Por
Romeu Duarte Junior (*)
Pelo jeitão da coisa, 2026 vai ser um ano
trepidante, com montanhas-russas de emoções e amplo consumo de valium, dienpax,
imosec e outros remédios tarja-preta por parte dos mais fracos. Para os que se
cansarem de tanta correria e nervos à flor da pele, um bálsamo: dos dez
feriados nacionais, nove cairão em dias úteis, gerando os mui famosos
'imprensados", pais dos feriadões. Isso sem se falar dos dias de dolce far
niente cearenses e fortalezenses, que completarão a agenda de rede, cachacinha
e pé na parede. Portanto, se o bicho vai pegar, teremos sombra e água fresca de
sobra. Lazer? Ócio? Vagabundagem mesmo, que ninguém é de ferro. Para quem, como
eu, pensa em se aposentar, já é um estímulo e tanto. Gentilândia, Joaquim
Távora e Barra do Ceará, me aguardem!
Para quem gosta de atividades esportivas,
será um ano para passar assistindo à TV. Será realizada a Copa do Mundo Fifa,
com 48 seleções, 104 jogos e três sedes, Canadá, EUA e México. Fico pensando se
o angu não vai engrossar por conta das atuais tensas relações entre estes três
países, construídas pelo agente laranja no seu afã de anexar territórios e
submeter povos ao seu talante. Para quem gosta de sofrer, Ceará e Fortaleza
disputarão o Manjadinho, a Lampions League, a Copa do Brasil e o calvário da Série
B do Brasileirão. De quebra, teremos também os Jogos Olímpicos de Inverno na
Itália, mais precisamente em Milão e Cortina D'Ampezzo, geladíssimo aquecimento
para a Olimpíada de Los Angeles em 2028. Será um olho no peixe do trabalho e o
outro no gato da bola...
Todavia, iniciei esta crônica falando de
antidepressivos, calmantes e outros fármacos que socorrem os débeis de alma,
cabeça e coração. Outro evento de rachar o quengo também se anuncia: as
eleições para presidente, governador, senador e deputados. Ainda estava com a
fatia do peru na boca quando vi o mimimito-réu sair do hospital e ir para a sua
cela na PF. Na mesma toada, presenciei seu assessor pegar uma preventiva por
ter usado indevidamente uma rede social. Por fim, mas não menos, flagrei o
bananinha tendo o mandato cassado, virando réu por coação e intimado a voltar
ao Brasil para reassumir seu posto de escrivão na PF. Chegando em solo pátrio,
já se sabe o que vai acontecer com ele. Como diz o doido, o mundo não gira,
capota...
Porém, o sábado nos trouxe o tom
tragicômico deste ano maluco. Inspirado na tal Doutrina Monroe ["A América
para os (norte) americanos"], as forças militares estadunidenses invadiram
a Venezuela por terra, mar e ar, mandando bala e despejando bombas, além de
terem sequestrado Nicolás Maduro. Muito boa essa: o mandatário venezuelano é
"autocrata" enquanto o agente laranja é "presidente". À
frente de um império decadente, mira as riquezas dos países para extorqui-los
em vez de resolver os problemas agudos da Terra do Tio Sam. Inventa um inimigo,
tal como na fábula do lobo e do cordeiro, para justificar um direito que não
possui. Enquanto isso, ONU calada, Europa lascada, China, Irã e Rússia de
binóculos, Brasil atento. Tudo pode acontecer, caros, inclusive nada.
(*) Arquiteto e
professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/01/26. Vida & Arte. p.2.










