Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Na vida, acontecem muitas coisas, pois, sem
acontecer coisas, a vida fenece e deita-se no vácuo.
Acontecem coisas simples e labirínticas,
herméticas e transparentes, plurais e diversas, semelhantes e diferentes,
amistosas e irônicas, hilárias e tristonhas, destruidoras e edificantes,
decepcionantes e motivadoras. Todas elas chegam como visitas, muitas passam ao
largo, porém algumas ficam como residentes e outras, se deixar, somente se eu
permitir, ficam fantasmas a me importunar e a me tentar estorvar.
As coisas, que me interpelam, eu falo com
elas. As coisas, que me ironizam, eu as analiso. As coisas amistosas e
sinceras, eu caminho com elas. As coisas mascaradas, eu desconfio delas. As
coisas dissimuladas e vazias, eu as descarto. As coisas, surpresas
desagradáveis, eu as busco ‘resiliar’. As coisas sonhadas, eu acordo com elas.
As coisas deprimentes e decepcionantes, atiro-as de mim. As coisas hilárias, eu
sorrio com elas.
Apesar de todo esmero, há coisas que
salpicam, grudam e não desgrudam, mas calam-se ao serem calcadas, com a força
proativa da resiliência.
Há, porém, outro tipo de coisas, mais
robustas e mais vigorosas, por vezes, contundentes, são as coisas que me
mergulham e nelas eu imerjo, rastreio seus calcáreos, meço sua profundidade e
delas emerjo. Novas aprendizagens, asas mais fortes para voos mais audazes, sem
perder a prudência e a humildade de um simples e sábio andarilho.
Dulcia non merit qui non gustat amara (tradução livre:
Ninguém merece o doce, sem nunca ter provado o amargo).
A todos desejo uma boa quaresma e uma
agradável quarta-feira, com as bênçãos de Deus !!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 18/02/26.

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