sexta-feira, 5 de junho de 2020

AOS VIVOS: "Muita coisa pra pouca coisa" ... e outros causos B


Muita coisa pra pouca coisa
Seu Honorato chega da terra de meu Padim Pade Ciço e põe-se a conversar com o velho Zé Lorota, dono da pousada. O tema é a lonjura que separa Fortaleza da famosa cidade mística do Cariri.
- Daqui pra Juazeiro do Norte são 600km... Mas, se for de avião, são só 45 minutos.
Muita coisa pra pouca coisa
Dona Magela ouve atenta o parlatório da empregada Nascimento, a pabular-se de mui árdua conquista amorosa. Desde meninota, conta ela, tinha uma caída de asa por um certo Chico Bonitão, de há muito o macho da tal Anedite.
A patroa, tipo da mulher sincera, ouvia serena a narrativa corriqueira de um amor platônico que se transforma, a muito esforço, em caso concreto. Digno de folhetim global. Até sangue rolou.
- Quando boto na cabeça que um homem vai ser meu, sai de perto!
- E o que tu fizeste pra ter quem todos sabiam ser o homem da Anedite?
- Me botei todinha pra riba dele, fiz trabalho de amarração. Inda açoitei ela!
- É... Quando o cabra merece, o sacrifício é válido. Até dar a vida!
Nesse exato momento, o de quem se falava, Chico Bonitão, arrebatador de corações, adentra. Um metro e meio de gente, magro, cabeção, "zanôi" e pra completar, muito feio demais. Apaixonada, Nascimento o recebe com beijo afetuoso. Dona Magela, sem esconder ar de espanto ante àquilo, é a ele apresentado.
- Chico, essa é minha patroa. Dona Magela, esse é Chico Bonitão, meu love, de quem conquistei o amor após muita luta, muita coisa.
Olhando a arrumação (o Chico) dos pés à cabeça, a sincera dona Magela...
- Mulher, tu num acha que é muita coisa pra pouca coisa não?
Cada uma que parece duas!
1 - Divisa do Ceará com a Paraíba. Ladrão de galinha (lembra quando havia romantismo no rádio?) é preso no exato momento em que praticava o delito no galinheiro dum ricaço. Mas não passou duas horas no xilindró. Motivo da rápida soltura: o advogado sustentou que seu cliente era preso político.
Sabe o que mais disse o escolado meliante?
- Preso, nem pra comer doce!
2 - Jandira, vendo o ex-marido e a amante se estapearem em bate boca faiscante na calçada do bar, disparou o verbo, senhora de uma dor entalada:
- Os dois morrendo de caganeira, eu mando limpar a merda!
A sensualidade de uma labirintite
Sempre que bota o pé no banheiro, são horas e horas lá dentro, se arrumando. Laurinda, pois, fica lá a se "esburnir" mesmo sabendo que vai ficar em casa, "engurujada". E naquele sábado, "da mêi dia pra tarde", a demora no toalete passou dos limites - 3 horas contadas. E o pior: nenhum barulho vindo de lá.
Marido Valdenor desconfiado da demora. De repente, Laurinda irrompe da casa de banho privativa e se atira com toda linha na cama do casal, só de calcinha e sutiã. Cabe véi, de cueca lendo seu jornalzinho, cara de gostosão, dispara:
- Calma, querida. Acabamos de almoçar. Agora não...
Ela, mundo rodando, ânsia de vômito e um incômodo da gota, enfia a cara no travesseiro e grita abafado:
- Agora não o que!?! Eu tô é tonta! Isso aqui é labirintite, abestado!!!
Fonte: O POVO, de 11/07/2019. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

