domingo, 10 de julho de 2016

CONVITE: VIII Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE)  convida para o 8º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 11/07/2016, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota.
O palestrante do evento será o médico, professor e escritor Dr. Dalgimar Beserra de Meneses, que abordará o tema: RESSONÂNCIAS LITERÁRIAS LIVRE-ASSOCIATIVAS DA CRISE BRASILEIRA.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural.
Após a palestra, será servido um coquetel.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

sábado, 9 de julho de 2016

FRASES DE MAX STIRNER


Fonte: Blog do Eliomar de Lima

Herdeiros do Bolero de Ravel criam imbróglio para tentar evitar obra em domínio público


O compositor e pianista francês Maurice Ravel
Por Michel Guerrin
Maurice Ravel se encontra no centro de uma história maluca. Ou melhor, seu Bolero. Para falar sobre ele, chamamos Laurent Petitgirard, compositor e regente apaixonado por Ravel, que também é presidente da Sociedade dos Autores, Compositores e Editores de Música, a famosa Sacem, órgão encarregado de tributar o uso de músicas e em seguida repassar a arrecadação aos autores ou a seus herdeiros.
"Cuidado", alerta Petitgirard. "O Bolero é um sucesso absoluto, composto por um gênio, e a questão de sua sucessão é rocambolesca. É um caso único."
No dia 1º de maio, o Bolero (1928) entrou em domínio público, o que quer dizer que qualquer um pode usá-lo sem pagar direitos. É algo bastante significativo, pois se trata da música erudita mais tocada, mais adaptada e até mesmo cantarolada. O genial roqueiro Frank Zappa fez um arranjo dela, e Maurice Béjart montou uma coreografia que se tornou cult, vista no filme de Claude Lelouch "Les Uns et les Autres" ("Retratos da Vida", 1981). Enfim, agora poderemos esperar ver o Bolero invadindo os bares, as propagandas, os aeroportos, os comícios políticos etc.
Seu sucesso reside em uma melodia simples, repetitiva e obsessiva, e uma orquestração virtuosa que parte de um ligeiro bater de tambor e culmina em um retumbo orquestral. Ravel, de altura diminuta (menos de 1,55 m) e talento imenso, ficou farto de seu sucesso de 17 minutos, que ele chamava de "vazio musical".
Esse vazio encheu os bolsos de muita gente. Ravel foi o campeão de direitos pagos pela Sacem até 1994, com 10 a 15 milhões de francos por ano. A fortuna sumiu desde que seu Bolero deixou de ser protegido em vários países, mas ele ainda representa centenas de milhares de euros.

