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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Humanização na Enfermagem Oncológica

Por Andrea Borges (*)

O câncer é um grave problema de saúde pública, com mais de 600 mil novos casos anuais no Brasil. A doença ultrapassa a dimensão individual, afetando corpo, mente e relações sociais. O diagnóstico provoca medo, ansiedade e incerteza, abalando profundamente o equilíbrio emocional do paciente e de sua família.

A quimioterapia, tratamento agressivo e prolongado, potencializa o sofrimento, gerando efeitos colaterais como dor, náuseas, fadiga e queda de cabelo, que comprometem a autoestima e a qualidade de vida. Os cuidadores, majoritariamente mulheres, enfrentam sobrecarga física e emocional, acumulando tarefas e muitas vezes negligenciando o próprio bem-estar.

A equipe de enfermagem, por sua proximidade com o paciente, também vivencia o sofrimento de forma intensa, partilhando esperanças, frustrações e perdas, o que pode gerar fadiga por compaixão e desgaste psicológico.

Nesse contexto, a enfermagem oncológica assume papel essencial na promoção do cuidado humanizado. O enfermeiro vai além da técnica: acolhe, escuta e oferece presença genuína. O acolhimento empático reduz a ansiedade, fortalece o vínculo terapêutico e melhora a adesão ao tratamento.

A comunicação clara e a escuta ativa possibilitam identificar medos e necessidades emocionais, tornando o cuidado mais sensível e efetivo. O enfermeiro também atua como educador em saúde, orientando sobre efeitos colaterais da quimioterapia, alimentação, uso correto de medicamentos e medidas de proteção, promovendo autonomia e segurança.

Entretanto, obstáculos persistem. A sobrecarga de trabalho, a falta de tempo e o preparo emocional insuficiente dificultam a escuta qualificada e o diálogo empático. Muitos profissionais sentem insegurança ao comunicar más notícias ou ao adaptar termos técnicos para uma linguagem acessível.

Por isso, a capacitação contínua é indispensável para o desenvolvimento das habilidades técnicas e emocionais. Ao unir ciência, empatia e sensibilidade, o enfermeiro reafirma seu papel como protagonista do cuidado ético, acolhedor e verdadeiramente humanizado.

(*) Enfermeira certificada nos EUA, especialista nos cuidados humanizados a pacientes oncológicos.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/11/2025. Opinião. p.14.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Inteligência Artificial dominou a Bienal da Medicina

Por Lêda Maria Souto Paulino (*)

CENTRALIZADA no tema "Inteligência Artificial e Humanismo na Medicina", foi encerrada sábado, 17, após acontecer durante três dias, a Bienal da Academia Cearense de Medicina (ACM), presidida pelo dr. José Henrique Leal Cardoso. A programação, desenvolvida entre palestras, homenagens e o lançamento da edição do XXI Anais da ACM, teve como momentos de grande importância a mesa-redonda enfocando "A Inteligência Artificial 1 - Impacto, tendência e tecnologia", presidida por Janedson Baima Bezerra. Acompanhando o tema, outros deram continuidade, como: Planejamento de Saúde com IA, dr. Joaquim Celestino Jr. (Uece); IA e humanismo na medicina, dr. Erick Martins Faria de Abreu (UFMG); e Limites éticos da IA pelo acadêmico da ACM, médico Ivan Moura Fé.

A Bienal da ACM, considerada uma passarela de estudos e exposições dos grandes temas, constou também de uma mesa-redonda sobre "Impacto, Tendência e Tecnologia", quando um espaço foi bem utilizado para a apresentação do tema "Na pesquisa de novos tratamentos de Neoplasias e doenças autoimunes", pelo dr. Fernando Barroso Duarte, acompanhado dos debatedores Renan Magalhães Montenegro, Glauco Lobo Filho e Helena Pitombeira.

E prosseguindo sua valiosa programação, a ACM realizou, noite do dia 16, a posse solene da médica Clinete Lacativa, cearense radicada no Rio, como membro efetivo honorário. O ato aconteceu no auditório da Reitoria da UFC, com a presença dos colegas, familiares e amigos da nova acadêmica, ali recebendo discurso valioso do presidente Henrique Leal. Clinete manifestou, como forma de gratidão pela sua escolha, palavras bonitas, mantendo capítulo de sua trajetória como profissional atuante, defendendo a profissão e buscando salvar e orientar a vida das muitas pessoas a ela confiadas, em etapas diversas e difíceis, quer no trabalho médico, quer hospitalar.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/05/2025. Vida & Arte. Coluna da Lêda Maria, p.5.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

Por Ana Miranda (*)

Vejo sempre, na feira aqui em frente, a Noordmarkt, um pequeno coral entoando músicas tradicionais, gracioso e afinado. No chão, um chapéu onde os ouvintes depositam moedas ou notas, e um cartaz: cantam para ajudar os Médicos Sem Fronteiras.

Esses médicos são maravilhosos. Quando o perigo chega ao limite, quando uma epidemia vem dizimando, uma guerra se torna mais cruel, um inferno de sofrimento se instala... quando não há mais anestesia, remédios, ambulâncias, povos sucumbem a bombardeios e as pessoas não têm tem mais água, alimento ou abrigo, quando há terremotos, inundações, chacinas, massacres, genocídios, quando a morte é maior que a vida e todos partem por não haver mais esperança, os Médicos Sem Fronteiras estão lá.

Aparecem nos jornais imagens da violência, sofremos de longe, mas eles estão ali de corpo e alma. Apoiaram cambojanos que fugiam do Khmer Vermelho, vítimas da guerra no Afeganistão, da grande fome na Etiópia, da guerra no Sri Lanka, do terremoto na Armênia; atenderam a vítimas do massacre dos bósnios, do genocídio em Ruanda, dos conflitos na Libéria, do terremoto que devastou o Haiti, a refugiados no Congo; resgataram sobreviventes no Mediterrâneo, ajudaram vítimas do tufão nas Filipinas, da epidemia de Ebola em seis países africanos, da guerra e do surto de cólera no Iêmen, do terremoto no Nepal; deram apoio a refugiados em Bangladesh, a vítimas do ciclone e inundações em Moçambique, da Covid em mais de setenta países, do ataque contra a maternidade em Cabul, entre outras desgraças. Os que puderam, partiram, mas eles estão lá, em Gaza, mesmo depois de morrerem três de seus médicos no bombardeio ao hospital Al Awda.

