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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O TROFÉU SEREIA DE OURO PARA ADRIANA FORTI

O Troféu Sereia de Ouro foi instituído, em 1971, pelo chanceler Edson Queiroz. com o propósito de homenagear, de forma expressiva, aqueles que se notabilizaram e concederam importante contribuição ao desenvolvimento do Ceará, em seus distintos campos de atuação.

A Academia Cearense de Medicina (ACM) sente-se igualmente prestigiada quando tem um dos seus membros entre os recipiendários da “Sereia de Ouro” e, no caso deste ano de 2025, rejubila-se em ver a confreira Adriana Costa e Forti no quarteto dos agraciados com o honroso troféu.

Adriana Costa e Forti nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 25/04/1948, filha de Manassés Moreira Costa e Ieda Menezes Costa.

Fez o Primário e o Ginasial em sua cidade natal e o Científico no Colégio Juvenal de Carvalho, em Fortaleza, porque desejava cursar Medicina. Bem-sucedida no exame vestibular, ingressou na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1966, e foi diplomada médica em 1971.

Recém-formada, viajou para o Rio de Janeiro, onde cumpriu a Residência Médica no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (1972-73) e a Especialização em Endocrinologia, na Escola de Pós-Graduação Carlos Chagas (1972).

Adriana Costa e Forti recebeu o Título de Especialista em Endocrinologia da Associação Médica Brasileira / Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por concurso, em outubro de 1974.

Cursou Mestrado em Endocrinologia, de 1975 a 1978, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, concluso com a defesa da dissertação “Estudo do receptor vascular renal em coelhos diabéticos”, sob a orientação do Prof. Manassés Fonteles, recebendo nota máxima da banca examinadora, e Doutorado em Ciências Médicas e Biológicas, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de 1991 a 1993, com a tese “Papel do endotélio vascular renal nas alterações renais no diabetes”, sob a orientação dos Profs. Drs. Antônio Roberto Chacra e Manassés Fonteles.

Ingressou no quadro docente da UFC, como professora auxiliar, via concurso público, em 1975, e seguiu na trajetória acadêmica atingindo o cargo de professor titular em 2016, no qual viria a se aposentar em 2021, após mais de 45 anos de serviços.

Em 1982, a Profa. Adriana Costa e Forti participou da criação da disciplina de Farmacologia Clínica, da qual foi coordenadora de 1985 a 1988. e também da criação do mestrado em Clínica Médica da UFC em 1995, o qual coordenou de 1996 a 1997.

Foi fundadora em 1988 e diretora, por mais de trinta anos, do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. instituição que serviu de modelo, ao Ministério da Saúde em 2001 e em 2002, para implantar o Plano de Reorganização de Ações à Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus no Brasil.

Foi a primeira mulher e, também, a primeira nordestina a presidir a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (1981-1982 e 1983 e 1984) e a Sociedade Brasileira de Diabetes, e foi uma das fundadoras das regionais cearenses dessas sociedades médicas. Presidiu quatro congressos nacionais de Endocrinologia e de Diabetes realizados em Fortaleza.

Participou ativamente da implantação e coordenação de projetos educacionais em parceria com instituições internacionais: (Harvard - Joslin SBD), International Diabetes Center (Mineapolis-USA); Programa de Educação do European Association for Study of Diabetes (EASD), para profissionais de saúde e para pessoas com diabetes no Brasil.

A Dra. Adriana Forti, durante seis anos, representou o Brasil no Comitê da OMS, em Genebra, no Task Force on hormonal contraceptives.

Coordenou no Ceará vários estudos epidemiológicos nacionais na área do diabetes, além de trabalhos de capacitação e desenvolvimento de equipes para lidar com o Diabetes Mellitus, junto às secretarias de saúde do estado e de diversos municípios cearenses.

A Profa. Dra. Adriana Costa e Forti publicou muitos trabalhos científicos, com destaque para 75 artigos, 11 capítulos de livros e 164 resumos, orientou dissertações de mestrado e teses de doutorado, tendo participado de várias diretrizes de sociedades cientificas e de documentos técnico- científicos para educação de profissionais e de pessoas com diabetes e teve centenas de apresentações em congressos nacionais e internacionais.

Integrou o corpo editorial de importantes periódicos da sua especialidade e foi contemplada com o Prêmio Francisco Arduíno da SBD, em 2019, e com o Prêmio José Schermann da SBEM, em 2022.

É Membro Titular da ACM, desde 13/05/2005, como a segunda ocupante da Cadeira 24, patroneada por Antônio Guarany Mont’Alverne, sendo recepcionada, por ocasião da posse, pelo Acad. Manassés Claudino Fonteles.

Do enlace matrimonial com o seu colega de turma César Augusto de Lima e Forti, gerou os filhos Cássio (administrador e economista) e Márcio (administrador e advogado), que se desdobram em três netos: Giovana, João Lucas e Maria Luiza.

Por suas atividades de ensino e de pesquisa e, sobretudo, como médica que prestou, e segue prestando, relevantes serviços a comunidades carentes, resultando em notável impacto na saúde de pessoas com doenças crônicas do Ceará, a Profa. Dra. Adriana Costa e Forti se fez merecedora do Troféu Sereia de Ouro, configurando, indubitavelmente, um reconhecimento público do enorme valor da agraciada.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cad. 18

* Publicado In: Jornal do médico, 21(198): 34-35, novembro de 2025.


domingo, 21 de setembro de 2025

RICARDO GUILHERME: ator e jornalista cearense celebra 70 anos

Por Sofia Herrero, jornalista de O Povo

"O teatro se concretiza no ato e no tempo", afirma o ator Ricardo Guilherme, em entrevista ao O POVO, na semana em que comemora seus 70 anos. Destas sete décadas, com 55 anos dedicados às artes, a história de Guilherme se confunde com a do teatro cearense e com a de inúmeros palcos em que o dramaturgo encenou.

