terça-feira, 20 de outubro de 2026

ENTREVISTAS PRESIDENCIAIS

Por Raimundo Padilha (*)

O sistema de comunicação da Rede Globo realizou um programa de entrevistas com candidatos à Presidência da República do Brasil, que apresentaram os maiores níveis de pontuação nas pesquisas de opinião.

Inegavelmente o sistema de comunicação da Globo detém o maior nível de audiência dentre todos os veículos.

Nos anúncios das entrevistas, a meu juízo, a estrutura do programa seria diferente. Mas quem sou eu para me atrever a sugerir modelo de programa para qualquer veículo de comunicação? Posso ser um crítico, mas não tenho talento suficiente para a sua elaboração.

Na minha visão, não obstante alguns candidatos tenham algumas restrições no seu passado político, o tempo dedicado a este assunto me pareceu exagerado, prejudicando aquilo que julgo essencial para o eleitor, notadamente, o indeciso.

Obviamente todos aqueles que têm o passado com algumas restrições, iam se colocar negando e os entrevistadores tinham que indagá-los. A minha crítica não está na indagação dos maus feitos, mas na persistência do assunto diante do tempo dedicado ao programa e a variedade de temas não tratados.

Numa análise fria e simplória, o último candidato entrevistado, o dr. Augusto Cury, por não ter passado político, foi o único que teve oportunidade de apresentar suas ideias de futuro com mais liberdade, embora se possa descordar de muitas delas.

Não quero dizer que o passado dos candidatos seja uma página virada, mas no tempo do programa a persistência nas falhas por eles cometidas avançou muito no tempo útil do programa, ficando o eleitor indeciso na mesma indecisão quanto ao futuro do País. Perdemos uma excelente oportunidade de uma discussão mais abrangente de um olhar mais objetivo para o futuro.

O sistema de entrevista foi uma inovação em substituição ao debate coletivo dos candidatos, já que os maiores pontuados nas pesquisas não se dispuseram a participar. Repito, a crítica está na persistência do passado, o que lembrou os discursos entre si, dos candidatos num processo entediante de xingamentos. O público que assistiu às entrevistas esperava os projetos dos candidatos e não as suas defesas de pecados cometidos, defesas, aliás, algumas vezes falseando a verdade.

Não critico os entrevistadores, mas o seu roteiro. Insisto, um longo tempo com perguntas sobre as feridas do passado, principalmente, de Lula e Flávio, que hoje são os mais prováveis a chegar ao segundo turno.

Temas de relevante importância foram omitidos e que seriam do vivo interesse dos telespectadores.

Aguardamos que, nas próximas eleições, melhorem os programas dos veículos e o perfil dos candidatos.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 2/09/26. Opinião. p.19.


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