor De Re Medica, após um longo período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos corpos de pessoas falecidas.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio jubilado da Associação Médica Cearense

* Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022: 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.90.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de dissecação matriarcal. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41. p.6-7. (online).


Encontrar Deus nas pequenas coisas: o legado de Santo Inácio

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

No dia 31 de julho, a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus e um dos maiores mestres da espiritualidade cristã. Diferentemente do que fazemos ao comemorar aniversários, a liturgia recorda o dia de sua páscoa definitiva, sua entrada na vida eterna. Mais do que recordar uma data, celebramos o testemunho de uma vida que continua iluminando pessoas em busca de sentido.

Vivemos um tempo marcado pela velocidade, pela hiperconectividade e pela dificuldade de permanecer em silêncio. Somos constantemente estimulados a produzir, responder e consumir, mas pouco ensinados a contemplar. É justamente nesse cenário que a espiritualidade inaciana revela toda a sua atualidade. Santo Inácio nos convida a desacelerar, a discernir e a reconhecer que Deus continua presente na simplicidade da vida.

Seu ensinamento mais conhecido, "encontrar Deus em todas as coisas", é um verdadeiro caminho de transformação. Deus não se manifesta apenas em acontecimentos extraordinários ou em momentos de intensa emoção religiosa. Ele também está na mesa compartilhada em família, no trabalho realizado com honestidade, no gesto de perdão, na escuta atenta, na contemplação da natureza e no cuidado com o outro.

Essa espiritualidade torna-se necessária dentro das famílias. Em meio às telas, às agendas cheias e à convivência cada vez mais apressada, corremos o risco de estarmos fisicamente próximos, mas emocionalmente distantes. Santo Inácio nos recorda que a presença é uma forma de amor e que Deus costuma falar nos espaços onde existe atenção, escuta e disponibilidade interior.

Pausa não representa perda de tempo, mas exercício de sabedoria. Quando silenciamos o coração, reorganizamos os afetos e recuperamos a capacidade de perceber a presença amorosa de Deus no cotidiano. Essa também é a inspiração de Tempo de Pausa e Calma: recordar que a serenidade nasce da confiança em Deus e da disposição de viver cada instante com profundidade.

Celebrar Santo Inácio é renovar esse convite. Em um mundo fascinado pelo extraordinário, talvez a maior revolução espiritual seja aprender a reconhecer Deus nas pequenas coisas.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 25/07/2026. Opinião. p.22.


sábado, 29 de agosto de 2026

Evento literário comemorativo dos 85 anos do Sindicato dos Médicos do Ceará

O Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), como um momento muito especial dentro das celebrações de seus 85 anos de história, realizou no Piazza Aldeota, na noite de ontem, 28 de agosto de 2026, o lançamento da obra "Escritos e prescritos: as mãos que curam também escrevem".

Trata-se de um livro, organizado por Vanessa Gomes de Moraes e impresso na Expressão Gráfica, que reúne textos de médicos autores e celebra a sensibilidade, a cultura e a riqueza da produção literária da classe médica.

Dessa antologia literária, participam 20 (vinte) autores, dos quais sete (Edmar Fernandes, Fernando Furtado, Luiz Barbosa, Fernando Melo. Francisco Eleutério, Marcelo Gurgel e Maria Sidneuma) são sócios da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE), sendo os quatro últimos mencionados, também, membros titulares da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes).

Tomei parte dessa obra, publicando o texto: “Nossos elóquios acadêmicos” In: Sindicato dos Médicos do Ceará. Fortaleza: Simec/Expressão, 2026. 144p. p.88-91.

Congratulações merecidas cabem à atual diretoria do Simec e, especialmente, ao seu presidente Edmar Fernandes de Araújo Filho, por tão louvável iniciativa no da cultura.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE e da Acemes


Sob o manto da mãe do Carmelo

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Há amores que o tempo não apaga. Há experiências de Deus que marcam a alma para sempre. E há devoções que se tornam morada permanente dentro do coração sacerdotal. Assim é minha relação com Nossa Senhora do Carmo.