Aos 14 anos, subiu ao tablado do Teatro São José para estrear "O Mártir do Gólgota", espetáculo interpretado na Semana Santa, que retrata a Paixão de Cristo e a crucificação de Jesus.

Hoje, 55 anos depois, o historiador observa as paredes do anfiteatro no qual estreou, enquanto planeja o lançamento do livro Teatro São José, ficção e alguma história", que biografa o local. A obra integra a Coleção Pajeú, realizada pela Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (CPHC), mas, para o ator, inaugura também o rol de celebrações de seus 70 anos, celebrados neste domingo,

Na quinta-feira, 18, as festividades foram abertas na Teatraula "No Ato", ministrada no Teatro Morro do Ouro, com foco nos alunos do Curso Princípios Básicos de Teatro (CPBT) do Theatro José de Alencar. "Se trata de uma aula-espetáculo que combina diversos campos do saber e da expressão: história, ficção, depoimento, reflexão. É como uma espécie de conferência teatralizada de um professor ator", explica.

O evento mostra a conexão de Ricardo com a nova geração de jovens que experimentam as artes cênicas. Aposentado pelo curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC), mas de espírito rejuvenescente, ele segue orientando diversos alunos em seus trabalhos de conclusão, pelo simples prazer de pensar o teatro.

Ele ingressou como professor na UFC, no curso de Arte Dramática, em 1979, e foi um dos proponentes do anteprojeto da Licenciatura em Teatro da instituição. Além da UFC, foi reconhecido como Notório Saber em cursos de pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nacional de Brasília (UnB).

Na UFC, a trajetória de Ricardo se materializa no Acervo Doc. Teatro Ricardo Guilherme. Composto por mais de 13 mil itens de documentos arquivísticos e bibliográficos reunidos ao longo de seus 50 anos de carreira nas artes, a coleção de fotografias, textos dramatúrgicos e livros foi doada por ele à instituição, no ano de 2010.

"Eu já doei 60% do meu acervo, falta 40%. Existe um apego, não tenho um desprendimento e, por isso, fui doando de pouco em pouco nesses 15 anos. Mas este ano faz parte das comemorações me desprender de todo o restante e doar para os meus alunos", diz.

Sempre vinculado ao ensino e à pesquisa, Ricardo também foi a primeira voz a ser transmitida pela TV Educativa (TVE), que anos mais tarde viraria a TV Ceará do canal 5. Com o propósito da educomunicação, a TVE proporcionou a Ricardo Guilherme, de 1974 a 1992, um espaço de criação de programas e novelas integrado ao currículo escolar do Ceará.

"Era um canal feito para educação pública e foi criado para poder chegar a diversos lugares que os professores não chegavam, nos rincões do sertão. Criamos, inclusive, um gênero pedagógico, a aula integrada, que era uma forma de integrar os conteúdos das matérias e contextualizá-los no sentido prático e no aprendizado", relata o jornalista, antevendo o papel que a teleducação teria na modernidade.

Na TV, contudo, sua história começou um pouco antes, junto com a disseminação do sistema eletrônico de transmissão e recepção de imagens no Estado. No dia 26 de novembro de 1973, o primeiro programa em cores exibido pela TV no Ceará, intitulado "O Som, A Luz, as Cores e os Muitos Amores de Fortaleza", foi transmitido. Nele, Ricardo interpretava poemas sobre a capital cearense, ao lado de Ivete Pereira e Cleide Holanda.

Ao longo dos anos, a bagagem acumulada em cargos de direção, sonoplastia e produção culminou na criação do programa "Diálogos", em 2007. Há 16 anos no ar, na atração, os entrevistados levam sete objetos que compõem sua história pessoal e que devem nortear a conversa.

"Não considero que seja um programa de entrevista. É um diálogo, em que, ao invés de perguntas, as pautas surgem a partir do que é levado pelo entrevistado. O diálogo não tem hierarquia, é horizontal e vai caminhando de acordo com a interpenetração dos temas. É um programa para filosofar sobre questões atemporais e fazer uma espécie de cartografia do pensamento daquela pessoa que está ali", conta.

A assinatura de um dos patrimônios da TV cearense continua presente todas as sextas-feiras, às 22 horas, e com reprises aos sábados, às 18 horas. Apesar de ser frequentemente associado à TV e ao teatro, aos 70 anos, Ricardo celebra uma vida partilhada pela palavra, através de suas dramaturgias, contos e crônicas.

Como presente, sua contribuição para a literatura cearense foi referendada em abril de 2025, quando tomou posse da cadeira 33 na Academia Cearense de Letras (ACL), que tem o autor cearense Rodolfo Teófilo como patrono.

Como um profissional multifacetado, que registrou a história da cidade em personagens, imagens e escritos, Ricardo trabalhou nos bastidores do programa "Porque hoje é sábado", que, com a apresentação de Gonzaga Vasconcelos, anunciava os primórdios do que viria a ser o Pessoal do Ceará.

"Era 1969 e eu era aquele cara que levava microfone, mandava prancheta para assinar os cachês. Vi, de certa forma, o nascimento de Fagner, Ednardo, Belchior, Téti, Rodger Rogério e de tantos outros, e lembro-me de músicas que nunca foram gravadas. Eles deveriam ter mais de 20 (anos) e eu era aquele menino brincando de ser assistente, que queria aprender", relembra.

Ao refletir sobre a passagem do tempo e as mudanças na capital, ele pensa nos diferentes nomes que deixaram o Ceará na tentativa de reverberar sua arte no âmbito nacional. Com a permanência em Fortaleza, Ricardo diz ter adquirido o privilégio de olhar o mundo a partir de um outro prisma, que posteriormente lhe permitiu representar o Brasil em festivais.

