Uma fábrica de ovos chamada
galinha
Passava
da meia noite e o zap dispara chegada de mensagem. Era Jair Moraes, pra contar
do sonho sem pé nem cabeça que tivera. Em três capítulos. "Não sei se era
eu ficando doido, ou se era meu normal se amostrando". O Poeta dos
Cachorros deixou áudio gravado. Tão inusitado que fui levado pela curiosidade a
ouvi-lo, não sei se por estar igualmente ficando doido, ou se era...
1º - A tortura de um chiclete na boca do cristão
De
repente, eu era um Ping-Pong sofrendo mastigadas incessantemente de um
rapazote. Chicleticamente, via-me rebolado de um lado pro outro, hora num
molar, hora num canino. Sentia meu doce desaparecer. Pior: endurecia enquanto
goma de mascar sensível. Pra lascar ainda mais, virei bolinhas, fazendo aquele
ploc! Prestes a ser descartado, pensei em meu tio Manezinho, com quem tanto
fresquei por ser banguela. Até que fui arremessado ao chão, descartado como um
bagulho. Sem contar que fui substituído por um chiclete da marca Adams.
Preferia ser aquela peinha de fumo na boca de vó Doquinha.
2º - Uma formiga perdida no banheiro
Ainda
um chiclete, agora "apregado" no solado duma Havaiana, acordei para,
em seguida redormi. No novo sonho, vejo-me sentado no sanitário. Olhar fixo no
chão, vejo passear - frente ao box do banheiro - uma formiguinha, sozinha. Cadê
as amigas e os amigos de formigamento? O que fazia ali àquela hora? Estaria
"ariada"? Perguntei-lhe se podia ser útil, mas era do tipo que não
falava com estranhos. E se minha mulher Zuleica me visse falando com uma
formiga à meia noite, que pensaria? Tentei uma comunicação pela linguagem de
sinais, mas a inseta se mandou pro quarto de hóspedes. Tentei segui-la, mas era
já claro, e vi que dormia.
3º - Ovos S/A
Passadas
as experiências do chiclete e da formiga, me deparo, na sala, com uma galinha
aninhada em 30 ovos. Ovos de um mês, e nenhuma disposição de chocá-los.
Desovara pela alegria natural de por. "Trabalho pros outros, e não será
previdente dar à luz 90 pintinhos duma lapada só. Quer um?", ofereceu-me.
Respondi que só trabalho com ovo pela manhã, e assim mesmo na gemada. Pra não
dar cabimento, preferindo-lhe a cabidela, encerrei o papo. E fiquei a pensar na
penosa fábrica de botar ovos chamada galinha. Era já 5 da manhã e saí em busca
de ganhar meu suado dinheiro na Rodoviária! Sonhar demais só me faz acordar sem
mim...
Histórias da Claudinha - parte 3
Dessa
vez, o time do companheiro da nossa amiga - determinado lateral Potengi, foi em
um caminhão fretado à comunidade de Barra dos Guaxinins para a final da Liga de
Futebol Lá Deles, precisando só do empate para sagrar-se campeão. Treinado pelo
estrategista Gonçalves, a onzena de Potengi sapecou 4 a 1 no adversário. Só
teve um probleminha: a torcida local, ao final, cismou de se vingar, e dar um
cacete na equipe visitante. Que, ainda fardada, correu pro caminhão e fugiu.
A
um quilômetro, o caminhão atolou. Delegação desceu pra empurrar. Mas, era lama
demais e nada de o transporte sair do lamaçal. A notícia chega à Barra dos
Guaxinins e a torcida corre ao encalço da esquadra de Pontengi, armada de pau e
facão. Era já de noite. Que fez a equipe vencedora de há pouco? Embrenhou-se no
mato. De onde estavam, escuridão medonha, ouviu-se algo como uma festa. Pra lá
se dirigiram os jogadores, ainda paramentados. Era um circo. Palhaços e
trapezistas, vendo a arrumação, gritaram por socorro, acreditando fossem
ladrões. Time dispara em busca do caminhão, que, por milagre, desatola e sai em
desabalada carreira...
-
Teve a menor graça esses 4 a 1! - desabafou Gonçalves, que virou pastor...
Fonte: O POVO, de 19/12/2025. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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