quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ENCONTRO OU DESENCONTRO?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Conviver é a arte do encontro, ainda que no desencontro. Quer seja uma vida em comum, um bom relacionamento com alguém ou ainda uma partilha de ambiente, de empresa, de trabalho.

O ser humano é ‘Homo socialis’.

Desde que a terra experimentou os passos da criatura humana, assistiu e acompanhou sua epopeia, fornecendo-lhe abrigo, alimentação e repouso, não como uma dádiva inerte, mas como uma conquista, uma, diria Darwin, ‘luta pela vida’. Assim, originou-se a ‘companhia’ dos humanos, não por afinidade, senão pela partilha do pão (cum + panis), ou seja, do alimento e da sobrevivência, num meio, tremendamente, tão hostil.

Formaram-se os clãs, que disputavam entre si os mais ricos ambientes de caça, de pesca e de abrigo, cada clã com suas manias e formas de convivência.

A humanidade emergiu, cresceu e desenvolveu-se, tingidas desse ‘grito prodrômico de ‘convivência’’, condição ‘sine qua non’ para a vida. No correr dos séculos, tomou várias dimensões, firmando-se grupos sociais, dos quais a família é o grupo protagonista, por excelência.

E, no andar da carruagem, estamos nós aqui, herdeiros e herdeiras de toda essa frenética e maravilhosa História, com as mesmas necessidades básicas universais, acrescidas de outras, que o tempo nos mostrou indispensáveis.

Somos coevos. Somos encontros, por imposição social e institucional. Somos encontros por crenças, por profissões e por outras situações, como encontros de amizade, encontros de amor, estes nunca por cobranças, nem com imposições.

Em todos esses encontros, alguns tocam-nos mais de perto: o nosso micromundo espera um encontro de nós conosco, predispondo-nos para um encontro aconchegante com o outro, nas emoções de empatia, nas sensações de desejo e no desiderato de partilhar sonhos, rumos e navegações. Encontros têm matizes, têm suas modulações, têm sentimentos próprios e peculiares.

Desencontro é a outra face do encontro, pois somente há desencontro, se falha o encontro ou quando o encontro finda em desencontro. A guerra, por exemplo, caracteriza-se por ser o desencontro do encontro da paz, o ódio é o desencontro do encontro do amor, a intolerância é o encontro do desencontro do diálogo. E vice-versa.

Encontros jamais vingam sem amor, perdão, lealdade, cujas dosagens definem a intensidade.

Em qualquer situação, a criatura humana é, sim, ‘Homo socialis’, ‘Ser de relacionamento’.

Finalmente, somos mesmo encontros, até quando nos desencontramos.

Tenhamos uma boa quinta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 15/01/26.

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