"Me apresentei em diversos países, mas sempre que estava no Rio ou em São Paulo, me sentia não pertencente. Realmente eu fui me tornando fortalezense demais, atravessado pelas referências da cidade e, com o tempo, fui desenvolvendo um senso de responsabilidade histórica com o teatro cearense. Comecei a ter muitos lastros artísticos e talvez isso tenha me dado, inconscientemente, um laço muito forte", finaliza.

"Um artista plástico cria uma obra e consegue contemplá-la. Já o ator nunca vê seu espetáculo enquanto o interpreta, por isso existe uma espécie de orfandade no teatro".

O que diz Ricardo Guilherme?

"O teatro se concretiza no ato e no tempo"

"Todo teatro é meu, mesmo que não seja o meu'"

"Avoquei a mim uma responsabilidade de guardar a história do teatro cearense"

"O teatro radical é dialético, sintético e minimalista"

"Não vejo o teatro como arte multidisciplinar. No teatro radical, entende-se que ele é uma arte transdisciplinar"

"Quais são os conflitos centrais de uma peça que derivam em todo o restante?"

"Estamos à procura do átomo conflitual, a raiz conflitiva de uma peça, a célula-máter de uma cena"

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/09/25. Vida & Arte, p.4-5.


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Solenidade comemorativa dos 131 anos da Academia Cearense de Letras

Participei na noite de ontem, 19 de agosto de 2025, no Palácio da Luz, pela quarta vez como acadêmico, da solenidade comemorativa dos 131 anos de fundação da Academia Cearense de Letras (ACL), considerada a primeira do gênero no Brasil, que segue em funcionamento, visto que foi criada três anos antes da instalação da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Antes da solenidade oficial, das 17h às 18h, houve a reunião mensal da ACL, oportunidade em que foram feitos os lançamentos do número 11 da revista Scriptoriun e do número 85 da Revista da ACL, com a distribuição de exmplares aos acadêmicos presentes.

A sessão solene, inciada às 19h, tendo a Sra. Regina Cláudia Fiúza, diretora administrativa da ACL, como cerimonialista, foi liderada pelo Presidente da Arcádia, Acad. Tales de Sá Cavalcante, que fez o discurso de saudação de aniversário e lançou o Edital do Prêmio Osmundo Pontes.

Na sequência, como coroamento dos trabalhos da noite, houve uma alentada interlocução centrada na obra Dom Casmurro, pondo em cena a secular e controvertida polêmica da possível traição de Capitu ao esposo Bentinho. Após a leitura de trechos selecionados do livro machadiano pelo Acad. Ricardo Guilherme, a cerimonialista passou a palavra à Acada. Selma Prata, designada mediadora do debate entre os Acads. Linhares Filho e Batista de Lima, que explicitaram, escudados em consistentes argumentos, um certo antagonismo em suas impressões sobre a fidelidade de Capitu.

A solenidade foi sacramentada pelo grande público assistente, constituído notadamente de membros integrantes de confrarias e entidades literárias cearenses, assim como formadores de opinião da sociedade local.

Ao final da efeméride, acadêmicos e seus convidados se confraternizaram em um coquetel ofertado pela ACL nas dependências do bucólico Café Java.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras


segunda-feira, 23 de junho de 2025

À PROCURA DO CAFÉ JAVA

Por Raymundo Netto (*)

O Café Java, o original, foi fundado em 1886, num canto da Praça do Ferreira, quase em frente ao atual prédio da Caixa Econômica, pelo popular Mané Coco, marmorista, bombeiro voluntário e um dos personagens da historiografia do cinema no estado. Com influência francesa, sua estrutura em madeira seguia a estética "art noveau", com uso de lambrequins – elementos ornamentais recortados em madeira para adornar os beirais para baixo e para cima –, convergindo na cumeeira – era um telhado de duas águas –, e guardando a parte de cima da sua fachada, de ponta a ponta, uma grade de taliscas também de madeira. Era nele que se reunia, anualmente, no 1º de abril, a “tropa” responsável pela organização da “maior festa popular da Fortaleza antiga”: o Festival da Potoca, ou, melhor dizendo, da mentira! Também ali se encontravam os apreciadores da aguardente do Cumbe, trazida pelo Mané Coco. Os seus clientes passavam pelo imenso “Cajueiro da Mentira” e colhiam de seus galhos mais caídos os suculentos cajus para degustar com a boa pinga, enquanto outros bebiam o cafezinho simples, coado na hora, jogavam dominó e/ou esbanjavam seus sonhos, ideias e escritos. Entre eles, Ulisses Bezerra (27) e Sabino Batista (24) sugeriram a um jovem amigo poeta, o irreverente Antônio Sales (24), a criação de um grêmio literário. Ora, o Sales não curtiu. Disse: “Só se fosse uma coisa nova, original e mesmo um tanto escandalosa, que sacudisse o nosso meio e tivesse repercussão lá fora”. Ele não gostava de formalidades, retóricas, discursos e academias. Mas, provocado, criou o título e elaborou o seu “Programa de Instalação”, uma espécie de Estatuto, menos oficial e mais debochado. Assim, em 30 de maio de 1892, em um imóvel alugado na rua Formosa, 105, fundaram a mais original agremiação artístico-literária do Ceará: a Padaria Espiritual (1892-1898). Depois do disputado evento, todos se dirigiram para tomar um cafezinho no Café Tristão, do qual nunca ouvi falar. Na verdade, nas Atas da Padaria Espiritual, não encontramos registro de nenhuma “fornada” (sessão) dos “padeiros” (gremistas) que tenha acontecido no Café Java, embora, ainda em 1892, após terminada uma delas, se dirigiram a ele. Também sabemos que, quando da distribuição de seu informativo “O Pão”, os padeiros se abancavam no Java como ponto estratégico de encontro e venda aos seus leitores. Em 1920, porém, o prefeito mandou derrubar os quiosques, vítimas do “progresso”. O Mané Coco havia vendido o Java há décadas e teria outro Café, o Central, novo ponto de encontro dos últimos padeiros.

