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terça-feira, 12 de maio de 2026

Padre Tomé morre aos 87 anos por pneumonia, em Fortaleza

Nascido na Irlanda de batismo Thomas Francis Reynolds, o missionário redentorista faleceu nesse domingo, 10, deixando legado católico em Fortaleza

Thomas Francis Reynolds, popularmente conhecido como padre Tomé, morreu aos 87 anos, em Fortaleza, nesse domingo, 10. A informação foi confirmada pela Arquidiocese da Capital.

Ele estava enfrentando um quadro de pneumonia.

Notório como exemplo católico para o Ceará, o sacerdote foi diretor do antigo Colégio Redentorista, aproximadamente entre 1988 e 1998.

Ainda presidia missas na Paróquia de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo, e atendia às confissões nas quartas-feiras. Ajudava também nas unidades de São Raimundo Nonato, da Glória e da Cidade 2000.

Em nota de pesar, a circunscrição da Igreja Católica lamentou o óbito. O missionário redentorista faleceu por volta das 21h30min no Hospital da Unimed.

O provincial da Província Redentorista de Brasília, padre João Paulo de Souza (CSsR), o definiu como: "Missionário dedicado ao anúncio do Evangelho e ao serviço do povo de Deus, Pe. Tomé, vindo da Irlanda, marcou a vida de muitas pessoas por seu testemunho de fé, simplicidade, silêncio e entrega missionária".

Diante do momento, Arquidiocese pediu união solidária aos familiares, amigos e aos missionários redentoristas, em prece para que o religioso seja acolhido por Deus em misericórdia.

Fonte: O Povo, de 12/05/2026. Online.

Nota do Blog: O corpo do Pe. Tomé está sendo velado na Igreja dos Redentoristas. A missa de corpo presente aconteceu às 7h de hoje, 12/05/2026, seguida de sepultamento às 9h, no Parque da Paz.


domingo, 22 de março de 2026

Ariosto Holanda morre e o Ceará chora

Por Marcelo Bloc (*)

O falecimento aconteceu na manhã deste sábado, 21, e o ex-deputado deixa legado das estratégias de desenvolvimento da Ciência e Tecnologia para o País e sobretudo para o Ceará

O engenheiro, ex-deputado federal e ex-secretário do governo estadual, Francisco Ariosto Holanda, morreu na manhã deste sábado, 21 de março, em Fortaleza, aos 87 anos, por complicações da doença de Parkinson.

O velório de Ariosto ocorreu a partir das 10h, na Funerária Ternura, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O sepultamento foi realizado às 16h, no cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré, na capital cearense. Nascido no dia 11 de outubro de 1938, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Ariosto era filho de Francisco Holanda de Oliveira e Raimunda Chagas Oliveira.

Ele foi estratégico para o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia do Ceará. Semeou a ideia da educação técnica e profissional como uma ferramenta de transformação e inclusão social para os jovens, que resultou nas Escolas Estaduais de Educação Profissional, hoje espalhadas por todo o Ceará. Também criou o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

Suas principais contribuições acadêmicas e políticas, para a inovação tecnológica no Nordeste, foram a criação de "bancos de soluções" e o fomento ao biodiesel como ferramentas de emancipação econômica para o pequeno produtor e para o trabalhador regional. Os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) também foram criados sob a liderança de Ariosto Holanda.

Ariosto concebeu os CVTs como uma ferramenta para levar a Ciência e a Tecnologia ao pequeno produtor e ao jovem. Levava como um dos lemas que o acesso ao conhecimento técnico é um direito fundamental e essencial para a dignidade humana.

Citando o filósofo britânico Karl Popper, em uma entrevista ao documentário do O POVO+, Memórias O POVO, Ariosto defendeu a "audácia intelectual" e criticou a falta de políticas públicas voltadas a dignidade da pessoa humana e para o pequeno produtor, o que considerou uma omissão grave. "O que está em jogo nas regiões subdesenvolvidas é a dignidade da pessoa humana, é o direito à vida. Então isso aí resume tudo, né? É o direito à vida. Nós não temos mais direito à vida. (...) E eu não aceito, não aceito você ter projetos que podem mudar a vida das pessoas e não plantar. Então eu não aceito isso", disse ele.

Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também foi professor, trabalhou na distribuidora de energia elétrica, Companhia Energética do Ceará (Coelce) e Petrobras. Ariosto Holanda foi parlamentar por cinco mandatos e recebeu diversos prêmios relacionados à Ciência e Tecnologia.

Iniciou a vida política assumindo a Secretaria da Indústria e Comércio do Estado do Ceará (1987-1989) no primeiro governo Tasso Jereissati. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo partido PSB e conseguiu ser eleito na última colocação dentre os elegíveis (22ª posição).

Um dos filhos de Ariosto, Paulo André Holanda, atua como superintendente regional do Serviço Social da Indústria (Sesi) Ceará e diretor Regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará). Na gestão de Educação e Tecnologia, ele frequentemente representa o legado do pai em eventos de inovação no Estado.

O Instituto Iracema Digital criou uma honraria com seu nome. Em 2025, já chegou à III Comenda Ariosto Holanda de Ciência, Tecnologia e Inovação, que premia pessoas que têm contribuído para o fortalecimento da inovação tecnológica no Ceará. Na ocasião, todos os homenageados no evento exaltaram o legado do ex-deputado Ariosto Holanda, pelo pioneirismo de adotar estratégias voltadas ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no Ceará nos anos nos quais não se debatia o assunto.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/03/26. Notícias p.10.


quinta-feira, 5 de março de 2026

PESAR POR DR. JOSÉ WILSON ACCIOLY

É com profundo pesar que aqui anuncio o falecimento na tarde de ontem, 4 de março de 2026, do Dr. JOSÉ WILSON ACCIOLY, médico dermatologista e membro honorável da Academia Cearense de Medicina (ACM), desde 29/09/2023.

Nasceu José Wilson Accioly em Santana do Acaraú, Ceará, em 3/07/1936, filho de José Accioly Araújo e Ana Alice Accioly.

