quinta-feira, 4 de junho de 2026

SONHOS NOSSOS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Todos temos nossos sonhos, que vão moldar nossas vidas: sonhos profissionais, sonhos intimamente pessoais, sonhos amorosos, sonhos espirituais.

Muitas pessoas, porém, não conseguem realizá-los. Não há uma explicação tão simples das razões e causas. São muitas variáveis, todavia, pode-se tentar ver o epicentro.

Em nosso processo de socialização, vamos aprendendo a lidar com nossos desejos e nossa vontade. Em princípio, espelhamo-nos em nossa família e dela dependemos também na obtenção de nossos desejos: comida, roupas, diversão. Suas atitudes de passividade e acomodação, de resistência, de proatividade, de resiliência causam-nos forte influência. E tudo isso é absorvido pelo nosso self, mas não de forma totalmente irreversível ou imutável, embora fiquem sombras que nos podem assustar. Ninguém é carimbo, tampouco produto enlatado.

Mais tarde, quando vamos tomando consciência de nós e do mundo ao nosso redor, começamos a tecer nossos planos para colimar nossos sonhos. Essa primeira etapa não pode ser burlada, ela vai nos ajudar a perseguir o ‘como’ do ‘o quê’ de nossos sonhos.

A realização de qualquer sonho precisa de uma estratégia, mesmo os mais simples, aliás, não somos nós a seguir nossos sonhos, ao contrário, são eles nos devem seguir. E, para isso, é imperioso conhecer seu portifólio, analisar nosso potencial e as condições que precisamos criar e desenvolver para que eles se nos aprocheguem e nós, em nós, façamos o seu lar.

Nessa empreitada – não é nenhuma novidade – devemos fazer reajustes, corrigir falhas e praticar reparos. Essas atitudes convêm a todos, mas nem todos a seguem. Entram em ação o autoconhecimento e autocrítica, de maneira lhana como convém a pessoas proativas e resilientes, cujo caráter respalda-se na humildade e na honestidade, diante da realidade dos fatos, mesmo porque fantasiar, ignorar ou culpar nunca foram bons assessores.

 Narrativas e desculpas não servem para nada. Desespero e lágrimas entornam o caminhar e decepcionam os sonhos, afastando-os de nós e nos desfazendo deles. 

 Nossa atitude de ousadia ou de covardia para com nossos sonhos traz um sinete de nossos vagidos, porém, o entorpecimento é um hóspede vitalício a nos incomodar e chacoalhar, se não descobrirmos seu esconderijo em nós e não o trouxermos para o campo de batalha a fim de fazê-lo calar-se e podermos prosseguir com os sonhos que desejamos, queremos e nos dispomos a colimar.

Há muitas outras encruzilhadas, algumas insanas e ríspidas, no entanto, o fundamental está na capacidade real do protagonista e, é bom dar-se conta, ao alcance de qualquer mortal.

Aprender as nuances dos sonhos e saber discernir oportunidades e possibilidades, refazendo-nos e reajustando-nos impõem-se, ‘sine qua non’, pois, querermos alcançar objetivos, repetindo os mesmos erros das mesmas estratégias é caldo mais de burrice do que de ignorância. Não se vai ao céu, permanecendo na trilha do inferno, nem vice-versa.

“Quem sabe faz hora, nunca espera acontecer”, assim cantava Geraldo Vandré, ainda em 1968.

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/04/26.

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