Quando houve o anúncio, pela Academia Cearense de Letras, de um “outro Café Java”, também no Centro, mas em local diferente do original, acompanhei. Estranhei tratar-se de uma “réplica”, o que visivelmente não é, pois é totalmente diverso, não só no material da estrutura, que é de ferro, como em toda a sua arquitetura e ornamentos.

Não sei se realmente esse negócio vai vingar, se será possível, diante do eterno descaso ao Centro, realizar tais programações culturais naquele espaço, que é bastante reduzido, além de ser possivelmente uma onerosa manutenção. E dói demais assistir, logo ao lado, a igreja mais antiga da cidade quase se desmanchando à própria sorte. Eu, da forma como gosto e acredito em livros, acho que seria uma homenagem mais relevante à Padaria, a publicação e a democratização do acesso à população cearense da prometida coleção “Biblioteca da Padaria Espiritual”, composta de cerca de 14 títulos desses padeiros, pois muita gente diz comemorar essa agremiação sem nunca sequer ter lido uma dessas obras por eles escritas, simplesmente porque não são acessíveis! “Fornecer pão de espírito aos povos em geral” não era o objetivo maior da Padaria? Então, como diria Antônio Sales em suas sessões: “Está aberta a fornada”.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/05/25. Vida & Arte, p.2.

Nota do Editor do Blog: Havia um problema burocrático envolvendo a Prefeitura Municipal de Fortaleza e a empresa concessionária do serviço que assumiria a gestão da cafeteria que, felizmente, já foi sanado. No dia 10/06/25, a Academia Cearense de Letras (ACL), contando com apoio e patrocínio do seu presidente, o Prof. Tales de Sá Cavalcante, ofereceu uma recepção que acolheu muitos convidados, para um evento de congraçamento.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Cad. 25 da ACL

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes: 90 anos

Por Raymundo Netto (*)

"No entardecer da vida, vós sereis julgados no amor" (São João da Cruz)

Filho de Rosa de Oliveira e José Bezerra de Menezes, Eduardo Diatahy Bezerra de Menezes veio ao mundo em 28 de abril de 1935. Iniciou a sua carreira ininterrupta do magistério com apenas 17 anos, na época, ainda estudante liceísta, na escolinha montada na copa da casa de seu avô Belarmino, aos cuidados da tia Eliete, e tendo como inspiração, entre outros, o educador Lauro de Oliveira Lima (1921-2013), Martinz de Aguiar (1893-1974) - "um misto de Sócrates e Diógenes" - e Capistrano de Abreu (1853-1927).

O jovem pretendia cursar Engenharia, mas com as frequentes temporadas entranhado nos acervos da biblioteca do Liceu e da Biblioteca Pública do Estado - e logo também na biblioteca do Instituto do Ceará, aos cuidados e orientação de Maria da Conceição Sousa -, reconheceu que não era aquele o seu destino. Pensou em cursar Direito, mas, por um acaso burocrático, não pôde fazer vestibular naquele ano e foi convocado pelo serviço militar. Depois, considerando ineficiente o curso de Filosofia da Faculdade Católica, optou pelo da Pedagogia, quando soube que dom Lustosa, arcebispo criador da entidade, não permitia homens nesse curso, pois nele se formavam as freiras. E foi dessa forma que ingressou no curso de Letras Neolatinas. Mal se formara, Diatahy participou de uma seleção de bolsa de estudos pela Aliança Francesa, o que o fez residir em Paris e estudar em Sorbonne, entre 1959 e 1960, alterando irremediavelmente o curso de sua vida e permitindo-lhe o convívio com grandes intelectuais de reconhecimento internacional, entre eles, Jean Piaget, cuja complexa obra o "habitava desde muito cedo como um demônio interior, um grande desafio e muitas indagações". Seria impossível, diante do limitado espaço a mim concedido, citar o extenso currículo de títulos, conquistas, premiações e obras do prof. Diatahy, mas destaco: o bacharelado e licenciatura em Pedagogia, o doutorado em Sociologia (França), pós-doutorado em História Antropológica (França), professor emérito e titular do doutorado em Sociologia, do mestrado em História Social e do mestrado em Letras (UFC) e do mestrado em Filosofia (Uece). É membro do Associação Brasileira de Antropologia, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras. Tem diversas obras publicadas e colabora em revistas nacionais e internacionais. É o responsável por diversas contribuições no campo da ciência, da pesquisa e da cooperação internacional. Resumindo, diante de sua complexa erudição e "pneuma", podemos afirmar ser o mestre uma "enciclopédia de múltiplos saberes", como ele mesmo definiria Câmara Cascudo, quando de sua visita à residência do historiador, na época, com 79 anos.

Pela imensa bagagem cultural e crítica que possui, é cuidadoso com o emprego das palavras e de conceitos, não se deixando levar pelas midiáticas unanimidades e pseudocertezas propagadas rapidamente por aspirantes a intelectuais, sendo ele, sim, hoje, o maior intelectual vivo em nosso estado. E temos a sorte de encontrá-lo, lúcido, sensível, brilhante, despertando pacífica e subitaneamente qualquer debate, jogando luz às ideias, e ainda dando-se o trabalho de ler alguns textos deste que escreve esta modesta nota de admiração. Assim, concluo esta breve celebração, apresentando o espelho daquele que a inspira: "Prefiro as situações onde predominam a simplicidade e a espontaneidade das relações, talvez por ser habitado por natural espírito galhofeiro ou talvez por assumir o propalado traço moleque da cultura cearense, que tende obsessivamente a desconstruir pela ironia quase grotesca todo falso louvor ou glória vã. [...] muito me apraz todavia definir-me para mim mesmo como um contador de histórias". Vida longa prof. Diatahy.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/05/25. Vida & Arte, p.2.


quinta-feira, 22 de maio de 2025

Tem velhinho novo na Academia Cearense de Letras

Por Majela Lima (*)

Cacá, de berço, Ricardo Guilherme, dos programas e cartazes, R.G, como ele prefere, ou simplesmente o velhinho, como eu prefiro, de agora até sempre, tem assento na cadeira de número 33 da celebrada Academia Cearense de Letras (ACL). Ele passa a ocupar a vaga deixada pela morte da professora Noemi Elisa Soriano Aderaldo, membro da ACL por 36 anos, que tem como patrono o mais cearense de todos os baianos, Rodolfo Teófilo. Homem de teatro, o ator, dramaturgo e diretor chega à casa centenária trazendo olhares para outros textos e formas de expressão.