Estudou do primário até o segundo ano científico em escolas sobralenses, mas cumpriu o terceiro ano científico, em Fortaleza, no Liceu do Ceará.

Ingressou na Faculdade de Medicina do Ceará em 1956 e colou grau na Universidade Federal do Ceará em 1961

Wilson Accioly iniciou seu aprendizado Dermatologia, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina do Ceará. Seguiu depois para o Rio de Janeiro, onde cumpriu curso de especialização na Santa Casa de Misericórdia.

Após a formatura, foi admitido como médico do Hospital do Pronto-Socorro da Assistência Municipal de Fortaleza. Exerceu o cargo de dermatologista do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE) e da Secretaria da Saúde do Estado, sendo alçado às funções de diretor da Unidade Sanitária Darcy Vargas durante várias gestões.

Profissional de reconhecida competência manteve, por longos anos, manteve um concorrido consultório particular, tornando-se referência na Dermatologia cearense.

Foi admitido na ACM, como Membro Titular, em 9/09/1994, ocupando a cadeira 38, patroneada por Álvaro Otacílio Nogueira Fernandes. Nessa arcádia médica exerceu relevantes cargos, incluindo o de Secretário Geral e o de Presidente.

Casado com Therezinha Mont’Alverne Adeodato Accioly, desde 1964, deixa os filhos: José Wilson Filho, dermatologista; Paulo Marcelo, urologista; Adriano, dermatologista; e Janine, advogada.

O corpo do Dr. Wilson Accioly está sendo velado, desde às 21 horas de ontem, no Velatório Aethernus, à Rua Pe. Valdivino, Nº 1688. Hoje, dia 5 de março de 2026, às 11h, transcorrerá a missa de corpo presente, e  seus despojos serão cremados.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Nota de Pesar por Dr. Francisco Holanda Júnior

 

Lamento informar o falecimento do Dr. Francisco Holanda Júnior, médico e servidor da Secretaria de Estado da Saúde do Ceará (SESA).

Durante os quatro anos em que estivemos à frente da Secretaria — Jurandi Frutuoso, Galba Gomes e Alexandre Moreira — contamos com sua orientação técnica qualificada e o apoio de um dedicado colaborador, em especial no fortalecimento do programa Saúde Mais Perto de Você e na gestão da política hospitalar do Estado, dentre outras contribuições relevantes.

Registro meu reconhecimento e agradecimento ao Dr. Holanda por sua dedicação ao serviço público e à saúde do povo cearense.

À Ana Célia e aos filhos, Zélia e eu manifestamos nossos sentimentos, desejando-lhes conforto, serenidade e força neste momento de profunda dor.

Att.

Jurandi Frutuoso

Ex-Secretário de Saúde do Estado do Ceará

Nota do Blog: Francisco Holanda Júnior era um competente ginecologista e dedicado gestor público, além de colega muito distinto e cordial. Fui orientador de mestrado da sua esposa Ana Célia e com eles publicamos três artigos científico.

O corpo do Dr. Francisco Holanda Júnior está sendo velado no Complexo Velatório Aethernus à Rua Pe. Valdivino, Nº 1.688, em Fortaleza. A missa de corpo presente será celebrada às 14 horas de hoje (13/01/26) e o cortejo fúnebre sairá às 15 horas para o sepultamento no Parque da Paz, marcado para as 16h.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

PESAR PELO MASTOLOGISTA Dr. PAULO COELHO

É com intenso pesar que aqui registro o falecimento, no final da noite de ontem, 6 de janeiro de 2026, do Dr. PAULO ROBERTO DE SOUZA COELHO médico mastologista e integrante de do corpo clínico do sociedades e academias médicas locais.

Paulo Roberto de Souza Coelho nasceu em Valinhos-SP, em 1º/06/1963. Sua formação escolar foi, principalmente, no Colégio Militar de Fortaleza, como aluno de 1976 a 1982, que soube bem discorrer suas lembranças, desses tempos juvenis, no livro Silva, Marcelo Gurgel Carlos da (org.). "Ombro Arma: médicos contam causos da caserna", publicado em Fortaleza, pela Expressão, Gráfica, em 2018.

Ingressou no Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), matriculando-se em janeiro de 1983 e diplomando-se médico em dezembro de 1989. Cumpriu Residência Médica em Cirurgia Geral e de Cancerologia Cirúrgica no Hospital A.C. Camargo no em São Paulo.

Durante os cerca de cinco anos da sua permanência em São Paulo trabalhou para a Prefeitura de São José dos Campos-SP (1990 91), a Prefeitura de Diadema-SP (1993-94) e o Estado de São Paulo (1994-95). Possui e título de especialista em Mastologia e completou a sua formação com vários cursos de extensão em Oncologia, Mastologia e Ginecologia

O Dr. Paulo Coelho retornou ao Ceará, sendo admitido no INSTITUTO DO CÂNCER DO CEARÁ (ICC), em 1º/06/1995, lotado incialmente no Serviço de Prevenção e fez parte do corpo clinico fundador do Hospital Haroldo Juaçaba/, inaugurado em novembro de 1999, compondo o quadro de mastologistas do ICC, tendo contribuído como preceptor do Internato e da Residência Médica dessa unidade hospitalar terciária de referência em Oncologia do SUS NO Ceará.

Ele era muito respeitado por seus pares como especialista em Mastologia e detentor de vasta clientela de pacientes, formada de usuárias do SUS e de vinculadas a planos de saúde, todas igual e indistintamente cuidadas por ele, com desvelo, competência e cordialidade.

Pertenceu ao quadro associativo da Sociedade Brasileira de Mastologia.

O corpo do Dr. Paulo Roberto de Souza Coelho está sendo velado, desde às 9 horas de hoje, no Velatório Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255. Hoje, dia 7 de janeiro de 2026 acontecerá a missa de corpo presente, às 14 horas, e, em seguida, seus despojos serão conduzidos ao crematório.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico epidemiologista do ICC


quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

PESAR POR DR. ZAQUEU TORRES ESMERALDO

Lamento compartilhar aqui o meu pesar pelo falecimento do nosso colega de turma de Medicina da UFC, de dezembro de 1977, o Dr. Zaqueu Torres Esmeraldo, renomado cirurgião plástico radicado em São Paulo, desfecho ocorrido ontem (17/12/2025) na capital paulista.

