terça-feira, 31 de março de 2026

MISSA DE SÉTIMO DIA POR DRA. ALICEMARIA CIARLINI PINHEIRO

 

Hoje (31/03/2026), terça-feira, às 18h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situada na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa da Ressurreição em sufrágio da alma da médica Dra. Alicemaria Ciarlini Pinheiro.

Ela ingressou no Curso da Medicina da Universidade Federal do Ceará em 1975 e colou grau em 1980, integrando a Turma Samuel Pessoa.

Fez Residência Médica em Medicina Preventiva e Social do INAMPS-CE, nos anos de 1981 e 1982, concluído com a monografia “Casos de sarampo notificados no Ceará no período de 1976-82, executada em Fortaleza-CE, no período de março a dezembro de 1982, sob a nossa orientação.

Participou do I Curso de Especialização em Epidemiologia, promovido pela Universidade Estadual do Ceará, em convênio com a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, no período de 17 de fevereiro de 1986 a 17 de agosto de 1987, concluso com a monografia “Casos notificados de sarampo no Brasil, Nordeste e Ceará no período de 1976-86, realizada no período de 1º de agosto de 1986 a 17 de agosto de 1987, sob a nossa orientação.

Durante muitos anos, foi uma dedicada servidora da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará e da Secretaria da Saúde de Fortaleza, desenvolvendo suas atividades funcionais na área da Epidemiologia.

A médica sanitarista Dra. Alicemaria Ciarlini faleceu na semana passada, depois de longo padecimento, contristando o seu ciclo de relacionamento, composto por familiares, amigos e colegas.

Descansa em paz, cara Alicemaria.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva


"Felizardo é quem te conheceu"

Por Dirce Fernandes (*)

Meu conhecimento do Dr. Felizardo de Pinho Pessoa Filho data de 2021 e me fez pensar no filme "Nunca te vi, sempre te amei", onde uma escritora americana mantinha correspondência com o gerente de uma livraria, em Londres, que abrigava edições raras e esgotadas. A partir do interesse comum nasceu uma amizade entre eles.

No meu caso, foi sua trajetória no desenvolvimento do trabalho de pesquisa. Em 18 de agosto de 2021, Dr. Pinho foi personagem das Páginas Azuis do Jornal "O POVO", onde relatou, com 103 anos, uma trajetória de vida inimaginável. Era filho e neto de farmacêuticos, de família tradicional em Viçosa/CE, concluindo o Curso de Farmácia, em 1944, pela Faculdade de Farmácia e Odontologia do Ceará.

Pesquisador nato, descobriu a doença calazar ou leishmaniose visceral, transmitida pelo mosquito flebótomo, infectado com o parasita Leishmania. A primeira vez que tomou conhecimento de "Kala Azar" foi através de uma revista francesa com 14 anos de idade. Em 1948, conduziu uma pesquisa em Viçosa, com recursos próprios, montando um hospital de campanha para tratar doentes de cidades vizinhas.

Apesar de desacreditado, não desistiu e procurava um remédio para evitar a morte dos doentes, até chegar ao glucantime. Em 1953, enviou lâminas de microscópio de órgãos contaminados para Dr. Samuel Pessoa, sanitarista da Universidade de São Paulo, recebendo, logo após, a visita de um casal de cientistas que levou suas anotações de anos de pesquisa. Tal ignóbil fato agride sobretudo aqueles dedicados à pesquisa, vez que podem avaliar a sórdida conduta dos que se apossam de seus dados.

Mandei mensagens para Dr. Pinho em 2021 e tive o prazer de receber resposta. Vivíamos ainda uma pandemia e marcamos um encontro futuro para tomarmos um café, que lamentavelmente não aconteceu. Ele era edição rara e esgotada na livraria da vida, um exemplar único. em 27 de fevereiro do ano passado compareci à sua missa de 7º dia e nosso café foi apenas adiado!

A sua história é exemplo de determinação e deve continuar viva em nossa memória.

(*) Professor titular emérita do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular  da UFC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/02/2026. Opinião. p.17.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Ceará se prepara para receber a nova Diocese de Baturité

Por Carlos Daniel, jornalista de O Povo.

Celebração histórica ocorre no próximo dia 25 e deve reunir cerca de 10 mil fiéis, além de forte esquema de segurança na cidade

A Arquidiocese de Fortaleza apresentou, nesta quarta-feira, 18, os detalhes da criação da nova Diocese de Baturité. A instalação canônica está marcada para o próximo dia 25 de março e deve reunir milhares de fiéis, além de autoridades civis e religiosas de todo o Ceará. O evento contará com um esquema especial de segurança e uma ampla estrutura para acolher o público.

Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio Entre Rios, em Baturité, o padre José Benício Nogueira afirmou que a cidade se prepara para receber cerca de 10 mil pessoas.

