segunda-feira, 23 de março de 2026

As relações do Ceará com a China dão uma virada

Por José Nelson Bessa Maia (*)

Já há tempos que alertávamos sobre falhas na inserção internacional do Ceará. Falhas essas não devidamente tratadas nos esforços de planejamento do estado e da iniciativa privada. Com isso o Ceará perdeu oportunidades para alavancar o crescimento, reduzir a pobreza e acelerar o bem-estar de sua gente.

No entanto, nos últimos 30 anos, muito se avançou na infraestrutura, na qualidade da educação e na disseminação de qualificações pelo interior, com a melhoria na escola pública e a descentralização do ensino superior, reduzindo, assim, a histórica macrocefalia de Fortaleza em termos de PIB e criando polos de dinamismo em diversas regiões do Estado. As bases para o desenvolvimento estão, pois, firmemente assentadas.

Afortunadamente, o Ceará está agora dando mais passos na diversificação de parcerias, reduzindo sua tradicional dependência aos EUA como mercado de destino de exportações (ainda quase 50% da pauta) e à Europa como fonte de investimentos. As relações do Ceará com a China, promovidas pela paradiplomacia do atual Governo do Estado, finalmente deslancham e têm tudo para trazer benefícios e oportunidades para o Ceará.

Segundo o Ipece, em 2025, nossas exportações para a China foram de US$ 86,4 milhões (aumento de 50,4%), o que coloca a China como o quinto maior mercado de destino, com 3,79% do total. No lado das importações, em que a China já é o maior fornecedor do Ceará, houve retração, registrando valor de US$ 880,2 milhões, mas mesmo assim perfazendo 32,2% do total importado. Com isso, nossa corrente de comércio com a China se encontra ao redor de US$ 1 bilhão, cifra razoável, mais ainda bem aquém do potencial.

No investimento, a presença chinesa já é expressiva. Nos últimos 60 anos, 400 empresas de capital chinês se instalaram no Ceará, a maioria desde 2010, com capital social de R$ 116,4 milhões e concentrada em pequenos negócios e 300 deles localizados em Fortaleza. No entanto, o quadro muda. O investimento chinês no Ceará está sendo ampliado com a implantação do Data Center da empresa ByteDance, controladora do TikTok, no Complexo do Pecém, em parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos, cujo megainvestimento atingirá US$ 37 bilhões em 20 anos, 54% dos quais internalizados até 2035.

O investimento chinês será o maior da nossa história econômica, superando em 6,8 vezes o valor da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Como comparação, o PIB do Ceará foi de US$ 45,5 bilhões em 2024. Assistimos, pois, a uma virada. Parabéns ao governo estadual e às entidades empresariais (FIEC, FAEC) e agentes de fomento (Sebrae-CE, Universidades e outros) pela preparação do Ceará para receber investimentos globais em setores da Nova Economia e assim superar as limitações estruturais para expandir a formação bruta de capital fixo. Para frente, Ceará!

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 15/02/26. Opinião. p.20.

domingo, 22 de março de 2026

Ariosto Holanda morre e o Ceará chora

Por Marcelo Bloc (*)

O falecimento aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo para o Ceará

O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.

O velório de Ariosto ocorreu a partir das 10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e Raimunda Chagas Oliveira.

Ele foi estratégico para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

Suas principais contribuições acadêmicas e políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de "bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de Ariosto Holanda.

Ariosto concebeu os CVTs como uma ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem. Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito fundamental e essencial para a dignidade humana.

Citando o filósofo britânico Karl Popper, em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida. (...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.

Iniciou a vida política assumindo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).

Um dos filhos de Ariosto, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.

O Instituto Iracema Digital criou uma honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.


KEVIN E A SECRETÁRIA

Poucos dias depois, sua esposa fica sabendo dessa nova contratação e ele enfrenta uma saraivada de perguntas rápidas e suspeitas.

Emma (esposa de Kevin): "Sua nova secretária tem pernas bonitas?"

Kevin: "Não percebi direito."

Emma: "De que cor são os olhos dela?"

Kevin: "Não tive tempo de verificar."

Emma: "Quais são as cores de esmalte que ela usa, metálico, gel ou neon?"

Kevin: "Não faço a menor ideia."

Emma: "Ela tem sotaque local?"

Kevin: “Eu mal falei com ela, então não sei.”

Emma: "Como ela se veste?"

Kevin: "Muito rápido."

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


O CARRO DO SOGRO

O cara foi ao motel com a amante. Chegando lá, encontra o carro do sogro.

Revoltado com a traição do sogro à sogra (como se tivesse moral), risca o carro todo e ainda rouba o som.

No dia seguinte, vai à casa do sogro e vê que ele está muito bravo.

"O que aconteceu, sogro? Por que tá tão bravo?", pergunta, ironicamente.

O sogro responde: "E não é pra tá? Emprestei o carro ontem pra sua mulher ir à missa, e riscaram o carro todo e ainda roubaram o som!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 21 de março de 2026

O RETRATO DA MULHER

Uma jovem senhora foi diagnosticada com uma doença terminal e é informada pelo médico que tem 2 meses de vida.

Então ela decide ir a um pintor para fazer-se retratar e assim deixar uma linda lembrança para sua família.