Processos entre herdeiros

Esse dinheiro virou a cabeça das pessoas. A história da herança do músico é uma saga tão picante quanto lamentável, contada pela primeira vez por Irène Inchauspé, com o título "Quem lucra com o Bolero de Ravel?", na revista "Le Point" em 2000.
Ravel morreu em 1937, solteiro e sem filhos, e seu irmão Edouard, um industrial, era o único herdeiro. Ele queria ceder 80% dos direitos autorais para a Prefeitura de Paris para criar um prêmio Nobel da música, mas tudo foi por água abaixo em 1954, quando Edouard, debilitado por um acidente de carro, entregou sua herança à sua massagista e seu marido.
Seguiu-se um imbróglio monstruoso com processos entre herdeiros, um ex-executivo da Sacem, que conseguiu uma fatia do bolo, dinheiro que transitou por empresas registradas em Gibraltar, Mônaco, Ilhas Virgens e Vanuatu. Em suma, um fisco espoliado.
E eis que no dia 7 de abril, ou seja, alguns dias antes que o Bolero passasse para domínio público, a Sacem recebeu uma carta registrada pedindo a designação do cenógrafo e pintor Alexandre Benois (1870-1960) como coautor do Bolero. Os herdeiros de Benois assinaram essa carta, e os de Ravel também, que viram ali uma vantagem: uma prorrogação de vinte anos dos direitos autorais.
A ideia, segundo o "Le Figaro" de 3 de maio, era que se tratava de uma obra "colaborativa". Mas que tipo de colaboração seria, uma vez que Alexandre Benois não era músico? Seus descendentes acreditam que ele tenha submetido a Ravel uma história, um "argumento", que inspirou o Bolero. É possível, considerando precedentes como a célebre "Nuages" de Django Reinhardt, conta Petitgirard.
Os herdeiros lembram que na ocasião de sua criação, em 1928, no Opéra Garnier, o Bolero era um balé, com uma cenografia de Benois. Então este teria sido mais do que o cenógrafo, e portanto responsável pela obra? Os herdeiros se baseiam em uma citação de Louis Laloy, secretário-geral da Ópera de Paris, que escreveu no "Le Figaro" de 21 de novembro de 1928 que Alexandre Benois era o "autor" do Bolero.
A Sacem examinou as peças fornecidas pelos herdeiros de Benois, os recebeu, convocou um perito e concluiu, no dia 29 de abril, que o pedido não fazia sentido.
"Não existe nenhuma prova de uma colaboração entre eles", explica Laurent Petitgirard. "Ela não consta na partitura de Ravel, nem no cartaz ou no programa, nem no registro da obra. Não há nenhuma troca de cartas entre eles. Ravel nunca falou sobre isso. Além disso, Ravel era muito honesto. Se ele tivesse se inspirado em um argumento de Benois, ele teria dito."
E conclui: "Esses herdeiros são sinceros, eles querem honrar o nome de seus antepassados, mas estão equivocados". Ademais, o Bolero é uma peça orquestral autônoma e sem narração, "uma obra abstrata" dizia Béjart.
Quanto à possibilidade de os herdeiros da família de Alexandre Benois entrarem na Justiça para obter aquilo que a Sacem lhes nega, "por enquanto a decisão ainda não foi tomada", informou à AFP François Tcherkessoff, bisneto de Alexandre Benois.
Essa história pouco ilustre de herança não combina com o perfil desinteressado de Ravel, e não vai ajudar na causa dos direitos autorais. É verdade que nunca há moral nas questões envolvendo heranças, cuja motivação muitas vezes é mais financeira que estética.
Laurent Petitgirard pondera: "94% dos direitos pagos pela Sacem vão para autores vivos. É preciso relativizar a parte dos herdeiros!", e chega a dizer: "O abuso do direito autoral pode matar o direito autoral".
Para ele, é preciso preservar o espírito que guiou a criação da Sacem, quando o letrista Ernest Bourget ouviu uma de suas canções no café-concerto Les Ambassadeurs, em Paris, em 1847, e se recusou a pagar sua bebida enquanto não lhe pagassem seus direitos.
É um caso bem diferente do de Ravel, pois quem seria seu herdeiro "direto" hoje? Uma mulher que mora na Suíça, segundo o "Le Figaro" de 30 de abril, que é "filha única da segunda mulher do marido da massagista da mulher do irmão de Ravel."
Tradutor: UOL
Fonte: Le Monde/AFP, de 15/05/2016.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