A programação oficial terá início às 17h30min, com a entrada do novo bispo, dom Luiz Gonzaga Pepeu — conhecido como dom Pepeu — na Catedral de Nossa Senhora da Palma, onde ocorrerão os ritos de instalação e posse, em cerimônia privada. Em seguida, às 18h30min, será celebrada uma missa campal no patamar da igreja, aberta ao público.

Ao todo, estão confirmados 41 bispos, mais de 250 sacerdotes, cerca de 50 religiosos e mais de 30 diáconos. A cerimônia marca um momento histórico para a Igreja Católica no Ceará.

Marco histórico para a Igreja no Ceará

O padre Vanderlúcio Souza, representante da Arquidiocese de Fortaleza, afirmou que “a igreja no Ceará vive um momento histórico e de grande significado pastoral” com a criação do novo episcopado.

A nova diocese é a décima do Ceará e a primeira criada pelo papa Leão XIV no Brasil. O anúncio foi feito no dia 1º de janeiro deste ano e simboliza, segundo o padre Vanderlúcio, o fortalecimento da presença da Igreja na região do Maciço de Baturité, ampliando a ação evangelizadora e o cuidado pastoral com as comunidades.

Estrutura e organização da nova diocese

A Diocese de Baturité abrangerá 21 paróquias distribuídas em 14 municípios da região, sendo Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia, Paramoti, Redenção, Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira e a própria cidade de Baturité.

Como parte da estruturação da nova diocese, a Prefeitura de Baturité anunciou a doação de um terreno de aproximadamente quatro hectares. Localizado da igreja da Sagrada Família, no conjunto Maria José Viana, o espaço será destinado à construção dos equipamentos da cúria diocesana

Dom Luiz Gonzaga Pepeu será o primeiro bispo da nova circunscrição e chegará ao Ceará no dia 24 de março, sendo recebido em Fortaleza por dom Gregório antes de seguir para Baturité.

A posse canônica ocorrerá durante a cerimônia do dia 25, oficializando a missão do novo bispo e a estrutura eclesial da diocese. A celebração contará com a presença de representantes do Vaticano, incluindo o cardeal Sérgio da Rocha.

Esquema de segurança e organização do trânsito

Para garantir a tranquilidade do evento, foi montada uma operação integrada envolvendo forças de segurança estaduais e municipais. Cerca de 150 policiais militares atuarão diretamente na operação, que começa já no dia 24 de março, com o reforço do policiamento nos principais pontos da cidade.

O planejamento prevê a divisão das áreas de atuação em zonas de segurança, com policiamento a pé nas imediações da catedral, além do apoio de unidades especializadas, como cavalaria, Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e Polícia Rodoviária Estadual, que atuará nas vias de acesso ao município.

O Corpo de Bombeiros e equipes de saúde também estarão de prontidão para atendimentos emergenciais, enquanto agentes de trânsito irão coordenar o fluxo de veículos. As ruas no entorno da Praça da Matriz serão interditadas para garantir a circulação dos pedestres e a realização da missa campal.

Além disso, a prefeitura organizará espaços de apoio, como praça de alimentação e áreas específicas para ambulantes, com o objetivo de oferecer melhor estrutura aos visitantes e evitar aglomerações em pontos críticos.

Transmissão do evento

A instalação da Diocese de Baturité será transmitida ao vivo em rede nacional por emissoras de televisão católicas, além de plataformas digitais.

Entre os veículos que farão a transmissão estão Rede Vida, TV Evangelizar, Sistema Shalom de Comunicação, além de emissoras de rádio local. (Colaborou Penélope Menezes)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/03/26. Cidades. p.14.

domingo, 29 de março de 2026

ADEUS AO ACADÊMICO JOSÉ WILSON ACCIOLY

Foi com profundo pesar que a comunidade médica local tomou conhecimento do falecimento, na tarde de 4 de março de 2026, do Dr. José Wilson Accioly, médico dermatologista e membro honorável da Academia Cearense de Medicina (ACM), desde 29/09/2023.

Nasceu José Wilson Accioly em Santana do Acaraú, Ceará, em 3/07/1936, filho único de José Accioly Araújo e Ana Alice Accioly.

De origem humilde, estudou do primário até o segundo ano científico em escolas sobralenses, mas cumpriu o terceiro ano científico, em Fortaleza, no Liceu do Ceará.

Ingressou na Faculdade de Medicina do Ceará em 1956 e colou grau da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1961.

Wilson Accioly iniciou seu aprendizado de Dermatologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da UFC. Seguiu, alguns anos depois, para o Rio de Janeiro, onde cumpriu curso de especialização na Santa Casa de Misericórdia.

Após a formatura, foi admitido como médico do Hospital do Pronto-Socorro da Assistência Municipal de Fortaleza. Exerceu o cargo de dermatologista do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE) e da Secretaria da Saúde do Estado, sendo alçado às funções de diretor da Unidade Sanitária Darcy Vargas durante várias gestões. Foi médico do Ferroviário Atlético Clube. Foi ainda Médico do Trabalho.