Sou padre, filho do Carmelo por vocação e amor, hoje diocesano pois a Providência me conduziu pelos caminhos da Igreja e me confiou uma missão diferente daquela que um dia imaginei viver. Contudo, existe algo que nunca deixei para trás: meu amor profundo pela Mãe do Carmelo. Ainda carrego no peito o santo escapulário, ainda me emociono ao ouvir os antigos cantos carmelitas, ainda sinto o perfume espiritual do Carmelo cada vez que pronuncio o nome daquela que sempre considerei minha Mãe, minha Rainha e minha Protetora.

Meu sacerdócio foi consagrado a ela, a Obra Evangelizar é Preciso a tem como Madrinha. E, enquanto eu tiver voz, falarei da beleza da força do escapulário e da ternura da Virgem Santíssima.

Foi Ela quem me tomou pela mão nos dias de prova e quem me conduziu à fonte da compaixão sacerdotal. Ao celebrarmos sua festa, quero partilhar um pouco desse afeto e da graça que recebi, para que outros também encontrem refúgio no manto da Mãe do Carmelo.

Quantas vezes, nos momentos difíceis do meu ministério, segurei o escapulário e rezei em silêncio! Quantas vezes senti que a Virgem do Carmo me sustentava quando minhas forças humanas já não bastavam!

E posso testemunhar: Maria jamais abandona os filhos que a ela se consagram.

Existe uma razão ainda mais profunda pela qual prometi anunciar a Mãe do Carmelo por onde eu passar.

Num tempo de angústia, minha família passou por uma provação, com um diagnóstico de câncer. Foi então que recorri à Mãe do Carmelo e pedi pela minha irmã. Não como padre. Não como alguém forte. Mas como um filho necessitado do colo da mãe. Em oração, clamei à Mãe do Carmo com a simplicidade de quem confia tudo à Sua Mãe. Foi nessa confiança que vi brotar a graça da cura. Não nego a ação dos tratamentos; porém, para nós, aquele restabelecimento teve o caráter de um milagre, uma luz que revelou a presença materna de Maria em meio à nossa dor.

Diante dessa graça intensifiquei minha promessa: por onde eu for, proclamarei o amor de Nossa Senhora do Carmo e recomendarei o escapulário como sinal de consagração e proteção.

Muitas vezes, vejo pessoas usando o Escapulário do Carmo como se fosse um "patuá", ou um simples ornamento. Meus filhos e filhas, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina no parágrafo que a religiosidade popular, como o uso de sacramentais, deve ser uma extensão da vida litúrgica da Igreja (cf. CIC 1674).

O Escapulário é um Sacramental. Diz o Catecismo: "Os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela." CIC (1670).

Quando você coloca o Escapulário, você está dizendo: "Maria, eu sou Teu". É como se você estivesse vestindo a "farda" da Rainha. E uma Rainha nunca deixa um soldado Seu desamparado no meio da batalha.

Por isso, reforço: o escapulário do Carmelo não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda nossa pertença a Cristo por Maria; é chamado à conversão diária, à oração e à perseverança. Vestir-se do escapulário é vestir-se da confiança filial que nos impele a viver segundo o Evangelho.

Nossa Senhora do Carmo nos ensina a contemplação ativa: juntar a oração ao serviço, o recolhimento à caridade, o silêncio à palavra que consola. Ela não é um fim em si mesma, mas a estrada segura que nos leva ao Filho. No Carmelo aprendi que todo gesto mariano deve desembocar no mistério pascal de Cristo - e foi essa verdade que quis levar comigo ao me tornar padre diocesano.

Convido vocês a entregar a vida a Maria: confiar-lhe as angústias, entregar aos cuidados da Mãe, sua casa. Colocar no peito o escapulário como lembrete de uma filial pertença. Quem se entrega verdadeiramente a Maria jamais caminha sozinho.

Que a Mãe do Carmelo, a Virgem que acompanha os passos dos seus filhos, interceda por nós e nos conduza sempre mais perto do seu Filho Jesus.

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 11/07/2026. Opinião. p.22.