SUBMARINO DA “FROTA PERDIDA DE HITLER” É ENCONTRADO APÓS 70 ANOS


Um submarino do tipo IIB, parte da “frota perdida de Hitler” que afundou no Mar Negro durante a Segunda Guerra Mundial, foi encontrado a 40 metros abaixo da superfície, a cerca de 3,7 quilômetros da costa de Agva, na Turquia.
A descoberta foi feita durante as filmagens de um documentário sobre o resgate dos submarinos, produzido pela emissora turca TRT Haber e pela marinha do país. A partir do navio de resgate TCG Akin, um dispositivo equipado com uma câmera, controlado remotamente, capturou as primeiras imagens dos restos do submarino.
Com 280 toneladas e 40 metros de comprimento, o U-23 foi um dos seis submarinos construídos pela Alemanha nazista entre 1935 e 1940 para participar da Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética.
A frota de submarinos participou de 56 operações contra navios soviéticos e conseguiu afundar dezenas de barcos. Em 1944, no entanto, os soviéticos conseguiram afundar três dos submarinos. Depois disso, a própria Alemanha teria dado ordens para afundar os três restantes, para evitar que fossem capturados pelos aliados.
Os seis submarinos – do U-18 ao U-23 – que desapareceram no Mar Negro ficaram conhecidos como “a frota perdida de Hitler”. A localização exata do naufrágio permaneceu desconhecida até 2008, quando o engenheiro naval turco Selcuk Kolay determinou a localização do U-20. A partir daí, estimou a posição dos outros cinco.
O U-23 é o quinto submarino da “frota perdida” a ser resgatado. O único que continua desaparecido é o U-19 – acredita-se que ele esteja escondido na costa da província de Zonguldak, a uma profundidade de mais de 450 metros.

Fonte: Aventuras na História /uol/com.br.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

O ESTÁDIO PRESIDENTE VARGAS NA LUTA CONTRA A COVID-19



A proposta de usar o Estádio Presidente Vargas (PV) como uma megaestrutura centralizada para atendimento em massa de pacientes possivelmente infectados por coronavírus foi exposta como se fosse uma operação de guerra, desconsiderando que nas operações bélicas modernas não se preconiza mais o recurso de hospital de campanha ou de guerra.
De fato, nos tempos hodiernos, a logística atual em incursões bélicas é bem diferente da que se adotava até o segundo quartel do século XX, baseada em hospitais de campanha, pois o foco de hoje é prestar os primeiros socorros ainda no front e evacuar, com segurança, os lesionados, uma vez estabilizados, para hospitais de retaguarda de maior complexidade técnica.
É surpreendente saber que a Prefeitura de Fortaleza tenha contratado, por uma vultuosa quantia, uma empresa especializada em montagem de palcos e estandes para instalar no PV esse modelo de hospital de campanha, com a previsão de ficar edificado em um mês, provavelmente no final de abril corrente, quando haveria a possibilidade do pico epidêmico chegar, Após a passagem desse pico, seguida da previsível rápida desaceleração da curva epidêmica, com a queda substantiva do número de casos da Covid-19, resultaria uma estrutura, em princípio efêmera, prematuramente ociosa e inoperante, restando ao contribuinte assumir os gastos da desmontagem da obra e do restabelecimento do equipamento ao fito desportivo original.
Usar estádios como supostos hospitais de campanha parece ser mais um lance de marketing governamental do que uma proposição racional. Aliás, as forças armadas brasileiras têm facilidade e agilidade para montar grandes tendas para diversos usos, e, certamente, a um custo muito mais em conta do que o contratado.
Bem mais lógico, seria montar estrutura provisória de pronto atendimento nos estacionamentos ou em áreas livres de hospitais, a exemplo do que ocorre no Hospital Regional da Unimed e nos hospitais de referência estadual (Hospital Geral de Fortaleza, Hospital São José etc.), tendo o próprio hospital como retaguarda e evitando contatos entre pacientes em distintas condições de diagnóstico e de prognóstico.
A situação em tela denota uma escolha que sangrará o erário municipal e não trará maiores benefícios aos cidadãos de Fortaleza.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública-Uece
* Publicado In: Jornal do médico digital, 1(1): 54-5, maio de 2020. (Revista Médica Independente do Ceará).
https://www.jornaldomedico.com.br/wp-content/uploads/JMédico-01-Digital-maio-web.pdf

A BARBÁRIE VERTICAL


Por Luciano Maia (*)

Estes últimos, diga-se, civilizaram-se no contato com os povos europeus por eles dominados