Atuaram no Brasil contra a epidemia de cólera na Amazônia, dando apoio a crianças de rua no Rio, a vítimas do massacre em Vigário Geral; trabalharam na prevenção de Aids no Rio, nas enchentes em Pernambuco e Alagoas; ajudaram imigrantes haitianos, vítimas do incêndio na boate Kiss, da enchente do rio Madeira; socorreram os Yanomami, os ribeirinhos e quilombolas em Marajó...

Essa organização surgiu na França em 1971, criada por médicos e jornalistas que viveram a guerra civil em Biafra. Em meio a um mundo de crueldade absoluta e dor, seres que eram só ossos e pele, eles perceberam a premência da ajuda humanitária no planeta. Trabalham também a alertar o mundo sobre esses flagelos. São independentes, vivem de doações - uma das organizações que mais me dão alegria ao doar. Não discriminam raça, gênero, religião, nacionalidade ou convicção política. São corajosos, idealistas, que recebem salários muito abaixo da média de médicos; poderiam escolher atividades confortáveis, mas estão nos cantos do planeta onde as pessoas sofrem mais e mais precisam de ajuda. Têm seis milhões de doadores no mundo. É seguro, todos podem e devem doar.

"Eu vi o que há de pior na humanidade", diz o médico Andrei Melo no seu Diário, quando atendia vítimas da guerra em Mossul, Iraque; "mas eu vi também o que há de melhor: a esperança, a resiliência e o amor ao próximo que não desaparecem em meio ao caos, pelo contrário..."

(*) Escritora. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/01/24. Vida & Arte, p.2.

Postado no Blog do Marcelo Gurgel em 1/4/2023.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

HUMANISMO, O NOVO DESAFIO DA EDUCAÇÃO

Por Cândido B. C. Neto (*)

A educação é, acima de tudo, um compromisso com a condição humana. Por isso, não deve, a rigor, ser compreendida tão somente como pano de fundo, vez que visa, substancialmente, desencadear um sentimento amplo que alcance todos segmentos socioeconômicos, num exemplo de interação entre as diversas instituições, na tentativa de superação das questões básicas, tendo o humanismo como objetivo final.

Educação tem o poder de desencadear e fortalecer um amplo movimento que integre as ações nacionais, capaz de toda sociedade participar, sendo respeitada a diversidade de concepções com permanente incentivo a uma gestão compartilhada. Costumo dizer: envolver todos atores empenhados em resolver nosso maior débito histórico: reumanizar os humanos.

Caminhamos para a avaliação final do Plano Nacional da Educação (PNE), lei 13/005, previsto para o próximo ano. Assim, teremos como meta principal o Humanismo - Reumanizar os humanos, transformado em desafio nacional para o novo plano.

Mais uma vez, o estado do Ceará parte na frente com uma agenda positiva elaborada por todos os órgãos e entidades do Sistema Estadual de Educação, coordenada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), a partir de um amplo debate, em parceria com estado, municípios e iniciativa privada. Apresentam-se, assim, novos caminhos para a educação brasileira e com a presença das instituições de ensino superior.

Neste cenário, o humanismo, em seu sentido amplo, deverá estar presente em todas as metas e estratégias do novo PNE, desde a formação de professores até os mais representativos órgãos da gestão nacional, como pauta permanente nos assuntos e grandes debates.

A educação deve ter caráter humanista e coletivo para integrar uma nova política, dando-lhe uma síntese civilizatória moderna e necessária à reumanização dos humanos, adequada aos novos tempos e modelos, visando cultivar, no homem, os sentimentos de amor ao próximo, à terra e à sua história. Não podemos negar isso ao futuro das famílias brasileiras.

(*) Escritor e poeta. Professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/10/23. Opinião, p.20.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

RUPTURA NA CIVILIZAÇÃO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Aproveitei o final de março de 2023 para reler e analisar a conhecida obra de Alvin Toffler, autor e conferencista consagrado, responsável por livros importantes como “Choque do Futuro”, “A Terceira Onda” e “Previsões e Premissas”. O conhecimento do pensamento de Toffler é importante para aquelas pessoas que desejam entender os processos histórico, econômico, social e político. De acordo com a sua linha de raciocínio, a primeira onda de mudança na sociedade ocorreu há 10 mil anos com a revolução agrícola; posteriormente, há pouco mais de 300 anos, ocorria a revolução industrial, motivando conflitos sociais e políticos, o que causaram a segunda onda de mudança e agora estamos vivendo uma nova e complicada transição, levando-se em conta os aspectos contemporâneos da tecnologia, do conhecimento, das fontes energéticas, do narcotráfico, de corrupção, da ausência de paz, da violência, do crescente desajuste familiar, da falta de solidariedade, das desigualdades, enfim de fatores que nos conduzem a uma outra ruptura. Estas ideias vêm provocando controvérsias. Toffler não se apoia em bases ideológicas, citando contudo, a falência do capitalismo e o fracasso do comunismo. Todavia, defende transformações econômicas e sociais de largo alcance. Ademais, ressalta que os conceitos de política esquerda/direita estão superados, principalmente em razão do rápido desenvolvimento tecnológico. Por sua vez, Alvin Toffler ressalta com ênfase: “O futuro do mundo permanece ligado ao progresso da democracia”. Diante das ideias “Tofflianas”, podemos deduzir questionamentos extremamente preocupantes, dentre os quais merecem destaque: a) a diferença de rendas entre as regiões mais pobres (África tropical, Ásia do Sul, países andinos, Nordeste brasileiro etc) e as ricas da OCDE não para de aumentar, o que torna o mundo inaceitável; b) o endividamento de todos os países pobres; c) a educação é uma política primordial, sem a qual não há democracia. Sem dúvida, quem não recebeu um mínimo de instrução, não é uma pessoa livre; e d) para nós brasileiros, cerca de 50% dos 220 milhões de habitantes do Brasil estão fora da sociedade moderna e um terço de nossa população tem uma renda abaixo de um Salário Mínimo. O desenvolvimento integrado e sustentável do Brasil, como de qualquer outro país, somente ocorrerá na medida em que haja uma participação intensa e responsável dos diversos segmentos da sociedade. Por fim, vivemos num mundo cheio de incertezas, injustiças e conflitos inadmissíveis, em razão, creio eu, da supervalorização dos valores materiais e do reduzido nível de sentimento espiritual. Precisamos eliminar o ódio e a vingança, pois nada constroem.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, 31/03/2023. Ideias.