Profissional de reconhecida competência manteve, por longos anos, manteve um concorrido consultório particular, tornando-se referência na Dermatologia cearense. Em 2005, publicou o livro “História da Dermatologia no Ceará”, no qual descreveu a evolução dessa especialidade em nosso estado desde os anos de 1930.

José Wilson Accioly pertenceu as seguintes entidades médicas: Sociedade Brasileira de Dermatologia, Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ABAI), Sociedade Luso-Brasileira de Alergia e Imunopatologia e Associação Médica Brasileira.

Foi aquinhoado com as honrarias seguintes: Medalha de Honra ao Mérito Profissional, do Conselho Federal de Medicina; Medalha do XLVII Congresso Brasileiro de Dermatologia; Placa de homenagem da ABAI – Regional do Ceará; Placa de Reconhecimento da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Ceará.

Foi admitido na ACM, como Membro Titular, em 9/09/1994, ocupando a cadeira 38, patroneada por Álvaro Otacílio Nogueira Fernandes. Nessa arcádia médica exerceu relevantes cargos, em sucessivas gestões, incluindo o de 1º Secretário (1996-98), Vice-presidente (1998-20) e o de Presidente (2000-02), passando a seguir a membro do Conselho Consultivo durante duas décadas.

O desaparecimento terreno do dermatologista Dr. José Wilson Accioly consternou o seu amplo ciclo de relacionamentos, composto por familiares, amigos, confrades, colegas e pacientes, mercê dos seus reconhecidos méritos humanos e profissionais.

Casado com Therezinha Mont’Alverne Adeodato Accioly, desde 1964, deixou os filhos: José Wilson Filho, dermatologista; Paulo Marcelo, urologista; Adriano, dermatologista; e Janine, advogada.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina– Cadeira 18

* Publicado. In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Março de 2026 - Edição n.54. p.31 (online).


sábado, 28 de março de 2026

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Março/2026 (Domingo de Ramos)

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de março/2026, que será realizada HOJE (28/03/2026), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 27 de março de 2026

Crônica: “A única alegria” ... e outros causos

A única alegria

- Depois que minha véa 'subiu' - direto pro Céu se foi Eneida, quedê ventura na vida? Os meninos (Zé e Manel) casados, morando em São Paulo. Beber, não provo mais uma gota; raparigar, vixe! Samba, forró, futebol, Praça da Matriz e pescaria no Açude Novo, passou vontade! Até pra missa perdi a vontade de ir, e padre Raimundinho é gente boa.

- Mas o senhor ainda tá novão, seu Sisnando!

- 89 anos, novão?

- Anda com as próprias pernas, vai ao mercado, faz a comida, barre o terreiro de casa, tem a companhia de sua irmã Neuminha.

- Tem jeito não, Adrovaldo! Com Eneida, foi também meu coração.

- Na minha mente o senhor tá é deprimido, e depressão é coisa que, cuidando, o caba melhora uma coisinha.

- Nada disso! É saudade, mesmo! Tá ruim!

- Alegria, nenhuma mais?

A pergunta pôs o velho Sisnando a meditar profundo. Com pouco ele retoma a conversa.

- É... Tem um pormenor! Mas tu vai dizer que eu sou doido...

- Vou não! Impossível o cristão viver sem uma alegriazinha ao menos! Qual?

- Obrar!

- No sentido de... arrear o barro?!?

- Sim. Seguro a vontade até!... Quanto mais apertado, melhor. Aí eu corro e descarrego. Pense num alívio! Enviesado, mas é a minha alegria! Única alegria!

É osso, meu amigo, é osso!

Médico pegou fama e logo é endeusado, especialmente no interior, não importando se ainda estuda Medicina. Por conta da tarimba em consertar de um tudo que quebrasse em todos, um jovem aluno do 10º semestre, de férias na comunidade, foi procurado na segunda-feira bem cedo pra "obrar verdadeiro milagre". O(a) paciente? Ninguém conhecido como eleitor. A alcunha nós sabíamos - "Fifilzinha", cinco anos de serviços prestados à família de Marleudo, humilde agricultor.

A vítima fraturara o pé direito ao saltar do poleiro; talvez o vento forte lhe tenha arremessado ao chão. Pisou em falso e... crec! Ligamentos do membro inferior em cacarecos. Coronel foi o primeiro a chegar ao local do sinistro. Lá estava "Fifilzinha" - galinha caipira poedeira, contorcendo-se de dor. O galo, nem aí pros gemidos da premiada ave - dois ovos postos por dia desde o ano passado.

- Dr. Abel ainda tá na casa do pai? - indaga Marleudo, compadecido.

- Sim, as aulas só recomeçam mês que entra, eu soube! - responde a mulher.

- Pois vamos levar Fifizinha pra consultar esse pé agora. Olha só como está? Dismintido!

- Marleudo, o rapaz estuda medicina de gente! Ainda se prepara pra ser doutor de osso!

- Quem sabe de osso dum cristão, saberá dum bicho de pena!