Zaqueu Torres Esmeraldo nasceu em Senador Pompeu, em 23 de agosto de 1952. Realizou estágio de Cirurgia Geral na Santa Casa da Misericórdia em Fortaleza (1978/79) e Residência Médica de Cirurgia Plástica no Hospital dos Defeitos da Face em São Paulo (1980/81), onde fixou residência. Fez estágios nos EEUU em 1981 e em 1990 (NY e San Francisco).

Era membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro Internacional Correspondente da Sociedade Americana de Cirurgia Estética.

Exerceu clínica particular em São Paulo por mais de 45 anos e visitava Fortaleza trimestralmente a trabalho, desde então.

Casou-se, em 1977, com Niana Salvia Esmeraldo, já falecida, com quem teve dois filhos dentistas, Caio e Raquel, ambos casados, que lhes deram três netos: Maria Júlia e Antônio (filhos de Raquel), e Bruno (filho de Caio).

Como dedicado católico, ele era Ministro Extraordinário da Eucaristia.

Que Deus o receba em Seus braços misericordiosos.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Os Mestres Nunca Morrem

Convivi com o Dr. Moreira desde o começo de minha formação médica. Como aluno, monitor, bolsista de iniciação à pesquisa, interno e depois residente do Departamento de Cirurgia, o contato com o professor José Moreira Lima foi, não só obrigatório, como marcante. Preceptor dedicado, cirurgião destemido - personalidade forte e envolvente -, Dr. Moreira nunca passou despercebido. Estou falando de uma época onde o cirurgião geral fazia de tudo, tempo das grandes incisões, da rapidez cirúrgica, das habilidades múltiplas... Destaque desde a época de aluno da faculdade de medicina, quando foi presidente do Centro Acadêmico no final dos anos 1950, depois como discípulo primoroso do grande professor Paulo Machado na década de 60, Dr. Moreira marcou sua trajetória como cirurgião e mestre nos mais importantes hospitais escolas de sua geração. Dono de uma grande clientela, pontificou como cirurgião geral na época áurea da Casa de Saúde São Raimundo. Médico cirurgião do Hospital Geral de Fortaleza desde a sua fundação, ali consolidou seu nome como mestre, cirurgião e gestor. Coordenou a Residência de Cirurgia e dirigiu o hospital na década de 80, deixando como principal legado a construção da nova emergência, ocasião em que foi realizado um grande concurso público para contratação de uma quantidade expressiva de novos médicos.

Na Faculdade de Medicina, fez história. Muito presente e atuante, nas suas aulas visitas, emergia sempre o professor extremamente exigente. Não aceitava essa desculpa de "não sei não senhor", os residentes eram obrigados a ter domínio completo das enfermarias. No centro cirúrgico, destacou-se na correção das grandes hérnias da parede abdominal. Qualquer vacilo dos residentes era repreendido com firmeza, tal como eram também elogiados com desvelo os bons desempenhos, "belo ponto, meu filho, merece uma tragada". Na sua gestão como chefe do Departamento de Cirurgia, criou a Jornada Científica do Departamento, hoje já na sua trigésima primeira edição, e foi o responsável pelo desencadeamento das negociações que acabaram por determinar a construção do novo hospital de cirurgia.

Associativamente, o professor Moreira também atuou de forma significante. Muito ativo no Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), foi membro Titular, Mestre do Capítulo Ceará/Piauí/Maranhão, vice-presidente setorial e Membro Honorário do CBC, tendo recebido a Medalha do Mérito Cirúrgico por ocasião do XXIX Congresso do CBC, realizado em Fortaleza no ano de 2011.

Já aposentado da UFC e do HGF, em 2002 o professor Moreira foi convidado pelo professor Manassés, na ocasião Reitor da Universidade Estadual do Ceará, para colaborar na organização inicial do Curso de Medicina que lá se instalara. Como era de costume acontecer em todo projeto no qual se envolvia, dedicou-se de corpo e alma, dando aula incansavelmente em várias disciplinas no início do curso, o que lhe rendeu inúmeras homenagens e convites para dar nome e ser patrono ou paraninfo das primeiras turmas que lá se formaram. Vem desta época minha maior aproximação dele. Membro da banca examinadora do concurso que prestei para professor de Cirurgia do Curso de Medicina da UECE, passamos a conviver de perto por um bom período. Tornamo-nos verdadeiramente amigos e pude apreciá-lo mais ainda. Juntos fomos vozes dissonantes na ideia da construção do Hospital Universitário da UECE, na época proposta repugnada pela direção do Curso e Reitoria. Ver o Hospital Universitário hoje em pleno funcionamento enche-me de orgulho, e embora os alunos de hoje não saibam, nos corredores daquele hospital estão impregnados os lampejos dos sonhos e da inteligência de um homem obstinado.

Acompanhei de perto suas últimas internações, mas ontem, ao receber a notícia de sua morte, confesso que senti um misto de tristeza e saudade. A constatação da partida definitiva de um mestre querido enche-nos de vazios e faz com que nos sintamos vivendo em um mundo menor do que este que está ai desabrochando para muitos. É como se a morte deles estivesse levando também um pouco de nós. Mas, pensando bem, é justamente o contrário. A verdade mesmo é que os nossos mestres nunca morrem, eles estarão eternamente aqui impregnados em nossas atitudes, em nossos ensinamentos.

Assim, aquela risada franca, aquela mão estendida vigorosa e aquela opinião firme e forte do Dr. Moreira estarão sempre por aqui a nos guiar e ajudar a encontrar respostas e soluções. É isso, vai meu velho e bom amigo, descanse em paz.