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crônica: A colega doutora ... e outros causos

A colega doutora

Gente boa o Neto, homem de bem com quem é bom estar. Servidor e simpático, sóbrio é esse sujeito maravilhoso; lasca quando toma umas pôde a mais, aí é boneco federal, o que não inibe em absoluto a percepção que dele temos acerca do reconhecido valor humano. Sucede que o amigo, de poucas letras, aprontou de novo e foi chamado a responder processo, aberto pela própria esposa em momento de justificável aperreio.

E já está ele diante da juíza - audiência remota. A competente advogada dá as devidas orientações, no sentido de seu cliente tratar com "respeito e educação a digníssima juíza". Que use termos condizentes, mantenha a calma e responda apenas o que for perguntado. Mas vemos um Neto tenso, em risco de baldear o juízo e botar a causa a perder.

A advogada, cautelosa, reforça:

— Ao dirigir-se à meritíssima juíza, chame-a de doutora! Ou de excelência! Ouviu, Neto?

— Na hora, dona Maria!

Final da audiência e a douta juíza prolata:

— Sr. Francisco Neto, pelo que vejo, o senhor, réu primário, não é pessoa má, apenas mais uma vítima do álcool. Por isso, sua pena será a prestação de serviços comunitários.

— Obrigado, colega!!! Maravilha, colega!!!

Juíza ouviu os "colegas" e se riu, entendendo o contexto. Pediu maternal:

— Aproveite (o serviço comunitário) que é numa escola e estude. Seja decente e brilhe!

— Eita, dotorinha! A senhora é só o mí disbuiado!

Ô, taria!

Clarice é esperta. Cinco aninhos e, ouvidos atentos, sabe muito bem o que dizem em derredor, escutando com perfeição a coisa proferida. Estamos na casa da avó Dijé que, na sala, assiste às arrumações do marido-vovô em brincadeiras ingênuas com a netinharada ("calango na parede", "João atrepa", "carrapicho"). Lá pelas tantas, Dijé solta a forma foneticamente reduzida da palavra que, em seu uso informal, é utilizada para descrever bagunça, injustiça, diversão, fulerage, cachorrada...

— Ô taria!!!

Clarice, vigilante, vai até onde está Dijé e, professoral, corrige.

— Vó!!! Não é "taria"! É putaria! Aprende!

Fé muita, fé demais!

Primeiro ano de namoro do casal e Leléo leva Madinha pra passar final de semana na casa dos pais. Domingo bem cedo, é praxe, o jovem sai para o grupo de oração. Madinha fica, entabulando boa conversa com a cunhada. 10 horas da manhã e a moça sente cólicas - vontade urgente e súbita de evacuar. Corre em busca do banheiro. De lá, liga encabulada pro namorado; ele, absorto no culto, "pedindo, agradecendo e louvando o Senhor", não ouve a chamada. Uma, duas, três tentativas... Até que deu certo.

— Oi, amor! Jesus contigo!

— Para, Leléo! O negócio aqui fedeu! Fala baixo! Não volte pra casa sem um...

— ... sem um bocado de louvores abençoados pra te embalar, nunquinha!!!

— Não, Leléo! Não volte sem um desentupidor, o sanitário entalou! Tô no banheiro da sala, traga sem fazer enxame!

Largando vexado o culto, ele compra o desentupidor e, provando que o Senhor lhe tocou o coração, um buquê de rosas. Em casa, Evangelho de João palpitando ainda, entrega a "ferramenta de limpeza de desobstruir vasos sanitários" e as flores, murmurando discreto, na porta entreaberta do banheiro.

— Madinha, na casa de meu Pai há muitas moradas!

— É? Então por que justamente na sua a privada enguiçou? Hein? Me fala!

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Quem ganhou a copa? Espanha ou Japão?

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Nas corridas de cavalos na Inglaterra, quando havia apenas um competidor apto a disputar a prova, bastava caminhar (to walk) até o ponto de chegada para ser considerado vencedor, sem precisar competir de fato.

Neste caso, para indicar uma vitória por ausência do adversário, ou sem competição, passou-se a usar a expressão inglesa "Walkover" - depois abreviada para W.O., a designar vencedor sem contenda.

