segunda-feira, 12 de junho de 2017

DIÁSPORA DE IDEIAS

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
A palavra diáspora, no sentido tradicional, significa fuga ou dispersão coletiva de povos pelo mundo, muitas vezes sem rumo, por questões políticas, étnicas ou religiosas. São sempre mencionadas, dentre outras, as diásporas judaica, africana, armênia e chinesa. Verdadeiras migrações humanas, ao longo do tempo, causando níveis elevados de sofrimento por falta de compreensão. Hoje, além da persistência de algumas diásporas (fugas) humanas, existem aquelas relacionadas com ideias. A ideia que estamos nos referindo diz respeito à intencionalidade e não ao simples sinônimo de conceito. Vários filósofos estudaram e outros continuam analisando o termo ideia, no sentido lato. Segundo o filósofo inglês liberal John Locke (1632-1704), “É mediante as ideias que o ser humano exprime o pensamento objetivo”. A rigor, em razão da ganância, da intolerância e da tendência isolacionista, poderão surgir entre as nações dificuldades que impeçam ideias pacifistas, éticas, de liberdade e democráticas, complicando o pensamento político. Ou seja, quanto mais conflitantes sejam as ideias, aumenta o risco de não se conseguir harmonia entre política, paz e justiça. Ademais, atividades radicais e preconceituosas influenciam de forma negativa as perspectivas de comportamento e de organização social. A coerência programática baseada em princípios do ecumenismo secular poderá permitir a reconciliação e a libertação, evitando tanto a dispersão humana como a fuga de boas ideias. Recentemente, com sabedoria, o Papa Francisco ressaltou que “precisamos construir pontes e não muros” visando o sentimento da solidariedade.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 3/2/2017.

domingo, 11 de junho de 2017

Pensamento do Dia: Mudar o Mundo


Autor: DJ Katarina?
Fonte: Circulando por e-mail (internet). Montagem de provável autoria explícita.

HOMEM BRAVO


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

sábado, 10 de junho de 2017

Salão de Beleza Ortográfico


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Fotomontagem sem autoria explícita.

REGRAS DA CASA


Fonte: Circulando por e-mail (internet). Montagem sem autoria explícita.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

CONVITE: XII Semeando Cultura da Sobrames-CE


A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (O palestrante) convida para o 12º SEMEANDO CULTURA, evento bimestral promovido pela Sobrames-CE, a realizar-se no dia 12/06/2017, às 19h30, no Espaço Cultural Dra. Nilza dos Reis Saraiva, na Av. Rui Barbosa, n° 1.880, Aldeota.
O palestrante do evento será o médico, escritor e professor Dr. José Maria Chaves, que abordará o tema: LITERATURA DE CORDEL: uma riqueza do nosso folclore. O expositor é membro da Sobrames-CE, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e atual presidente da Academia Cearense de Médicos Escritores.
Contamos com a nobre participação dos colegas, amigos e familiares neste aprazível momento cultural.
Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Presidente da Sobrames-CE

EM DEFESA DE UMA CERTA ANSIEDADE

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
A ansiedade pode ser sinal de coisa boa?
Desde que o mestre Sigmund Freud afirmou ser a causa das neuroses, ela passou a ser vista como maligna, quando deveria ser considerada como uma das defesas para a perpetuação da espécie.
Os dicionários definem ansiedade como uma sensação de aflição, receio ou agonia, sem causa aparente; inquietação ou impaciência acarretada por desejo ou vontade, traduzido por um estado afetivo penoso, pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso. A maioria dos psicólogos considera a ansiedade como uma atitude emotiva concernente ao futuro, marcada por vaivém entre o medo e a esperança.
Acredito que qualquer que seja o conceito atribuído, ele deveria ser encarado de outra maneira, antes de ser tido como patologia. A ansiedade muda com o “espírito da época”, ou seja, com o conjunto da atmosfera intelectual e cultural vigente, em determinada fase da História. Os exemplos são numerosos. No século passado, por exemplo, a ansiedade estava associada ao problema do holocausto atômico - o Day After, tema que atemorizava a todos.
Passada a Guerra Fria, a ansiedade ficou associada à questão do desemprego, das crises econômicas, dos terremotos, do aquecimento global, da poluição, do terrorismo, da violência, das migrações, das guerras localizadas, entre outros problemas que sensibilizam ou venham a sensibilizar. E os meios de comunicação, em particular, sabem como ninguém comandar as ansiedades da ocasião.
Considerando-se a ansiedade, por si só, creio que, para o homem das cavernas, o medo do aparecimento do tigre de dentes de sabre deve ter sido bem mais estressante, do que hoje, o medo dos assaltantes e bandidos. O mecanismo referente ao estresse permanece o mesmo. Em outras palavras, diante do perigo, todos nós somos iguais. O grau de resposta é que varia de uma pessoa para outra.
No século XVI, o maior medo era o de ser queimado vivo, por problemas de crenças religiosas (como a Inquisição), dívidas, ou doenças como a peste negra. Quanto aos açoites e torturas, estes permanecem no tempo. O medo de errar, de se sentir culpado, frustrado ou envergonhado, fazem parte da condição humana. Desconheço civilização onde alguém sobreviva sem sentir algum grau de ansiedade. Contudo, ela passa a ser um problema quando atinge um estado psíquico de intranquilidade permanente, de agitação, de temor diante de uma ameaça real ou imaginária. Ainda assim, só será problema para quem acha que ela é um problema. E esses não estão adaptados para viver a vida de uma maneira menos ansiosa (devido a causas psíquicas ou fisiológicas). Será que os evolucionistas não percebem que, na luta vital contra os predadores, a presença de indivíduos, apontados como ansiosos, foi decisiva? A ansiedade foi e continua sendo uma necessidade adaptativa à sobrevivência da espécie. O problema é saber delimitar seu diagnóstico. Faz-se necessário cuidado com as rotulações do poder médico. Quantos gênios não estariam confinados em manicômios, se a ansiedade fosse considerada uma patologia?
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).
 

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