Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Conviver é a arte do encontro, ainda que no
desencontro. Quer seja uma vida em comum, um bom relacionamento com alguém ou
ainda uma partilha de ambiente, de empresa, de trabalho.
O ser humano é ‘Homo socialis’.
Desde que a terra experimentou os passos da
criatura humana, assistiu e acompanhou sua epopeia, fornecendo-lhe abrigo,
alimentação e repouso, não como uma dádiva inerte, mas como uma conquista, uma,
diria Darwin, ‘luta pela vida’. Assim, originou-se a ‘companhia’ dos humanos,
não por afinidade, senão pela partilha do pão (cum + panis), ou seja, do
alimento e da sobrevivência, num meio, tremendamente, tão hostil.
Formaram-se os clãs, que disputavam entre
si os mais ricos ambientes de caça, de pesca e de abrigo, cada clã com suas
manias e formas de convivência.
A humanidade emergiu, cresceu e
desenvolveu-se, tingidas desse ‘grito prodrômico de ‘convivência’’, condição
‘sine qua non’ para a vida. No correr dos séculos, tomou várias dimensões,
firmando-se grupos sociais, dos quais a família é o grupo protagonista, por
excelência.
E, no andar da carruagem, estamos nós aqui,
herdeiros e herdeiras de toda essa frenética e maravilhosa História, com as
mesmas necessidades básicas universais, acrescidas de outras, que o tempo nos
mostrou indispensáveis.
Somos coevos. Somos encontros, por
imposição social e institucional. Somos encontros por crenças, por profissões e
por outras situações, como encontros de amizade, encontros de amor, estes nunca
por cobranças, nem com imposições.
Em todos esses encontros, alguns tocam-nos
mais de perto: o nosso micromundo espera um encontro de nós conosco,
predispondo-nos para um encontro aconchegante com o outro, nas emoções de
empatia, nas sensações de desejo e no desiderato de partilhar sonhos, rumos e
navegações. Encontros têm matizes, têm suas modulações, têm sentimentos
próprios e peculiares.
Desencontro é a outra face do encontro,
pois somente há desencontro, se falha o encontro ou quando o encontro finda em
desencontro. A guerra, por exemplo, caracteriza-se por ser o desencontro do
encontro da paz, o ódio é o desencontro do encontro do amor, a intolerância é o
encontro do desencontro do diálogo. E vice-versa.
Encontros jamais vingam sem amor, perdão,
lealdade, cujas dosagens definem a intensidade.
Em qualquer situação, a criatura humana é,
sim, ‘Homo socialis’, ‘Ser de relacionamento’.
Finalmente, somos mesmo encontros, até
quando nos desencontramos.
Tenhamos uma boa quinta-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 15/01/26.

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