A Espanha ganhou, com disputa, a tradicional Copa, mas, se tivéssemos criado a Copa do Meio Ambiente, o Japão teria ganho todos os jogos por W.O., porque sua torcida deu exemplo ao recolher, sempre, o lixo nas arquibancadas, após os jogos nipônicos.

Como um dos coordenadores do Programa de Escolas Associadas à Unesco, fui um dos visitantes a colégios japoneses quando, entre outras atividades, assistimos a aulas juntamente com as crianças. No final da manhã, os estudantes formam várias equipes. Uma delas transforma as carteiras escolares em mesas para o almoço, que se dá na própria sala de aula. Alguns vão à cozinha e trazem os alimentos. Um grupo deles serve-os. Outros recolhem a louça e as sobras. Após a refeição, uns limpam a sala e removem as cestas de lixo.

O que os japoneses fizeram na Copa do Mundo não foi sacrifício algum. Faz parte de sua cultura. Para quem viu tudo isso, não foi surpresa observar que, no metrô, em atenção aos vizinhos, as pessoas não usam o telemóvel por voz e se comunicam apenas com mensagens, para evitar o incômodo a terceiros. No aeroporto, há cabines telefônicas sem telefone exclusivamente para o uso de celulares.

O garçom não aceita gorjeta e se ofende se você deseja concedê-la. Para eles, o bom serviço independe de gratificação. Objetos e dinheiro são recebidos com as duas mãos. Cumprimentos não são feitos com mãos a trocar bactérias senão por mesuras; e, quanto maior o respeito, maior a curvatura do corpo.

Valorizam os mais velhos, as hierarquias, as autoridades, o próximo, a disciplina, os valores coletivos, o bem comum, a harmonia entre tradição e modernidade, a educação e a priorização do social sobre o individual. Chegaremos lá? 

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/07/26. Opinião, p.18.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A GENTE PRECISA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A gente precisa dar-se conta de que uma decepção pode transformar admiração em ódio.

A gente precisa aprender que ingratidão substitui a humildade por orgulho.

A gente precisa descobrir que usura transforma a fraternidade em egoísmo e a luxúria, prazer em produto.

A gente precisa saber que intolerância pode habitar ‘guetos’ de tolerância e criar preconceitos, falseando conceitos e deturpando crenças.

A gente precisa entender que injustiça veste a roupa da mentira na verdade e transforma justiça em subterfúgios escabrosos.

A gente precisa aprender que gratidão enobrece a alma, consolida a humanidade, humilha o orgulho, despreza a vaidade e engrandece o espírito.

A gente precisa entender que o caráter da amizade tem o selo da confiança. Uma vez quebrada, quebra também o caráter e finda por triturar também a amizade.

A gente precisa aprender a viver o perdão; ele é uma prova de amor e não prova ou garantia de merecimento.

A gente precisa aprender que a sinceridade do perdão se assemelha a ondas do mar que apagam a ofensa escrita na areia.

A gente precisa compreender que uma ofensa, posta debaixo de uma pedra, permanece e, em qualquer momento, a pedra pode rolar.

A gente precisa tomar consciência de que o nada nada no nada.

Uma boa terça-feira, com as bênçãos de Deus!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 30/06/26.


UMA NOVA DOENÇA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Um novo e sinistro mal acomete os brasileiros e as brasileiras: as tais plataformas de apostas esportivas, também conhecidas como bets, nome derivado do verbo bet que em inglês significa apostar. Não que só agora o nosso povo descobriu essa mania; a população brazuca sempre se viu envolvida com algum tipo de jogo, seja o do bicho, seja o carteado, seja o turfe, seja a loteria, seja o bingo, seja qualquer atividade lúdica em que o azar, esta triste palavra, esteja envolvida.

Todavia, se no passado essas manias se davam com base no "vale o escrito", nestes tempos que correm, as bets operam na velocidade do algoritmo, gerando uma espécie de vício que faz adoecer as pessoas, estas cada vez mais incontroláveis em suas tentativas de ganhar dinheiro, cruéis fracassos.