No dia em que combinaram, o artista chega, ela senta-se para posar e o pintor começa a retratá-la. Depois de alguns minutos ela diz a ele:

- Por favor, você poderia pintar uma tiara de diamantes na minha cabeça?

- Sim, senhora, certamente.

Depois de alguns minutos:

- E um colar de pérolas no pescoço?

- Claro, madame.

E ela pede que ele pinte também um anel com uma esmeralda, uma pulseira de ouro, etc.

Depois de algumas horas o retrato está pronto e a senhora parecia uma rainha toda coberta de joias. O pintor diz a ela:

- Com licença, senhora, mas por que queria que eu a pintasse com tantas joias?

- Muito simples, para que a próxima mulher com quem meu marido se case enlouqueça procurando por elas.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


O PIOR ALIMENTO DO MUNDO

Um importante médico estava fazendo uma palestra em uma das mais importantes universidades do país sobre os perigos da alimentação nos dias de hoje.

“O lixo que nós colocamos para dentro de nossos corpos poderia ter nos matado há muitos anos! Por sorte estamos aqui!”, diz ele. E continuou:

“Carne vermelha é repleta de esteroides e hormônios. Refrigerantes corroem o nosso estômago. Comidas congeladas estão cheias de conservantes. Isso sem falar nos outros alimentos com gordura trans, além dos germes que estão na água que tomamos.”

Todos que assistiam a palestra estavam chocados. Mas o conceituado médico seguiu em frente: “No entanto, existe um alimento que é o mais perigoso de todos e que todos nós um dia já consumimos na vida ou ainda vamos consumir, e faz muito mal! Quero que vocês tentem descobrir. Que alimento é esse que causa tanto danos por anos e anos depois que comemos?”

Silêncio total na plateia. Até que, um minuto depois, levanta uma senhorinha de mais de 70 anos erguendo a mão.

“Eu sei”, ela diz. “E o que é?”, pergunta o médico.

Ela responde: “O bolo do dia de casamento?”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 20 de março de 2026

São José, paladino de nossa salvação

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

José, filho de Jacó, descendente de Davi, nascido em Belém, teve uma boa formação, no seio de sua família. Radicado em Nazaré, conhecia de perto a família de Maria e admirava a firmeza de educação que Joaquim e Ana ministravam a Maria, sua futura esposa.

Isso posto, algumas considerações:

A história ignota de José pulsa, visível e vibrante, em suas atitudes como homem, esposo e pai adotivo, sediada no caráter, na lealdade, na humildade e na fé.

Embora não se saiba, em que idade, mudou-se para Nazaré, José conhecera a família de Maria, talvez, no seu mister de fabro e dedicava-lhe profunda admiração.

O silêncio, que perpassa toda a sua história, desenhou a grandeza de seus feitos, que os fatos revelam. E, diante de fatos, ideias, opiniões e tudo se calam, porque a luz, que brilha, clareia e atrai.

Imaginar um homem, cheio de amor por uma mulher, em véspera de casamento, deparar-se com uma súbita e inexplicável gravidez, é não ceder à fragilidade natural, é não se dar a um juízo apriorístico, é ser mais forte que os sentimentos e pensamentos que pretendem vaguear pelos meandros da mente.

José sentiu esse espinho, mas pensou na rosa, cujo perfume fez-se mais possante que o incômodo do espinho.

Sentindo-se impotente de compreender o que lhe parecia incompreensível, sua mente inquieta e atormentada, adormece-lhe o corpo cansado e, naquele sono irrequieto, uma visão o acalma e ratifica o parecer, que sua alma sempre lhe dizia de sua noiva.

Uma visão onírica e não uma aparição foi suficiente para a humildade da fé de José.

Ora, acreditar em visões não é tão fácil, pelas diversas circunstâncias e situações em que ocorrem, quanto mais dar crédito a sonhos.

E José acreditou, pois, no fundo de sua alma, essa fé já havia criado raízes e o amor da mulher amada falava-lhe de afeto, carinho e pureza virginal.

Eles provêm de insensibilidade invisível, que ultrapassa o além do visível, podem ser sintomas, premonições ou avisos e, muitas vezes, padecem de frustrações, sentimentos calcados e refugados. Sonhos levam a uma dimensão, onde a liberdade de devaneios, de imaginação não se prende a limites, onde a liberdade espraia-se além das fronteiras contingentes.

Sonhos são sonhos e podem não ser nada mais.

Para José, assim como para outros personagens bíblicos, em outros tempos e situações, sonhos foram linguagem de Deus e a esta linguagem sua fé curvou-se, incontinenti. No silêncio de sua alma, José escutou, nada perguntou, nem questionou, apenas obedeceu.

O mistério do DNA de Deus guardou-o consigo, tomou Maria como esposa e assumiu-se paladino do Salvador, até seus últimos dias, quando adormeceu, acolitado por ambos.

Seu silêncio ficou silenciado no seio da Igreja, por séculos, até que sua grandeza brilhou, intensamente, quando, em 8 de dezembro de 1870, a Sagrada Congregação dos Ritos promulgou o decreto QUEM AD MODUM DEUS (Da mesma maneira que Deus), que comunicou a decisão do Papa Pio IX de declarar São José como Patrono da Igreja Universal.

