quinta-feira, 12 de março de 2026

HUMILDADE: riqueza de espirito, ousadia da inteligência

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Não sei de onde vens. Mas sei onde nasceste.

Quando a terra apareceu, no mundo criado, o cheiro do Humus esparramou-se pelo planeta, fez primeiro o Homo e deu nome à Humanidade.

E foi daí que se fez ’humilis’, ‘humilitas’, a humildade.

Somos terra, da terra viemos.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Antes de tudo, é preciso ter clareza de que humildade nunca foi sinônimo de humilhação, de ignomínia, tão pouco de renúncia à dignidade humana.

Considera-se um sentimento a ser cultivado, diante das nossas limitações, fragilidades, sem autodesprezo e também de nossos dons e valores, com modéstia e ausência de orgulho e presunção.

Qual húmus, singelo, rústico, porém de alta fertilidade, que faz brotar vida, do chão se eleva sem arrogância, sem prepotência, sem vaidade, não se sobrepondo a ninguém, nem exorbitando qualidades e virtudes.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Humildade cultiva-se na consciência do conhecimento de si mesmo, de seus limites. Conhecimento sincero que as entranhas não maquiam.

Humildade não é subordinação, nem alienação, é sabedoria do bem viver, da simplicidade e da pujança do crescer, crescer sempre. Não se opõe à riqueza, nem é característica da pobreza, é o sopro da alma a alçar voo altaneiro da sabedoria.

Nutre-se a humildade da simplicidade de pobres em espírito e de ricos de justiça e paz, de fraternidade de mente e coração. Associada à gratidão, traz os pajens da compaixão, da bondade e da generosidade. Fortalece laços familiares e consolida relacionamentos e promove um ambiente de suporte e de compreensão mútua.

Ao afirmar ‘só sei que nada sei’, expõe-se Sócrates, no que podemos nominar ‘humildade intelectual’: sua abertura ao conhecimento proporciona-lhe espaço para novas ideias, para novas aprendizagens, prontidão para aprender sempre e disposição para admitir seus erros. Erros, que a humildade corrige, mas o orgulho despreza e aniquila, no lodaçal de sua vaidade.

A humildade tem ouvidos ‘ativos’, palavras equilibradas, espirito sereno, cria saudável convivência, num ambiente de respeito, de ética e de valorização de todos, sem supremacia, nem desrespeito à dignidade de quem quer que seja.

Nos escritores latinos, encontramos, entre outros, em César ‘turris humilis’ (torre baixa) e em Virgílio ‘domus humilis’ (casa térrea). A conotação de miserável, de baixa condição veio do latim clássico. No entanto, foi o Cristianismo que nos legou essa visão de reconhecimento de nossas fragilidades e limitações contingentes.

Enfim, a humildade dá o sentimento exato do nosso bom senso, ao nos avaliarmos, em relação às outras pessoas.

E um líder humilde inspira confiança e enobrece lealdade. Cria um legado de empatia, respeito e colaboração.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Tenhamos um bom dia, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/02/26.


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