sábado, 25 de outubro de 2014

JOÃOZINHO PETISTA

Uma professora petista do ensino fundamental explicava aos alunos o "ser petista". Pediu que levantassem a mão todos aqueles que fossem simpáticos ao partido.
Todos os alunos, por temerem represálias, levantaram a mão, exceto um menino que estava sentado no fundo da sala.
A professora olhou para o menino com surpresa e lhe perguntou:
-Joãozinho, por que não levantou a mão?
- Por que não sou petista! - respondeu.
A professora perguntou de novo:
- Se não é petista, então com quem se simpatiza?
- Com os tucanos! - respondeu com orgulho o menino.
A professora cujos ouvidos fanáticos não podiam dar crédito a algo assim, exclamou:
- Joãozinho, me diga: porque és simpático aos tucanos?
O menino muito tranquilo respondeu:
- Minha mãe é tucano, meu pai é tucano, meu irmão é tucano, por isso eu também sou tucano! - arrematou.
- Bem, replicou a professora - mas isso não é um bom motivo. Você não tem que ser tucano como seus pais. Por exemplo, se sua mãe fosse uma vadia, seu irmão um meliante, vagabundo e contraventor e seu pai um fraudador ladrão de dinheiro público, o que você seria?
- Bom... Aí sim, certamente eu seria um petista!
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CONVITE: Celebração Eucarística da SMSL - Outubro/2014

A DIRETORIA DA SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) CONVIDA todos para participarem da Celebração Eucarística do mês de OUTUBRO/2014, que será realizada AMANHÃ (25/10/2014), às 18h30min, na Igreja de N. S. das GRAÇAS, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 - Aldeota.
CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!
MUITO OBRIGADO!

DILMA VIU A UVA DO VOVÔ


Por Arnaldo Jabot (*)

Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia.
É necessária uma cartilha bem clara para a população que se perde nesse sarapatel de mentiras e manipulações da candidata a presidenta. Por exemplo, o povo não entende frases como: “Nosso produto interno bruto é mínimo por falta de corte nos gastos fiscais”. Ninguém sabe o que é isso, principalmente no Nordeste-Norte. Ao contrário do que diz Dilma, os pobres que não puderam estudar são, sim, absolutamente ignorantes sobre os reais problemas brasileiros. Vamos ao diálogo da cartilha:
— Dilma viu a uva. Dilma viu o vovô. Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu Maduro, Dilma viu Chávez... Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.
— Por que ela gosta de governos como Cuba, Venezuela, Argentina?
— Porque para ela, no duro, a sociedade é composta de imbecis e de empresários imperialistas. Dilma pensa igual a eles. Ela e a “Cristina botox”.
— Por que ela pensa igual a eles?
— Porque é possuída por uma loucura antiga chamada “revolução socialista”, que fracassou no mundo todo. Imagine um automóvel quebrado; em vez de chamar um mecânico, chamam um marceneiro. É isso que estão fazendo. Esta é a causa do desastre atual de economia e da crise política. Para eles, quanto pior, melhor. O problema é que eles é que estão no governo, e essas ideias são tiros no pé. Mais uma vez, repito o filósofo Baudrillard: “O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal”. Por isso, erram tudo, por incompetência. O governo ataca e quer mudar o Estado para possuí-lo.
— Por quê?
— Para o PT, as instituições não valem nada (burguesas) e têm de ser usadas para o projeto do PT.
— Qual é o projeto do PT?
— Fundar uma espécie de bolivarianismo tropical e obrigar o povo a obedecer o Estado dominado por eles.
— Que é bolivarianismo?
— É um tipo de governo na Venezuela que controla tudo, que controla até o papel higiênico e carimba o braço dos fregueses nos supermercados para que eles só comprem uma vez e não voltem, porque há muito pouca mercadoria.
— Por que os petistas não fazem reforma alguma?
— Porque não querem. A reforma da Previdência não existirá, pois, segundo o PT, “ela não é necessária”, pois “exageram muito sobre sua crise”, não havendo nenhum “rombo” no orçamento. Só de 52 bilhões. Por isso, a inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a “inflação neoliberal”.
— O que é inflação?
— Ahhh... é sinônimo de “carestia”.
— Por que o PT ataca tanto os adversários?
— Porque eles têm medo de perder as 100 mil “boquinhas” que conquistaram no Estado. Essa gente não larga o osso. Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos. Eles também têm medo que suas roubalheiras sejam investigadas. Vejam o caso do “Petrolão.” Perto dele, o “mensalão” é um troco.
— Por quê?
— A Petrobras foi predada e destruída pela metade porque essa empresa sempre foi vista como propriedade de uma esquerda psicótica.
— Este roubo foi feito por vagabundos sem moral?
— Não. A Petrobras foi assaltada pelos próprios diretores para que o dinheiro fosse dividido entre o PT, PP e PMDB, para seus políticos apoiarem o governo Dilma e para novos malfeitos.
— Por que Dilma diz que não viu nada?
— Para negar que viu. Claro que viu. É necessário mentir para o “bem” do povo. Sim. Eles acham que são “mentiras revolucionárias.” Aliás, você sabe o que é Pasadena?
— Não...
— É o nome da refinaria da qual Dilma autorizou a compra.
— Por que Dilma assinou a compra da refinaria?
— Ela afirma que não sabia… Mas como é possível que, sendo a presidente do Conselho da Petrobras, tenha autorizado (apenas informada por duas folhas de papel) a compra de uma refinaria por um preço 300 vezes mais caro do que vale?
— Não sei.
— Você compraria uma casa que vale 100 mil reais pelo preço de 1 bilhão e duzentos mil?
— Só eu fosse louco ou mal-intencionado.
— Ela comprou. Comprou também pelo desprezo que os comunas têm por “administração”, coisa de empresários burgueses… Ou por pura incompetência…
— Por que a Dilma e PT não mudam de ideia, vendo tantos erros?
— Ó, ingênuo eleitor! Porque a Dilma e PT são sacramentados por Deus e não erram nunca. Quem erra somos nós. Quem discordar é inimigo. E querem se eternizar no poder.
— E por que nós do povo acreditamos nisso?
— Porque acham que Dilma “ama” o povo. Precisam ver como Dilma trata os garçons do Palácio...
— Por que, então, tantos intelectuais informados vão votar na Dilma mesmo assim?
— Porque acham que o PT ainda tem um grãozinho de romantismo social e também porque temem ser chamados de reacionários, neoliberais. O nome “esquerda” ainda é o ópio dos intelectuais.
— Por que não mudam de ideia?
— Porque essa ideologia é um tumor inoperável em suas cabeças. É espantoso que não vejam o óbvio: a desconstrução do país.
— Por que Dilma e Lula aparecem juntinhos do Collor?
— Porque o Collor pode trazer votos de Alagoas... o estado mais rico de pobres.
— Por que eles querem tanto os votos dos pobres?
— Porque, em geral, têm Bolsa Família. Mas o que não sabem é que com a volta da carestia..
— Inflação...
— Isso. Com a volta da inflação, a graninha do Bolsa Família vai mirrar, sumir, perder o valor. Isso eles não explicam.
— E por que eles dizem que a luta eleitoral é entre ricos e pobres? Pobres do Norte-Nordeste contra os riquinhos do Sudeste e Sul?
— Porque eles falam assim para esconder que a luta é entre pobres analfabetos x pessoas mais sensatas e informadas. Quem sabe disso, não vota nela.
— Mas, afinal, o que é o projeto do PT?
— O programa do PT é um plano de guerra. Eles odeiam a democracia (eles sempre usaram a democracia para negá-la depois). Eu me lembro do Partidão. Eles diziam: “Apoiaremos a democracia como tática. Depois a gente vê”. Dilma também pensa assim: a democracia é um meio, não um fim. Por isso, tem de haver uma cartilha para explicar o programa do PT: Dilma diz que viu o povo, mas não viu. Dilma viu o ovo. Mas não viu o novo.
(*) Arnaldo Jabot é jornalista e comentarista político.
Fonte: Publicado no jornal O Globo.