Fundada em 1894, nossa academia, a primeira do gênero no Brasil, nunca foi tacanha em seu recorte. Embora reúna sobretudo escritores em seu quadro, há ali um encontro de inteligências do mundo acadêmico, jurídico, político, artístico e empresarial. É o fórum mais simbólico que o Ceará dispõe para, no precioso campo do sensível, pensar suas grandes e pequenas questões. Pela força e tradição, a ACL funciona quase que como um parlamento informal a iluminar nossos desejos e ideias de futuro enquanto preserva o passado.

Pouco diverso, é verdade, composto em sua esmagadora maioria por homens brancos, o colegiado passa a dialogar com outros segmentos da vida social e cultural do Ceará a partir do ingresso de Ricardo Guilherme. Apesar de homem branco, como o poeta Geraldo Amancio, eleito para a Academia em 2022, ele oxigena, entretanto, os corredores do Palácio da Luz com uma força popular muito particular. À primeira vista um artista hermético, autor de uma poética central para o pensamento da teatralidade contemporânea, Ricardo se enxerga e reconhece como um palhaço, naquilo que o tipo tem de mais potente e sofisticado.

Referência para o teatro no Ceará há 50 anos, Ricardo Guilherme não é propriamente um novato na Academia Cearense de Letras. Ilustre representante daquela categoria que, como se diz, já nasce velho, ele construiu sua vanguarda dialogando com as nossas tradições. Onde o Ceará conseguiu preservar suas memórias, lá tem estado Ricardo Guilherme fazendo seu teatro. Do acervo da ACL, por exemplo, ele pinçou os originais do grande Carlos Câmara, publicados em coletânea em 1979 em parceria com Marcelo Costa. Por isso e por tudo, enfim, a atuação de Ricardo Guilherme há de ser das mais expressivas na nossa Academia. 

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/04/25. Opinião. p.17

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Ricardo Guilherme é empossado na Academia Cearense de Letras

Ricardo Guilherme - escritor, professor e ator - tomou posse nesta terça-feira, 15, na Academia Cearense de Letras (ACL). Ele passa a ocupar a cadeira 33, que tem o autor cearense Rodolfo Teófilo como patrono, e até agosto de 2024 era incumbência da pesquisadora Noemi Elisa Soriano Aderaldo - que pertenceu ao corpo docente da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Após o período de luto pela morte da acadêmica, explica Ricardo Guilherme ao O POVO, foi iniciada a mobilização para decidir quem seria o novo integrante da academia de letras mais antiga do Brasil. Ricardo foi eleito em dezembro de 2024 e, segundo ele, teve uma "votação expressiva" entre os atuais membros da ACL. No discurso de posse, o novo acadêmico realizou uma homenagem à Noemi Elisa Soriano Aderaldo.

"Sou propositor da teoria e da metodologia do Teatro Radical, um teatro explicitamente teatral, semiologicamente antropocêntrico minimalista, sintético e dialético, um teatro que do ponto de vista literário instaura uma dramaturgia-poeta, na qual a abordagem do autor sobre as circunstancias criadas transcendam a visão testemunhal do dramaturgo-repórter", disse Ricardo no discurso.

No atual corpo de acadêmicos da ACL estão nomes como Sânzio de Azevedo, José Murilo Martins, Vera Moraes, Tales de Sá Cavalcante, Marly Vasconcelos, Angela Gutiérrez e Beatriz Alcântara. Fundada em 15 de agosto de 1894, a ACL é a mais antiga das academias de letras do Brasil. A sede da instituição, localizada no Centro de Fortaleza, é chamada de Palácio da Luz. Angela Gutiérrez, autora de "O Mundo de Flora", empossada em 2019, foi a primeira mulher a presidir a ACL.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/04/25. Vida & Arte, p.2.

https://mais.opovo.com.br/jornal/vidaearte/2025/04/16/ricardo-guilherme-e-empossado-na-academia-cearense-de-letras.html

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

POSSE DE FERNANDA QUINDERÉ NA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

Aconteceu na noite de ontem, 1º de outubro de 2024, no Palácio da Luz, a sessão solene de posse da atriz e escritora Fernanda Quinderé, na cadeira 23 da Academia Cearense de Letras (ACL), a primeira academia literária instalada no Brasil, que segue em atividade, dado que foi fundada três anos antes da Academia Brasileira de Letras.

A solenidade, conduzida pelo Presidente do sodalício, o educador, professor e escritor Tales Montano de Sá Cavalcante, teve por cerimonialista a escritora Regina Fiúza.

A mesa diretora dos trabalhos contou com a presença de Tales Cavalcante, Lúcio Alcântara, Juarez Leitão, Artur Bruno, Regine Limaverde, Graça Fonteles e Luís Airton dos Santos, sendo, o último citado, um renomado mastologista piauiense e membro da Academia Piaiense de Letras, que veio à Fortaleza exclusivamente para participar da posse da sua dileta amiga.