A inexcedível e extraordinária grandeza de São José põe-no acima de todos os santos, somente abaixo de Maria Santíssima.

São José, rogai por nós, pela Igreja, pelos sacerdotes e religiosos, por todos os cristãos, pelo mundo e pela Pátria Brasileira.

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 20/03/26.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 862

Comecemos com um caso hilário, da verve do mestre Leonardo Mota.

I.N.R.I. - Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum

O mestre Henrique era reputado marceneiro nos sertões de Sergipe. Sua especialidade estava nas camas francesas à Luís Quinze. Quando o freguês achava que o leito era baixo, recebia a explicação de que a cama era francesa, mas era à Luís Quatorze; se a queixa era da excessiva altura, ficava sabendo que aquilo era cama francesa à Luís Dezesseis... O mestre Henrique pôs toda a sua ciência no Cruzeiro do patamar da igreja de Aquidabã. No topo do sagrado madeiro, o vigário da freguesia fizera o mestre Henrique colocar uma tabuinha com as letras I.N.R.I., iniciais de Jesus Nazareno Rei dos Judeus, a irônica inscrição latina de que a ruindade de Pilatos se lembrara na ignominiosa sentença de morte do filho de Deus. Decorrido algum tempo, um sertanejo sergipano, intrigado com a significação daquelas quatro letras, perguntou a um seu conhecido:

- Que é que quererá dizer aquele negócio de INRI, que tem escrito em riba do Cruzeiro?

- Você não sabe não? Ali falta é o Q-U-E. Esse QUE não cabeu na tabuinha: aquilo é a assinatura de quem fez, que foi o mestre INRIque...

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/416946/porandubas-n-862

quinta-feira, 19 de março de 2026

Ceará se prepara para receber a nova Diocese de Baturité

Por Carlos Daniel, jornalista de O Povo.

Celebração histórica ocorre no próximo dia 25 e deve reunir cerca de 10 mil fiéis, além de forte esquema de segurança na cidade

A Arquidiocese de Fortaleza apresentou, nesta quarta-feira, 18, os detalhes da criação da nova Diocese de Baturité. A instalação canônica está marcada para o próximo dia 25 de março e deve reunir milhares de fiéis, além de autoridades civis e religiosas de todo o Ceará. O evento contará com um esquema especial de segurança e uma ampla estrutura para acolher o público.

Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio Entre Rios, em Baturité, o padre José Benício Nogueira afirmou que a cidade se prepara para receber cerca de 10 mil pessoas.

A programação oficial terá início às 17h30min, com a entrada do novo bispo, dom Luiz Gonzaga Pepeu — conhecido como dom Pepeu — na Catedral de Nossa Senhora da Palma, onde ocorrerão os ritos de instalação e posse, em cerimônia privada. Em seguida, às 18h30min, será celebrada uma missa campal no patamar da igreja, aberta ao público.

Ao todo, estão confirmados 41 bispos, mais de 250 sacerdotes, cerca de 50 religiosos e mais de 30 diáconos. A cerimônia marca um momento histórico para a Igreja Católica no Ceará.

Marco histórico para a Igreja no Ceará

O padre Vanderlúcio Souza, representante da Arquidiocese de Fortaleza, afirmou que “a igreja no Ceará vive um momento histórico e de grande significado pastoral” com a criação do novo episcopado.

A nova diocese é a décima do Ceará e a primeira criada pelo papa Leão XIV no Brasil. O anúncio foi feito no dia 1º de janeiro deste ano e simboliza, segundo o padre Vanderlúcio, o fortalecimento da presença da Igreja na região do Maciço de Baturité, ampliando a ação evangelizadora e o cuidado pastoral com as comunidades.

Estrutura e organização da nova diocese

A Diocese de Baturité abrangerá 21 paróquias distribuídas em 14 municípios da região, sendo Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia, Paramoti, Redenção, Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira e a própria cidade de Baturité.

Como parte da estruturação da nova diocese, a Prefeitura de Baturité anunciou a doação de um terreno de aproximadamente quatro hectares. Localizado da igreja da Sagrada Família, no conjunto Maria José Viana, o espaço será destinado à construção dos equipamentos da cúria diocesana

Dom Luiz Gonzaga Pepeu será o primeiro bispo da nova circunscrição e chegará ao Ceará no dia 24 de março, sendo recebido em Fortaleza por dom Gregório antes de seguir para Baturité.

A posse canônica ocorrerá durante a cerimônia do dia 25, oficializando a missão do novo bispo e a estrutura eclesial da diocese. A celebração contará com a presença de representantes do Vaticano, incluindo o cardeal Sérgio da Rocha.

Esquema de segurança e organização do trânsito

Para garantir a tranquilidade do evento, foi montada uma operação integrada envolvendo forças de segurança estaduais e municipais. Cerca de 150 policiais militares atuarão diretamente na operação, que começa já no dia 24 de março, com o reforço do policiamento nos principais pontos da cidade.

O planejamento prevê a divisão das áreas de atuação em zonas de segurança, com policiamento a pé nas imediações da catedral, além do apoio de unidades especializadas, como cavalaria, Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e Polícia Rodoviária Estadual, que atuará nas vias de acesso ao município.