quinta-feira, 2 de março de 2023

CRISTIANISMO X NETWORKING

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Somos desafiados a todo momento a expandirmos a nossa influência digital. A imagem é tudo para esse novo sistema de relacionamento online. Aliás não é só uma imagem, mas criar e vender um personagem que traga dividendos, abra portas e resulte em lucratividade.

Ser aceito e acolhido nessa nova comunidade é prioridade, chegando ao ponto de olhar o outro apenas como uma oportunidade de receber algo em troca. É triste, mas as pessoas passam a ser estratificadas pelo tamanho do benefício que podem trazer. Não queremos em nossa lista pessoas que não somem oportunidades de subirmos no cenário social.

Nos ensinamentos de Cristo a ênfase é bem diferente. Cada pessoa deve ser o que é, sem máscaras, sem maquiagem, sem o filtro do Instagram. Nos relacionamentos não selecionamos pelos benefícios, mas em como podemos contribuir para a transformação e crescimento do outro. Recebemos sim algo em troca, mas são dividendos intangíveis, como a alegria no coração pela transformação das mazelas de um dependente químico ou emocional. Isso é mais precioso que ouro. Mas recebemos também a contribuição que vem com uma roupagem nada amigável, vem através da ingratidão, da traição e algumas vezes do desprezo.

É a vida de verdade, que nos aperfeiçoa e amadurece na doação de afeto e de ações práticas. No cristianismo somos valorizados não pelo que possuímos, mas pelo que nos tornamos através dos anos. Fazemos parte do Corpo de Cristo e dessa forma somos membros desse corpo. Começo a perceber que relacionamentos saudáveis são aqueles que buscam o bem do outro, da mesma forma que as mãos contribuem com a boca para a alimentação e os olhos protegendo os pés de abismos e dores.

Pessoas não são mercadorias ou pontes para alcançá-las. Somos uma grande família que recebemos os valores e princípios judaico-cristãos realçando a verdadeira vida em sociedade.

Poderíamos propor juntos um novo tempo para o nosso planeta. Tempo de paz, investimento no diferente, cuidando do necessitado e recebendo o prazer e a alegria da implantação de uma real cultura de paz e harmonia.

Lembre que normalmente o networking é baseado no eu, mas o cristianismo é baseado no nós.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Coreia do Sul Para a Implantação da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil.

Fonte: O Povo, 24/01/2023. Opinião. p.14.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

NA VÉSPERA DO AMANHÃ

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Cederam-me a oportunidade de escrever. Mesmo não sendo afeito às exposições, exceto quando me oportuno em questões cruciais. E por isso, hesitei muito. No entanto, há alguns anos, preocupo-me com a apatia das ideias e com a abstenção em que vivemos.

Assim como todos vocês, sinto-me obrigado a acreditar em algo diferente, pois o substrato dessa crença que por ora está presente é o medo e o descontentamento. E, talvez, isso explique, ao menos em parte, os excessos mundanos, quando nos confortam transitoriamente.

A percepção de toda tragédia dos últimos anos, das notícias negativas que logo se vão ao esquecimento, como uma negação necessária à dureza dos fatos. O achar que "vai dar certo" foi sob uma ótica uma atitude otimista diante de intransponíveis perdas, embora infantil. Mas, fazia alusão que rapidamente tudo passaria e voltaria ao "normal".

Há pouco tempo falávamos desse novo normal, de uma mudança objetiva na competência da gestão pública, e que, enfim, aceitaríamos cortar na própria carne para desfazermos o palco de absurdos.

Porém, de forma inversa, saímos ainda mais frenéticos, e escondemos, sim, os mortos e nos determinamos a buscar os culpados.

Nesse espaço, que me foi concedido, por mérito da comunicação e sua intensa capacidade de dar crédito às idéias livres e dispostas ao exercício da criatividade , e quiçá, em alguns instantes, do contraditório. Gozam, por si, dos princípios da boa fé. Espero fazê-lo como na minha vida médica, com entusiasmo, desejo e crença no futuro. Pois, não fosse essa abstração, improvável seria carrear esse sentimento a quem nos lê, e seríamos menores, e somente pedaços numa vivência desnorteada.

Escrever é lidar com o improvável e com as diversas sensações expostas; não deixa de ser um ato de diversidade, de humildade e solidariedade.

Pois, a diversidade garante uma linguagem eclética, a humildade nos faz a aproximação, entre nós e com outrem, e comparecer com o exercício de reduzir as injustiças. São, portanto, as escritas da doação e da compreensão.

Esse texto é somente o início de uma jornada de reflexões sobre o cotidiano, sempre mesclando o que você sente, ou mesmo pensa em voz alta, em negrito ou discretamente, da desapercebida imagem. Vamos, espero eu, mas principalmente vocês trazer para agora um momento incomum, sem retoques...

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/01/2023. Opinião. p.19.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

A VIDA: O médico que somos é o melhor que podemos ser?