O presidente Tales Cavalcante foi o primeiro a falar, cuidando de discorrer sobre os elementos marcantes da vida de Fernanda Quinderé, dela realçando os dotes literários e artísticos, atuais cearenses e do passado carioca, como musa da bossa nova.

O discurso de saudação, em nome da ACL, foi pronunciado pelo Acad. Juarez Leitão, que, em sua vibrante oratória, trouxe à luz fatos luminosos da vida de sua amiga de longas datas, a quem retratara em uma pintura, e descortinou para a audiência as qualidades intelectuais e culturais da recém-empossada, enfocando a multiplicidade de atributos da novel imortal.

A nova acadêmica Fernanda Quinderé, carioca de nascimento, mas filha de cearenses, destacou mais detidamente a biografia do patrono da sua cadeira, o poeta popular Juvenal Galeno, expondo a sua imensa satisfação por tê-lo como patrono, e assinalou a beleza poética dos versos do último ocupante da cadeira 23, o escritor e poeta Acad. Luciano Maia, que recentemente solicitara o seu desligamento voluntário da ACL.

A cerimônia de posse foi prestigiada pela forte presença de artistas, literatos e escritores vinculados ao mundo artístico-cultural cearense, com especial alusão aos muitos amigos e admiradores da artista e escritora, carinhosamente mais conhecida e tratada por Fernandinha.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Atriz Fernanda Quinderé celebra posse na Academia Cearense de Letras

Por Lêda Maria Souto Paulino (*)

Em entrevista poética, Fernanda Quinderé, nova imortal da Academia Cearense de Letras, reflete sobre trajetória e carreira

Fernanda Quinderé lembra muito estes ventos de setembro. Sopram fortes durante o dia e suspiram segredos pela madrugada. Tem momentos que nos deixam respirar forte, recusando passadas lentas e facilitando a liberdade dos cabelos voando em desalinho. São ingratos ao passar pelos jardins e pelos espaços verdes do Parque do Cocó, onde eles não deixam serenos o desabrochar da rosa e aguçam o grito das folhagens, recolhendo-se e temendo serem colhidas em sua velocidade.

Mas, mesmo temidos, em suas características de mando pela natureza, são os ventos de setembro. Eles vão e voltam fundindo-se em ruídos infantis, robustos, incontidos, destemidos, provocando uma alegria grave entre as crianças brincando de soltar pipas ou dançar na liberdade de seus acenos. São azuis os ventos de setembro. E azul é também Fernanda, igualmente mantendo seus sopros fortes de criatividade, liberdade e querer bem.

Mantendo sua velocidade que não para, nem diminui no tempo, pelo tempo vivido. Fernanda, que escuta e mergulha em fontes de água límpida, contemplando o arco-íris, a beleza de cada amigo e o desabrochar de beleza colhido em cada filho.

Fernanda chega agora entre as estrelas. Assume mais uma academia, que é a de Letras, celebrando o certo dos seus desejos e assistindo a um sonho pertencer ao verbo realizar, habituando-se ao possível, ao caminhar pelas manhãs em lírios e corredores de orvalho. Mas, Fernanda é feita de lutas, daí poder alcançar a noite, as madrugadas, os espinhos, iluminada pelas estrelas, convidando-a para suas fileiras, ela, a Fernanda altiva, corajosa, ardente, espontânea. Fernanda, mãe, atriz, escritora, amiga dos amigos, amada e amante das ventanias e/ou do silêncio da madrugada.

Fernanda, nova imortal, chegando faceira e alegre, com uma bagagem de escritos valorizando a vida e os títulos, para sua nova missão na Academia Cearense de Letras, fundada há 130 anos, sendo a primeira do País.

O POVO - Quem é você?

Murmúrios

Olho-me no espelho

Vejo-me outra

Enigmas de um tempo meu.

Ouço murmúrio da minha alma

Finjo que não escuto.

Ouço de uma cachoeira

Nascida da pedra de onde eu vim.

Firme, livre como o sol

Despida como a natureza

Que fala a língua dos Deuses

Simbólica no tempo do amor

Em que fui e sempre serei

À mercê dos sonhos.

OP - Existem muitas paixões?

Paixão inconfessa

Abro o decote da minha alma.

Mostro meu coração sangrando.

Minha boca oca de paixão

Oncita o gesto suicida.

Minhas mãos

Invadem o seio

Rasgam

O que resta em mim

Desta paixão. Inconfessa.

OP - Quais as suas tristezas?

Dores do tempo

Vivo as dores do tempo

E o soluço compulsivo das estrelas.

Sinto tristeza do mundo

E bebo as astúcias da noite.

À tarde,

As manhãs me angustiam.

O sol

Das noites escuras queima meus olhos azuis.

E a grande flor do meu corpo

Pulsa ausência de amor.

Não há saudade

Apenas desassossego

À espera do que virá

Na solidão dos meus dias

Que se vão. Que se vão...

OP - É possível batizar um prazer?

Um dia azul

Quando acende-me o desejo.

Tal o teu desejo

De ter-me em ti

Meu corpo transpira. Sal.

Bebemos então o mel

Ao sentirmos relâmpagos

Tantos quantos tivemos. Juntos

Naquele dia azul

Quando batizei o prazer

De ter-te em mim

Sem maldizer

O pecado da traição.

OP - Dizem que você já planejou "sua partida"?

Em tempo

Se eu morrer amanhã

Amarrem meus pés

Nas raízes do tempo

Deixem meus cabelos soltos

Aos ventos de agosto à contra-gosto

Da liberdade que nunca tive.

Fechem meus olhos

Sob as ordens da eternidade

Para que eu enxergue

A imensurabilidade

Da solidão que sempre tive.

Libertem minhas narinas

Das flores, odores das velas. Das coroas, dos louros

Que só agora tive

E quando eu gemer de saudades

Enxuguem lágrimas

Nas estrelas

Do meu universo

Para que se tornem poças de luz

No azul da minha poesia morta.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/09/24. Vida & Arte. Coluna da Lêda Maria, p.5.


