quinta-feira, 15 de outubro de 2026

MAIOR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Eu não conhecia "Maior", de Dani Black. Ouvi a música pela primeira vez com os integrantes do nosso coral Pedras que Cantam. A maioria também não a conhecia. Sabe aquela música que você escuta, imediatamente lhe causa um impacto e você já quer mostrar para alguém de quem gosta? Pois foi assim com "Maior". E foi maior por ter tido essa experiência de ouvir e depois cantar com o nosso grupo.

No último domingo, no teatro São José, entramos no palco a uma só voz. Em uníssono, cantamos: Eu sou maior do que era antes. Eu sou melhor do que era ontem. Eu sou filho do mistério e do silêncio. Somente o tempo vai me revelar quem sou.

Em seguida, o mesmo trecho foi cantado em perguntas e respostas. Os sopranos perguntavam, e os contraltos respondiam. Eu, no grupo dos contraltos, precisava ouvir para responder no tempo certo. Conter por alguns instantes a minha voz para que a voz do outro pudesse chegar inteira.

Finalmente, ainda repetindo o mesmo trecho, o coral se dividiu em vozes. Cada naipe assumiu uma linha melódica própria, mas todos permaneceram unidos pela mesma harmonia. A repetição não era desnecessária. Ao contrário: reforçava a ideia contida na letra de que precisamos estar atentos à voz do tempo para que o mistério de quem somos seja revelado.

Dividir vozes não é tarefa fácil. Mas o nosso querido maestro Tiago vem nos ensinando pacientemente. Passa um pequeno trecho de cada voz cantando e diz: "coloca no coração". A melodia dos sopranos, geralmente aquela que reconhecemos com mais facilidade, tende a nos atrair. A entrada de outro naipe pode nos confundir. Cada um precisa sustentar a própria linha, deixando que a diferença de sua voz participe da beleza do conjunto.

A letra fala da evolução do indivíduo com o passar do tempo. Cantamos esse crescimento em grupo. Um grupo ainda na sua segunda apresentação, que também cresce não apesar das diferenças, mas graças a elas.

A harmonia não nasce quando todos se tornam iguais. Ela nasce quando vozes diferentes soam como uma só, sem deixar de ser muitas.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/09/2026. Opinião. p.14.

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