CARTA DE AÉCIO NEVES AOS MÉDICOS

Caro amigo,

Todas as pesquisas de opinião revelam que o acesso a um sistema de  saúde qualificado é a prioridade dos brasileiros. Tanto na saúde  pública quanto na saúde complementar, o Brasil avançou muito desde a  década de 90. Mas, com certeza, há muito a fazer.
Assegurar os direitos de cidadania na saúde previstos na Constituição  brasileira é tarefa complexa e trabalhosa. Exige liderança,  experiência e clareza estratégica, e demanda capacidade de diálogo  para a construção das parcerias necessárias, principalmente com os  médicos brasileiros que são e serão protagonistas insubstituíveis na  construção, no Brasil, do sistema de saúde dos nossos sonhos. Desafio  como esse não comporta amadorismo, não demanda aventuras, requer liderança política e capacidade de gestão.
Como presidente da República, irei aumentar os investimentos do  Governo Federal, apoiando o projeto de lei de iniciativa popular  endossado por entidades da sociedade civil que arrecadou mais de 3  milhões de assinaturas em defesa da aplicação de 10% da Receita  Corrente Bruta da União exclusivamente para a saúde. Vamos  profissionalizar a gestão do Ministério da Saúde, da ANS, da ANVISA e de todos os órgãos ligados ao sistema, qualificar a atenção primária e  ampliar o acesso aos serviços ambulatoriais e hospitalares.
O atual governo, na discussão e implantação do programa que ganhou o  nome de MAIS MÉDICOS, atropelou o diálogo, mistificou a discussão,  desrespeitou os profissionais brasileiros e tentou jogar a população  brasileira contra nossos médicos.
Ninguém pode ser contra mais médicos para atender a nossa população.  Mas dizer, como o fez a candidata à reeleição, que o grande legado dos  médicos cubanos será ensinar como se trata a população de forma  humanizada é desrespeitar os médicos brasileiros, construindo no  imaginário popular uma caricatura injusta.
Ora, por que juízes e promotores vão para o interior e os médicos não?  Porque não há carreira, retaguarda, segurança e parceria estratégica.
Como presidente, vou viabilizar a Carreira Médica Nacional do SUS,  assim como para os demais profissionais de saúde, e manter um diálogo  permanente com as categorias, assegurar agências regulatórias regidas  pela meritocracia e pela eficiência para garantir o bom convívio entre  operadoras, prestadores e profissionais da saúde complementar. Também  vamos criar um programa de financiamento pelo BNDES para que jovens  profissionais de saúde tenham acesso a consultórios.
O atual governo rompeu com os médicos brasileiros, expondo-os a uma  tentativa de execração diante da opinião pública brasileira, como se  bastasse importar médicos cubanos para encontrar as respostas que há  26 anos o SUS procura. Sabemos todos que isso é mentira e uma fuga da  busca de soluções sólidas e duradouras.
É preciso dar um basta nessa situação! O Brasil e o nosso sistema de  saúde exigem mudanças profundas. Introduzimos avanços importantes em  Minas e conheço os caminhos para a mudança necessária.
Por isso, venho pedir o seu apoio, o de seus colegas de trabalho,  familiares e pacientes.
O atual governo faz mal à saúde. Vamos juntos, com diálogo e parceria,  avançar na construção do sistema de saúde que os brasileiros desejam e  merecem.
Um abraço fraterno,
Aécio Neves
06/10/14

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Convite: DIGNO DE NOTA



A Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará, Dra. Celina Côrte Pinheiro, convida para o lançamento de “Digno de Nota”, a trigésima primeira antologia anual da Sobrames-CE. O evento contará com o patrocínio da Célula de Arte e Cultura da Unicred Ceará Centro Norte.
O livro será apresentado pelo escritor Cid Carvalho, membro da Academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará.
Local: Restaurante Dallas Grill/ Espaço de Eventos.
Av. Dom Luís, 1.219 - Meireles.
Data: 24 de outubro de 2014 (sexta-feira) Horário: 19h30.
Traje: Esporte fino.
Confirmar Presença: 4012-1125 (Rannielle).