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

POSSE DE ELIZABETH DAHER NA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

Elizabeth Daher ladeada por acadêmicos na solenidade de sua posse da ACM em 17/05/24. (Foto cedida pelo Acad. Arruda Bastos).

A Academia Cearense de Medicina (ACM) realizou na noite de 17/05/2024, no Auditório Reitor Martins Filho da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), a sessão solene de posse da sua nova membro titular, a colega Elizabeth De Francesco Daher, especialista em nefrologia e professora titular de Clínica Médica da UFC, na Cadeiras 7, patroneada pelo médico Virgílio de Aguiar.

A Cadeira 7 teve por membro titular fundador o Acad. Vinicius Antonius de Holanda Barros Leal e foi ocupada anteriormente pelo acadêmico Alberto Lima de Sousa, que passou para a categoria de membro titular resignatário.

A novel acadêmica titular foi recepcionada, em nome da nossa arcádia médica, pelo Acad. José Glauco Lobo Filho, que focou o seu pronunciamento, principalmente, na biografia da nova confreira membro titular.

Na sequência, Elisabeth Daher, a coirmã recém-empossada, usou a tribuna para, em seu discurso de posse, o registro das biografias de seus patrono e antecessor na cadeira que ora assumia como a terceira ocupante da mesma.

Finda a primeira parte da sessão solene, deu-se a posse da Diretoria da ACM para o biênio 2024-26, cuja presidência será exercida pelo Acad. José Henrique Leal Cardoso.

A solenidade, sob a presidência do Acad. Janedson Baima Bezerra, e em obediência ao protocolo da ACM, teve por mestre de cerimônia o Acad. João Martins de Sousa Torres, que procedeu cumprindo o cerimonial traçado diretor social do sodalício, o Acad. Vladimir Távora Fontoura Cruz.

Após o encerramento dos trabalhos do evento, a árcade recém-admitida e a ACM proporcionaram aos confrades e convidados um coquetel de confraternização nos aprazíveis jardins da Reitoria da UFC.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

*Publicado In: Jornal do médico digital, 20(182): 25-26, setembro de 2024. (Revista Médica Independente do Ceará).


segunda-feira, 26 de agosto de 2024

MISSA DE SÉTIMO DIA POR PROFA. NOEMI ELISA ADERALDO

Hoje (26/08/24), segunda-feira, às 18h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, será celebrada a Missa da Ressurreição, em sufrágio da alma do Profa. Noemi Elisa da Costa Soriano Aderaldo, docente aposentada da Universidade Federal do Ceará e membro titular da Academia Cearense de Letras (ACL), que faleceu na manhã de 18/08/2024.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACL – Cadeira 25


domingo, 18 de agosto de 2024

PESAR POR PROFA. NOEMI ELISA ADERALDO

Foi com imenso penar que se tomou conhecimento do falecimento, na manhã de hoje, domingo (18/08/2024), da Profa. Noemi Elisa Costa Soriano Aderaldo, docente aposentada da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A Profa. Noemi Elisa Aderaldo que lecionou, por muitos anos, no Curso de Letras da UFC, destacou-se como escritora e crítica literária, sendo uma proficiente conhecedora da obra de Fernando Pessoa.

Ela ingressou na Academia Cearense de Letras (ACL), há 36 anos, em 1988, como ocupante da Cadeira 33, patroneada por Rodolfo Teófilo, na vaga deixada por Otacílio Colares, sendo a quarta mulher admitida nessa confraria literária cearense.

Desde 1995, essa celebrada escritora exercia a Diretoria de Publicações e presidia a Comissão de Redação da Revista da ACL

O velório terá início às 19h deste domingo (18/08/2024), no Complexo Velatório Ethernus (Rua Padre Valdevino, 1.688, Aldeota), com missa de corpo presente programada para às 14h de amanhã (19/08/2024), e, em seguida, seus despojos serão encaminhados para cremação.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da ACL – Cadeira 25


domingo, 11 de agosto de 2024

130 ANOS DA FUNDAÇÃO DA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS

A Academia Cearense de Letras é a mais antiga das instituições do gênero que existem no Brasil. Quando surgiu, em 1894, O POVO ainda nem existia, situação compensada na época do seu centenário em 1994, pelo generoso e merecido espaço que ocuparia nas páginas do jornal.

* desde 1928: As notícias reproduzidas nesta seção obedecem à grafia da época em que foram publicadas.

11 de agosto de 1994

Centenário

A Academia Cearense de Letras, a primeira a ser criada no Brasil, está completando 100 anos. Dentre as comemorações, das quais o ponto alto é a posse da escritora Rachel de Queiroz, consta também a formação de uma pinacoteca com trabalhos recém-doados por 19 artistas plásticos cearenses. Roberto Galvão, José Mesquita, Floriano Teixeira, Aldemir Martins, Carlos Costa, Áscal, Patrícia Alkary, Eduardo Frota, Eduardo Eloy, Sebastião de Paula, Marcus Jussier, Pedro Eymar, Gilberto Cardoso, Marcio Ary, Herbert Rolim, Heloysa Juaçaba, Helio Rola, Sérgio Lima e José Guedes.

15 de agosto de 1994

ACL é a 1ª do País

Em 15 de agosto de 1894, Guilherme Studart (Barão de Studart) fundou a Academia Cearense de Letras, em sessão no salão nobre da Fênix Caixeiral, à época funcionando nos altos do prédio da esquina da rua Floriano Peixoto com São Paulo. Coordenada inicialmente por uma diretoria provisória, pouco tempo depois foi eleita a definitiva. De Tomás Pompeu a Artur Eduardo Benevides a entidade, que cultiva e desenvolve as letras no Ceará, teve 12 presidentes.