Fortaleza, 15 de dezembro de 2025

Prof. Fernando Antônio Siqueira Pinheiro

Departamento de Cirurgia da Famed UFC


quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Porque Roberto Macêdo fará falta, à família, ao O POVO e ao Ceará

Por Gualter George, diretor de Opinião do Grupo de Comunicação de O Povo (*)

O nosso espaço de Opinião notabiliza-se pela diversidade. Há nele representações de todos os gêneros, todas as raças, diversas categorias profissionais, segmentos sociais e econômicos diferentes, moradores de áreas nobres e periferias, enfim, cuidamos para que funcione como um retrato perfeito, quase completo, do que somos como sociedade.

O ofício cotidiano dos últimos cinco anos, quase, tempo que sou editor e depois diretor de Opinião do Grupo de Comunicação O POVO, impõe que eu tenha atenção especial com o que é publicado. Confesso que na condição anterior, de um leitor distanciado e que podia se dar ao luxo de escolher apenas o que me parecia interessante, nem sempre conseguia perceber a importância de algumas opiniões que passam pelo espaço diariamente.

Por exemplo, chegando à posição em que estou agora é que comecei a vislumbrar a força política dos textos que mensalmente publicávamos com assinatura de Roberto Macêdo, o articulista que acaba de nos deixar. Sem críticas àqueles que optam por caminhos contrários, passou a chamar minha particular atenção o fato de nunca haver um interesse próprio, pessoal ou econômico, abordado nas suas contribuições ao espaço.

Era sempre um tema de interesse coletivo que ele trazia à discussão, claro que a partir de suas convicções próprias. O fato de ser um empresário de grande peso e de comandar uma das mais poderosas entidades classistas do Ceará - a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) -, durante boa parte do tempo em que contribuiu com seus textos, quase que não tinha influência nas suas escolhas de temas ou nas linhas de abordagem. E a ressalva do "quase que" é um preciosismo cuidadoso da minha parte, porque a rigor pode-se afirmar que o sentido coletivo, na definição mais exata do termo, prevaleceu em todos os casos.

Parece até deselegante de minha parte com outros colaboradores das páginas que tivemos e que morreram ao longo desse meu percurso na Opinião, mas, no caso do Roberto Macêdo, de fato, sinto como uma espécie de obrigação fazer esse reconhecimento aberto de sua importância para o propósito que temos de animar o debate público numa perspectiva que coloque o objetivo comum acima do interesse pessoal, corporativo ou o que valha.

No caso dele, com alma limpa, posso dizer que havia tranquilidade absoluta da nossa parte quanto à ideia conceitual que nos motiva a incentivar as colaborações externas. É uma perda para o Ceará em todos os aspectos, certamente que para a família de maneira especial, mas, no nosso caso, nos vemos obrigados a, honrando sua memória, seguir na trilha da busca pela priorização do "nós". Pode-se dizer que perdemos mais do que apenas um articulista, abre-se um vácuo de preenchimento difícil nas páginas opinativas do O POVO.

Fonte: O Povo, de 12/11/25. Opinião. p.23.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

ROBERTO MACÊDO: o empresário que fez da sensibilidade sua maior força

Por Carmem Pompeu, jornalista de O Povo (*)

À frente do Conselho de Administração da holding do Grupo J. Macêdo, fundado em 1939 por seu pai, o industrial José Dias de Macedo, Roberto construiu uma trajetória empresarial sólida e reconhecida nacionalmente

O empresário Roberto Proença de Macedo morreu ontem aos 81 anos. Engenheiro mecânico, empresário e líder classista de destaque, ele deixa um legado marcado pelo empreendedorismo, pela visão inovadora e pelo compromisso com o desenvolvimento industrial e social do Ceará.

Nascido em Fortaleza, em 1944, Roberto Macêdo formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Casado com Tânia Rocha Lima de Macêdo, era pai de quatro filhos, avô de dez netos e bisavô de três bisnetos. 

Ao lado do irmão, Amarílio Macêdo, deu continuidade à empresa fundada pelo pai, José Dias de Macêdo, em 1939, consolidando-a como uma das mais emblemáticas do mercado brasileiro, detentora de marcas como Dona Benta, Petybon, Sol e Hidracor.

O velório ocorreu na funerária Ternura, em Fortaleza, onde estavam presentes familiares, amigos e boa parte do empresariado cearense. “Era um grande coração, grande idealista. Uma pessoa de profunda sensibilidade humana. Era gostoso gostar dele”, descreve Amarílio Macêdo.

Luciana Dummar, presidente institucional e publisher do Grupo de Comunicação O POVO, lembra dele como um amigo de verdade, de uma presença amorosa, um homem correto como poucos e amigo dos amigos.

Encontrar o Roberto era sempre motivo de um sorriso largo e um coração preenchido. Eu me despeço dele com tristeza, mas com a certeza de que o encontro dele com meu pai (Demócrito Rocha Dummar, presidente do O POVO de 1985 a 2008) vai ser motivo de uma grande festa, porque o Roberto foi um dos melhores amigos desta família e desta Casa", afirma.

Fiec realiza homenagem ao seu ex-presidente

Como presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), cargo que exerceu por dois mandatos, entre 2006 e 2014, foi protagonista de uma gestão voltada à ampliação da representatividade industrial, ao fortalecimento das entidades de classe e à integração do setor produtivo com a inovação e o conhecimento.

Na tarde de ontem, gestores e colaboradores do Sistema Fiec reuniram-se no hall da Casa da Indústria para prestar homenagem ao ex-presidente da Federação.

Em nota, a entidade destacou que Roberto Macêdo ajudou a escrever um capítulo decisivo da economia cearense, consolidando um dos maiores grupos empresariais do Nordeste e contribuindo, de forma permanente, para o fortalecimento do trabalho, da produção e da prosperidade.

Para mim, sua partida é especialmente dolorosa. Roberto foi mais que um líder: foi um amigo-irmão, um conselheiro constante, uma presença segura”, afirmou o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante.

Durante sua gestão na Fiec, Roberto Macedo defendeu a valorização dos talentos locais, o associativismo e o diálogo permanente entre indústria, governo e sociedade, acreditando que a competitividade e o desenvolvimento sustentável dependem da união em torno de agendas positivas.