Pra encurtar história, o quintanista de Medicina imobilizou o pé da galinha com palitos de picolé, sobre emplastro de pano velho embebido em mastruz, e ave, uma semana depois, corria como uma atleta. E deu em ciscar pra frente, mas esse era só um detalhe!

As enroladas de "Dona Menina"

Conhecida pela criatividade com que saía das dificuldades, mamãe se superou quando nos serviu o primeiro grappete. Nosso particular de uva nada mais era que "quissuco" de groselha com laranja espremida. A tampa das garrafas postas à mesa, pedaços generosos de sabugo. E ainda fazia na boca aquela zoadinha de tampa de cerveja liberada por abridor. Se alguém reclamasse do excesso de açúcar mascavo no fundo da garrafa, dizia afobada:

- E é pra ser feliz!!!

Fonte: O POVO, de 27/02/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 26 de março de 2026

PERDER PARA GUARDAR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

"Melhor se guarda um voo de um pássaro do que um pássaro sem voos" - Antônio Cícero

É tão difícil ver um passarinho de perto. Quase todas as manhãs, tento me aproximar dos bem-te-vis. Vou em busca do canto deles, solfejo um sol-mi-dó bem baixinho, mas, quando me aproximo, eles voam. Parecem brincar. Fico com a sensação de que estão chamando um ao outro. É muito comum vê-los em dupla. Sobem rápido, se deslocam e se escondem na árvore; o amarelo desaparece entre as folhas, e o que fica é aquele traço no ar - o desenho de um movimento que já não está mais lá.

E é assim que eu o guardo: admirando o seu voo. A gente não guarda segurando, trancando, impedindo que voe. Guarda deixando ir. Nisso há uma grande beleza, porque, para guardar, é preciso arriscar-se a perder.

Perder é inevitável. Há perdas pequenas, quase imperceptíveis – um compromisso que esquecemos, uma tarde inteira perdida. Outras são maiores: lugares que foram casa, a sensação de pertencer. E há aquelas que beiram o intolerável: as que levam quem a gente já foi um dia.

Há poucos dias, reencontrei, após muitos anos, uma amiga querida de infância que acabara de perder a mãe. E, de repente, senti muitas saudades daquela família em que os amigos dos filhos eram sempre bem-vindos, a conversa era sem censura, e a varanda, cheia. O clima da casa era festivo.

Lembrei-me, com riqueza de detalhes, do seu quarto: havia duas camas de madeira com colchas de retalhos e a janela que se abria para o quintal. Ela costumava guardar escritos de frases e poemas em papel amadeirado.

Ao chegar em casa, fui buscar um deles que está comigo há mais de trinta anos, guardado numa caixa que vez ou outra eu remexo. Mas não está trancado, porque, se fecho os olhos, vem, num cordão fluido de memórias que se misturam, flutuam e se ligam, a lembrança da cor do papel e da letra dela.

Aquilo que já não podemos tocar mantém-se vivo, seguindo inúmeros caminhos possíveis, como a memória do voo dos bem-te-vis. Ele vai, mas seu voo e seu canto ficam guardados em nós.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/02/2026. Opinião. p.14.

ARIOSTO HOLANDA, um construtor de futuros

Por Ricardo Cavalcante (*)

O tempo costuma medir os homens. Porém, há aqueles que o superam.

Ariosto Holanda foi um desses raros construtores de futuro que não se limitam ao tempo em que vivem. Sua presença segue nas ideias que semeou, nas instituições que ajudou a erguer e, sobretudo, nas vidas que transformou por meio da educação.

Engenheiro de formação, professor por vocação e homem público por compromisso social, Ariosto fez da educação sua maior causa. Não uma educação qualquer, mas aquela que liberta, prepara para o trabalho e gera autonomia e dignidade. Para ele, ensinar nunca foi apenas transmitir conhecimento, era abrir caminhos, provocar pensamento e dar às pessoas a possibilidade real de escolher seus próprios destinos.

Ao longo de sete mandatos como deputado federal, manteve-se fiel a ideias que hoje parecem evidentes, mas que, em seu tempo, exigiam coragem e visão: investir em ciência, tecnologia, educação profissional e inclusão como bases do desenvolvimento. Mais do que defendê-las, transformou-as em políticas públicas e projetos que seguem impactando o Ceará e o Brasil.

Visionário, compreendeu que não há desenvolvimento verdadeiro sem investimento em gente. Por isso, impulsionou iniciativas voltadas à formação para o mundo do trabalho.

Tive o privilégio de conhecer Ariosto, de aprender com sua lucidez e de testemunhar sua coerência. Sua trajetória não foi marcada por discursos vazios, mas por uma impressionante capacidade de transformar ideias em realizações concretas. Ele acreditava no Ceará e trabalhou, incansavelmente, para que o nosso estado acreditasse mais em si mesmo.

