terça-feira, 4 de agosto de 2026

Lugares sagrados e turismo religioso

Por Rita Fabiana Arrais (*)

No último dia 10 de junho - durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - aprovou-se o registro de bem cultural aos Lugares Sagrados da cidade de Juazeiro do Norte.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria (Sedetur) de Juazeiro do Norte o processo de solicitação do registro iniciou-se em 2018 com a juntada de um arcabouço documental, enfatizando a importância simbólica dos lugares às mais distintas manifestações religiosas dos fiéis que peregrinam na cidade desde 1889 quando impactados pelo milagre da hóstia e pela figura emergente do Padre Cícero Romão.

A comunidade do bem cultural demarca os seguintes lugares: a Basílica de Nossa Senhora das Dores, a Capela do Socorro, a Casa dos Milagres Padre Cícero, a Casa Museu Padre Cícero, o Santuário dos Franciscanos, o Rio Salgadinho, a Ladeira do Horto e o Complexo do Horto. São nestes espaços "no universo das devoções" onde o sagrado habita. O simbolismo destes lugares alcança seu ponto fulcral durante as romarias, momento em que os fiéis renovam sua fé, ao mesmo tempo em que ressignificam seus rituais.

Atualmente existem dez romarias por ano (Celebração em memória da morte da beata Maria de Araújo; Romaria de São Sebastião; Romaria de Nossa Senhora das Candeias; Romaria de nascimento do Padre Cícero; Romaria em memória da morte do Padre Cícero; Romaria de Nossa Senhora das Dores; Romaria de São Francisco; Romaria de Finados; Romaria de ordenação do Padre Cícero; Romaria do Ciclo Natalino). Estima-se que 2,5 a 3 milhões de romeiros participam destes eventos consolidando o turismo religioso como uma das principais atividades econômicas da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Registre-se que com a lei federal nº 15.443 de 26 de junho de 2026 todas as romarias tiveram as datas inclusas no Calendário Turístico Oficial do Brasil.

É notório que estes eventos religiosos impulsionam o desenvolvimento e crescimento econômico da RMC, pois os setores do comércio, serviços e infraestrutura são positivamente impactados com a demanda constante, e consequentemente estimulam a geração de empregos, o aumento da renda e da arrecadação de tributos.

Quanto ao volume de dinheiro movimentado, estima-se que R$ 754 milhões são abarcados pela economia local e distribuídos em setores como o hoteleiro, restaurantes, mercado de artigos religiosos, transporte, entre outros. (Sedetur/2025)

Como dizia o Seu Luiz Gonzaga (1912-1989): "Olha lá no alto do horto, ele tá vivo o "padim" não tá morto!

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 3/07/26. Opinião. p.17.

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