Essa doença é alimentada por duas características da nossa sociedade: a aversão ao planejamento e a irresponsabilidade financeira. O gosto pelo lema "deixa a vida me levar, ao léu e ao deus-dará" é o leitmotiv de muita gente boa por aí. De outra parte, estourar cartão de crédito, esbanjar o que não se tem, comprar coisas desnecessárias ou fúteis são atos que desenham a cara da turma que costuma frequentar a fila do Serasa.

Há absurdos tais como muitos beneficiados pelo programa Bolsa Família apostarem tudo o que têm e o que não têm no jogo do tigrinho, virando reféns de uma roleta russa ignominiosa. Não são mais seres humanos, são zumbis, são drogados que precisam da heroína do jogo constante para seguir vivendo, se é que isso é vida. Nada fácil a situação.

O governo federal, preocupado com o endividamento dos apostadores e de suas famílias, criou regras para a publicidade das bets, tal como faz em relação ao cigarro. O Ministério da Fazenda tornou obrigatória a exibição de advertências relativas à jogatina, bem como ampliou as restrições quanto ao conteúdo das propagandas, principalmente aquelas que incentivam as apostas como forma de amealhar caraminguás ou que se utilizem de figuras populares para influenciar o respeitável público.

Realmente, dá raiva ver jogador de futebol que até bem pouco tempo tinha uma imagem sagrada, se revelar, na verdade, um santinho do pau oco vendendo enganosas facilidades na televisão e nas redes sociais. Quem sabe se não foi essa nova pandemia o que acabou com a nossa seleção?

Especialistas, por seu turno, informam que só o aviso repreensivo não basta. Há que se contar com fiscalização tecnológica, tratamento médico para dependentes, programas de educação financeira e mecanismos rigorosos de controle de gastos. O Desenrola está por aí, resolvendo o buraco das finanças pessoais arrasadas com dinheiro público, mais um gargalo administrativo.

Com certeza, esse assunto mais a segurança pública serão os temas mais abordados neste ano eleitoral. Com a cabeça zonza de tanto pensar no momentoso e angustiante problema, deixei a crônica de lado e fui respirar no jardim. Lá fora, dois sujeitos conversavam. "Aposto dez paus que nos próximos cinco minutos não passa nenhuma Topic 703 aqui na Antônio Sales". Ah, Brasil, tem jeito não...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/07/26. Vida & Arte. p.2.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Ler os cearás com água na boca

Por Izabel Gurgel (*)

Picolé de Jardim, embalado em papel Riacho. Desmancha-se no céu da boca a poesia geladinha. Jardim é um dos municípios do Cariri cearense. O picolé, uma das joias do Ceará. Cajá, castanha, tapioca, tamarindo. E mais sabores.

Wolga é refrigerante feito em Ipu. A memória registrou como Volga, o nome do rio. A etimologia, "do proto-eslavo", dá em "umidade, estado de molhado". Vi no site Origem da Palavra.

Ao ver Wolga, com "w" e não "v", pensei no café Wal-Can, de Waldemar Cavalcante, salvo um deslize outro da memória.

Em Juazeiro do Norte, a padaria Santa Liduina faz a bolacha Melindrosa, sequinha, quebra fácil à primeira mordida, com percussão. Tem uma Santa Liduina pertinho da Matriz de N. Sra. das Dores e outra na rua Santa Luzia, pertinho do mercado no Centro.

No Dicio, dicionário on line, escolhi três referências a melindre: "melindre em espanhol é o nome dado a vários tipos de doces, significando por extensão sutileza, delicadeza"; na culinária, é um "tipo de bolo de mel"; e "tendência da pessoa que se magoa com facilidade, especialmente por coisa sem muita importância". Curioso que a gente quase não usa para dizer homem melindroso. Deu nas melindrosas dos anos de 1920, virou fantasia de Carnaval. O desenho do vestir, vi em vestido, agora em 2026, na coleção Chanel. Dona Chanel dizia que buscava para as mulheres um figurino simples, digamos assim, como o dos homens.

Juazeiro do Norte consagrou a bolacha Lídia nas celebrações de entronização (e, a cada ano, renovação) do Sagrado Coração nas residências. O pesquisador Renato Dantas me contou da presença da bolacha, que levava o nome da filha do dono da panificação, nas mesas das famílias mais modestas em dias festivos em torno do sagrado coração do Filho.