Para mim, sua partida é especialmente dolorosa. Roberto foi mais que um líder; foi um amigo irmão, um conselheiro constante, uma presença segura”, afirmou o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante.

Além de ser um grande empresário com larga visão social, ele também era um ambientalista. Estivemos em várias sagas ambientais juntos. Ele que foi sempre um defensor da Associação Caatinga, inúmeras vezes contribuiu com a Prefeitura e com o Estado nas políticas ambientais”, destacou Artur Bruno, superintendente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza.

Homenagens também foram feitas na Assembleia Legislativa do Ceará e no Senado Federal. "Perdemos um dos maiores empreendedores do Ceará, o doutor Roberto Proença de Macedo, do Grupo J. Macedo. Visionário, ético e comprometido com a responsabilidade social e ambiental, Dr. Roberto gerou milhares de empregos e contribuiu enormemente para o desenvolvimento do estado e do país", afirmou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Ele lembra que, recentemente, Roberto Macêdo foi homenageado no Congresso Nacional pelos 85 anos do Grupo J. Macedo, sendo reconhecido pelo legado construído à frente de uma das maiores empresas do Brasil. " Em nome do Senado Federal, apresentei um voto de pesar, prontamente aprovado pelo Senado, manifestando solidariedade à família, amigos e colaboradores."

As lições deixadas no ambiente empresarial

O grupo J. Macêdo publicou nota de pesar pelo falecimento do empresário e destacando a trajetória dele como líder empresarial de destaque no Ceará e no país, tendo ocupado a presidência da Fiec por diversos mandatos e a vice-presidência da CNI.

"Sua trajetória permanece marcada pela generosidade, integridade, fé e sensibilidade nas relações humanas. Roberto Macêdo inspira todos nós a seguirmos firmes na construção de um futuro guiado pelos valores que sempre nortearam sua vida e o propósito da família Macêdo", informou a empresa.

O presidente da M. Dias Branco, Ivens Dias Branco Jr., também manifestou pesar. "Roberto Macêdo foi uma das mais destacadas referências da indústria nacional, tendo contribuído de forma decisiva para o fortalecimento do setor produtivo brasileiro. Sua liderança, visão empreendedora e compromisso com o desenvolvimento do país e da Região Nordeste constituem um legado exemplar para as futuras gerações e serão sempre reconhecidos pela indústria brasileira", afirmou.

Legado social e ambiental

Para além da atuação empresarial e institucional, o industrial dedicou parte significativa de sua vida ao empreendedorismo social e à preservação ambiental. Foi fundador e conselheiro da Associação Caatinga, entidade de referência na conservação do bioma e na promoção da convivência sustentável com o Semiárido.

Ele deixa uma história que vai servir a gerações, porque foi um homem que viveu para sua família, para uma empresa familiar de destaque nacional, referência no país hoje, mas que não descuidou de ser um homem que cuida da causa ambiental”, destacou Carlos Matos, ex-secretário da agricultura do Ceará.

Roberto Macêdo também atuou como conselheiro honorário da The Nature Conservancy (TNC), organização internacional voltada à proteção da natureza, e conselheiro colaborador da Fazenda da Esperança, instituição dedicada à recuperação de pessoas em situação de dependência química.

Eu estudei com ele no Jesuíta de Baturité e fui vice-presidente do grupo (J. Macedo). Acima de tudo, era um homem bom. Um homem que está sempre em paz com todos ao seu redor. Ele construiu, além do império de trabalho na empresa dele, um império de relacionamento. Uma pessoa fantástica”, declarou Lima Matos, ex-secretário da Fazenda do Ceará.

Fonte: O Povo, de 12/11/25. Economia. p.11.

domingo, 9 de novembro de 2025

Morre aos 88 anos o padre João Batista Frota

Com atuações em Santana do Acaraú, Massapê, Fortaleza e Sobral, o sacerdote se tornou conhecido pelo projeto humanitário "Cabra Nossa de Cada Dia"

Morreu na noite desta sexta-feira, 7/11, em Fortaleza, o padre João Batista Frota, aos 88 anos. A informação foi confirmada pela Diocese de Sobral, que, em nota, expressou seu pesar e destacou que padre João Batista Frota deixa “um testemunho luminoso de fé e dedicação à vida humana”. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido em Santana do Acaraú, microregião de Sobral, João Batista foi morar ainda muito pequeno em Massapê. Foi ordenado presbítero em Roma no ano de 1966 e havia celebrado, em março de 2025, 59 anos de vida sacerdotal.

Ao longo dos anos, exerceu seu ministério pastoral nos municípios de Santana do Acaraú, Massapê e Sobral, consagrando-se como um dos religiosos mais queridos e respeitados do norte do Ceará.

Para além do trabalho na Igreja, o sacerdote envolveu-se em projetos voltados à educação, à juventude, à saúde e à paz.

Entre suas iniciativas mais emblemáticas está a campanha “Natal Sem Fome”, idealizada em 1994, que, ao longo de sua história, arrecadou toneladas de alimentos, roupas e brinquedos, distribuídos para inúmeras famílias ao redor de Sobral.

João Lucas Frota, sobrinho do padre, destacou, dentre as características marcantes do tio, a presença acolhedora. "Hoje nos despedimos do meu tio, Padre João Batista Frota, um homem que não apenas pregava a fé, mas a colocava em cada gesto, palavra e cuidado. Ele foi presença acolhedora, conselho sereno, abraço que confortava e exemplo vivo de amor ao próximo."

Também ressaltou que, dentre as homenagens recebidas em vida, o padre João Batista Frota foi agraciado com o Prêmio de Direitos Humanos, concedido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em 2011. E informou que o projeto “Cabra Nossa de Cada Dia” será, em breve, apresentado na COP-30, em Belém.

"Guardamos seu legado no coração e seguimos levando adiante o que ele nos ensinou: amar, acolher, caminhar com fé, ter humildade e ajudar ao próximo. Ele sempre repetia uma frase que agora faz ainda mais sentido: Enquanto temos tempo, façamos o bem”, afirmou.