O Corpo de Bombeiros e equipes de saúde também estarão de prontidão para atendimentos emergenciais, enquanto agentes de trânsito irão coordenar o fluxo de veículos. As ruas no entorno da Praça da Matriz serão interditadas para garantir a circulação dos pedestres e a realização da missa campal.

Além disso, a prefeitura organizará espaços de apoio, como praça de alimentação e áreas específicas para ambulantes, com o objetivo de oferecer melhor estrutura aos visitantes e evitar aglomerações em pontos críticos.

Transmissão do evento

A instalação da Diocese de Baturité será transmitida ao vivo em rede nacional por emissoras de televisão católicas, além de plataformas digitais.

Entre os veículos que farão a transmissão estão Rede Vida, TV Evangelizar, Sistema Shalom de Comunicação, além de emissoras de rádio local. (Colaborou Penélope Menezes)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/03/26. Cidades. p.14.


COISAS NA VIDA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Na vida, acontecem muitas coisas, pois, sem acontecer coisas, a vida fenece e deita-se no vácuo.

Acontecem coisas simples e labirínticas, herméticas e transparentes, plurais e diversas, semelhantes e diferentes, amistosas e irônicas, hilárias e tristonhas, destruidoras e edificantes, decepcionantes e motivadoras. Todas elas chegam como visitas, muitas passam ao largo, porém algumas ficam como residentes e outras, se deixar, somente se eu permitir, ficam fantasmas a me importunar e a me tentar estorvar.

As coisas, que me interpelam, eu falo com elas. As coisas, que me ironizam, eu as analiso. As coisas amistosas e sinceras, eu caminho com elas. As coisas mascaradas, eu desconfio delas. As coisas dissimuladas e vazias, eu as descarto. As coisas, surpresas desagradáveis, eu as busco ‘resiliar’. As coisas sonhadas, eu acordo com elas. As coisas deprimentes e decepcionantes, atiro-as de mim. As coisas hilárias, eu sorrio com elas.

Apesar de todo esmero, há coisas que salpicam, grudam e não desgrudam, mas calam-se ao serem calcadas, com a força proativa da resiliência.

Há, porém, outro tipo de coisas, mais robustas e mais vigorosas, por vezes, contundentes, são as coisas que me mergulham e nelas eu imerjo, rastreio seus calcáreos, meço sua profundidade e delas emerjo. Novas aprendizagens, asas mais fortes para voos mais audazes, sem perder a prudência e a humildade de um simples e sábio andarilho.

Dulcia non merit qui non gustat amara (tradução livre: Ninguém merece o doce, sem nunca ter provado o amargo).

A todos desejo uma boa quaresma e uma agradável quarta-feira, com as bênçãos de Deus !!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 18/02/26.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Carnaval e café com bolo da Walma

Por Izabel Gurgel (*)

O melhor bolo do nosso mundo é o da Walma, a primeira Laena da família e a herdeira da forma de bolo da tia Meralda. Tia Esmeralda fez durante anos nossos melhores bolos. O de cobertura de maracujá, cortado em losangos, surgia feito um painel Athos Bulcão, daqueles que a gente vê em Brasília e reconhece o jogo, a brincadeira com a geometria, e lambe com os olhos, ao tempo que a obra nos olha, como a paisagem.

No caso do simples bolo fofo da Walma, dá pra saber bonito, sentindo, por que chamamos de céu da boca um dos portais de alegrias que levamos em nós.

Depois da Flora - que tem dois anos, dois meses e três dias e já tem chão de apreciadora praticante do bolo da vó -, o bolo da Walma é o ímã mais eficaz para nos aglutinar. Mal aparece no zap a mensagem "tem bolo da Walma" e chega todo mundo antes que o bolo esfrie. Velozes? Kms de distância parecem ficção.

Dobramos o espaço, e a mesa realiza seu destino de encruzilhada. É o nosso simpósio. E cada bolo, a nos lembrar de que nadica de nada sabemos sobre o milagre que é a vida, cada bolo atualiza a cantada perfeição do anterior. E nos absurda. Como pode estar melhor que aquele?

O cheiro do bolo é banda de bloco dobrando a rua. O corpo escuta logo. Células no modo confete, coluna se desenrola feito serpentina e os pés ensaiam rotas de cura. É tipo anúncio da farra, e me faz pensar n'A Turma do Mamão, nascida e criada no Centro de Fortaleza.

A Turma do Mamão desfila amanhã, segunda, na Domingos Olímpio, onde a vi passar anos atrás com aquela alegria em bando que a rua amplia de um jeito que só é possível na rua. E a rua cresce com ela.

Não há Carnaval que não me ocorra Clarice, adulta, recriando o Recife da infância em tempo de folia. Ela afirma que foi quando se deu conta do destino para o qual as ruas da cidade haviam sido feitas.

Um pedacinho do texto "Restos do Carnaval" nos dá as boas-vindas, a nós visitantes, ao Paço do Frevo, museu no Centro de Recife. Se der vontade de ler na íntegra, dá um google e vc acha fácil. Prefere ler no papel? Está no livro "Felicidade Clandestina".

