Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Ler é uma conquista da civilização, nos
seus pródromos, alçada ao poder e dirigida ao domínio dos senhorios, ainda hoje
sem o alcance de muitas populações, instrumento tanto de sanas informações,
como de manipulação de mentes e espíritos.
Ler conjuga-se com o escrever, sem o que
não há o que se ler.
Rochas, pergaminhos e monumentos trazem a
maneira de expressão de suas gentes, de seus costumes, de suas guerras, de suas
conquistas.
Aprender a ler suas memórias traz-nos
experiências, as mais diversas e disparatadas, de concepções de vida, desde o
tempo das cavernas.
Todavia, não basta saber ler, é preciso
saber compreender, palmilhando a história, na sua real origem, cujos rastros
não se podem apagar: pode-se destorcer fatos ocorridos, prendendo-os numa visão
parcial, totalmente subjetiva e ideológica ou dar-se conta de boas lições para
veredas e ou caminhos de nossa jornada.
Há os que se fazem cegos e outros, 'imunes
cognitivos', não conseguem ver um palmo à frente do nariz, tampouco fazer uma
crítica isenta dos passos da humanidade, suas consequências e suas
"sequelas". Nesse caso, não cabe a exortação, referente ao
historiador Heródoto de que ‘a história é mestra da vida’.
O bom entendedor não nasce, faz-se,
aprendendo a ver, a ouvir e escutar a realidade da miséria e da riqueza, da
manipulação e da alienação, da escravidão e da liberdade, do desenvolvimento e
da estagnação, do genocídio e do bem-estar dos povos, considerando,
imparcialmente, avanços, excessos, limites e frustrações.
E, assim, a história continua 'mestra da
vida' para quem a vida mostra a história real: erros para não se repetirem,
novas limitações surgirem e a humanidade prosseguindo na sua ânsia de
liberdade, de felicidade e de amor, diante de desafios novos e velhos.
E nada melhor do que refletir sobre esse
anexim, sempre tão real: 'In medio virtus'. Ou seja, nas diferenças e
diversidades dos séculos, o caminho mais sensato é o meio da estrada, sem
tombar para nenhum lado, mas, enriquecendo-se de suas lições.
A história revive nas leituras dos
acontecimentos, narrados na inteireza dos fatos já ocorrido. Sua memória
oportuniza-nos novos horizontes ou embrenha-nos em situações mais incômodas,
insalubres e, até mesmo macabras, se não sabemos lê-la ou a vemos com vieses
suspeitos.
Somos construtores de nosso bem-estar ou de
nossa escravidão.
A alienação é o outro lado da medalha da
vida, lado sombrio e aterrador. A manipulação, a única linguagem do ditador.
É, nesses casos, que a leitura mergulha no
caos, onde tanto faz mentira quanto verdade, não se sabendo mais o que é certo
e o que é errado.
Desaparece história, vêm narrativas.
Culpa não cabe aos olhos, senão à mente que
os decifra.
Tenhamos uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 19/01/26.

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