No Sistema Fiec, procuramos honrar esse legado. Ao eternizar seu nome no Instituto Sesi Senai de Tecnologia Professor Ariosto Holanda, não fizemos apenas uma homenagem. Firmamos um compromisso: o de continuar levando adiante a visão de futuro que ele nos ensinou. Essa mesma convicção nos levou a confiar ao seu filho, Paulo André Holanda, a missão de dar continuidade a esse trabalho à frente do Sesi e do Senai no Ceará.

Ariosto nos deixa uma lição simples e poderosa não há liberdade sem educação. E não há futuro sem conhecimento.

Nos despedimos dele com gratidão, mas também com responsabilidade. Porque o seu legado é um chamado à continuidade.

Seu legado permanece! 

(*) Empresário. Presidente da FIEC.

Fonte: O Povo, de 24/03/26. Economia. Opinião. p.18.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Baturité – Uma nova Igreja no coração do Ceará

Por Pe. Raphael Silva Maciel (*)

Por ordem de Jesus Cristo, os apóstolos foram por todo o mundo anunciando o Evangelho (cf. Mc 16,15) e pondo os fundamentos do que conhecemos como Dioceses, que tem à sua frente um autêntico Sucessor dos Apóstolos, que desde os tempos apostólicos são chamados de bispos. Como fruto da missão da Igreja, há quase 172 anos era criada a Diocese do Ceará. Daquele primeiro núcleo nasceram outras 9 Dioceses, sendo mais jovem a recém-criada Diocese de Baturité.

O papa Leão XIV, na sua solicitude pela evangelização e salvação das almas, acatou o pedido dos Bispos do Ceará, unidos ao Arcebispo Metropolitano, de erigir mais uma nova Diocese do Estado que concentra a segunda maior população católica do Brasil. Encravada no maciço de Baturité e em partes do Sertão Central, a nova Diocese nasce com 21 Paróquias, em 14 municípios, sob a guia de um Sucessor dos Apóstolos, Dom Luís Gonzaga Pepeu.

Além da grande devoção à Nossa Senhora da Palma e São Francisco das Chagas, a Diocese também abraça a devoção e causa de canonização da Serva de Deus Irmã Clemência de Oliveira. Sem dúvida, essas devoções são sinais maravilhosos da presença da fé católica e do espírito missionário nas terras da nova Diocese.

Baturité significa “serra verdadeira” ou “de onde sai água boa”. Na serra ou no sertão muitas águas boas jorrarão: águas da graça divina que continuarão a percorrer os vales e rincões, dando esperança em tempos de dificuldades, para um povo que sempre pôs sua fé na Providência divina.

Pelo território da Diocese muitos já passaram, dando suas melhores forças até chegar a esse dia histórico: jesuítas, capuchinhos, frades menores, padres diocesanos, religiosas, fiéis leigos, que em conformidade com o Evangelho foram audazes na difusão da obra de Deus e no ensino da fé cristã. Baturité é a primeira Diocese brasileira criada por Leão XIV, fato histórico não só para o Ceará, mas para todo o Brasil. Viva a Diocese de Baturité!

(*) Sacerdote diocesano de Fortaleza. Missionário da Misericórdia.

Fonte: O Povo, de 25/03/2026. Opinião. p.16.


Miriam Porto Mota e a Missão Asa Branca

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

1983. Gonzaga Mota assumia o governo do Ceará com uma herança de grandes dificuldades que o Estado atravessava, em parte por conta da estiagem que assolou todo o território a partir de 1979, um fenômeno considerado por alguns historiadores como a maior seca já vivida.

A inclemência climática encaminhava o Ceará para um colapso social, sendo o batismo de fogo do novo governante, que precisou de toda a sua experiência para buscar soluções urgentes e minorar o sofrimento de tantos cearenses.

Episódios como a falta absoluta de água em Senador Pompeu, a invasão dos armazéns da Cobal em Canindé, a invasão de flagelados de Itapipoca a Fortaleza, a migração massiva em Quixeramobim e o flagrante do calango abatido por Chico Marcolino para sua alimentação, em Apuiarés, representavam o desespero de um povo. O sertão bateu às portas do Palácio da Abolição.

Os bolsões de emergência não se mostravam suficientes, mas o governador tinha vantagens a explorar. Como um renomado economista, tinha a visão técnica do problema. Como um democrata, tinha a visão política, embora ainda fosse neófito nessa área. Mas tinha uma outra força que ele próprio talvez não tivesse percebido.

Falo de sua esposa, Miriam, que iniciou um trabalho com um grupo de servidores e voluntários e, a partir dele, convenceu o governador de que se precisaria de muito mais para estancar o sofrimento daquele povo, surgindo daí o que se denominou Missão Asa Branca.

A primeira-dama coordenou as atividades da Missão, contando com novos apoios, como a Defesa Civil, o Exército, a Polícia Militar e a Cruz Vermelha, além de empresários e associações, de forma a levar para o interior comboios com água, roupas e alimentos e propiciar ações de saúde, documentação, dentre outras.