Por JOSE J. CAMARGO (*)

Os progressos tecnológicos experimentados pela Medicina nos últimos 50 anos foram mais expressivos do que em toda a história da humanidade. Um avanço puxando outro, acelerou de tal maneira o desenvolvimento que só não nos surpreendemos mais porque estamos indo junto com a mudança. E mais do que em qualquer outra época, o conhecimento de outras áreas foi absorvido pela Medicina, com resultados extraordinários. Quando a NASA precisou desenvolver tecnologia para acompanhar os batimentos cardíacos dos astronautas, estava, sem dar-se conta, plantando as bases do moderno monitoramento em terapia intensiva, presencial ou a distância. A descoberta do Raio Laser revolucionou uma das áreas mais fantásticas da Medicina moderna: a da imagética.

A Medicina Nuclear e a interação com a RNM permitiram o mapeamento cerebral, com a determinação precisa de cada função específica. Os transplantes, vistos como provavelmente a mais arrogante das iniciativas médicas, porque não sabendo mais o que fazer com um órgão doente, se dispôs a simplesmente trocá-lo. E o futuro próximo prevê a produção laboratorial de órgãos imunologicamente inertes, o que multiplicará os benefícios desse prodigioso avanço.

Os laboratórios de simulação, permitindo o treinamento do estudante sem o risco da iatrogenia, constituíram-se rapidamente num recurso indispensável nas melhores escolas médicas do mundo.

O desdobramento do genoma, que no futuro muito próximo permitirá prevenção, diagnóstico e tratamento da maioria das doenças, se constitui numa das áreas tão céleres do conhecimento médico e se diz que, a cada 18 meses, metade do conhecimento se renova.

Os laboratórios virtuais, com programas fantásticos, têm permitido o tratamento de problemas psiquiátricos como fobias e dores fantasmas.

Com todos estes avanços tecnológicos, temos enfrentado o constrangimento de pacientes idosos, sempre os mais carentes, falando com nostalgia dos médicos de antigamente, o que coloca, como obrigatória, a seguinte questão: assumindo que paciente infeliz significa médico equivocado, onde, nesta trajetória de tantas conquistas, nós perdemos o rumo?

Não podemos negar que a nossa atividade envolve um conflito de atitudes: de um lado, a ansiedade do paciente com psiquismo fragilizado pela doença e do outro o médico cumprindo a rotina do seu trabalho. E a rotina, como se sabe, não é o melhor estimulante das relações humanas. Para que a empatia se produza é indispensável que o médico se coloque no lugar do doente e tente pensar como um deles. Quem já esteve do outro lado descobriu na própria pele o quanto paciente precisa se sentir especial.

Por isso, muito cuidado ao se aproximarem de pacientes que sofrem, porque eles estarão com todos os sensores ligados e absolutamente intolerantes à desconsideração com seu sofrimento. Poderão esbravejar ou suportar a desconsideração, de acordo com sua humildade e subserviência, mas em nenhuma circunstância eles esquecerão. Nós, médicos, estamos desatentos aos princípios básicos da relação humana mais elementar, que só se sustentará se lá no início houver um mínimo de solenidade, que inclui, entre outros rudimentos, a preocupação com a identidade do paciente.

Considero que o médico, não importa o quanto atribulado, precisa desenvolver métodos de autoavaliação do seu trabalho. Uma forma que utilizo com frequência é perguntar àqueles que passaram por situações estressantes o que foi o mais inesquecível. Utilizem esta estratégia e vão ficar deprimidos ao constatar que muitas vezes os pacientes consideram inesquecível uma vivência que nem percebemos. Uma constatação inegável: a nossa atividade é um jogo de sedução e conquista. Sendo assim, é constrangedora a percepção de que os maiores atropelamentos afetivos têm como origem a carência de um pré-requisito básico para ser médico: gostar de gente.

Há 30 anos ser médico era certeza de afirmação profissional e pessoal, porque havia poucos médicos. Uma década depois, com o aumento de profissionais disponíveis, passou-se a exigir qualificação técnica e, por fim, com o mercado repleto de qualificados, a disponibilidade de afeto passou a ser um atributo para a seleção de médicos, sempre que nos fosse dada a chance de escolha. Todos então aprenderam que entre dois médicos igualmente treinados, sempre prevalecerá o mais afetivo.

Os profissionais que não entenderem esta obviedade estarão condenados a engrossar as fileiras do grande e triste batalhão dos “injustiçados profissionais”. Os mal humorados, os rígidos e os mal amados poderão, no máximo, ser tolerados pelos pacientes, por falta de alternativas, mas não conhecerão uma das grandes maravilhas da Medicina de qualquer época: a alegria de ser escolhido pelo paciente.

A Medicina é a arte de ouvir e ela só consegue ser praticada por quem sinta prazer em aliviar sofrimento. O professor Carlos Grossman, um emérito mestre de três gerações de clínicos gaúchos, costuma, ao listar os pré-requisitos para formação do verdadeiro médico, referir que ele precisa ter “cabeça aberta, coração generoso e a bunda. Porque, quem não tiver bunda para sentar e ouvir o que o paciente tem para dizer, devia fazer outra coisa”.

Outro conceito importante: a doença é uma abstração da realidade e ela está nos livros, nos laudos radiológicos e nos exames anatomopatológicos, e não na atitude do paciente, porque a visão da doença para o doente é a percepção do sofrimento. E como o sofrimento não é padronizado, cada pessoa tem seu jeito próprio de sofrer e o médico tem obrigação de penetrar neste sentimento. Portanto, não cometam o absurdo de antecipar o que pode acontecer de ruim. Ninguém se prepara para o sofrimento. Pelo contrário: as vítimas dessa desinteligência atroz apenas sofrem antes e mais. Desta observação se depreende que não há possibilidade de exercício médico sem sensibilidade e empatia. A incapacidade de colocar-se no lugar outro é certamente a maior exigência da atividade clínica.

É nossa responsabilidade profissional preservar a relação médico/paciente, que vem sendo progressivamente deturpada pela presença de inúmeros atravessadores, os tais auditores e gestores, que desprovidos de qualquer vínculo afetivo com o paciente, com frequência se arvoram do direito de determinar aos médicos qual a melhor estratégia para viabilizar economicamente o negócio, mesmo que as diretrizes ignorem o paciente, como se ele não fosse a razão maior de existir todo o sistema.