O termo bárbaro, na antiguidade helênica, designava alguém que não falava o grego. Esse conceito migrou para Roma com o seu sentido ampliado: alguém que não falava grego ou latim, uma pessoa que não comungava da herança greco-romana. Depois, a semântica tratou de ampliar mais ainda o seu significado: todo indivíduo pertencente aos povos ditos migratórios (vindos, especialmente, da Europa oriental; godos, eslavos... e da Ásia: hunos, búlgaros...) que participasse das investidas contra o império romano, e depois, em época mais recente, turcos, húngaros e outros, todos, segundo a percepção romana, brutos, sanguinários e estupidamente ignorantes. Estes últimos, diga-se, civilizaram-se no contato com os povos europeus por eles dominados. Essas invasões, ditas bárbaras, deram-se de forma, digamos, horizontal: chegavam os invasores, ocupavam os territórios cobiçados e terminavam por assimilar a cultura ocidental, àquele tempo consubstanciada no legado greco-romano.
Hoje, no Brasil (vale para outros países, evidentemente) assistimos a uma invasão bárbara vertical (expressão tomada a Walther Rathenau (1867-1922), verificada em duas vertentes: no campo afetivo e no campo cultural. Naquele campo, observamos que se supervaloriza a força do corpo em detrimento da mente, do efêmero pelo duradouro, do espetacular pelo verdadeiro, do visual (e virtual) sobre o auditivo, da memória mecânica em detrimento da memória de ideias, da apologia sexual, da disseminação do mau gosto, da valorização do criminoso! No contexto da apreciação das manifestações culturais, dá-se um verdadeiro desprezo pela inteligência, a barbarização da ciência, a omissão sobre quem sabe pensar, um verdadeiro diálogo de surdos! A tendência de vulgarizar o escopo real da obra de arte, inserindo-se, na produção de obras duvidosas, acintes à inteligência, agressividade oca e gratuita...
Este cenário, bem característico dos atuais dias (e anos!...) em nosso país, é nutrido pelos meios de comunicação de massa, dia após dia... A espetacularização do noticiário ainda choca o espectador? Tentativa debalde, pois o que se apresenta aos seus olhos e ouvidos são de uma mediocridade que dói... Apenas realimenta a sua ignorância. Os arautos dessa invasão bárbara vertical não querem se dar conta do incalculável prejuízo causado por esse frenesi, ao fim e ao cabo, sem nenhum sentido, a não ser o da dominação, com a condenação à ignorância compulsória.
(*) Membro da Academia Cearense de Letras (ACL)
Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/12/2017. Opinião. p.11.

terça-feira, 2 de junho de 2020

ABRASCO ADIA O 11º CONGRESSO BRASILEIRO DE EPIDEMIOLOGIA

Diante da necessidade de proteger a saúde de todas e de todos os envolvidos na realização do 11º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, a Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) informam o adiamento do evento, que ocorreria entre os dias 14 e 18 de novembro, em Fortaleza, CE.
A definição da nova data ocorrerá assim que as condições sanitárias permitirem e será amplamente divulgada nas mídias oficiais da Abrasco e do Congresso. A inscrição de quem já realizou o pagamento está garantida. No entanto, quem não puder comparecer na nova data poderá solicitar a devolução integral do valor pago. Caso sejam necessários novos ajustes nos prazos ou outras medidas de adequação, a organização do evento divulgará com a máxima brevidade.
Compreendendo os enormes desafios colocados ao SUS pela pandemia de COVID-19, além de consequências sociais ainda não totalmente dimensionadas, a Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Abrasco seguem acompanhando os desdobramentos desta crise sanitária. Neste sentido, a Abrasco seguirá promovendo debates virtuais pré-congresso, divulgação de conteúdos confiáveis e posicionamentos sobre o tema. Também temos certeza que o Congresso Brasileiro de Epidemiologia, quando realizado, será um momento ímpar para a sociedade científica brasileira se reunir e debater a pandemia, o cenário sanitário pós-pandêmico e todos os demais temas da epidemiologia brasileira.
Com o objetivo de estimular a ampla participação no congresso, o prazo para submissão de resumos expandidos foi prorrogado até 17 de agosto, e a área de submissão no site do evento permanece aberta - acesse  neste link.
A Comissão Organizadora do Congresso e a Diretoria da Abrasco se somam aos esforços necessários ao enfrentamento à atual pandemia, respeitando a dignidade e os direitos humanos, e manifestam seu apoio aos gestores do SUS, aos profissionais de saúde e se solidarizam com familiares e amigos das vítimas da COVID-19.
Em caso de dúvida, não hesite em fazer contato com a Secretaria do evento através do e-mail: faleconosco2020@epi.org.br
Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

ISOLAMENTO OU DISTANCIAMENTO?


