O Povo, Editorial.
O resultado da primeira edição do Exame
Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) mostrou uma situação
preocupante dos cursos de medicina no Brasil. Foram avaliadas 351 instituições
públicas e privadas. Dos cursos participantes em todo o Brasil, 30% tiveram
desempenho considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC), a
maioria de faculdades particulares. É preciso dar destaque a esse dado, pois o
maior número de formandos atualmente é oriundo de faculdades privadas.
Segundo estudo da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado na página da Associação Paulista
de Medicina, das 494 escolas médicas do País (2025), com 50.974 vagas anuais de
graduação, 80% dos estudantes estão em instituições privadas.
O levantamento também mostrou uma nova fase
de expansão do ensino médico. De acordo com a FMUSP, entre janeiro de 2024 e
setembro de 2025, o MEC autorizou 77 novos cursos de Medicina. O estudo avalia
que o Enamed é parte do esforço para assegurar a qualidade dos cursos de
formação de futuros médicos.
É preciso ressaltar que não se trata de
desconsiderar o papel importante desempenhado pelas faculdades privadas, mas de
preservar aquelas que oferecem ensino de qualidade e obrigar a evoluir aquelas
que tiraram notas baixas. São muitas as instituições privadas que conseguem
administrar o empreendimento educacional, sem descuidar da preparação de seus
alunos e dos interesses da sociedade, que precisa de profissionais bem
formados, em área tão sensível, que cuida da saúde e da vida das pessoas.
No Ceará, nove cursos participaram do
exame, sendo que três deles obtiveram nota 5 (máxima); três (nota 4); duas
(nota 3) e uma (nota 2).
Existe outra proposta, de iniciativa do
Senado, já aprovada na Comissão de Assuntos Sociais, que visa criar o Exame
Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que ficou conhecido como
"OAB da Medicina". Seria exigência de uma prova obrigatória para
médicos recém-formados receberem o registro profissional. Para o ministro
Camilo Santana, o Enamed já cumpre esse papel, juntamente com mais rigor no
monitoramento dos cursos, inclusive com visitas presenciais.
As sanções, conforme as notas obtidas,
podem incluir redução de vagas de ingresso (nota 2), chegando à suspensão do
curso (nota 1). Os conceitos 1 e 2 ainda terão suspendidos os contratos de
financiamento estudantil (Fies) e o de bolsas (Prouni). Caso não haja melhora
ou as medidas exigidas pelo MEC não forem cumpridas, os cursos poderão ser
extintos.
O relevante é que o tema está sendo
debatido e o MEC tem implementado medidas positivas, como maior fiscalização e
punições aos cursos que obtiverem notas insuficientes.
Fonte: Publicado In:
O Povo, de 21/01/2026. Editorial. p.18.