Devido à sua popularidade, a despedida do religioso acontece em três municípios distintos e deverá reunir fiéis, amigos e autoridades locais ao longo deste sábado, 8/11.

Em Fortaleza, o momento ocorreu das 7 horas às 11 horas, na Funerária Ternura. Já em Sobral, acontece das 16h às 19 horas, na Igreja do Patrocínio.

Por fim, no município de Massapê, o velório ocorrerá a partir das 20 horas. O sepultamento está marcado para domingo, 9/11, às 11 horas.

Fonte: O Povo, de 9/11/2025. Cidades. p.16.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

No céu dos bonecos, dizendo "me aguarde!"

Por Tarcísio Matos (*)

Se tomarmos como base o lado trash do “bonequeiro” - sujeito presepeiro, bagunceiro, perturbador da ordem, praticante de arruaças, que escandaliza e apronta rolo -, o criador Augusto César Barreto Oliveira, pessoa física, passou longe. O “gigolô de Seu Encrenca”, ao contrário, era da paz: manso, sensível, generoso, disciplinado, profissional do riso mais único que raro: talentoso, criativo, inspirador. Amigo de todas as horas, tinha a piada na ponta da língua e uma gaitada contagiante.

Quando entrava em cena acompanhado de um boneco, a transformação era certa, esculhambação graúda: plateia se abrindo em gargalhadas com ocara “munganguento”, fuleiro, ferino, gaiato - “ventriloquente”.

Pernambucano de nascimento, o mestre do mamulengo chegou ao nosso estado há 45 anos e nunca mais deixou de botar seu impagável boneco. Figura da televisão (Encrenca, Cassimiro, Chibata) e dos palcos (Fuleiragem), era âncora plantonista: as piadas vinham, sobretudo, do dia a dia. Entre os bordões, “Me aguarde!” foi o mais famoso. Havia outros: “Tabaco demais é fumo!”, “Em matéria de tal e coisa, tudo mais é isso mesmo!”, “É fumo, meu filho!”

Internalizando o jeito cearense de fazer humor, ele se referenciou na terra de Quintino e Chico Anysio, fazendo o Brasil “se lascar de rir” das potocas que criava - roteirista dos próprios personagens. Augusto, sem perder o sotaque do torrão natal, fez escola. Botou “boneco federal”, mantendo constância e disciplina.

A televisão acelerou sua fama. E foi lá, na Jangadeiro, que tive a honra de trabalhar com ele, dando o grau em esquetes, partilhando e aprimorando causos. Aprendi muito com esse Bonequeiro de muitos bons bonecos. Fizemos rádio, CD de piadas e de músicas.

Uma dele. Na Paraíba, onde fez o “Seu Chibata”, o noticiário falava da fabricação, envase e comercialização de cachaça caseira por ‘microempresários encarcerados’, tudo dentro do presídio de segurança máxima. Como de praxe, o boneco pega o telefone e disca para o secretário de Polícia:

- Quer dizer que estão comercializando cachaça falsificada no presídio de segurança máxima, Sr. Secretário? Pois olhe, bota esses homens na cadeia!

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/11/25. Opinião.p.16.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Nota de pesar pelo falecimento da professora Francisca Maria de Maracaba Menezes

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) manifesta profundo pesar pelo falecimento da professora aposentada Francisca Maria de Maracaba Menezes, ocorrido na última sexta-feira, 26 de setembro, aos 75 anos de idade.

Carinhosamente chamada de professora Mara pela comunidade acadêmica, ingressou na Uece em 1979, permanecendo lotada no curso de Enfermagem, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), até sua aposentadoria, em 2004. Sua dedicação foi fundamental para a construção e consolidação do curso, que hoje é referência, além de sua brilhante atuação como docente.

A professora Mara também contribuiu de forma significativa como diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS), cargo que exerceu entre 1992 e 1996. Seu legado e amor pela Uece são heranças de família, sendo filha da ex-professora da instituição, Francisca Zeneida Guerreiro.

A Reitoria da Uece, em nome de toda a comunidade acadêmica, solidariza-se com familiares e amigos da professora Francisca Maria de Maracaba Menezes neste difícil momento de dor.

Fonte: Uece. Assessoria de Comunicação, postado em 1/10/25.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

ELSIE STUDART: doze anos de sua partida

Hoje, quando se comemora o Dia do Escritor, completam-se doze anos da perda deste mundo menor da Profa. ELSIE STUDART GURGEL DE OLIVEIRA, falecida em Fortaleza, em 25/07/2013.

Por todos esses anos, como ratificação de apreço e de afeição, que por ela nutrimos, temos buscado preservar a sua memória, por meio de homenagens especiais, publicação de artigos sobre ela e lançamentos póstumos de suas obras literárias.

Recentemente, inserimos no livro “Laudamus Vos”, de nossa lavra, o texto “ELSIE STUDART: uma existência profícua e sensata”, contendo uma síntese biográfica em sua homenagem.

Ainda dispomos de material suficiente para editar mais dois ou três livros póstumos, assim que obtivermos os recursos monetários para arcar com a impressão dessas obras ou, talvez, como possível alternativa, cuidar da editoração eletrônica para ser abrigada em site adequado.

Isso tem colaborado, também, para amenizar a saudade que nos infringe desde quando partiu para outro plano.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo da família Studart Gurgel


terça-feira, 4 de março de 2025

Pesar da Academia Brasileira de Letras por Affonso Romano de Sant’Anna

Com imenso pesar, a Academia Brasileira de Letras lamenta a morte do escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna, aos 87 anos, na manhã desta terça-feira (4/2/25). Mineiro de Belo Horizonte, ele foi um dos grandes cronistas do país e autor de mais de 60 livros de poesia e prosa. Era casado com a também escritora Marina Colasanti (1937-2025).

A ABL presta homenagem a esse grande escritor, autor de um dos mais potentes poemas sobre o Brasil – “Que país é este?” (1980) –, com a primeira das sete partes da obra. A coletânea de mesmo nome rendeu a Affonso o Prêmio Jabuti.