Por Vladimir Spinelli Chagas (*)
Em tempos nunca conhecidos por várias das gerações que hoje povoam a Terra, passamos a conviver com a necessidade de adotar medidas que evitem a proliferação, sem controle, do Sars-Cov-2.
Informações são diariamente veiculadas, algumas com cunhos catastróficos, mas não parece que tenhamos, de fato, percebido a natureza da pandemia e, mais das vezes, passamos até a digladiar - não bastasse a cena política - sobre o que fazer, o que não fazer. Procuramos remédios, fórmulas mágicas, exemplos que deram certo ou errado e, principalmente, culpados.
Uma das discussões em que, às vezes, incorremos: precisamos nos isolar ou distanciar? Recebi de amigos restrições ao uso do termo isolamento. Pensei sobre o assunto e, de fato, vejo razões para isto.
Isolamento dá a ideia de fuga, de corte de laços, de separação. Distanciamento, por sua vez, pressupõe certo afastamento, mas a ideia de, por alguma forma, continuarmos juntos.
Pessoas nas varandas exercendo alguma forma de arte, especialmente a música. Lives de famosos ou não que, mesmo a distância, também exibem cenas de arte, desporto, culinária, exercícios e tantas outras formas de união, nos fazem entender que esse afastamento nos distancia fisicamente, mas nos aproxima espiritualmente, como talvez nunca o tenhamos experimentado.
As pessoas têm passado a conhecer melhor as outras, a ver novos caminhos, a refletir sobre seus próprios valores. A enxergar um pouco melhor quais os papeis que todos - pessoas, animais, vegetais e matéria - representamos na natureza.
Portanto, não estamos de fato isolados, a não ser aqueles que assim o desejam por motivação pessoal. Estamos todos juntos numa comunhão espiritual que nos mostra mais reais, mais carentes, mais gente.
Se, nesse distanciamento, cada um de nós aproveitar o "tempo ocioso" para rever seus próprios conceitos de mundo, de presença e ausência, de certo e errado, de a favor e contra, teremos um ganho substancial no novo mundo que se avizinha, porque não sairemos deste momento na forma em que nele entramos. Queiramos ou não, reagiremos de maneira diferente. Espero que mais tolerante.
(*) Professor da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE.
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 4/5/20. p.18.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

CARTA AO AMIGO JOÃO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Com satisfação volto a escrever-lhe algumas linhas, em 08/05/2020. Continuo muito preocupado com o que vem acontecendo no mundo, particularmente no amado Brasil. Na nossa Pátria, além da cruel epidemia da COVID-19, não há entendimento, sem generalizar, entre integrantes e líderes dos Poderes Constitucionais. Penso, muitas vezes, que eles não são patriotas e colocam o interesse pessoal ou de grupos acima de qualquer coisa. É lamentável João, que futuro nos espera? A situação é mais angustiante quando sabe-se que a maioria da população é carente e muitos homens, mulheres (de meia idade), idosos, jovens e crianças estão abaixo da linha de pobreza. É um País injusto, com desemprego, deficiências nos setores de educação e saúde, péssimas condições de saneamento básico, segurança, etc. Caro amigo João, você conhece a distribuição de renda brasileira, nos aspectos pessoal, regional e setorial. É obscena. O Brasil possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) bastante desfavorável, da ordem de 0,699 estando, segundo a ONU, em 73º lugar no “ranking” mundial. A falta de espírito público, de amor ao próximo e de sabedoria da grande parte da elite do nosso Brasil não permite que alcancemos níveis melhores de vida. Surgem, infelizmente, o tráfico de drogas, assassinatos, prostituição infantil e outras mazelas sociais. São milhares as comunidades espalhadas no território nacional. É um constrangimento, uma ignomínia para nós brasileiros. O que realizar, caro João, para sensibilizar, do ponto de vista republicano e democrático, os poderosos? O novo coronavírus é um aviso. Por sua vez, ao invés de pedirmos a Deus para resolver o problema, em uma situação passiva, peçamos a Ele, com fé, o que devemos fazer. Com certeza seremos atendidos. Seu amor sempre ficará ao lado do bem e não do mal. Acreditemos e sigamos os Seus ensinamentos. Abraço.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 8/5/2020.
 

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