A relação médico/paciente deve ser vista, na sua essência, como um encontro generoso entre duas pessoas: um paciente que tem um problema que o aflige e um médico qualificado para ajudá-lo. Numa relação de confiança integral, o médico tem que passar a certeza de que saberá o que é melhor para o paciente e, quando não souber, visto que ninguém é onipotente, saberá quem saiba.

O que não podemos permitir, sob hipótese alguma, é que burocratas descomprometidos afetivamente deturpem a relação humana mais intensa e aguda que se pode estabelecer entre duas pessoas, que eram desconhecidas, até que uma delas adoeceu.

O temor da morte e a existência de alguém que possa ao menos postergá-la explica porque, mesmo com tudo o que se tem dito para depreciar a figura do médico, sempre haverá no imaginário do paciente, desarmado de toda a malícia, um lugar para a veneração respeitosa que tantas vezes beira à idolatria.

Se este sentimento puro e comovente que brota da população mais simples for acrescido de uma manifestação de igualdade, ainda haverá uma multiplicação de afetos, porque esta fusão, igualdade e generosidade, é a maior usina geradora de gratidão. E então nós, professores, precisamos definir que médicos devemos formar. E quando nos questionarem para onde vamos, devemos responder: vamos pelo caminho da competência técnica máxima, em direção à solidariedade incondicional, convencidos de que não estamos aqui para sermos meros coadjuvantes, mas sim para fazermos a diferença na vida das pessoas.

E então, para finalizar, eu tenho uma revelação aos inúmeros jovens que estão começando esta nobre caminhada, e que deverá ficar entre nós, como um segredo: QUE PROFISSÃO MARAVILHOSA ESTA EM QUE NOS METEMOS!

Mas a Medicina só se completará se for exercida no limite da paixão e entendida como um contínuo e inesgotável exercício de afeto, de solidariedade, de empatia e de compaixão.

(*) Professor de Cirurgia Torácica da UFCSPA – Porto Alegre. Pioneiro em Transplante de Pulmão na América Latina. Membro Titular da Academia Brasileira de Médicos Escritores Membro Titular da Academia Nacional de Medicina.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

terça-feira, 17 de maio de 2022

MEDICINA E HUMANISMO

Por Alfredo Guarischi, médico

William Osler (1849-1919) não considerava a medicina apenas ciência, mas via arte da medicina à luz da ciência. Ensinou que essa era uma arte magistral, com seu exemplo e textos sobre humanismo.

Formado pela Universidade McGill, em Montreal, em 1872, foi se aperfeiçoar na Europa, onde estudou com Rudolf Virchow, o grande patologista alemão. Osler foi considerado o Pai da Medicina Interna – clínica médica –, após retornar para sua universidade como professor. Adorado pelos alunos e pacientes, deixou saudades ao se mudar para a Universidade da Pensilvânia, nos EUA. Em cinco anos publicou centenas de artigos científicos, o que o levou a ser convidado a fundar o Serviço de Medicina da então recém-criada Universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Lá desenvolveu “o método natural de ensinar aos estudantes de medicina”, que “começa com o paciente, continua com o paciente e termina no paciente, usando livros e aulas como ferramentas, como meio para servir ao paciente”. Nessa época a Johns Hopkins tinha os mais importantes médicos dos EUA: o cirurgião William Halsted, o patologista William Welch e o ginecologista Howard Kelly. Todos se tornaram ícones de suas especialidades. Em meses escreveu, como único autor, o “The Principle and Practice of Medicine”, em 1892, que se tornou um clássico com inúmeras edições.

Em 1904 foi convidado a assumir a cátedra da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Ávido leitor, considerava a literatura e biografias como um incentivo à reflexão e à empatia, uma ferramenta para refletir sobre as pessoas, a essência do sofrimento e a vocação da profissão médica – uma maneira especial de ajudar os outros. Defendia a importância da “educação do coração”.

Osler escreveu: “A mais difícil convicção de entrar na mente de um iniciante é que a educação na qual ele está envolvido não é um curso universitário, mas um curso de vida, para o qual o trabalho de alguns anos com professores é apenas uma preparação.” Alertava também que “o bom médico trata a doença, o grande médico trata o paciente que tem uma doença”, e que “a velha arte não pode ser substituída, mas deve ser absorvida pela nova ciência”. Entendia a pessoa, ele a ouvia com atenção, usava a linguagem de forma simples, para que o paciente o entendesse.

Nos últimos 50 anos a medicina ganhou uma exponencial efetividade com a tecnologia, mas paralelamente diminuiu a perda da empatia entre médico e paciente, ocasionando desconfiança nessa relação. Para Osler a prática da medicina é uma arte, não uma empresa; “é um chamado em que seu coração será exercitado igualmente com sua cabeça”.

Sir Willian Osler faleceu de pneumonia, dois anos após da morte de seu único filho, apesar dos esforços dos seus amigos e grandes cirurgiões Harvey Cushing e George Crile, que o operaram no 47º. Casualty Clearing Station, posto avançado de tratamento de feridos, em Lozinghem. Edward Revere Osler, de 22 anos de idade, lutava, como tenente de artilharia, na frente de batalha na Bélgica, na Primeira Guerra Mundial.

Nota: Publicado no O Globo – Saúde em 29/01/2019.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

CONFISSÃO DE UM VELHO ESCULÁPIO

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Independentemente de quem seja, ou dos momentos vividos, todo ser humano abrange o infinito universal, pois é parte dele. Não é preciso ter ou saber de tudo e, sim, possuir a certeza de que o Mundo todo se encontra dentro de nós. Por menor que seja, por mais prosaica a vida que leva, qualquer criatura guarda o Universo, por inteiro, dentro de si mesma. Daí, quando salva a vida de uma pessoa, está salvando a Humanidade.

Caso você deseje que o futuro seja melhor, estude o passado e, ao passar sua experiência para seus filhos, você a estará transmitindo também aos seus netos. Lembre-se de que o grande homem não é o conquistador. A história do futuro não será mais escrita com base nos feitos dos generais ou sobre batalhas, morticínios ou guerras, mas sobre os fazedores da Paz. 