OS SAQUEADORES


Por Ives Gandra da Silva Martins
Ayn Rand (1905-1982) foi uma filósofa, socióloga e romancista com aguda percepção das mudanças que ocorreram na comunidade internacional, principalmente à luz do choque entre o sucesso do empreendedorismo privado e o fracasso da estatização populista dos meios de produção, na maior parte dos países de ideologia marxista. Seu romance A Revolta de Atlas, escrito há mais de 50 anos, talvez seja o que melhor retrata a mediocridade da corrente de assunção do poder por despreparados cidadãos que têm um projeto para conquistá-lo e mantê-lo com slogans contra as elites em "defesa do povo", o que implica a destruição sistemática, por incompetência e inveja, dos que têm condições de promover o desenvolvimento.
No romance, os medíocres ameaçam o governo dos Estados Unidos e começam a controlar e assumir os empreendimentos que davam certo, sob a alegação de que os empreendedores queriam o lucro, e não o bem da sociedade. Tal política tem como resultado a gradual perda de competitividade dos americanos, o estouro das finanças, a eliminação das iniciativas bem-sucedidas e a fuga dos grandes investidores e empresários, que são perseguidos, grande parte deles desistindo de administrar suas empresas, com o que os governantes se tornam ditadores e o povo passa a ter os serviços públicos e privados deteriorados. Não contarei mais do romance, pois o símbolo mitológico de Atlas, que sustenta o globo, é lembrado na revolta dos verdadeiros geradores do progresso da Nação.
O que de semelhante vejo na mediocridade reinante no governo federal do Brasil, loteado em 39 ministérios e 22 mil amigos do rei não concursados, vivendo regiamente à custa da Nação, sob o comando da presidente da República, é a destruição sistemática que, nos últimos anos, ocorreu com a indústria brasileira, abalada em seu poder de competitividade por um Estado mastodôntico, que sufoca a Nação com alta inflação, elevada carga tributária, saldo desprezível na balança comercial, superávit primário ridículo e maquiado, rebaixamento do nível de investimento exterior, desvio em aplicações de capitais que deixam de ser colocados no País para serem destinados a outras nações emergentes, perda de qualidade no ensino universitário e na assistência social. Por outro lado, os programas populistas, que custam muito pouco, mas não incentivam a luta por crescimento individual, como o Bolsa Família (em torno de 3% do Orçamento federal), mascaram o fracasso da política econômica. O próprio desemprego, alardeado como grande conquista - leia-se subemprego -, começa a ruir por força da queda ano após ano do produto interno bruto (PIB), que cresce pouco e cada vez menos, e muito menos que o de todos os países emergentes de expressão.
É que o projeto populista de governo, que o leva a manter um falido Mercosul com parceiros arruinados, como Venezuela e Argentina, sobre sustentar Cuba e Bolívia, enviando recursos que seriam mais bem aplicados no Brasil, fechou portas para o País celebrar acordos bilaterais com outras nações. Prisioneiro que é do Mercosul, são poucos os acordos que mantemos. Tal modelo se esgotou e, desorientados, os partidários de um novo mandato não sabem o que dizem e o que devem fazer. Basta dizer que o "ex-ministro da Fazenda em exercício" declarou, neste mês de eleição, que em 2015 continuará com a mesma política econômica, que se revelou, no curso destes últimos anos, um dos mais fantásticos fracassos da História brasileira. Parece que caminhamos para uma estrada semelhante à trilhada por Argentina e Venezuela.
No romance de Ayn Rand, quando os verdadeiros empreendedores, que tinham feito a nação crescer e a viam definhando, decidiram reagir, denominaram os detentores do poder, nos Estados Unidos imaginário da romancista, de "os saqueadores". Estes, anulando as conquistas e os avanços dos que fizeram a nação crescer para se enquistarem no poder, por força da corrupção endêmica, da incompetência, de preconceitos e do populismo, levaram o país à ruína.
À evidência, não estou alcunhando os 39 ministérios e os 22 mil não concursados de integrantes de um grupo de "saqueadores", como o fez Ayn Rand. Há, todavia, na máquina burocrática brasileira - com excesso de regulamentação inibidora de investimentos, assim como de desestímulo ao empreendedorismo, e escassez de vontade em simplificar as normas que permitem o empreendedorismo, apesar do esforço heroico e isolado de Guilherme Afif Domingos, uma gota no oceano -, algo de muito semelhante entre o descrito em seu romance há mais de 50 anos e o Brasil atual. Basta olhar o "mar de lama" da corrupção numa única empresa (Petrobrás). O que mais impressiona, todavia, é que, detectada a ampla corrupção na empresa - são bilhões e bilhões de dólares -, o governo tudo faça para congelar a CPI e não desventrar para o público as entranhas dos mecanismos deletérios e corrosivos que permitiram tanto desvio de dinheiro público e privado. O simples fato de não querer apurar a fundo, de desviar a atenção desse terrível assalto à maior empresa pública privada, procurando dar-lhe diminuta atenção, como se o governo nada tivesse de responsabilidade, torna suspeita a gestão, pelo menos na denominada culpa in vigilando.
Precisamos apenas saber se o eleitor brasileiro está consciente de que, se não houver mudança de rumos, o Brasil de país do futuro, como escreveu Stefan Zweig, se tornará, cada vez mais, o país do passado, vendo o desfile das outras nações passando-lhe à frente, por se terem adaptado às mudanças de uma sociedade cada vez mais complexa e competitiva, em que apenas os países que se prepararem terão chances.
* Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UNIFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, da Eceme e da ESG. É presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio-SP, fundador e presidente honorário do Centro de Extensão Universitária.
Fonte: Publicado In: O Estado de S.Paulo, em 25 de setembro de 2014.