DOCTA SPES


Por Carlo Tursi (*)
No entanto, não sou otimista: não embarco na ilusão de que tudo vai terminar bem. Sou antes esperançoso.
A princípio, é preciso saudar todo sonho diurno, por mais alienado e escapista que seja. Pois aponta para além do que está aí, abre horizontes, areja. Artigo primeiro do meu Credo: a imaginação nos foi dada para vislumbrar uma vida melhor, individual e coletiva. Para transcender um status quo insatisfatório, precário, injusto.
Há 30 anos, escolhi viver neste país. No entanto, ainda consigo imaginar um Brasil melhor do que temos conseguido construir nessas três décadas. Sem dúvida, acabei me acostumando um bocado, imitando meus vizinhos, com as tantas mazelas sociais e o descalabro da gestão pública. Talvez o lento transitar para a indiferença faça parte da enculturação... Contudo, meu sonho está vivo, minha utopia continua de pé: tenho esperança de ver o Estado Brasileiro assumir, de vez e não titubeante, a responsabilidade pelo bem-estar social, corrigindo a gritante desigualdade de chances e oportunidades entre nós. Repudio a tese de que todo político é corrupto, que a cultura política brasileira é irremediavelmente patrimonialista, condenada a confundir para sempre o público com o privado.
Não aceito ser preciso consumir desenfreadamente para manter girando a roda de uma economia que não funciona “para que todos tenham vida, e vida plena”, mas busca apenas lucro. Creio ser possível uma democratização do acesso aos bens fundamentais para a vida coletiva: à terra, à água, à energia. Prefiguro uma cidade com menos carros, mais ciclistas, pedestres e um bom transporte público.
No entanto, não sou otimista: não embarco na ilusão de que tudo vai terminar bem. Sou antes esperançoso: percebo, na teia da realidade, as condições embrionárias para que a superação da atual crise sistêmica aconteça em direção ao aprofundamento das nossas conquistas sociais. Registro, angustiado, também a possibilidade real do retrocesso: Estado do “vigilante noturno” e do laissez-faire econômico, precarização dos direitos trabalhistas, fundamentalismo cristão na esfera pública, acirramento do ódio ideológico.
Preciso me engajar, então, pelo projeto de futuro em que acredito. É o que distingue a razão utópica dos meros devaneios, das fantasias irreais: conhecimento lúcido de um ainda-não-concretizado, a espera de potenciais realizadores. Visionários sóbrios: cabeça nas nuvens, pés no chão. Docta spes – esperança esclarecida, pensante – dizia Ernst Bloch. Sou partidário dela.
 (*) Professor e teólogo alemão.
Fonte: O Povo, de 17/01/2016. Opinião. p.9.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

FRASES E PENSAMENTOS DE CHARLES DICKENS


1. “Só peço para ser livre. As borboletas são livres.”
2. “O homem nunca sabe do que é capaz até que o tenta.”
3. “O coração humano é um instrumento de muitas cordas; o perfeito conhecedor dos homens sabe fazê-las vibrar na íntegra, como um bom músico.”
4. “Nunca nos devemos envergonhar das nossas próprias lágrimas.”
5. “Qualquer pessoa é capaz de ficar alegre e de bom humor quando está bem vestido.”
6. “O moralista é como um sinal de trânsito que indica para onde se pode ir, mas não vai.”
7. “As coisas mais bonitas do mundo são sombras.”
8. “Ninguém pode achar que falhou a sua missão neste mundo, se aliviou o fardo de outra pessoa.”
9. “Uma vaga noção de tudo, e um conhecimento de nada.”
Fonte: gingaronline.com

