Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Não sei de onde vens. Mas sei onde
nasceste.
Quando a terra apareceu, no mundo criado, o
cheiro do Humus esparramou-se pelo planeta, fez primeiro o Homo e deu nome à
Humanidade.
E foi daí que se fez ’humilis’,
‘humilitas’, a humildade.
Somos terra, da terra viemos.
Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.
Antes de tudo, é preciso ter clareza de que
humildade nunca foi sinônimo de humilhação, de ignomínia, tão pouco de renúncia
à dignidade humana.
Considera-se um sentimento a ser cultivado,
diante das nossas limitações, fragilidades, sem autodesprezo e também de nossos
dons e valores, com modéstia e ausência de orgulho e presunção.
Qual húmus, singelo, rústico, porém de alta
fertilidade, que faz brotar vida, do chão se eleva sem arrogância, sem
prepotência, sem vaidade, não se sobrepondo a ninguém, nem exorbitando
qualidades e virtudes.
Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.
Humildade cultiva-se na consciência do
conhecimento de si mesmo, de seus limites. Conhecimento sincero que as
entranhas não maquiam.
Humildade não é subordinação, nem
alienação, é sabedoria do bem viver, da simplicidade e da pujança do crescer,
crescer sempre. Não se opõe à riqueza, nem é característica da pobreza, é o
sopro da alma a alçar voo altaneiro da sabedoria.
Nutre-se a humildade da simplicidade de
pobres em espírito e de ricos de justiça e paz, de fraternidade de mente e
coração. Associada à gratidão, traz os pajens da compaixão, da bondade e da
generosidade. Fortalece laços familiares e consolida relacionamentos e promove
um ambiente de suporte e de compreensão mútua.
Ao afirmar ‘só sei que nada sei’, expõe-se
Sócrates, no que podemos nominar ‘humildade intelectual’: sua abertura ao
conhecimento proporciona-lhe espaço para novas ideias, para novas
aprendizagens, prontidão para aprender sempre e disposição para admitir seus
erros. Erros, que a humildade corrige, mas o orgulho despreza e aniquila, no
lodaçal de sua vaidade.
A humildade tem ouvidos ‘ativos’, palavras
equilibradas, espirito sereno, cria saudável convivência, num ambiente de
respeito, de ética e de valorização de todos, sem supremacia, nem desrespeito à
dignidade de quem quer que seja.
Nos escritores latinos, encontramos, entre
outros, em César ‘turris humilis’ (torre baixa) e em Virgílio ‘domus humilis’
(casa térrea). A conotação de miserável, de baixa condição veio do latim
clássico. No entanto, foi o Cristianismo que nos legou essa visão de
reconhecimento de nossas fragilidades e limitações contingentes.
Enfim, a humildade dá o sentimento exato do
nosso bom senso, ao nos avaliarmos, em relação às outras pessoas.
E um líder humilde inspira confiança e
enobrece lealdade. Cria um legado de empatia, respeito e colaboração.
Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.
Tenhamos um bom dia, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/02/26.

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