 

A DÍVIDA POLÍTICA DO LULISMO


Por Ricardo Alcântara (*)
2002. ‘Agora’ – era dito, prenunciando a vitória – ‘É Lula lá’. ‘Lá’, no imaginário dos eleitores, era uma cidadela blindada onde representantes das elites econômicas em nome exclusivo de seus  interesses tomavam as decisões que ferravam a plebe.
Pois bem. Era o ano de 2002 e Lula chegou lá. E, chegando lá, fez o diabo para que pudesse fazer também um pouco pelos mais pobres. Se não vendeu a mãe, passou perto. Abriu mão de muito do que vinha prometendo há mais de vinte anos.  
Quando ele chegou lá, a Reforma Política já estava em pauta. Muitos esperavam que Lula fosse buscar nas ruas a força necessária para fazê-la por compreender a Democracia como a principal causa popular: afinal, para mudar, é preciso ter voz.
Tratava-se de dotar a democracia brasileira de uma representatividade efetiva: submeter os partidos a ritos de decisão coletiva e, a seus membros eleitos, fidelidade programática.  E conter a força do interesse privado em suas posições.
Somente assim a cultura patrimonialista cederia espaço à imposição do interesse comum. Sem isso, a manifestação da vontade popular só seria percebida quando não ferisse os privilégios dos donos do poder no Brasil. Raras oportunidades.
Tratava-se e se trata ainda, como afirma o programa da Rede Sustentabilidade, de ‘democratizar a democracia’. Tirar do conceito nobre de representação popular o constrangimentos das aspas que colocamos no termo ‘democracia’ brasileira.
Mas a realidade tem pouco apreço pelas boas intenções. Para vencer uma herança pesada, Lula adotou medidas conservadoras e, por maioria parlamentar, curvou-se aos maus costumes. Caso contrário, dizia, a menor vítima seria ele e a maior, o país.
Quando saiu do governo, oito anos depois, a Reforma Política continuava ‘lá’, sempre muita discutida e nunca votada. Era como uma mulher ao mesmo tempo bela e problemática: todos gostavam dela, mas ninguém queria levar para casa.
Pois saindo do governo, e compreendendo o preço de sua omissão, Lula disse que, já então livre das imposições pragmáticas da presidência, se dedicaria a mobilizar a sociedade por ela. Bem Lula: disse-o logo que saiu e nunca mais tocou no assunto.
A fatura veio pelas ruas, no ano passado. O governo, ao perceber a mensagem subjacente às queixas por um Brasil ‘padrão FIFA’, propôs a Constituinte exclusiva sob o correto saber de que o poder (o congresso, no caso) não muda o poder.
Mas se haveria que mudar a constituição e a matilha logo percebeu no refluxo das ruas, agora ocupadas pelo ‘vandalismo’, a boa ocasião para à presidente lembrar quem é que realmente manda. Como surgiu, a proposta evaporou e aqui estamos.
Domingo, saberemos se ainda terá o Lulismo uma nova oportunidade para reparar sua primeira dívida com o país (o aprimoramento da representatividade popular), já que a segunda dívida (a adesão faminta à corrupção) está na casa do sem jeito.
(*) Jornalista e escritor. Publicado In: Pauta Livre.
Pauta Livre é cão sem dono. Se gostou, passe adiante.

 
 

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