Tão nosso isso da escritora "complexa e difícil" de abre-alas no velho prédio restaurado que abriga uma fonte sobre um dos ímãs da vida em Pernambuco. Pernambuco do bolo de rolo e do bolo de noiva, tão apreciada a parte comida na festa quanto a guardável para se comer no ano seguinte.

Feito brincantes do Rei de Paus hoje, depois do desfile na Domingos Olímpio, escutando, no gosto do recém-vivido à flor da pele, os sinais do Carnaval que virá.

Pele de brincante é tipo casca de bolo: está tudo ali. Tem mais maracatu na avenida. Mas eu sou tão fã do que Seu Geraldo (Barbosa) fazia no Rei de Paus quanto da oferenda da Laena-Mãe.

O bolo da Walma é nosso Carnaval, nunca fora de época, porque festa que é festa nos
instala no agora.

E quem não vai querer?

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/02/26. Vida & Arte, p.2.

terça-feira, 17 de março de 2026

Por que relacionamentos definham?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Relacionamentos de amizade e, sobretudo, de amor, começam com muito elã, com muito aconchego, mas, com o passar do tempo, muitas vezes, esse elã e esse aconchego vão diminuindo, por vários motivos. A rotina instala a mesmice, a casa emudece, as paredes ensurdecem, e os ambientes, cegos, monologam. As conversas diminuem e os encontros tornam-se frios.

Esse ramerrão, que anula sentimentos e mata relacionamentos, pode descambar para um afastamento, que, aos poucos, vai configurando uma separação de corpos, de afetos, de atenção, de cuidados até um rompimento total e irrecuperável.

Às vezes, acontece uma solidão discreta, surda e invisível aos outros, mas sentida e demonstrada através de sorrisos amarelos e palavras, que não implicam a força real de um relacionamento. Esse mal-estar silencioso instala um distanciamento erosivo e a dimensão emocional começa a desmilinguir-se, a partir de uma dissonância interior acerca da validade da continuidade do relacionamento; perdem-se a espontaneidade convivencial, a alegria do sabor do encontro e o ambiente torna-se mais do que frio, por vezes, tempestuoso.

O espirito também ressente-se e começa a encolher-se, não encontrando guarida coloquial de partilha e de reciprocidade.

É importante considerar que as pessoas não renunciam àquilo que são, elas continuam sendo o que elas são. E, quando buscam apresentar máscaras apenas de qualidades e virtudes, a realidade cobra alto preço do estorvo do ‘si mesmo’ de cada um, pois, a sua farsa impede qualquer tipo de correção, de adaptação e de ajustes e parte para acusar e cobrar mudanças do outro.

Tanto na vida social, familiar e relacional, o autogerenciamento e o autocontrole precisam ser aprendidos e ativados, no sentido de que ninguém se relaciona com pedaços, tampouco com máscaras, se o objetivo é estabilidade, serenidade e paz; sem ocultar nem fugir, nem menosprezar a ‘si mesmo’, senão cultivar o equilíbrio e a autoestima, com humildade e sinceridade e abertura. É impossível tentar burlar a identidade pessoal, sem infames sequelas traumáticas.

O elã, que motivou o relacionamento, volto a dizer, pode amainar um pouco, ou mesmo debilitar-se, mas pode ser reavivado pela prudência, pela gestão das emoções e atitudes, pela adaptação respeitosa de caracteres e o autocontrole, em vista de construir ou reificar o sentido do relacionamento e da amizade.

Não se trata de ‘renunciar’ à sua identidade, aos seus sonhos, senão de aprender que não há paz com máscaras, nem amor sem abertura ao outro.

Não é o outro que deve mudar, são os dois que precisam se entender e se adaptar.

Tenhamos uma boa terça-feira,  com as bênçãos de Deus!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/02/26.


Carnaval e a inversão de prioridades no Ceará

Por Luiz Eduardo Girão (*)

O exemplo precisa vir de cima, de líderes com coragem para enfrentar e consertar o que está errado e serem os primeiros a renunciar privilégios, como tenho feito no Senado desde que assumi o mandato em 2019.

É triste ver políticos do Ceará “sambarem” com o dinheiro de quem paga imposto em nosso Estado, que fica mais caro a cada dia com PT. Constatar que prefeitos não têm sensibilidade e torram dinheiro público com festas, mesmo diante de graves fatos como a bilionária roubalheira dos aposentados e a maior fraude no sistema financeiro do Brasil: a do Banco Master, que envolve autoridades poderosas.

É de constranger ver prefeituras reclamando dos altos cachês de artistas para o carnaval, quando deveriam cancelar as festas e fazer investimentos urgentes e prioritários como em saúde e segurança, que estão em frangalhos na maioria dos municípios. Eu visito pessoalmente meus conterrâneos e vejo quão sofríveis estão esses serviços básicos.

Gerir um Estado de forma responsável economicamente não difere muito de cuidar de um lar familiar. Os princípios são os mesmos: manter equilíbrio entre o que se arrecada e o que se gasta. Desde 2023, o governador Elmano já solicitou mais de R$ 13 bilhões em empréstimos e, só em 2025, a Assembleia Legislativa aprovou 3 novos pedidos, totalizando R$ 6 bilhões. Isso não tem como dar certo quando se mantém no caminho da irresponsabilidade.

