Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)
Eu não conhecia "Maior", de Dani
Black. Ouvi a música pela primeira vez com os integrantes do nosso coral Pedras
que Cantam. A maioria também não a conhecia. Sabe aquela música que você
escuta, imediatamente lhe causa um impacto e você já quer mostrar para alguém
de quem gosta? Pois foi assim com "Maior". E foi maior por ter tido
essa experiência de ouvir e depois cantar com o nosso grupo.
No último domingo, no teatro São José,
entramos no palco a uma só voz. Em uníssono, cantamos: Eu sou maior do que era
antes. Eu sou melhor do que era ontem. Eu sou filho do mistério e do silêncio.
Somente o tempo vai me revelar quem sou.
Em seguida, o mesmo trecho foi cantado em
perguntas e respostas. Os sopranos perguntavam, e os contraltos respondiam. Eu,
no grupo dos contraltos, precisava ouvir para responder no tempo certo. Conter
por alguns instantes a minha voz para que a voz do outro pudesse chegar
inteira.
Finalmente, ainda repetindo o mesmo trecho,
o coral se dividiu em vozes. Cada naipe assumiu uma linha melódica própria, mas
todos permaneceram unidos pela mesma harmonia. A repetição não era
desnecessária. Ao contrário: reforçava a ideia contida na letra de que
precisamos estar atentos à voz do tempo para que o mistério de quem somos seja
revelado.
Dividir vozes não é tarefa fácil. Mas o
nosso querido maestro Tiago vem nos ensinando pacientemente. Passa um pequeno
trecho de cada voz cantando e diz: "coloca no coração". A melodia dos
sopranos, geralmente aquela que reconhecemos com mais facilidade, tende a nos
atrair. A entrada de outro naipe pode nos confundir. Cada um precisa sustentar
a própria linha, deixando que a diferença de sua voz participe da beleza do
conjunto.
A letra fala da evolução do indivíduo com o
passar do tempo. Cantamos esse crescimento em grupo. Um grupo ainda na sua
segunda apresentação, que também cresce não apesar das diferenças, mas graças a
elas.
A harmonia não nasce quando todos se tornam
iguais. Ela nasce quando vozes diferentes soam como uma só, sem deixar de ser
muitas.
(*) Médica
psiquiatra.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/09/2026. Opinião. p.14.

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