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quarta-feira, 25 de março de 2026

Miriam Porto Mota e a Missão Asa Branca

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

1983. Gonzaga Mota assumia o governo do Ceará com uma herança de grandes dificuldades que o Estado atravessava, em parte por conta da estiagem que assolou todo o território a partir de 1979, um fenômeno considerado por alguns historiadores como a maior seca já vivida.

A inclemência climática encaminhava o Ceará para um colapso social, sendo o batismo de fogo do novo governante, que precisou de toda a sua experiência para buscar soluções urgentes e minorar o sofrimento de tantos cearenses.

Episódios como a falta absoluta de água em Senador Pompeu, a invasão dos armazéns da Cobal em Canindé, a invasão de flagelados de Itapipoca a Fortaleza, a migração massiva em Quixeramobim e o flagrante do calango abatido por Chico Marcolino para sua alimentação, em Apuiarés, representavam o desespero de um povo. O sertão bateu às portas do Palácio da Abolição.

Os bolsões de emergência não se mostravam suficientes, mas o governador tinha vantagens a explorar. Como um renomado economista, tinha a visão técnica do problema. Como um democrata, tinha a visão política, embora ainda fosse neófito nessa área. Mas tinha uma outra força que ele próprio talvez não tivesse percebido.

Falo de sua esposa, Miriam, que iniciou um trabalho com um grupo de servidores e voluntários e, a partir dele, convenceu o governador de que se precisaria de muito mais para estancar o sofrimento daquele povo, surgindo daí o que se denominou Missão Asa Branca.

A primeira-dama coordenou as atividades da Missão, contando com novos apoios, como a Defesa Civil, o Exército, a Polícia Militar e a Cruz Vermelha, além de empresários e associações, de forma a levar para o interior comboios com água, roupas e alimentos e propiciar ações de saúde, documentação, dentre outras.

Ela foi considerada à época uma primeira-dama gestora, capaz de enfrentar uma logística de guerra, vencer tensões políticas e gerir de forma adequada os conflitos resultantes da situação de tragédia então vivida, servindo ainda hoje como exemplo de dedicação e solidariedade.

Das crises surgem pessoas com capacidade de as transformar em oportunidades, como o fez Miriam Porto Mota.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/26. Opinião. p.18.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Pesar do Senador Jereissati pelo falecimento da Dra. Miria Lavor

O Senador Tasso Jereissati manifestou o seu voto de pesar do pelo falecimento da Dra. Miria Campos Lavor assinalando a grande contribuição por ela oferecida, como assistente social e sanitarista, na criação e implantação, em seu primeiro governo no Ceará, do Programa de Agentes Comunitários de Saúde, que, pelo êxito na substantiva redução das drásticas taxas de mortalidade infantil cearense, obteve o reconhecimento internacional da ONU e se prestou de modelo para iniativas similares em outros estados brasileiros.

Está sendo muito ampla a repercussão, nos meios acadêmicos e entre profissionais da saúde, o desaparecimento da ilustre sanitarista Miria Lavor
Que Deus a tenha entre os Seus escolhidos, mercê da sua atuação profissional e ser ela exemplo da prática cristã da caridade ao próximo.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Das Academias Cearenses de Medicina e de Saúde Pública

terça-feira, 9 de junho de 2020

Pesar pelo falecimento da Dra. Miria Campos Lavor




Faleceu na tarde de hoje (9/06/2020) a assistente social e sanitarista Miria Campos Lavor. Ingressamos juntos no concurso público para sanitarista da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará em 1978. Ela e o marido, Antônio Carlile de Holanda Lavor, deixaram bons postos de trabalho na capital federal, onde desenvolviam o profícuo serviço em prol da Saúde Pública, para voltarem ao torrão natal, trazendo na bagagem uma consolidada atuação em favor de grupos sociais desassistidos e desvalidos, mas despojada da prática meramente assistencialista então imperante.
Foi uma importante colaboradora da criação do quadro de Agentes Comunitários de Saúde no Ceará, uma experiência-piloto que alicerçou a instalação do Programa Saúde da Família, hoje Estratégia Saúde da Família, de ampla cobertura nacional.
Sempre amável no lidar com as pessoas, independente de classe social, Miria Lavor era muito competente e comprometida com o trabalho social. Ela foi uma companheira dedicada e o suporte do seu amado consorte Carlile, com quem ela ajudou a construir páginas vibrantes da Saúde Pública no Ceará, em Brasília e, por último, em países africanos lusófonos.
A sua inesperada partida é uma grande perda para a Saúde Pública no Ceará.
Nossos sinceros pêsames ao sanitarista Carlile, ilustre membro efetivo da Academia Cearense de Medicina, e à família enlutada.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Das Academias Cearenses de Medicina e de Saúde Pública

 

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