sexta-feira, 9 de outubro de 2026

PAI, EU TE SAÚDO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O sistema criou um dia para tudo, embora todos os dias, pulse a vida, arda a emoção, vibre o sentimento, grite a necessidade e brade a cidadania. Tudo em busca de dignidade e mais valia, que, muitas vezes, o próprio sistema avaria e nos palanques logorreia com euforia disfórica.

Pois bem, fala-se de pai. Então, deixem-se as lérias e vamos ao sério.

O primeiro pai foi Deus, ao criar o universo e para administrá-lo criou o homem e a mulher com Suas próprias mãos, neles imprimiu Sua imagem e semelhança e deles vem cuidando com carinho, afeto, respeito e amor, com a outorga da liberdade de desenvolver seus dons, dados, gratuitamente, e conduzir sua vida (Gn 1,27; Lc 15, 1-3).

A palavra ‘pai’ deriva do latim ‘pater’, em grego “πατέρ” e em hebraico ‘אַבָּא ‘ (ába). Existe ainda a palavra genitor, porém, esta, derivada também do latim ‘generare’, traz conotação, profundamente, biológica, enquanto ‘pai’ é mais abrangente e implica uma maior dimensão, qual seja, holística: física, moral, social, pedagógica, psicológica, espiritual.

Não se pode abstrair o pai da constelação familiar, nem lhe colocar aos ombros todo o peso do cuidado dos filhos, que deve ser partilhado com a mãe. Todavia, o seu papel tem um contorno específico, no amanho familiar, influindo no desenvolvimento, na formação do caráter e na construção da estrutura identitária do filho, em partilha e comunhão com a mãe, cujo papel também é, por demais, relevante.

Na esteira do tempo, pais e filhos são a riqueza do universo, pilares de uma sociedade cidadã. Pais que amam, educam, corrigem e apontam, com palavras e exemplos, valores e princípios, os quais moldarão contingente disponível ao livre arbítrio dos filhos.

É no aconchego dos pais que a criança começa a enxergar o mundo e a ver as pessoas. Ainda com sua massa cinzenta virgem, ela vai pontilhando traços, que, mais tarde, serão arcabouço de sua estrutura existencial.

Pais não alimentam apenas o corpo, pois, assim, a criatura humana ficaria massa informe e a sua intrínseca unidade ontológica, abalada, destruída.

A construção interior é feita de risos e lágrimas, onde as fragilidades são reconhecidas e as qualidades desenvolvidas para coerente apreensão de uma visão de mundo, onde encontros e desencontros, encantos e desencantos, elogios e mágoas, perdas e ganhos, vitórias e derrotas serão, nalgum momento, anfitriões.

Mas, em tudo isso, uma profunda reflexão impõe-se a calar na interioridade de cada filho e de cada filha: por trás do sucesso, dos êxitos alcançados pelos filhos está a luta indômita dos pais. Sacrifícios, trabalho, cuidados, preocupações do afeto e amor dos pais.

O mundo pode não ver, mas é dever do filho dobrar-se em atitude de sincero reconhecimento.

A gratidão deve pulsar no coração de cada filho, de cada filha. Este é o melhor presente diário que seu pai merece, filho.

Aos pais com carinho, amor e responsabilidade.

Aos filhos com gratidão, respeito, responsabilidade, amor.

Uma boa quarta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/08/26.


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