Ela foi considerada à época uma primeira-dama gestora, capaz de enfrentar uma logística de guerra, vencer tensões políticas e gerir de forma adequada os conflitos resultantes da situação de tragédia então vivida, servindo ainda hoje como exemplo de dedicação e solidariedade.

Das crises surgem pessoas com capacidade de as transformar em oportunidades, como o fez Miriam Porto Mota.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

Desafios da educação na Região Metropolitana de Fortaleza 2

Por Sofia Lerche Vieira (*)

A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), instituída em 1973, agrega um conjunto de 19 municípios (Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi). Sua criação coincidiu com iniciativas semelhantes voltadas à integração do planejamento e da organização de municípios espacialmente próximos das capitais. Um dos objetivos era mitigar o crescimento desordenado resultante de fatores diversos, dentre eles o êxodo rural e a industrialização.

Passados mais de 50 anos de seu surgimento, imensos desafios persistem na região, a maioria dos quais associados às desigualdades de infraestrutura e desenvolvimento entre a capital e os municípios adjacentes. Dentre esses cabe assinalar a segurança pública, a mobilidade e o transporte urbano, o saneamento básico, habitação e educação. Aprofundemos este último aspecto.

Em termos de matrículas na educação básica, a RMF responde por 42% da oferta total do Estado, com 913.559 alunos em 2024 (INEP, 2024). Das matrículas públicas, 51% situam-se nas redes municipais e 19% na rede estadual.

No que se refere ao número de estabelecimentos de ensino, a RMF possui 2.466 escolas, sendo 1.132 (46%) municipais e 284 (12%) estaduais. O quadro docente é composto de 28.781 professores, sendo 21.054 pertencentes às redes municipais e 8.067 docentes da rede estadual. Quanto ao vínculo de trabalho, 56% dos professores das redes municipais e 48% da rede estadual são concursados.

Os dados apresentados mostram a complexidade do recorte territorial, seja em termos de quantidade de municípios com contextos socioeconômicos, territoriais e educacionais diversos, como no que diz respeito as capacidades estatais para implementação de políticas educacionais.

Estudos sobre aspectos relacionados aos indicadores educacionais mais relevantes como taxas de rendimento, distorção idade-ano, organização da oferta por rede, permitirão melhor compreender os desafios educacionais dessa complexa região.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

terça-feira, 24 de março de 2026

A missão de Ariosto Holanda

De sua Limoeiro natal, Ariosto Holanda, morto no último sábado, aos 87 anos, costumava dizer que havia aprendido o dom da fraternidade, levando-o para o mundo. Essa qualidade era conjugada no seu dia a dia de professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), deputado federal ou missionário da ciência, sempre a serviço de um horizonte no qual a justiça social era mestra e definidora de seus passos.

Parlamentar de seis mandatos, com experiência tanto pelo Executivo (foi secretário nos governos de Tasso Jereissati) quanto pela academia, onde ocupou-se da docência por décadas, Ariosto era vocacionado para o trabalho de partilha do conhecimento.

Daí que tenha se especializado nesse papel de estabelecer pontes entre áreas que normalmente se mantêm distantes, associando técnica e humanismo com o propósito de encontrar respostas para problemas concretos. Nele o saber era mais valioso se pudesse ajudar a contornar as dificuldades cotidianas.

A tecnologia, por exemplo, só tinha serventia se auxiliasse na redução do fosso das desigualdades. Desse espírito politicamente comprometido com o bem-comum nasceram os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) e o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), ambos instrumentos de disseminação da educação em modalidades diversas.

Esse era o norte da trajetória de Ariosto, que cuidou em aproximar o Ceará de uma perspectiva moderna sem negligenciar a correção dos desníveis econômicos e sociais. Como titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia, lançou sementes que ainda hoje operam como diretriz dos projetos concebidos no estado, o que só reforça uma visão de desenvolvimento de longo prazo que não se media por colorações partidárias. Pelo contrário, a política não era um fim em si mesma, tampouco meio para enriquecimento e permanência no poder.

No Legislativo, empenhou-se na tarefa de fazer avançar o Ceará mediante somatório de esforços orientados para um mesmo objetivo, fosse o de ampliar a rede de ensino técnico, fosse o de criar soluções inteligentes para vencer as dificuldades mais agrestes que o território impunha, tal como a escassez hídrica.

Nisso se vê como Ariosto se guiava por um compromisso inarredável com os cearenses e com o Nordeste, região na qual depositava plena confiança quando se tratava de apostar no futuro.

Nascido Francisco Ariosto Holanda, falava com orgulho da simplicidade dos pais. Logo chegou à universidade, onde se formou em Engenharia Civil. De lá seguiu para vida sortida em experiências na esfera privada e também na pública, onde fez carreira como gestor. Essa caminhada está fartamente documentada nas páginas do O POVO, que sempre soube reconhecer-lhe os méritos.

A propósito de suas ideias e sonhos, dele se dizia com frequência, a título de elogio: é "homem à frente do seu tempo". Não era. Ariosto era fruto de sua época, com raízes fincadas no mesmo presente que dividia com seus conterrâneos, atento aos desafios que a realidade apresentava e pronto a encontrar respostas para os impasses que afligiam sua gente. 