Para exemplificar: O governo estadual petista possui 36 Secretarias para uma população de pouco mais de 9 milhões de habitantes, em 184 municípios. Minas Gerais, governada pelo Partido Novo, tem apenas 16 secretarias para uma população de quase 22 milhões em 853 municípios. Sem falar dos cargos comissionados, que, no Ceará, passam dos 10 mil. Uma indecência que visa acomodar interesses político-partidários.

Tenho aproveitado o lançamento da pré-candidatura ao governo para apresentar um novo modelo de administração, que tem tido boa receptividade conforme atesta a última pesquisa da CNN, que nos dá 16% das intenções de voto. Depois de Fortaleza e da Região do Cariri, o lançamento acontecerá em Sobral no próximo dia 14 de março.

Tenho trabalhado para beneficiar os 184 municípios do Ceará em emendas com transparência, fiscalização e participação popular. Na região Norte foram investidos quase R$ 49 milhões. Só em Sobral, foram mais de R$ 6 milhões atendendo à Santa Casa de Misericórdia, Hospital do Coração, unidades básicas de saúde, comunidades terapêuticas e Apae.

A direita e os conservadores cearenses estão preparados para virar a página do atraso produzido por uma oligarquia que se revezou por 20 anos no poder. Deu no que deu. Vamos juntos escrever um "Novo" capítulo de desenvolvimento do Ceará. Paz & Bem

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/02/26. Opinião, p.19.


segunda-feira, 16 de março de 2026

Colunistas parciais maculam a seriedade de um veículo

Por Marcos L Susskind (*)

O jornal O POVO é, sem dúvida, um dos mais influentes veículos do Ceará. Foi em suas páginas que a colunista Mônica Dias Martins escreveu artigo iniciando por uma acusação feita pelo grupo Women in Black em Jan/2004 que demonizava soldados Israelenses. Mas a mesma Women in Black, pacifista, não condenou o massacre do Hamas.

Não é segredo que grupos de esquerda e pro-palestina abusem de acusações sem fundamento sobre violência sexual por parte de soldados Israelenses, jamais documentadas, mas originadas apenas nas falas de mulheres palestinas.

No entanto, estas mesmas organizações calam-se quando são exibidos fotos e vídeos de corpos de mulheres israelenses violentadas, com imenso sangramento vaginal, com seus quadris quebrados e até mesmo espancamentos com bastões em vias públicas. Assim, movimentos feministas como “Me Too”; “Ni Una Menos” e “Marcha das Mulheres” calaram-se ou emitiram notas apenas superficiais.

A orientação política de esquerda da autora do artigo em questão parece dar-lhe licença para demonização de tudo que diz respeito a Israel enquanto silencia sobre atrocidades de palestinos ou até as glorifica. Nenhuma linha sobre assassinato por estrangulamento dos bebês Bibas, das sevícías nos moradores de Nir Oz.

Artigos anteriores da mesma autora saúdam a flotilha de Greta Thumberg, extremamente vocal contra Israel, mas desaparecida em relação aos massacres do Irã, numa clara evidência que não lhe importam direitos humanos e sim propaganda anti-israelense. Outros artigos investem contra os Estados Unidos, mas silenciam sobre a opressão na Venezuela, Nicarágua e Cuba.

Israel, como qualquer nação, tem defeitos - mas tem inegáveis qualidades, que a autora faz questão de ignorar.

Quando uma pessoa defende veementemente apenas um lado, ela perde a função de jornalista e passa a ser apenas panfletária. É uma pena que uma pessoa assim tenha assento como professora numa universidade onde ao invés de formar, ela deforma seus alunos, usando apenas de uma visão parcial maniqueísta.

E, ainda, é lastimável que O POVO lhe dê tribuna para inculcar ideias parciais a seus leitores.

(*) Palestrante e Ativista Social. Autor do livro "Combatendo o Antissemitismo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/02/26. Opinião, p.16.

Romaria das Candeias e o debate da exploração dos preços

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A cidade de Juazeiro do Norte é um dos campos mais fecundos das variadas manifestações religiosas populares do Brasil. A sua religiosidade parece distante de tudo que achamos sacrificial e místico.

O calendário religioso local distribui-se entre dez romarias por ano, permitindo o fluxo constante de romeiros, ao mesmo tempo em que fortalece a economia com o aumento da circulação de moedas, e a geração de empregos.

Ocorreu entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro a Romaria das Candeias, conhecida como a "procissão luminosa". Dados disponibilizados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Turismo e Inovação de Juazeiro do Norte (Sedetur) informam que mais de 250 mil pessoas visitaram a cidade.

Não há informações concretas de quando iniciou-se a romaria, mas um fato importante e conhecido como a narrativa mais popular e fiel, é que no "[...] o crescimento do povoado no final do século XIX, em busca de alento espiritual e material, surgiu a necessidade de gerar emprego. Um serralheiro, passando por dificuldades, pediu ajuda ao Padre Cícero, que o orientou a fabricar candeeiros. [...] e aproveitando-se da comunhão com o povo os instruiu a comprar candeeiros para utilizar na data da procissão' (MARINHO, R. 2023).

