Por
José Maria Bonfim de Morais (*)
Pouco a pouco a vida vai nos levando, o que nos alegra. O
que nos encanta. Momentos a momentos a vida vai nos negando o abraço. O
sorriso. O encontro que é a vitalidade de nosso viver. Flavio Leitão sintetizava toda esta face
admirável de passear na vida!
Havia muitos pontos que nos assemelhavam. Havia muitos
estreitos que nos estreitavam. Flavio
Leitão era uma referencial para toda a comunidade médica.
Paulo Marcelo o admirava com entusiasmo. Paulo Marcelo
quase sempre o consultava. Quando lancei o livro sobre o grande internista, ele
fez o prefácio.
No Hospital Geral de Fortaleza trabalhamos juntos. Na
fase áurea daquela grande instituição hospitalar. Fiz um ano de Clínica Médica,
antes de fazer residência de cardiologia. E fiz a Clínica Médica, na Santa Casa
de Porto Alegre.
A Santa Casa é um conjunto de grandes hospitais. Um deles
é o de Neurologia e Neurocirurgia onde Flavio fez sua residência. Foi aluno do
grande Dr. Eliseu Paglioli (1898-1985) o pioneiro da Neurocirurgia no Brasil.
Foi o Dr. Eliseu que inaugurou o Pavilhão São José, onde nosso saudoso
professor iniciou seus primeiros passos. Irmanados pelo nosso testemunho de Fé,
éramos católicos desassombrados.
Trabalhando com a Dra. Glaura atendi várias vezes seu
querido pai o poeta ortodoxo Frâncico Valdevino de Carvalho. Uma certa feita
nos encontramos na celebração dos 150 anos do Seminário da Prainha. Uma missa
totalmente em latim.
Nas sessões do HGF. Nos corredores da Casa de Saúde São
Raimundo. Depois na Sobrames e por fim na ACADEMIA de Médicos Escritores. Um
convívio leve. Amigo. jocoso.
De repente surge esta ruptura dolorosa que nos deixa mais
tristonhos. Mais empobrecidos por perdermos um profissional tão precioso.
Requiescat In Pace.
Deus é bom.
(*)
Da Academia Cearense de Médicos Escritores,
da Sociedade Médica São Lucas e da Sobrames/CE.

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