quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PARTILHANDO UMA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Ler é uma conquista da civilização, nos seus pródromos, alçada ao poder e dirigida ao domínio dos senhorios, ainda hoje sem o alcance de muitas populações, instrumento tanto de sanas informações, como de manipulação de mentes e espíritos.

Ler conjuga-se com o escrever, sem o que não há o que se ler.

Rochas, pergaminhos e monumentos trazem a maneira de expressão de suas gentes, de seus costumes, de suas guerras, de suas conquistas.

Aprender a ler suas memórias traz-nos experiências, as mais diversas e disparatadas, de concepções de vida, desde o tempo das cavernas.

Todavia, não basta saber ler, é preciso saber compreender, palmilhando a história, na sua real origem, cujos rastros não se podem apagar: pode-se destorcer fatos ocorridos, prendendo-os numa visão parcial, totalmente subjetiva e ideológica ou dar-se conta de boas lições para veredas e ou caminhos de nossa jornada.

Há os que se fazem cegos e outros, 'imunes cognitivos', não conseguem ver um palmo à frente do nariz, tampouco fazer uma crítica isenta dos passos da humanidade, suas consequências e suas "sequelas". Nesse caso, não cabe a exortação, referente ao historiador Heródoto de que ‘a história é mestra da vida’.

O bom entendedor não nasce, faz-se, aprendendo a ver, a ouvir e escutar a realidade da miséria e da riqueza, da manipulação e da alienação, da escravidão e da liberdade, do desenvolvimento e da estagnação, do genocídio e do bem-estar dos povos, considerando, imparcialmente, avanços, excessos, limites e frustrações.

E, assim, a história continua 'mestra da vida' para quem a vida mostra a história real: erros para não se repetirem, novas limitações surgirem e a humanidade prosseguindo na sua ânsia de liberdade, de felicidade e de amor, diante de desafios novos e velhos.

E nada melhor do que refletir sobre esse anexim, sempre tão real: 'In medio virtus'. Ou seja, nas diferenças e diversidades dos séculos, o caminho mais sensato é o meio da estrada, sem tombar para nenhum lado, mas, enriquecendo-se de suas lições.

A história revive nas leituras dos acontecimentos, narrados na inteireza dos fatos já ocorrido. Sua memória oportuniza-nos novos horizontes ou embrenha-nos em situações mais incômodas, insalubres e, até mesmo macabras, se não sabemos lê-la ou a vemos com vieses suspeitos.

Somos construtores de nosso bem-estar ou de nossa escravidão.

A alienação é o outro lado da medalha da vida, lado sombrio e aterrador. A manipulação, a única linguagem do ditador.

É, nesses casos, que a leitura mergulha no caos, onde tanto faz mentira quanto verdade, não se sabendo mais o que é certo e o que é errado.

Desaparece história, vêm narrativas.

Culpa não cabe aos olhos, senão à mente que os decifra.

Tenhamos uma boa segunda-feira,  com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 19/01/26.


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