A excelente resolutiva empreendedora do Padre reverbera por todo o Nordeste, relacionando as romarias aos efeitos do mercado econômico local.

A exploração dos preços de bens e serviços em tempos de romarias reflete a ausência de estratégias entre os empreendedores locais, (que precisam vender seus produtos), e o poder público que poderia negociar medidas em forma de incentivos promovendo a estagnação de preços, ou aumentos reduzidos e fragmentados anualmente para setores específicos da romaria, como os ranchos e pousadas.

É notório que as elevações de preços de diárias em 300%, com oferta de um quarto modesto com banheiro no corredor por uma bagatela de R$ 500,00 reais por pessoa é imoral. Outros produtos chamaram atenção pelo preço, como por exemplo: 300 ml de água por R$ 4,00, o café com leite e o pão de sal por R$ 7,00, o almoço estava o quilo por R$ 59,90, o prato de sopa ou caldo no jantar era vendido a R$ 15,00.

Diante desta realidade muitos romeiros passaram a substituir a alimentação, e a pernoitar dentro dos ônibus, em praças ou arredores das igrejas.

Perolina Lins, uma romeira de Maceió que durante a missa na Basílica Nossa Senhora das Dores, cantou assim o seu bendito da carestia: "Meu padrinho Ciço Romão nos ajude por favor. É grande a exploração na cidade do Senhor! Nas pousadas e racharia os valores são altos demais. E os romeiros sofrendo sem poder viajar mais.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 13/02/26. Opinião. p.19.

domingo, 15 de março de 2026

Causo Médico: A CARGA HORÁRIA DA ANATOMIA

Em uma escola médica, pertencente a uma universidade nordestina, durante muito tempo, o ensino de Anatomia era ministrado em dois anos, com quatro semestres letivos, cobrindo as chamadas partes descritiva e topográfica dessa cadeira.

Com a reforma do currículo, para inclusão do Internato no curso médico, a sua carga horária foi diminuída e concentrada apenas no primeiro ano da faculdade.

Posteriormente, já no limiar dos anos setenta, essa universidade aderiu ao Acordo MEC/USAID, para implantação de uma drástica reforma universitária, que, entre outras medidas, abolia a cátedra, substituía as cadeiras por disciplinas, introduzia o sistema de créditos, com inclusão de matérias optativas e fim do regime seriado anualizado, passando a matrícula a ser semestral.

No caso da Anatomia, a Pró-reitoria de Graduação dessa universidade traçou, como norte ou balizamento, o enxugamento da carga horária da Anatomia, de modo a ser lecionada em um único semestre letivo.

Um coordenador acadêmico do curso, atento à vontade da Reitoria, era simpático à ideia, e, para pressionar os docentes a acatarem a mudança, ameaçou com uma retração ainda mais dramática da carga horária da disciplina, arguindo a perda da sua importância, com a modernização da Medicina e o avanço tecnológico.

A questão só não prosperou, com resultados nefastos, quando o antigo catedrático, em tom de recado, declarou:

– Se for para ensinar a Anatomia que o nosso coordenador acadêmico sabe, não precisaremos de dois meses, ou de duas semanas; bastam duas horas/aula.

Depois disso, a disciplina recuperou parte de suas perdas em carga horária.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.75.

SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a carga horária da anatomia. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Agosto de 2024 - Edição n.35. p. 32-32 (online). (Doc. Nº 8.2.735).


Atravessar a dor com fé: os enfermos sob o olhar de Nossa Senhora de Lourdes

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Fevereiro, embora seja o mês mais curto do calendário, possui um significado profundo para a espiritualidade cristã. É neste período que a Igreja Católica celebra o Dia Mundial do Enfermo, em 11 de fevereiro, data da memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Ao vivermos este mês como tempo dedicado aos enfermos, a Igreja nos convida a entrar num dos mistérios mais profundos da vida cristã: o encontro entre a fragilidade humana e a misericórdia de Deus. Não é um convite teórico, mas profundamente concreto, feito de rostos, histórias, dores e esperanças.

O Evangelho nos oferece uma parábola que se torna guia para este tempo: o Bom Samaritano Jesus narra a história de um homem ferido à beira do caminho, ignorado por um sacerdote e um levita, mas socorrido por um samaritano que, movido pela compaixão, cuidou de suas feridas e garantiu-lhe abrigo (Lc 10, 25-37).

Neste contexto, ecoa com força a mensagem do Papa Leão XIV, que, ao refletir sobre essa parábola, recorda à Igreja que o verdadeiro amor cristão nasce quando somos capazes de interromper o nosso caminho para cuidar do outro, especialmente daquele que sofre. Segundo ele, o mundo atual corre o risco de se acostumar com a dor alheia, passando por ela sem se deter, exatamente como fizeram o sacerdote e o levita da parábola.

O homem caído à beira do caminho continua presente em nosso tempo. Ele tem o rosto do enfermo que espera uma visita, do doente que enfrenta longas noites de solidão, da família que carrega o peso da enfermidade sem apoio, do corpo fragilizado e da alma cansada. Isso nos ensina que não basta ver: é preciso aproximar-se.