O poema ganhou a primeira página do Jornal do Brasil à época e foi traduzido para o francês, inglês, espanhol e alemão. Impresso em pôsteres, decorou a parede de escritórios, sindicatos, universidades e bares, refletindo sua enorme repercussão popular.

Uma coisa é um país,

outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,

outra um regimento.

Uma coisa é um país,

outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno “Avante”

— e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”

e éramos maiores em tudo

— discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,

outra um fingimento.

Uma coisa é um país,

outra um monumento.

Uma coisa é um país,

outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

e ler anais

como anal

animal

hiena patética

na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

nacionais, como qualquer santo barroco

a rebuscar

no mofo dos papiros, no bolor

das pias batismais, no bodum das vestes reais

a ver o que se salvou com o tempo

e ao mesmo tempo

– nos trai.

Fonte: enviado por Fernando Melo e circulando em grupos de WhatsApp.


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Morre o Doutor Pinho, descobridor do calazar no Ceará

Felizardo de Pinho Pessoa Filho nasceu em 1918, em Viçosa do Ceará. Foi responsável pela descoberta dos primeiros casos de leishmaniose visceral em pessoas e animais na região da Ibiapaba e no Piauí.

Morreu no final da manhã de ontem o Doutor Pinho. Farmacêutico, sanitarista, cientista, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viçosa do Ceará, que completaria 107 anos em 26 de abril próximo, ele foi o responsável pela descoberta e tratamento dos primeiros casos de calazar no Ceará e no Brasil a partir de 1946. Felizardo de Pinho Pessoa Filho montou, com recursos próprios, um hospital de campanha para cuidar e atalhar a morte de pacientes cearenses e piauienses infectados pelo flebótomo, mosquito vetor da leishmaniose visceral ou esplenomegalia tropical.

Doutor Pinho faleceu lúcido e consciente em uma UTI do hospital Otoclínica depois de complicações derivadas de um trombo e a perda das funções renais. Por último, segundo o advogado César Pinho, um dos filhos do farmacêutico, o pai pediu que cuidassem da esposa – Maria Lúcia Fontenele de Pinho Pessoa, de 90 anos de idade.

Nas últimas horas de papai, ele pediu a presença dos filhos e da mamãe. Pediu que cuidássemos e não deixasse faltar carinho e afeto pra ela. Disse que a amava e pediu que não soltássemos a mão um do outro. E falou que sabia que tinha chegado a hora dele. Foi uma sensação triste, mas é o início de uma grande saudade”, afirmou César Pinho.

O velório do corpo de Doutor Pinho será iniciado ainda neste sábado em Fortaleza, a partir das 18 horas, na Funerária Ethernus (rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota). Depois de uma missa, às 21 horas, o corpo seguirá para Viçosa do Ceará. Na manhã de domingo, 23, a partir das 9 horas, haverá o segundo velório na cidade onde o sanitarista nasceu, em 26/4/1918. Às 17 horas, será sepultado no município da Chapada da Ibiapaba.

Em agosto de 2021, Doutor Pinho foi personagem das Páginas Azuis de O POVO. Em entrevista por videoconferência, por causa das restrições de distanciamento da covid-19, o descobridor do calazar no Ceará contou como atravessou a pandemia entre 2020-2021. E também como sobreviveu à pandemia da Gripe Espanhola (1918-1920) e muitas mazelas, àquela época ainda com 103 anos de existência.

Doutor Pinho, que dá nome a uma cachaça fabricada em Viçosa do Ceará, até poucos meses atrás tocava piano e ainda se aventurava em manipular algumas fórmulas em seu laboratório particular. Nas Páginas Azuis, ele revelou também como cientistas de São Paulo furtaram a pesquisa, dados, fotos e prontuários de 18 pacientes contaminados pelo calazar. Aqueles haviam sido os primeiros casos da doença do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/02/2025.


domingo, 16 de fevereiro de 2025

CARTA-HOMENAGEM A MARIA ZÉLIA ROUQUAYROL

“E desde então, sou porque tu és

E desde então és

sou e somos...

E por amor

Serei... Serás... Seremos...”

(Do poeta Pablo Neruda, soneto XVII, traduzido por Carlos Nejar) 

Querida família e amigos,

Hoje, reunimo-nos para celebrar a vida de uma mulher excepcional, Maria Zélia Rouquayrol, que partiu de nossas vidas, mas deixou um legado imenso e um amor que nunca se apagará. Nascida na Sertânia de Pernambuco em 3 de setembro de 1931, Maria Zélia foi uma luz que iluminou o caminho de muitos, especialmente de sua amada família.

Como professora universitária, Maria Zélia dedicou sua vida ao ensino e à pesquisa sobre doenças parasitárias e Epidemiologia. Sua paixão pela ciência e pela educação era evidente em cada aula que ministrava e em cada projeto que coordenava, incluindo a publicação do boletim de saúde da célula de vigilância epidemiológica. Sua curiosidade e determinação a levaram a conquistar marcos importantes em sua carreira, como sua especialização no Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica, o mestrado em Saúde Pública pela Tulane University, nos Estados Unidos, e o doutorado em Higiene e Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará.

Maria Zélia também foi agraciada com diversos títulos e honrarias, incluindo Cidadã Cearense em 2005 e Cidadã de Fortaleza em 2002. Em 2002, recebeu a Medalha Comemorativa do Centenário da Organização Pan-Americana da Saúde, reconhecendo sua valiosa contribuição à saúde pública. Em 1998, tornou-se Professora Emérita da Universidade Federal do Ceará e, em 2013, foi homenageada com o Troféu Sereia de Ouro do Sistema Verdes Mares.

Em casa, era uma mulher alegre, espontânea e criativa, que apreciava as coisas simples da vida. Sua varanda era o canto preferido, onde gostava de desfrutar de momentos tranquilos e acolhedores. Maria Zélia era fã de comidas caseiras, especialmente tapioca e cuscuz com leite, e tinha um gosto especial por frutas frescas. Sua beleza era natural, com pouco perfume e maquiagem, mas seu brilho interior era inegável.