Canjirão pra mim é sinônimo de tijolinho/tijolão de castanha da região do Aracati. No mercado de Aracati, soube há anos do "melhor canjirão" feito em forno a lenha. Vinha no Fortim. O cheiro do fogo na madeira preservado no sabor. Vi na semana coroada pelo jogo e torcida da Argentina um canjirão com rótulo dizendo da origem em Morada Nova.

Por falar em Argentina, Ceará é também uma delícia em doce de leite. De tantos modos quanto são as mãos que tocam o serviço. A mensal Feira da Reforma Agrária em Fortaleza, no Centro Frei Humberto, no bairro São João do Tauape, tem doce de leite de várias procedências. O último que levei pra casa não veio de lá, mas da banca de caldo de cana na estrada de Canindé, à esquerda de quem acaba de sair da estrada que vem de Maranguape. Sem rótulo, o bem cozido leite com açúcar é de Paramoti.

Volto à região do Aracati levada pelo cheiro da cozinha de Toinho Correia, do Cumbe, Toinho da Tenda do Cumbe que honrou as dunas e a paisagem de Canoa Quebrada com maravilhas como o bife da vovó (empanado) e o atolado de caranguejo, um risoto que viajava para festas sob encomenda e reinava onde quer que fosse servido. Patinhas empanadas estampam a travessa como jogadores de futebol, cheios de apetite por jogo, bordam o campo. Toinho é um craque nos doces. O de leite criou devoção. E me faz lembrar o de Dona Clarice, no Canindé do Peixe do Tião. Pra pirar, tem pirão. À beira do açude.

Sangrando corações das papilas gustativas. Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Vida & Arte, p.2.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Desenvolvimento integral da educação superior

Por Cândido B.C. Neto (*)

A pactuação feita pelos entes federados há mais de dez anos, com ampla participação das comunidades educacionais do País, foi responsável pela elaboração e implementação das estratégias dos planos decenais da educação, a partir do nosso Plano Nacional de Educação- PNE, Lei Nª 13.005 (2015-2025). O documento teve o regime de colaboração e a participação social.

A centralidade do direito à educação, da qualidade, da equidade, da inclusão e da aprendizagem serviram para a implementação das políticas públicas da Educação. A consideração de múltiplas fontes de dados oficiais, incluindo informações demográficas, sociais, econômicas e territoriais, subsidiaram o Programa de Desenvolvimento Integral da Educação Superior do Ceará (MAPP 241).

A especificidade exige a constante busca do equilíbrio entre o desenvolvimento dos saberes e inovações produzidas pelas Instituições de Educação Superior e o compromisso social do atendimento às demandas históricas e ascensão social do cidadão.

Por isso, estão entre os nossos objetivos garantir a elevação nas matrículas, além da permanência e da conclusão dos cursos, que resultarão no desenvolvimento local e na redução das desigualdades sociais e regionais, visando alcançarmos o pleno funcionamento do Sistema Estadual de Educação (SEE).

Foi destacada a necessidade de ampliação da infraestrutura e da acessibilidade, diante da democratização do ingresso, tendo como cenário os avanços da educação a distância, o Governo do Estado dispõe sobre a implantação da Universidade Aberta do Brasil, no âmbito do Ceará (Lei Nº 16.316 - 14/08/2017), mediante a criação de polos de apoio presencial.

Destacamos, nesse momento de universalização da educação superior do Ceará, que o principal objetivo dessa Lei é oferecer cursos superiores para capacitação dos nossos dirigentes, gestores e trabalhadores da educação, setor produtivo e população em geral, à luz dos direitos constitucionais e humanos. Faz parte da nossa missão, a defesa da educação humanista e a promoção de uma cultura de paz.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/07/26. Opinião. p.18.


BREXIT: Dez anos depois, a economia avalia

Por Lauro Chaves Neto (*)

Dez anos após o referendo que retirou o Reino Unido da União Europeia, o Brexit passou do campo das promessas para o da avaliação empírica.