Vamos lá ao meu desabafo:

Nunca gostei muito de esportes e até hoje os considero como uma sublimação do espírito guerreiro. Apesar de me achar um desajeitado em fazer amizades devido à minha timidez nata, terminei sendo taxado de orgulhoso. Confesso que, às vezes, mesmo depois de velho, tenho vontade de colocar uma prancheta pendurada no pescoço, com os dizeres: “Não sou chato, sou tímido e acanhado”.

Na minha adolescência, deleitava-me com a Guerra Civil Espanhola descrita por Ernest Hemingway (1899-1961) no seu emblemático “Por quem os sinos dobram?” Suas touradas, lutas de box e valentias povoaram minha mente em formação.

Comecei minha vida universitária pesquisando e denunciando a fome ancestral da maioria da população infanto-juvenil brasileira. Como não seria de estranhar, atraí críticas dos ortodoxos e também dos heterodoxos que não conseguem sair das suas desnutridas observações. Poucas foram as pessoas que me entenderam em um mundo cada vez mais interessado pelo dinheiro e pelo egoísmo.

Durante todos esses anos dedicados à Medicina, permaneci fiel às minhas leituras e muito mais à minha consciência. Para mim, o computador facilitou escrever, porém pretendo usá-lo apenas como editor de textos ou facilitador de alguma consulta na Internet.

Sempre fui muito batalhador, interessado em tudo o que acontece em minha casa e em todo o mundo. Não desejo tomar o lugar da juventude e muito menos das suas experiências arriscadas. Desde que o mundo é mundo, as gerações se sucedem... E, o pior é ser considerado um velho que se perdeu do caminho da vida.

Só ao envelhecer temos condições de nos perguntar sobre o que fizemos da nossa vida.

Sei que não valeria a pena chegar aos oitenta e cindo anos, se toda sabedoria do mundo fosse tolice perante Deus frase do romancista alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) autor do livro intitulado “Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister” e que no momento da própria morte suplicava: "deixem entrar a luz".

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

domingo, 29 de setembro de 2019

Diferença entre Greta Thunberg e Malala Yousafza

Greta & Malala
Por Isaac Averbuch

Nos últimos tempos duas meninas chamaram a atenção do mundo e ambas foram parar na ONU. Duas histórias muito diferentes e duas personalidades totalmente distintas. Uma falou com pleno conhecimento de causa e outra sem conhecimento algum. Uma trazia um sentimento nobre, palavras sensatas e um semblante humilde; a outra exibe uma face arrogante, um discurso malcriado e interesses ocultos nada admiráveis (e que por isso precisam permanecer ocultos).
A que surgiu mais recentemente, a sueca Greta, que nem completou o ensino médio, pretende dar ao mundo aulas de ecologia. A ela não faltou, jamais, qualquer suporte material, desde antes de nascer. Nascida num dos países mais ricos do mundo, nunca viu a miséria de perto, não faz a mínima ideia do que sejam as dificuldades da vida, mas do alto da sua ignorância quer ditar como a humanidade deve viver. O excesso de conforto material não evitou que a mocinha se transformasse num pequeno poço de revolta. Em tom quase histérico anuncia que estamos às portas de uma “extinção em massa”. Com o olhar injetado de ódio e rosto crispado, questiona, sabe-se lá quem: “vocês roubaram a minha infância e os meus sonhos!”.
Como assim? O que lhe faltou na sua infância? Pelo jeito, carinho da família ou dos amigos e uma educação que lhe abrisse os olhos para o fato (evidente) de que o mundo é complicado mesmo e que as coisas não se resolvem do dia para a noite. Talvez conselhos no sentido de não ser tão agressiva e rancorosa. Se foi isso que lhe “roubaram”, garota, procure os culpados na sua casa e na sua escola, não no resto do mundo. Ah,.... mas à escola a menina-que-sabe-tudo não vai mais, exatamente porque já sabe tudo....
Eu me pergunto: roubaram seus sonhos? Foi mesmo? Aos 16 bem vividos anos já não há mais com o que sonhar? Se alguém lhe “roubou” esses sonhos e você não tem mais nenhum, o problema está em você, não no resto da humanidade. Se você não sonha em ter uma profissão ou uma carreira, ganhar a sua vida, ter uma família e, quem sabe, colaborar para construir um mundo melhor, o problema está só em você, que espera que seus “sonhos” lhe sejam entregues sem esforço. Isso não vai acontecer, menina. Melhor se acostumar com a ideia, por frustrante que ela seja. Talvez até hoje seus pais e financiadores ocultos tenham feito o possível para realizar esses tais “sonhos”, mas à medida que o tempo passa, o esforço precisa, cada vez mais, ser seu mesmo. E não adianta inchar a veia do pescoço enquanto esbraveja na ONU, sob os aplausos de uma plateia de idiotas que, avidamente, tentam sorver os ensinamentos que você não tem para lhes oferecer, porque isso não vai trazer seus "sonhos" de volta.
A outra garota anda meio desaparecida, mas não pode, jamais, ser esquecida. Em tudo difere da petulante suequinha. Refiro-me à paquistanesa Malala. Ela, sim, teve a infância roubada (e quase a vida se foi junto). Malala nasceu nos confins mais atrasados do Paquistão, onde predominam costumes tribais e o fundamentalismo islâmico. Malala tinha um sonho, estudar, e foi esse sonho, tão singelo, que lhe tentaram roubar. Sofreu ameaças, levou um tiro na cabeça. Sua família teve que fugir do país e ela chegou entre a vida e a morte na Inglaterra (num antiecológico avião a jato, não num barco a vela), onde foi salva. Malala sobreviveu para contar a sua história, para prosseguir no seu sonho e para ajudar a fazer um mundo melhor, para si e para todas as mulheres que sofrem perseguições e discriminações e, com o seu exemplo, dar-lhes maiores oportunidades. Malala tinha mil razões para odiar e para se queixar, mas sua presença, por onde passa, transmite uma mensagem de serenidade e firmeza na defesa de ideais nobres. Malala não exala ódio, desejo de vingança, ao contrário, cativa pela sua modéstia e seu sincero desejo de fazer o bem.
O contraste entre as duas é brutal. Uma sempre teve tudo e acha que nada presta. A outra, teve uma origem extremamente humilde, não tinha sequer liberdade e quase perdeu a vida por um sonho tão modesto. Não se abateu, não se vitimiza e não se diz “roubada”. Malala quase morreu porque desejava estudar, mas foi em frente. Greta posa de vítima e não vai mais à escola porque, tolamente, pensa que já pode dar lições ao mundo.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Postado em diversos blogs.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