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Editorial, p.20.

Investimentos tangível e intangível no Ceará

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Na economia, a aplicação de capital em bens materiais, físicos e essenciais à produção, à operação e à geração de valor de uma empresa, ou à reserva de valor pessoal, caracteriza os investimentos tangíveis.

Os intangíveis são representados por pesquisa e desenvolvimento, software, base de dados, design e marcas e patentes. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) produziu o estudo "O Brasil no cenário global de investimentos intangíveis", que complementa o relatório World Intangible Investment Highlights 2025, divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), incluindo dados brasileiros pela primeira vez.

O INPI analisou a inserção do Brasil nas tendências do estudo da OMPI. Entre os destaques, observou-se que, entre 2010 e 2021, os investimentos intangíveis cresceram 2% ao ano, superior aos tangíveis que caíram 0,8%. Além disso, a participação dos investimentos intangíveis no PIB chegou a 8,5%, acima de setores como a agropecuária (7,7%) e a indústria extrativa mineral (5,5%).

Entretanto, esse descasamento não deve ocorrer, pois a falta de investimentos tangíveis pode limitar os efeitos da digitalização, da pesquisa e desenvolvimento e das inovações, gerando um descompasso entre as capacidades tecnológica e produtiva física.

No contexto da retomada de obras federais, com articulação direta do governador Elmano de Freitas, destacam-se três iniciativas de alto impacto sobre os investimentos tangíveis: a Transnordestina, a duplicação da BR 116 e a duplicação do Eixão das Águas.

No Ceará, os municípios de Quixadá, Maranguape, Missão Velha, Iguatu, Quixeramobim, além do terminal de cargas do Porto do Pecém, funcionarão como terminais intermodais, integrando a produção oriunda dos 36 Arranjos Produtivos Locais (APLs) do estado, e os 108 arranjos e aglomerados produtivos mapeados pelo Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

A Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE), junto com a Casa Civil, o Centec e a UFC, desenvolve, no âmbito do programa Cientista-Chefe, uma linha de atuação voltada à estruturação e à otimização da logística dessa capacidade produtiva. Para ilustrar, o terminal de Maranguape integrará as BR-116, BR-020 e BR-222, podendo receber 50% da produção desses APLs.

Portanto, este é o caminho do desenvolvimento e para a redução das desigualdades no Brasil. O Ceará consolida-se como referência em inovação e transformação digital, com data centers e localização estratégica que ampliam as conexões por meio de cabos submarinos, enquanto fortalece a produção física de bens, abrindo novos mercados internacionais. Assim, a convergência de investimentos tangíveis e intangíveis elevará o desenvolvimento territorial do Estado.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 19/02/26. Opinião. p.11.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Medicina, enfim, nada mudou…

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Tenho pensado o quanto é difícil aos jovens médicos crer no sacerdócio do exercício de nossa profissão.

De um passado marcado pela observação, pela intuição e pela dedicação extrema para sedar a angústia e o sofrimento, passamos a vítimas da padronização — da castração daquela insuperável sensação de servir — substituída por um sistema extenuante de repetições burocráticas.

Onde fica a paz de espírito necessária para lidar com relações humanas complexas? Onde repousa o tempo indispensável à reflexão clínica, à revisão de conceitos, à humildade diante dos próprios limites?

Ser médico, sem desconsiderar outras atividades profissionais, não tem preço. Não há como quantificar a intimidade e a cumplicidade ao enfrentar essa passagem inevitável, de geração a geração.

Mas como fazê-lo diante de uma realidade histérica, de uma crise ética fruto do medo de não sobreviver?

O sistema nos permite acumular mais trabalho — não necessariamente riqueza, em seu aspecto mais amplo. Refiro-me à arte de esmiuçar o adoecimento, de revisitar conceitos nessa busca incessante por apaziguar a angústia.

É preciso, urgentemente, elevar o tom. É preciso ser médico, assumir posições claras e contemporâneas. Ou seja: proteger a arte. E, para tal, não nos é permitida a passividade.

Precisamos romper as amarras que nos impuseram. Não devemos ser reproduções absolutas de estruturas burocráticas. Não aceitamos a cumplicidade dos poderosos, pois representam a antítese do que pensamos.

Cremos fielmente na ciência humanista, que estabelece virtude ao focar exclusivamente nas pessoas. A ciência nos ensina a humildade de rever conceitos e tradições, pois nos expõe diariamente a questionamentos, pela obrigação de lidar com fracassos e mudanças de algumas vezes imperceptíveis, em cada cerimônia, em cada ritual.

A política que defendemos não mente, não perverte resultados; confessa os fracassos para transformar o futuro.

A política dos médicos obedece à crença inabalável no tripé: espírito, físico e social. É atemporal, pois nasceu no caudal do sofrimento humano. Transita entre todas as artes, da matemática à biologia, da história à filosofia. Não pode, portanto, submeter-se exclusivamente a modelos econômicos; rompe estigmas e preconceitos. A arte se rebela ao compreender o ser humano e suas contradições.