Antes do Brexit, quase metade das exportações britânicas destinava-se ao mercado europeu. A saída do bloco introduziu barreiras alfandegárias, custos regulatórios e maior burocracia, especialmente pequenas e médias empresas. O resultado foi uma perda de dinamismo comercial e uma redução da competitividade.

Estimativas do Office for Budget Responsibility (OBR) indicam que o Brexit deverá reduzir, no longo prazo, cerca de 4% do PIB potencial do Reino Unido em relação ao cenário de permanência na União Europeia. Estudos do Banco da Inglaterra apontam que o investimento empresarial permaneceu aproximadamente 15% abaixo do que seria esperado sem a ruptura, refletindo a elevada incerteza institucional. O comércio de bens com a União Europeia sofreu desaceleração, enquanto setores como agricultura, logística, hotelaria e saúde passaram a enfrentar escassez de mão de obra em razão das novas restrições migratórias.

É verdade que o Reino Unido firmou novos acordos comerciais, recuperou autonomia regulatória e fortaleceu o controle sobre sua política migratória. Entretanto, os ganhos econômicos decorrentes dessas medidas ficaram muito aquém das perdas provocadas pela redução da integração com seu principal parceiro.

A experiência britânica revela um aspecto preocupante: decisões econômicas estruturais podem ser fortemente influenciadas por agendas políticas e identitárias. O debate público privilegiou temas como imigração e nacionalismo, relegando a segundo plano questões centrais como produtividade, investimentos e crescimento de longo prazo.

O maior ensinamento do Brexit é que, na economia contemporânea, soberania e integração não são conceitos antagônicos!

Em um mundo organizado por cadeias globais de valor, inovação e fluxo internacional de capitais, competitividade depende da capacidade de cooperar, e não apenas de decidir de forma independente, independência só gera prosperidade quando é acompanhada de produtividade, inovação e competitividade.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 20/07/26. Opinião. p.18.


domingo, 23 de agosto de 2026

Melissa Gurgel, professora titular da FEQ/Unicamp

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Minha sobrinha Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ/UNICAMP). Ela já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice de sua carreira acadêmica, cujo currículo já apresenta mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um destes em Stuttgart, na Alemanha.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo, segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier.

Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.

Postagens sobre Melissa no blog "Linha do Tempo":

2009 MELISSA APROVADA

2010 O COBEQ DE 2010

2016 MEURIS E MELISSA, ORIENTADORAS DE TESE DE MESTRADO

2023 NO RANKING DOS PESQUISADORES INFLUENTES

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 31/08/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2026/08/melissa-gurgel-professora-titular-da.html


AS 3 ENFERMEIRAS NO CÉU

Por coincidência ou não do destino, três enfermeiras morrem no mesmo dia e chegam aos portões do Céu. E lá estão São Pedro com o histórico de cada uma delas. E então pergunta à primeira o que ela fez em vida:

"Eu trabalhei no pronto-socorro praticamente toda a minha vida. Salvei muita gente e sempre dei o meu melhor para salvar a todos. Em alguns casos infelizmente perdi alguns pacientes, mas acho que mesmo assim mereço estar no Paraíso, pois dediquei minha vida a outras vidas".

Então São Pedro a deixou entrar, e pergunta então sobre o histórico da segunda enfermeira, que diz:

"Eu trabalhei na sala de operações com os médicos, auxiliando em cirurgias complicadíssimas nas quais a vida do paciente estava em risco. Eu passei por situações de muito estresse e também infelizmente não salvei alguns pacientes, mas por minha dedicação eu acho que mereço ir para o Paraíso."

São Pedro a deixa entrar e pergunta à última enfermeira:

"E você, o que fez em sua carreira de enfermeira?"

Ela responde:

"Eu trabalhei a vida toda em uma empresa de planos de saúde e era a responsável por admitir ou não os pacientes em emergência. Nem sempre podia aceitá-los. Sabe como é..."