O Papa Leão XIV nos adverte que a compaixão não é um sentimento passageiro, mas uma decisão. O Bom Samaritano decide ver no ferido não um problema, mas um irmão. Decide gastar tempo, recursos e até arriscar-se por alguém que não conhece. Essa decisão transforma o caminho da indiferença em caminho de salvação.

É exatamente isso que contemplamos em Nossa Senhora de Lourdes. Maria não permanece distante do sofrimento humano. Ela aparece numa gruta simples, e se faz próxima dos doentes. Lourdes se tornou um grande lugar de peregrinação, onde milhares de pessoas acorrem não para fugir da dor, mas para atravessá-la com fé.

Assim como o Bom Samaritano se inclina para cuidar das feridas, Maria se inclina com ternura maternal sobre os enfermos. Ela não pergunta de onde vêm, nem quais méritos possuem; ela acolhe. O Papa Leão XIV afirma que a Igreja deve aprender com essa lógica do amor gratuito, pois o Evangelho só é crível quando se traduz em cuidado concreto.

Em Lourdes, muitos buscam a cura do corpo, mas todos são convidados à cura do coração. Nem sempre o milagre acontece como esperamos, mas sempre acontece algo maior: a certeza de que Deus não abandona seus filhos na dor. Maria, como Mãe atenta, permanece junto à cruz de cada enfermo, sustentando a esperança quando as forças parecem faltar.

O Papa recorda ainda que o Bom Samaritano não delega o cuidado: ele mesmo se envolve. Isso nos interpela profundamente. Quantas vezes terceirizamos o amor? Quantas vezes achamos que o cuidado é tarefa apenas de familiares, profissionais e instituições? Fevereiro nos lembra que todos somos responsáveis uns pelos outros.

Cada cristão é chamado a ser samaritano: na família, na comunidade, no hospital, na paróquia. Um telefonema, uma visita, uma oração oferecida, um gesto de paciência - tudo isso se torna sinal visível do Reino de Deus. Como ensina o Papa Leão XIV, a santidade passa, muitas vezes, por caminhos silenciosos, onde ninguém aplaude, mas onde Deus age.

Queridos filhos e filhas, neste mês dos enfermos, peçamos a graça de aprender com o Bom Samaritano e com Nossa Senhora de Lourdes. Que não sejamos uma Igreja que passa apressada, mas uma Igreja que se detém. Que não sejamos uma comunidade distante, mas uma família que cuida.

Confiemos todos os doentes à intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. Que ela nos ensine a transformar a dor em oração, o sofrimento em oferta e o cuidado em missão. E que, iluminados pelo ensinamento do Papa Leão XIV, possamos ouvir de Jesus, não como reprovação, mas como envio amoroso: "Vai, e faze tu o mesmo."

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 21/02/2026. Opinião. p.16.


Convertei-vos e crede no Evangelho

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

Nesta quarta começa a Quaresma, tempo litúrgico do catolicismo. Constitui-se de quarenta dias de preparação para a celebração da Páscoa, ponto alto da fé cristã. Na liturgia de hoje, lê-se a passagem de Marcos 1, versículo 15: "O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!"

Sim, o chamado maior do Cristo foi, e é, o da conversão, a metanóia. Seguir a Cristo é "nascer novamente", "renunciar-se a si mesmo", ser "outro": "Eis que faço novas todas coisas".

Lembrei disso ao ver, na volta dos trabalhos à Alece, o discurso proferido por uma deputada para mostrar desacordo com o Plano de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelo governo federal. Segundo ela, por não ter "chamado as igrejas", o plano não merecia ser considerado; daí a performance de rasgá-lo para "sair no jornal" - nisso, foi ela prontamente atendida, pois nossos jornais publicaram a cena, viralizando-a.

Mas, a deputada evangélica, esquecendo-se que Cristo veio "para que todos tenham vida, e vida em abundância", desejou às feministas "três crises de convulsão e AVC". Em vez de conversão, desejou doença (grave). Em vez de vida, padecer.

A retórica não é deslocada: pelo contrário, como nos lembra declaração captada por este jornal, ano passado, da boca de um outro deputado, também evangélico, falando a políticos de seu grupo, admoestando-os de que desejar a morte de Lula “não funciona”, pois ele mesmo já orou "muito".

"Fazei bem aos que vos perseguem e orai pelos vossos inimigos" é ordem dada pelo Cristo, a quem dizem seguir; ordem que se junta a tantas outras, às quais os nobres deputados parecem desconhecer.

Nas proximidades de sua "paixão", segundo relato do Evangelho de João, lê-se o que seria a "oração sacerdotal" que Cristo fez ao Pai, com um desejo: que olhando para seus seguidores, "o mundo creia". O testemunho que tais falas nos dão nos permitem crer no Cristo? O leitor veria Jesus, Maria, os apóstolos, os profetas e os santos desejar "crises de convulsão", "AVC" e "oração pela morte" de desafetos? Como esquecer a ordem de Jesus para que Pedro guardasse sua espada, que desejava usar contra o soldado romano?

Nobres excelências, "convertei-vos e crede no Evangelho". Em nome de Jesus, "até por uma coroa trocar!". 

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/02/26. Opinião. p.10.

 

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