CARTA DE SÃO PAULO AOS CORÍNTIOS DE HOJE


Paráfrase de 1 Co 13 feita por Dom Hélder Câmara
Se eu aprender inglês, espanhol, alemão e chinês, e dezenas de outros idiomas, mas não souber me comunicar como pessoa, de nada valem minhas palavras.
Se eu concluir um curso superior, andar de anel no dedo, frequentar cursos e mais cursos de atualização, mas viver distante dos problemas do povo, minha cultura não passa de inútil erudição.
Se eu morar no Nordeste, mas desconhecer os problemas e sofrimentos de minha região e fugir para férias no Sul, até na América ou Europa, e nada fizer pela promoção do homem, não sou cristão.
Se eu possuísse a melhor casa de minha rua, a roupa mais avançada do momento e o sapato da moda, e não me lembrasse de que sou responsável por aqueles que moram na minha cidade e andam de pés no chão e se cobrem de molambo, sou apenas um manequim colorido.
Se eu passar os fins de semana em festas e programas, sem ver a fome, o desemprego, o analfabetismo e a doença, sem escutar o grito abafado do povo que se arrasta a margem da história, não sirvo para nada.
O cristão não foge dos desafios de sua época. Não fica de braços cruzados, de boca fechada, de cabeça vazia; não tolera a injustiça nem as desigualdades gritantes de nosso mundo; luta pela verdade e pela justiça, com as armas do amor.
O cristão não desanima nem se desespera diante das derrotas e dificuldades, porque sabe que a única coisa que vai sobrar de tudo isso, é o AMOR.
Dom Hélder Câmara.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

HOLISMO NA ACADEMIA


Por Daniele Vasconcelos Fernandes Vieira (*)
Holismo deriva do grego holos que significa ser inteiro, ser todo, onde o todo não se constitui pela soma das partes, mas em cada parte se localiza o todo. O ambiente acadêmico é amplo, intenso e fervilhante. Nascem desse universo, proposições e soluções para os problemas de gestão das áreas sociais, de saúde, do direito e da segurança pública; para o desenvolvimento científico e tecnológico e para o aprimoramento dos sistemas político-econômico e judiciário.
É, em potência, um território onde tudo pode ser cultivado e semeado. No entanto, ainda composto pela soma das partes, fragmentado em sua conformação. É predominante a formação de um único aspecto do ser, o qual trata do estímulo ao desenvolvimento intelectual.
Na visão global do holismo, contudo, procura-se empreender na formação de pessoas mais seguras, íntegras, éticas, confiantes, bem relacionadas, solidárias, fraternas e que aprendam a superar situações conflitantes de modos saudáveis, imbricando a capacidade lógica de resolução dos problemas e conflitos com o equilíbrio do ser, integrando-o ao ambiente onde o mesmo está inserido.
Se nossa formação acadêmica central não nos prepara e não nos motiva a exercer essas habilidades, onde podemos busca-las, então? Onde estarão as pessoas, os conteúdos, os equipamentos e materiais que possam dar suporte para esse aprendizado?
Essas perguntas têm sido propulsoras para estudantes e professores caminharem no lado de fora das rotas acadêmicas, em busca de estabelecer alinhamentos entre o crescimento intelectual, que versa sobre o desenvolvimento cognitivo, e as inteligências intuitiva, instintiva, espiritual, ecológica e social.
Vem com essas questões o grande desafio acadêmico de integrar o conhecimento científico sobre o qual se consolida a universidade ao autoconhecimento sobre o qual versa a experiência do ser humano em todos os seus processos vividos. O paradigma holístico é uma visão de mundo que pode ser prática e vivencial em todas as áreas do saber. Pode-se considerar a academia como um ambiente propício para a implementação desse sistema não-mecanicista e não-cartesiano. É, portanto, sábio pelas potencialidades desse meio, entender que o ambiente acadêmico pode ser um importante aliado para nos conduzir na construção do conhecimento holístico, valorizando, assim, o pensamento educativo, humanista e transpessoal.
(*) Professora do curso de Medicina da UECE e pesquisadora dos paradigmas emergentes em saúde: bem-estar e qualidade de vida.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/1/2018. Opinião. p.10.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

