terça-feira, 12 de maio de 2020

TRANSPLANTES COM A EPIDEMIA


Por Fernando Barroso (*)
Neste cenário de pandemia pela Covid-19, uma das grandes preocupações da comunidade médica são os pacientes portadores de outras patologias, tais como câncer e alterações autoimunes, tanto com a continuidade dos tratamentos essenciais como com as orientações necessárias para possíveis complicações, que ocorrem naturalmente nesses casos, especialmente na população mais vulnerável que depende do Sistema Único de Saúde (SUS).
Muitas ações foram tomadas no sentido de minimizar estes prejuízos, como a prorrogação da entrega de medicamentos por noventa dias e a possibilidade de legalmente podermos orientar os pacientes de forma não presencial, considerando todos os preceitos da razoabilidade e da ética.
Especificamente na onco-hematologia e em transplante de medula óssea, área em que atuo há quase trinta anos, traçamos um planejamento no Hospital Universitário Walter Cantídio no sentido de a partir de uma responsável triagem atendermos a todos que precisam e não podem adiar seus tratamentos, tanto os que estão em ambulatório, como em internações.
Com relação aos transplantes de medula, a orientação da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e sociedades europeia e dos Estados Unidos é só realizarmos transplantes em caráter de urgência, o que correspondem a um percentual significativo dos casos. Uma observação importante: tanto doadores como pacientes, mesmo assintomáticos, necessitam de testagem prévia negativa para Sars-CoV-2 para seguirem com o procedimento.
Fui surpreendido, positivamente, nos últimos dias, com o excelente atendimento que estamos prestando a esses pacientes. Um envolvimento de todos que participam do processo, inúmeras reuniões, sempre com o intuito de termos um algoritmo o mais adequado e seguro para pacientes e profissionais.
A surpresa é porque já lidamos com inúmeras dificuldades, inerentes ao processo, sempre nos deparamos com o trinômio: câncer, pobreza e acesso, e agora acrescenta-se um novo elemento que é a infeção pelo coronavírus.
Enfim, quero de público agradecer a todos os profissionais da saúde que não estão medindo esforços, oferecendo um atendimento de excelência, sem perder a esperança que dias melhores virão e que estamos apenas escrevendo mais um importante capítulo da história da humanidade. 
(*) Professor da UFC e chefe da Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Universitário Walter Cantídio.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/4/2020. Opinião. p.15.

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