"Avohaia" - a vaia que leva o avô paia
Mencionada
vaia eu levei dum menino de sete aninhos - o neto Bernardo. Tudo pela ausência
de comprovação de que já treinei no Fortaleza Esporte Clube -Tricolor de Aço do
Parque dos Campeonatos. Era o primeiro semestre de 1969, eu estive no Estádio
Alcides Santos, no Pici, levado pelo Jurandir Branco (Jurandir
"Ratinho", como o conhecíamos em São Gerardo), para mostrar alguma
habilidade no "dente de leite".
-
Com essa perna, vô? - pergunta curioso o amável netinho conversador.
-
Não, eu nem caxingava ainda.
-
Como foi nesse dia, no Leão?
-
A ruma de meninos em campo, Jurandir botou uma camisa no meu ombro, pediu que
eu vestisse e entrasse. Queria que eu desse uma de Croinha!
-
Fez gol?
-
Dez minutos, somente 10 gols!
-
Égua do vô!!! Se garantiu!!! Me mostre uma foto do senhor em campo!!!
-
Tem não, Bernardo!
-
Mas vô, como é que eu vou acreditar nesses 10 gols?
-
Minha palavra num vale?
-
Vale, com uma foto!!!
Não
deu outra - a "avohaia" comeu de esmola. Inda teve coice:
-
Esse vovô jogador é muito paia! Em campo, vô! Em campo!...
A outra foi com tia Dilurde
A
gente "véve" falando das coisas passadas, quando quase impossível era
comprová-las por imagem, e passamos por loroteiros. Desta vez fui eu que
duvidei de uma irmã de papai, na famosa história da dentadura. Nesse tempo não
havia a fotografia fácil do celular. Que o comprove tia Dilurde, na consulta ao
médico. Pela demora em ser atendida, foi ao banheiro. Terminado o serviço,
despiu a boca das próteses dentárias para lavá-las, e assim a Binaca (spray de
refrescar o hálito) fazer melhor efeito.
Desprovida
dos dentes postiços que levara com esmero, deixados sobre o tampo da pia
enquanto passava uma aguinha no rosto, ouviu seu nome ser chamado. Aperreada
por ser atendida pelo clínico geral, deixou o banheiro e o par de próteses
também. Já em atendimento, nem deu fé que estava banguela. O médico falou que
tia estava bem, mas...
-
... precisa só botar esses dentes!
-
Dentes? Ah! Peraí, doutor!
Lembrou-se
da dentadura no banheiro e correu. Lá, porém, o canto mais limpo. Reclamou-se à
atendente, que disse nada poder fazer. Confusão chega à gerência. Diretor vai
direto ao assunto, pede foto dos dispositivos removíveis na bancada do WC.
-
Como é que eu vou acreditar numa história dessa, senhora Dilurde?
-
Minha palavra num vale?
-
Vale, com uma foto!!!
Adjetivando o "bife do oião"
Todo
santo dia lá estava o amigo Manel no restaurante da Vitória, e sempre a mesma
comida no almoço: baião de dois, bife mal passado e farofa. Tinha dois anos
isso. Até que uma vez, com jeito, perguntou à proprietária senão havia outra
opção. Ela cismou.
-
O senhor não está gostando do nosso dicumê, Dr. Manel?
-
Tô gostando, sim! Ocorre que, tanto tempo com o cardápio igual eu...
-
Ah, pois amanhã se prepare para uma surpresa! Maravilhosa surpresa, meu dotô!
Dia
seguinte a surpresa: um ovo frito cobrindo o prato de sempre.
-
Gostou?
-
Formidável, maravilhoso, sensacional, fantástico, fora de série, inigualável!
Fonte: O POVO, de 8/05/2026. Coluna
“Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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