Amava o teatro, o cinema e dançar em salão, sempre acompanhada pelas canções que tocavam seu coração. As músicas de Luiz Gonzaga e Roberto Carlos, além de “Glória Aleluia” e “Edelweiss” do filme A Noviça Rebelde, ecoavam em sua casa, trazendo alegria e felicidade.

O maior legado que Maria Zélia nos deixou foi sua determinação inabalável e sua capacidade de sonhar. Ela sempre esteve à frente de seu tempo, inovando e acreditando que, através do esforço e do estudo, poderia alcançar seus sonhos. Sua dedicação à educação dos filhos foi imensa; ela ofereceu todo o seu amor, alegria e vivacidade a Leda, Vera, Paulo Junior e Pedro Leopoldo, que, por sua vez, transmitiram esses valores a seus 11 netos e 6 bisnetos.

Maria Zélia foi uma mulher honrosa, corajosa e inteligente, uma fonte de inspiração que continuará a brilhar nas vidas de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Seu legado na pesquisa da Epidemiologia no Brasil e sua inestimável contribuição para a saúde pública serão lembrados por muitos, sempre com gratidão.

Que a memória de Maria Zélia Rouquayrol nos inspire a valorizar as coisas simples da vida, a amar incondicionalmente e a buscar nossos sonhos com coragem e determinação. Que ela descanse em paz, sabendo que o amor que deixou em nossos corações é eterno.

Com carinho e saudade,

Notas: Carta-homenagem lida pelo cerimonialista antes do início da Missa de corpo presente em 14/02/2025.

A filha Vera Rouquayrol escreveu todas as informações, dados mais pessoais e íntimos, como gosto musical, comidas, lugar preferido da casa, personalidade etc., etc. O cerimonial do complexo velatório Aethernus transformou os informes em um texto, organizando-os em uma redação para a leitura da ocasião.

Os versos do poeta Pablo Neruda, expostos na projeção da fotografia da Profa. Maria Zélia Rouquayrol durante a missa, também foram escolhidos por Vera Rouquayrol.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Amigo e colaborador da Profa. Zélia

FALECIMENTO DA PROF.ª M. ZÉLIA ROUQUAYROL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

É com pesar que aqui registro a notícia do falecimento, na madrugada de 13/02/2025, de um grande nome da Epidemiologia e da Saúde Pública no Brasil: a Prof.ª Dr.ª Maria Zélia Rouquayrol.

Zélia nasceu em Pernambuco (03/09/1931) e graduou-se em Farmácia, em 1955, pela Universidade Federal de Pernambuco, onde iniciou sua trajetória docente como instrutora de ensino de Microbiologia. No ano seguinte, foi transferida para a Universidade Federal do Ceará (UFC), instituição em que ocupou, de forma progressiva, os cargos de instrutor de ensino, professor assistente, professor adjunto e professor titular.

Em 1969, fez o Curso de Especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia-Bélgica. Entre 1975 e 1976, durante o mestrado Master of Public Health realizado na Tulane University-USA, publicou o trabalho Control of schistosomiasis in the irrigated areas of Curu River. Ao retornar ao Brasil, deu continuidade às pesquisas e ao ensino da disciplina de Epidemiologia na UFC.

Conheci esta notável pesquisadora, no início da década de 1980, quando preparava a primeira edição de seu "Epidemiologia & Saúde", que viria a se tornar em livro-texto adotado por diversas universidades do Brasil. Em visita que me fez no Hospital de Messejana, Zélia me convidou para participar do quadro de colaboradores da referida edição, um desafio que aceitei ao escrever o capítulo sobre "Saúde Ocupacional".

Após sua aposentadoria como professora titular da UFC, além de professora titular da Universidade de Fortaleza (em que lecionou entre 1982 e 1989, e retornou em 2003), Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde contribuiu com investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica.

"Ao deixar um legado inestimável para a ciência e a saúde pública no país", como salienta o médico sanitarista Marcelo Gurgel, "Maria Zélia Rouquayrol permanecerá como inspiração, sobretudo para mulheres que atuam ou desejam atuar profissionalmente nessas áreas."

Requiescat in pace.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 15/02/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/falecimento-da-prof-m-zelia-rouquayrol.html


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Nota de pesar da Abrasco: Maria Zélia Rouquayrol

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) recebe com profundo pesar a notícia do falecimento da pesquisadora Maria Zélia Rouquayrol, um dos grandes nomes da Epidemiologia e da Saúde Pública no Brasil. Sua trajetória deixou um legado significativo para a Saúde Coletiva, com contribuições essenciais para a formação de profissionais da área. Seu livro “Epidemiologia & Saúde”, que tem Naomar de Almeida Filho como co-autor, é uma das obras mais adotadas no Brasil para o ensino de tópicos relevantes da Saúde Coletiva.

Graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1955, Maria Zélia iniciou sua carreira como Técnica no Laboratório de Saúde Pública da Secretaria de Saúde de Recife. Em 1957, iniciou sua trajetória docente como instrutora de ensino de microbiologia na UFPE. No ano seguinte, foi transferida para a Universidade Federal do Ceará (UFC), onde ocupou, de forma progressiva, os cargos de instrutor de ensino, professor assistente, professor adjunto e professor titular. Posteriormente, em 1969, fez o Curso de Especialização no Institute of Tropical Medicine em Antuérpia-Bélgica. No período seguinte (1970/1975), com auxílio do CNPq, dedicou-se a pesquisas sobre esquistossomose nos perímetros de irrigação do DNOCS. Entre 1975 a 1976, durante o mestrado Master of Public Health realizado na Tulane University-USA, publicou o trabalho Control of schistosomiasis in the irrigated areas of Curu River. Ao retornar ao Brasil, deu continuidade às pesquisas e ao ensino da disciplina Epidemiologia na UFC.

Após sua aposentadoria como professora titular da UFC, Maria Zélia passou a integrar a Secretaria de Saúde de Fortaleza, onde contribuiu com investigações epidemiológicas e coordenou a publicação do Boletim de Saúde da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI/SMS).

A Abrasco se solidariza aos familiares e amigos neste momento de luto.


 

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