Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas
recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem
merecem ser compartilhadas.
Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de
dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de
Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni
Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de
Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.
Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a
única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes
davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e
da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o
manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.
Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria,
talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram
cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa
de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso
modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.
Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na
exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se
apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que
nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus,
autor De Re Medica, após um longo
período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos
corpos de pessoas falecidas.
Marcelo
Gurgel Carlos da Silva
Sócio jubilado da Associação Médica Cearense
*
Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022:
45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do
autor, 2022. 160p. p.90.
* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de
dissecação matriarcal. Revista AMC
(Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41.
p.6-7. (online).

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