Assim, àquele que a exerce exige-se dedicação, capacidade de doação e, sobretudo, sensatez. E também rebeldia diante das tentativas de vulgarização.

Na busca pelo resgate do exercício digno dessa arte, obrigamo-nos a preservar o fulcro de sua existência: a relação médico-paciente. A ciência somente se justifica quando pautada nesses princípios.

Que assim seja!

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/02/2026. Opinião. p.17.

As relações do Ceará com a China dão uma virada

Por José Nelson Bessa Maia (*)

Já há tempos que alertávamos sobre falhas na inserção internacional do Ceará. Falhas essas não devidamente tratadas nos esforços de planejamento do estado e da iniciativa privada. Com isso o Ceará perdeu oportunidades para alavancar o crescimento, reduzir a pobreza e acelerar o bem-estar de sua gente.

No entanto, nos últimos 30 anos, muito se avançou na infraestrutura, na qualidade da educação e na disseminação de qualificações pelo interior, com a melhoria na escola pública e a descentralização do ensino superior, reduzindo, assim, a histórica macrocefalia de Fortaleza em termos de PIB e criando polos de dinamismo em diversas regiões do Estado. As bases para o desenvolvimento estão, pois, firmemente assentadas.

Afortunadamente, o Ceará está agora dando mais passos na diversificação de parcerias, reduzindo sua tradicional dependência aos EUA como mercado de destino de exportações (ainda quase 50% da pauta) e à Europa como fonte de investimentos. As relações do Ceará com a China, promovidas pela paradiplomacia do atual Governo do Estado, finalmente deslancham e têm tudo para trazer benefícios e oportunidades para o Ceará.

Segundo o Ipece, em 2025, nossas exportações para a China foram de US$ 86,4 milhões (aumento de 50,4%), o que coloca a China como o quinto maior mercado de destino, com 3,79% do total. No lado das importações, em que a China já é o maior fornecedor do Ceará, houve retração, registrando valor de US$ 880,2 milhões, mas mesmo assim perfazendo 32,2% do total importado. Com isso, nossa corrente de comércio com a China se encontra ao redor de US$ 1 bilhão, cifra razoável, mais ainda bem aquém do potencial.

No investimento, a presença chinesa já é expressiva. Nos últimos 60 anos, 400 empresas de capital chinês se instalaram no Ceará, a maioria desde 2010, com capital social de R$ 116,4 milhões e concentrada em pequenos negócios e 300 deles localizados em Fortaleza. No entanto, o quadro muda. O investimento chinês no Ceará está sendo ampliado com a implantação do Data Center da empresa ByteDance, controladora do TikTok, no Complexo do Pecém, em parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos, cujo megainvestimento atingirá US$ 37 bilhões em 20 anos, 54% dos quais internalizados até 2035.

O investimento chinês será o maior da nossa história econômica, superando em 6,8 vezes o valor da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP). Como comparação, o PIB do Ceará foi de US$ 45,5 bilhões em 2024. Assistimos, pois, a uma virada. Parabéns ao governo estadual e às entidades empresariais (FIEC, FAEC) e agentes de fomento (Sebrae-CE, Universidades e outros) pela preparação do Ceará para receber investimentos globais em setores da Nova Economia e assim superar as limitações estruturais para expandir a formação bruta de capital fixo. Para frente, Ceará!

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 15/02/26. Opinião. p.20.

domingo, 22 de março de 2026

Ariosto Holanda morre e o Ceará chora

Por Marcelo Bloc (*)

O falecimento aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo para o Ceará

O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.

O velório de Ariosto ocorreu a partir das 10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e Raimunda Chagas Oliveira.

Ele foi estratégico para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

Suas principais contribuições acadêmicas e políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de "bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de Ariosto Holanda.

Ariosto concebeu os CVTs como uma ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem. Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito fundamental e essencial para a dignidade humana.

Citando o filósofo britânico Karl Popper, em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida. (...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.

Iniciou a vida política assumindo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).

Um dos filhos de Ariosto, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.

O Instituto Iracema Digital criou uma honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.


KEVIN E A SECRETÁRIA

Poucos dias depois, sua esposa fica sabendo dessa nova contratação e ele enfrenta uma saraivada de perguntas rápidas e suspeitas.

Emma (esposa de Kevin): "Sua nova secretária tem pernas bonitas?"

Kevin: "Não percebi direito."

Emma: "De que cor são os olhos dela?"

Kevin: "Não tive tempo de verificar."

Emma: "Quais são as cores de esmalte que ela usa, metálico, gel ou neon?"

Kevin: "Não faço a menor ideia."

Emma: "Ela tem sotaque local?"

Kevin: “Eu mal falei com ela, então não sei.”

Emma: "Como ela se veste?"

Kevin: "Muito rápido."

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


 

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