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A MULHER E O POETA


Por João Soares Neto (*)
“Apenas em torno de uma mulher que ama pode surgir uma família”. F. von Schlegel
Esta semana fui ver fábrica comandada por uma mulher de fibra e talento. Fica no lado oeste da Praça Presidente F. D. Roosevelt, no Jardim América. Roosevelt, como se sabe, foi presidente dos Estados Unidos até quase o final da Segunda Guerra. A ele foi prestada essa homenagem pela cidade. Aqui, no Pici, por acordo entre o oscilante mando de Vargas e a América do Norte, foi montada base de apoio– por ser próximo da África e da Europa – na travessia pelos céus do Atlântico Sul e reabastecimento das tropas contra os integrantes do Eixo, composto por Alemanha e Itália. Isto sem falar do Japão, pois situado no outro lado do mundo, a Ásia.
Essa digressão singela é apenas para dizer da alegria ao ver a coroação do esforço de Maria Soares Leitão, mulher, amiga e confidente de Juarez Leitão. Juarez teve livrarias, foi vereador e professor reconhecido de História Geral. Por fim, o casal montou uma fábrica de fardamentos profissionais e escolares. Na verdade, “montou” é licença poética. À frente de tudo está essa mulher destemida, bem vestida, no albor da sua maturidade e amor visível por aquilo que sabe fazer.
É encanto ver a sala de demonstração ou, como falam os anglicistas, o “show-room”. Centenas de modelos com pluralidade de cores e estilos. Cada peça, seja camisa, calça, jaleco, paletó, avental, macacão e outros que tais, tem corte perfeito, costuras retas e curvas com esmero. Tudo contém o toque pessoal da estilista em que Maria Leitão se tornou. E é.
Ela traduz, em palavras adequadas, traçados, talhes, costuras e pespontos com sensibilidade e alegria. Quiçá o convívio com o inquieto bardo inoculou-se em seus gestos. Por trás de suas dioptrias emolduradas por óculos, ela vai dissertando sobre o fardamento escolar e a roupa profissional. As fardas exibem a imagem e o cuidado que empresas têm, respectivamente, com seus alunos e colaboradores.
Não sem razão, Maria Leitão é hoje empresária de sucesso para a dimensão que definiu. Parece artesania mecanizada com costureiras em filas simétricas, sob claras luzes a produzir beleza a influir no amor próprio daquelas pessoas que as vestirão.
Ainda não falei com o Juarez sobre as impressões que ora estão sendo escritas na pressa semanal de entregar o texto ao jornal. Agora, entendo, as confissões – não as de Santo Agostinho – que o poeta, professor, biógrafo e contador de “causos” me fez ao ter o seu coração renovado por bisturis, pontes e pontos. Era a consagração do liame que o atava, sem sufocar, à companheira de décadas concebendo família equilibrada e o aceitava, com ou sem versos, seus horários peculiares de sono e vigília.  Maria cuida até dos sucos e da goma para as tapiocas publicitadas por infiltrado em convescotes do Juarez com amigos palradores.
(*) João Soares Neto é escritor e membro da Academia Cearense de Letras.
Fonte: Publicado no jornal O Estado-CE, em 19/02/2016.

terça-feira, 5 de julho de 2016

COISAS DE PORTUGUÊS


Por  Francicarlos Diniz (*)
A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idria.
"Coisas" do português.
Gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": Ô, seu "coisinha", você já "coisou" aquela coisa que eu mandei você "coisar"?
Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.
Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: Segura a "coisa" com muito cuidado / Que eu chego já."
Já em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. (menos o trem, que lá é chamado de "coisa"). A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trens que lá vem a "coisa"!.
E, no Rio de Janeiro? Olha que "coisa" mais linda, mais cheia de graça...
A garota de Ipanema era coisa de fechar o trânsito! Mas se ela voltar, se ela voltar, que "coisa" linda, que "coisa" louca.  Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.
Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino.
Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!
Coisa também não tem tamanho.
Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira um monte de coisas...
Mas a "coisa" tem história mesmo é na MPB.  No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, a coisa estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré: Prepare seu coração pras "coisas" que eu vou contar..., e A Banda, de Chico Buarque: pra ver a banda passar,cantando "coisas" de amor... Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas:"coisa" linda, "coisa" que eu adoro!
Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade afinal, são tantas "coisinhas" miúdas.  E esse papo já tá qualquer "coisa". Já qualquer "coisa" doida dentro mexe...
Essa coisa doida é um trecho da música "Qualquer Coisa", de Caetano, que também canta: alguma "coisa" está fora da ordem! e o famoso hino a São Paulo: "alguma coisa acontece no meu coração"!
Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar.
Uma coisa de cada vez, é claro, afinal, uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.  E tal e coisa, e coisa e tal.
Um cara cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques.
Já uma cara cheio das coisas, vive dando risada. Gente fina é outra coisa.
Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.
A coisa pública não funciona no Brasil. Político, quando está na oposição, é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura.
Quando elege seu candidato de confiança, o eleitor pensa: Agora a "coisa" vai...Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!
Se as pessoas foram feitas para serem amadas, e as coisas, para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.
Mas, deixemos de "coisa", cuidemos da vida, senão chega a morte, ou "coisa" parecida... Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento:
"AMARÁS A DEUS SOBRE TODAS AS "COISAS".
Entendeu o espírito da coisa?
(*) Jornalista e escritor, pós-graduado em Comunicação pela USP.
Fonte: internet (circulando por e-mails).
 

Free Blog Counter
Poker Blog