Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
O sistema criou um dia para tudo, embora
todos os dias, pulse a vida, arda a emoção, vibre o sentimento, grite a
necessidade e brade a cidadania. Tudo em busca de dignidade e mais valia, que,
muitas vezes, o próprio sistema avaria e nos palanques logorreia com euforia
disfórica.
Pois bem, fala-se de pai. Então, deixem-se
as lérias e vamos ao sério.
O primeiro pai foi Deus, ao criar o
universo e para administrá-lo criou o homem e a mulher com Suas próprias mãos,
neles imprimiu Sua imagem e semelhança e deles vem cuidando com carinho, afeto,
respeito e amor, com a outorga da liberdade de desenvolver seus dons, dados,
gratuitamente, e conduzir sua vida (Gn 1,27; Lc 15, 1-3).
A palavra ‘pai’ deriva do latim ‘pater’, em
grego “πατέρ” e em hebraico ‘אַבָּא ‘ (ába). Existe ainda a palavra genitor,
porém, esta, derivada também do latim ‘generare’, traz conotação,
profundamente, biológica, enquanto ‘pai’ é mais abrangente e implica uma maior
dimensão, qual seja, holística: física, moral, social, pedagógica, psicológica,
espiritual.
Não se pode abstrair o pai da constelação
familiar, nem lhe colocar aos ombros todo o peso do cuidado dos filhos, que
deve ser partilhado com a mãe. Todavia, o seu papel tem um contorno específico,
no amanho familiar, influindo no desenvolvimento, na formação do caráter e na
construção da estrutura identitária do filho, em partilha e comunhão com a mãe,
cujo papel também é, por demais, relevante.
Na esteira do tempo, pais e filhos são a
riqueza do universo, pilares de uma sociedade cidadã. Pais que amam, educam,
corrigem e apontam, com palavras e exemplos, valores e princípios, os quais
moldarão contingente disponível ao livre arbítrio dos filhos.
É no aconchego dos pais que a criança
começa a enxergar o mundo e a ver as pessoas. Ainda com sua massa cinzenta
virgem, ela vai pontilhando traços, que, mais tarde, serão arcabouço de sua
estrutura existencial.
Pais não alimentam apenas o corpo, pois,
assim, a criatura humana ficaria massa informe e a sua intrínseca unidade
ontológica, abalada, destruída.
A construção interior é feita de risos e
lágrimas, onde as fragilidades são reconhecidas e as qualidades desenvolvidas
para coerente apreensão de uma visão de mundo, onde encontros e desencontros,
encantos e desencantos, elogios e mágoas, perdas e ganhos, vitórias e derrotas
serão, nalgum momento, anfitriões.
Mas, em tudo isso, uma profunda reflexão
impõe-se a calar na interioridade de cada filho e de cada filha: por trás do
sucesso, dos êxitos alcançados pelos filhos está a luta indômita dos pais.
Sacrifícios, trabalho, cuidados, preocupações do afeto e amor dos pais.
O mundo pode não ver, mas é dever do filho
dobrar-se em atitude de sincero reconhecimento.
A gratidão deve pulsar no coração de cada
filho, de cada filha. Este é o melhor presente diário que seu pai merece,
filho.
Aos pais com carinho, amor e
responsabilidade.
Aos filhos com gratidão, respeito,
responsabilidade, amor.
Uma boa quarta-feira, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/08/26.

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