Por Raimundo Padilha (*)
O sistema de
comunicação da Rede Globo realizou um programa de entrevistas com candidatos à
Presidência da República do Brasil, que apresentaram os maiores níveis de
pontuação nas pesquisas de opinião.
Inegavelmente o
sistema de comunicação da Globo detém o maior nível de audiência dentre todos
os veículos.
Nos anúncios das
entrevistas, a meu juízo, a estrutura do programa seria diferente. Mas quem sou
eu para me atrever a sugerir modelo de programa para qualquer veículo de
comunicação? Posso ser um crítico, mas não tenho talento suficiente para a sua
elaboração.
Na minha visão,
não obstante alguns candidatos tenham algumas restrições no seu passado
político, o tempo dedicado a este assunto me pareceu exagerado, prejudicando
aquilo que julgo essencial para o eleitor, notadamente, o indeciso.
Obviamente todos
aqueles que têm o passado com algumas restrições, iam se colocar negando e os
entrevistadores tinham que indagá-los. A minha crítica não está na indagação
dos maus feitos, mas na persistência do assunto diante do tempo dedicado ao
programa e a variedade de temas não tratados.
Numa análise fria
e simplória, o último candidato entrevistado, o dr. Augusto Cury, por não ter
passado político, foi o único que teve oportunidade de apresentar suas ideias
de futuro com mais liberdade, embora se possa descordar de muitas delas.
Não quero dizer
que o passado dos candidatos seja uma página virada, mas no tempo do programa a
persistência nas falhas por eles cometidas avançou muito no tempo útil do
programa, ficando o eleitor indeciso na mesma indecisão quanto ao futuro do
País. Perdemos uma excelente oportunidade de uma discussão mais abrangente de
um olhar mais objetivo para o futuro.
O sistema de
entrevista foi uma inovação em substituição ao debate coletivo dos candidatos,
já que os maiores pontuados nas pesquisas não se dispuseram a participar.
Repito, a crítica está na persistência do passado, o que lembrou os discursos
entre si, dos candidatos num processo entediante de xingamentos. O público que
assistiu às entrevistas esperava os projetos dos candidatos e não as suas
defesas de pecados cometidos, defesas, aliás, algumas vezes falseando a
verdade.
Não critico os
entrevistadores, mas o seu roteiro. Insisto, um longo tempo com perguntas sobre
as feridas do passado, principalmente, de Lula e Flávio, que hoje são os mais
prováveis a chegar ao segundo turno.
Temas de
relevante importância foram omitidos e que seriam do vivo interesse dos
telespectadores.
Aguardamos que,
nas próximas eleições, melhorem os programas dos veículos e o perfil dos
candidatos.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 2/09/26. Opinião. p.19.

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