Segundo o historiador Raimundo Girão, em livro publicado, a ACL ostenta três título de glória. Foi representada, em 1897, na inauguração da estátua de José de Alencar, na capital da República, por Machado de Assis. Cabe-lhe a primazia de haver pleiteado a criação da Faculdade de Direito, através de Farias Brito e, por realizar duas sessões (17 e 19 de agosto de 1922) em uma casa de Governo, o Palácio da Luz. Hoje atual sede.

A época da fundação, se chamava Academia Cearense. Por sugestão de Leonardo Mota fundiu-se com a Academia de Letras do Ceará, ganhando a denominação Academia Cearense de Letras, em 1951. Antes da sua primeira sede própria realizava sessões na Fenix Caixeiral, Clube Euterpe (no Instituto do Ceará), na residência de Walter Pompeu, Clube Iracema, Instituto Pessoa, casa de Dolor Barreira e na de Tomás Pompeu. De lá se transferiu para a Palácio do Progresso, depois ocupou o Palácio Senador Alencar.

Homenagem

José Bonifácio Câmara, cearense do Rio, que veio para o centenário da ACL traz a informação que o evento merecerá homenagem da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro e da Casa do Ceará, sessão da qual ele será o orador oficial.

Efervescência cultural - Editorial

Fortaleza viveu, ontem, três eventos marcantes para a vida cultural do Estado: a abertura da exposição "Bienal Brasil Século XX", a posse da escritora Rachel de Queiroz, na Academia Cearense de Letras, e o Centenário da própria ACL.

A Capital cearense foi escolhida como uma das únicas cidades brasileiras - as outras são Porto Alegre e Rio de Janeiro - a ter o privilégio de expor uma seleção do mais importante painel de artes plásticas realizado no Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A "Bienal Brasil Século XX" desperta grande interesse nos meios culturais internacionais e será apresentada no Exterior, depois de cumprir o compromisso assumido com essas três capitais brasileiras.

Quanto à posse de Rachel de Queiroz, na Academia Cearense de Letras, foi outro evento bastante concorrido como tributo a uma das filhas mais ilustres que o Ceará partilha com o Brasil. Membro destacado da Academia Brasileira de Letras a escritora é uma das expressões mais genuínas da inteligência nordestina, sem cuja contribuição a literatura nacional deixaria de ter recebido o "sal da terra", mantenedor de uma identidade rica e complexa. Em pleno vigor de sua atividade criativa Rachel de Queiroz é um grande caudal que, a exemplo do Nilo, fertiliza com sua placidez e opulência humífera a literatura nacional. Escolhemos a data mais significativa de nossa maior instituição cultural - o Centenário da ACL - para externar -lhe o carinho, o orgulho e o reconhecimento do povo cearense por sua fidelidade às raízes culturais e afetivas.

Por termos raízes é que foi possível celebrar, ontem, um século de existência da Academia Cearense de Letras, a instituição mais antiga do gênero, no Brasil. O pioneirismo representado por aquele ato de 15 de agosto de 1894, através das mãos do Barão de Studart, foi mais uma sinalização do quanto o Ceará conseguia desenvolver uma capacidade prospectiva, antenando-se com as aspirações - muitas vezes, embrionárias - da alma nacional, como já tinha sido provado no episódio pioneiro da libertação dos escravos.

A ACL, ao longo de um século, foi-se firmando como um centro aglutinador da identidade cultural cearense, acumulando um importante lastro de contribuições ao patrimônio literário nacional. Essa participação cearense antecede a própria ACL, com José de Alencar - criador efetivo do romance nacional - e, depois, com Rodolfo Teófilo, Franklin Távora, Rachel de Queiroz, José Albano, Artur Eduardo Benevides, Moreira Campos e tantos outros que testemunham o gênio cearense.

Academia faz 100 anos e recebe Rachel em festa

"Não é a Academia que homenageia Raquel, mas é Rachel quem homenageia a Academia ao ingressar nas suas fileiras", disse o Presidente da Academia Cearense de Letras, Artur Eduardo Benevides, ao saudar, em discurso, a posse da escritora Rachel de Queiroz na cadeira de número 32, ontem à noite. A solenidade, que contou com a presença do governador Ciro Gomes, do Presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Josué Montello, e de acadêmicos de vários estados, também comemorou o centenário da ACL, a mais antiga de todo o País e que teve suas instalações reformadas.

Rachel de Queiroz foi introduzida no auditório Ciro Gomes por um grupo de imortais cearenses. Logo que chegou ao recinto, foi empossada por Artur Eduardo Benevides na cadeira ocupada até recentemente pelo escritor Moreira Campos. Em seguida, as senhoras Yolanda Queiroz, Regina Fiúza e Zezé Campos (viúva de Moreira Campos) colocaram em Rachel o "colar acadêmico", usado por todos os imortais.

No seu discurso de saudação, Artur Eduardo Benevides denominou Rachel de "glória viva do povo cearense". Segundo ele, "enquanto pulsar o coração de Rachel, haverá sempre uma luz a iluminar nosso Estado nos caminhos da história".

Artur Eduardo Benevides também saudou o centenário da Academia Cearense de Letras (ACL) criada a 15 de agosto de 1894, e lembrou a trajetória dos 11 presidentes da Academia que o antecederam. Ao discursar, Rachel de Queiroz disse que deixava de lado qualquer pretensão acadêmica e falava "simplesmente com a paixão".

Primeiramente, saudou os amigos acadêmicos já falecidos, entre os quais o próprio Moreira Campos, a quem substituiu na cadeira 32. Citou também Antônio Sales e lembrou a importância do escritor para a sua obra. Ao final o Presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Josué Montello, e o governador Ciro Gomes saudaram a posse da escritora. O coral Porta-Voz encerrou a solenidade.

Fonte: O Povo, de 11/08/24. O Povo é história. p.2.


 

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