MEDICINA DESUMANIZADA

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Desumanização significa ação ou efeito de desumanizar; fazer com que fique desumano; perder a essência humana. Em sua origem, a medicina ocidental era uma ciência humanística. Segundo Werner Jaeger (1888-1961), autoridade em História da Grécia Clássica, no seu livro Paideia: a formação do homem grego: “(…) de todas as ciências humanas então conhecidas, incluindo a Matemática e a Física, é a Medicina a mais afinada com os conceitos éticos de Sócrates”.
O processo de desumanização é uma das consequências do divórcio entre a medicina e as humanidades que ocorreu a partir do século XIX. Entender o desenvolvimento histórico é recolocar o papel das ciências humanísticas no contexto da formação do ensino médico, o solo onde foi plantada parte da visão holística do ser humano.
Hipócrates (nascido em Cós, na Grécia, aproximadamente no ano de 460 a.C., pai da Medicina) dizia: “as doenças não devem ser consideradas isoladamente, como um problema especial, mas é no homem vítima da enfermidade, com toda a natureza que o rodeia, com todas as leis universais que a regem e com a qualidade individual dele, que [o médico] deve se fixar para ter uma visão segura”.
As gêneses das doenças devem ser procuradas não apenas no órgão ou mesmo no organismo enfermo, mas fundamentalmente no que há de essencial no homem: sua alma.
Mais do que um biólogo, mais do que um naturalista, o médico deve ser um humanista. Um perito na formulação de diagnósticos não deve levar em conta apenas os dados biológicos. Recuperar a formação humanística dos profissionais de saúde deve ser a tarefa das Escolas Médicas. … qualquer recurso que leve o médico a conhecer melhor o espírito humano será de valor para a prática eficaz da arte médica, para a qual é necessário conhecer a pessoa em todas as suas dimensões.
Parece-me que o problema não é novo.
Os estudos humanísticos são os hormônios que catalisam o pensamento e humanizam a prática médica”, segundo William Osler (1849-1919), médico canadense e autor de um dos mais celebrados compêndios médicos, Princípio e Prática da Medicina, que aconselhava seus alunos a lerem, além de livros médicos, Shakespeare, Montaigne e Dom Quixote, para resgatar a importância da visão humanística da medicina.
Então, qualquer recurso que leve o médico a conhecer melhor o espírito humano será de valor para a prática eficaz da arte médica, para a qual é necessário conhecer a pessoa em todas as suas dimensões. Além do mais, as faculdades de medicina têm a obrigação de, nesta época de tanto avanço tecnológico, estarem atentas também à literatura produzida pelos médicos e quanto ao tipo de profissional que vão entregar à sociedade, pois a universidade é financiada pelos tributos tomados do povo (tanto estatais como particulares).
As Escolas Médicas têm o compromisso de preparar seus estudantes para as questões morais e éticas de sua vida profissional. Medicina é, antes de mais nada, conhecimento humano. E está tanto nos livros de patologia e clínica quanto nas grandes obras literárias de hoje e de ontem.
A medicina deve estar sempre voltada para o ser humano. Quando desumanizada de nada vale.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

domingo, 5 de novembro de 2017

ALFABETO MÉDICO


Fonte: Fotomontagem circulando por e-mail (internet) e i-phones. Sem autoria definida.

domingo, 22 de outubro de 2017

O VALOR DO SER HUMANO

Perguntaram ao grande matemático árabe Al-Khawarizmi sobre o valor do ser humano e este respondeu:
- Se tiver ética, então ele é = 1.
- Se também for inteligente, acrescente 0 e será = 10.
- Se também for rico, acrescente outro 0 e será = 100.
- Se também for belo, acrescente outro 0 e será = 1000.
- Mas, se perder o 1, que corresponde à ética, perderá todo o seu valor pois, só restarão os zeros.
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones sem autoria definida).

terça-feira, 17 de outubro de 2017

AMOR: dois exemplos

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Como seria bom se o mundo tivesse mais Gandhis e mais Teresas. Mahatma Gandhi foi advogado, pacifista e defensor dos pobres; Madre Teresa foi freira, pacifista e defensora dos pobres. Ambos desprezaram os valores materiais e se dedicaram a ajudar o próximo, principalmente os mais humildes, os injustiçados, as crianças, os idosos e os doentes. Não há dúvidas, foram iluminados por uma luz divina. O princípio do satyagraha (busca da verdade), sempre deverá inspirar gerações defensoras da democracia, da justiça, da paz, do antirracismo, etc. Martin Luther King disse: "Gandhi era inevitável". Einstein ressaltou: "As gerações futuras dificilmente poderão acreditar que alguém assim, de carne e osso, já andou por este mundo". A irmã das favelas, como era conhecida Madre Teresa, dizia não ser nada, mas apenas um instrumento do Senhor e andava nas ruas de Calcutá sem companhia e sem dinheiro, com o objetivo de salvar e consolar os miseráveis. Dizia ela: "É difícil para o pobre vir até nós; devemos ir até ele". Madre Teresa criou a congregação Missionária da Caridade e, mesmo sendo católica, não fazia distinção entre hindus, muçulmanos, cristãos, etc., todos eram filhos de Deus. Seu trabalho não era de conversão. Ela nunca pediu a ninguém para mudar de religião. Sua missão era revelar Deus, ao fazer o seu serviço. As forças da verdade e do amor foram os princípios básicos das vidas exemplares de Gandhi e Madre Teresa, abençoadas por Deus. Eis, respectivamente, um pensamento de Gandhi e outro da Santa Teresa de Calcutá: “Só sei que através da história a Verdade e o Amor sempre venceram” e “Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 11/8/2017.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A FLOR E O MUNDO

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
A flor de lótus é uma planta aquática que nasce na lama, em lagos sujos e turvos ou em rios poluídos de baixa correnteza. No entanto, floresce sobre a água apresentando um aspecto de limpeza e beleza, bem como desabrochando em busca da luz e de vida. Realmente, é algo fantástico. O fenômeno ocorre com maior intensidade nos países do oriente, especialmente Índia, Japão e China. Nos ensinamentos do budismo e do hinduísmo a flor de lótus simboliza a vida, o crescimento espiritual e a pureza do coração e da mente. A consciência ecumênica, leva a que todos possam admitir que o importante é a verdade interior e não apenas os valores materiais e temporais. Por outro lado, analisando-se os desafios do mundo, percebemos um ideal decadente e a falta de perspectiva das novas gerações, criando um clima de perplexidade. Ganância, falta de solidariedade, violência, problemas sociais, corrupção, crises éticas e comportamentais, fundamentalismo religioso, etc..., são características inaceitáveis prevalecentes hodiernamente. Aonde vamos? Qual o futuro da humanidade? O avanço cientifico e tecnológico não proporcionou melhores condições para todos. Não somos contra o progresso, pelo contrario, todavia não concordamos com a expansão do numero de pessoas excluídas e oprimidas. Assim disse Santo Tomás de Aquino: “Há homens cuja fraqueza de inteligência não lhes permite ir além das coisas corpóreas”. Por sua vez, seria bom meditar: “Enquanto há vida, há esperança”– (Eclesiastes 9:4). Ah, bem que o mundo poderia ser uma flor de lótus! Utopia!
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 10/2/2017.
 

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