Então São Pedro olha para ela, verifica todo o seu histórico de vida e pega uma calculadora. Ele fez muitas e muitas contas e volta a checar o histórico dela. Depois de quase meia hora calculando, ele diz:

"Parabéns! Você foi aceita e pode ficar no Paraíso... por três dias!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


O PÓS-OPERATÓRIO NO DENTISTA

Um homem vai parar no hospital depois de uma queda e passa por uma longa e complicada cirurgia. Por causa da complexidade do caso, ele foi operado em um hospital de primeira linha, e com anestesia geral.

Algumas horas depois da operação, ele acorda e lentamente volta a consciência, até que vê o cirurgião dentista se aproximar. Ele senta na cadeira ao lado e diz:

— Tenho boas e más notícias a respeito da sua cirurgia. Não fique nervoso, mas a boa notícia é que consegui salvar todos os seus dentes!

O paciente fica todo feliz, ainda um pouco atordoado e zonzo por causa da anestesia, e responde:

— Mas que maravilha, doutor! Isso é uma ótima notícia. Ter meus dentes salvos era tudo que eu queria, por isso nem consigo imaginar qual seria a má notícia. Diga-me, qual é?

O dentista levanta, tira um vidrinho do bolso e diz:

— Tome! Aqui estão eles!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 22 de agosto de 2026

A AVENTURA AMOROSA

Um casal que teve seu primeiro encontro decide ir para um hotel para consumar o início de uma aventura amorosa. Quando estão a caminho do hotel, o homem percebe que não tem dinheiro e combina com a mulher que ela cuidará dos R$ 300 que custariam a diária, e que no dia seguinte ele devolveria para ela.

Com efeito, no dia seguinte, conforme prometido, o homem decide enviar-lhe um cheque através da sua secretária, mas para que ela não saiba da relação que existia entre os dois, ele faz-lhe entender que o dinheiro é um pagamento referente ao aluguel de um apartamento.

No entanto, ele decide enviar um cheque de apenas R$ 200, em vez dos R$ 300 acordados, e apresenta os seguintes motivos:

Prezada senhora:

Estou lhe enviando R$ 200 em vez dos R$ 300 acordados como pagamento do apartamento que aluguei, porque esperava outra coisa:

1. Eu estava esperando um apartamento novo.

2. Que tivesse aquecimento.

3. Que fosse pequeno e acabou sendo exatamente o contrário, porque era usado, era frio e grande.

Sinceramente,

Sr. Insatisfeito.

Ao receber isso, a mulher responde:

Prezado Senhor Insatisfeito:

Estou devolvendo seu dinheiro porque realmente não preciso dele, mas devo lhe dizer com referência ao que diz sua carta, que o senhor precisa saber:

1. Que um apartamento tão lindo não poderia ser totalmente novo.

2. Que certamente o senhor não soube ligar o aquecimento.

3. Que não é minha culpa que o senhor não tenha mobília suficiente para encher o apartamento.

Sinceramente,

A proprietária

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


O VELHINHO NO OCULISTA!

Um velhinho já de idade bastante avançada vai ao oculista. Chegando lá, o médico começa a fazer o exame como de costume. Coloca o paciente um pouco distante da placa com as letras de tamanhos diferentes e pergunta:

— O que o senhor vê na fileira de baixo? Quais são as letras?

E o velhinho responde:

— Ih, doutor, não consigo responder isso para o senhor.

Então o médico sobe uma linha acima, com letras maiores, e faz as mesmas perguntas:

— E agora? O que o senhor vê?

O velhinho diz: — Continuo sem entender, doutor...

O médico estranha. Mesmo com idade avançada, não é possível que não conseguisse enxergar as letras. Então ele aponta para as maiores e faz a mesma pergunta. O velhinho responde a mesma coisa:

— Doutor, não entendo nada. —

– Muito estranho.... – diz o médico

– Acredito que vamos ter que operar o senhor.

No dia seguinte, a operação foi feita. Depois, o médico pergunta ao velhinho:

— E então? Como se sente?

— O senhor acha mesmo que agora eu vou conseguir ler, doutor?

— Claro que sim – diz o médico

– Sua cirurgia foi um sucesso!

E o velhinho responde:

— Que bom! Eu não sabia que a medicina estava assim tão avançada! Até ontem eu não conseguia ler nada porque era analfabeto!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


 

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