sábado, 5 de fevereiro de 2022

SECRETÁRIOS DA SAÚDE DO ESTADO DO CEARÁ INTEGRANTES DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

 

Ao longo de seis décadas, desde quando foi criada pela Lei n.º 5.427, de 27 de junho de 1961, a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA) teve oficialmente 27 Secretários de Estado, sendo 26 homens e apenas uma secretária, que exerceram o cargo por diferentes períodos e até por mais de uma gestão. À exceção de dois secretários, 25 eram médicos de formação e atuação.

Ao observar os retratos inseridos na Galeria dos Secretários da Saúde do Estado do Ceará Governador Parsifal Barroso, identifica-se a presença de sete membros da Academia Cearense de Medicina (ACM), cujos perfis, em ordem cronológica da primeira posse, serão a seguir traçados.

José Waldemar Alcântara e Silva – Foi o terceiro Secretário Estadual de Saúde do Ceará, estando à frente dessa pasta de 26/03/1963 a 16/07/1964, cumprindo assinalar a instalação de hospitais de pequeno e médio portes em vários municípios cearense e os esforços que envidou para tornar obrigatório o estágio dos médicos recém-formados no “hinterland”. Enquanto esteve nesse encargo, manteve-se, também, presidente do Instituto dos Cegos (1961-1964).

A Saúde Pública foi sempre a sua prioridade, tanto que quando foi governador do Ceará, concluiu o Centro de Hematologia do Ceará.

Foi membro titular fundador e primeiro presidente da ACM, sendo o atual patrono da Cadeira 43.

José Rocha Furtado Como Secretário da Saúde do Estado do Ceará, no período de 16/10/1967 a 15/03/1971, criou o Serviço de Prevenção do Câncer Ginecológico e o Hospital São José de Doenças Infecciosas, recuperou a Colônia de Hansenianos Antônio Justa e implantou o Serviço de Verificação de Óbitos. Diversos centros de saúde e hospitais, tanto na Capital como no interior do Estado, foram construídos, recuperados e equipados durante a sua gestão.

Em 10/03/1982 foi empossado como 1º ocupante da Cadeira 34 da ACM.

Lúcio Gonçalo de Alcântara – Dirigiu a pasta da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA) durante três gestões: de 15/03/1971 a 9/04/1973, de 15/03/1975 a 4/04/1978 e 15/04/1991 a 18/05/1992.

Aos 28 anos de idade, foi o mais jovem dos secretários de Estado e suas gestões foram marcadas pela realização de várias obras de construção: hospitais, postos de saúde, instalação de laboratórios regionais de saúde, 1.ª etapa do Centro de Hematologia e Hemoterapia – o maior da Região Norte/Nordeste e ampliação das instalações da Secretaria da Saúde. Ampliou a assistência materno-infantil, otimizou o desempenho da vacinação e expandiu a distribuição de medicamentos. Também investiu no Programa de Preparação de Recursos Humanos.

Em 9/09/1994 foi empossado como membro titular honorário da ACM.

Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves Exerceu o cargo maior da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará, de 13/05/1974 a 14/03/1975. Na sua gestão as principais metas realizadas foram: a reforma do Hospital Geral Dr. César Cals de Oliveira, a construção do Hospital Infantil Dr. Albert Sabin e a extensão da Rede de Unidades Sanitárias a todos os municípios cearenses. Em 2005 foi agraciado com a Medalha Amílcar Barca Pellon, comenda conferida pelo Governo do Estado, por intermédio da Secretaria da Saúde.

Foi membro titular fundador e presidente em dois mandatos da ACM, sendo o atual patrono da Cadeira 68.

Elias Geovanni Boutala Salomão Foi Secretário da Saúde do Estado do Ceará no período de 15/03/1983 a 6/08/1986, cabendo salientar os seguintes feitos em sua gestão: ampliou a área da sede da SESA, situada à Av. Almirante Barroso, 600, na Praia de Iracema, trazendo diversas unidades gerenciais, dantes espalhadas em imóveis alugados, para blocos administrativos erguidos no terreno próprio da SESA; concebeu e programou uma reforma estruturante da SESA que garantia maior agilidade nos seus processos gerenciais; recuperou e reformou vários centros de saúde da capital e de municípios interioranos; emprestou consideráveis melhorias no Hemoce; implantou no Ceará a sistemática da multivacinação que, como experiência exitosa, serviu de modelo ao Ministério da Saúde a fim de incrementar essa prática por outras Secretarias Estaduais de Saúde.

Em 14/02/1992 foi empossado como membro titular e 2º ocupante da Cadeira 15 da ACM.

Antônio Carlile Holanda Lavor – Entre as suas funções de Secretário Estadual da Saúde, pasta que ocupou, inicialmente, no período de 17/03/1987 a 20/04/1988, acelerou a implantação do Sistema Único de Saúde no Ceará, aplicando o experimento do profissional Agente de Saúde em larga escala, com a atuação em campo de 6 mil mulheres no serviço de atendimento primário à saúde. Os agentes de saúde transformaram-se em programa permanente da SESA; em 1991, esse foi adotado pelo Ministério da Saúde para todo o Nordeste e depois para todo o Brasil. Carlile assumiu, pela segunda vez, a condução da pasta da Saúde no período 1º/01 a 2/05/2015.

Em 26/11/2011 foi empossado como membro titular e 1º ocupante da Cadeira 55 da ACM.

Anastácio de Queiroz Sousa Um marco fundamental da sua dupla gestão (de 1º/01/1995 a 31/12/1998 e de /01/1999 a 31/12/2002) foi o redimensionamento do Estado do Ceará em microrregiões assistenciais de saúde, o qual a partir de 2000, passou a ser dividido em 21 microrregiões e três macrorregiões de saúde (Fortaleza, Sobral e Cariri). Os pólos macrorregionais também foram de fundamental importância na sua gestão, como estratégia da Atenção Terciária. A implantação do Complexo Regulador do SUS (CRESUS), também foi outro marco na sua gestão. A Política de Modernização da Secretaria da Saúde com a implantação do novo modelo de gestão, mereceu também destaque na sua gestão, por tratar-se de um modelo de gestão compartilhada com focos nos resultados e na qualidade do atendimento.

Em 25/03/2011 foi empossado como membro titular e 1º ocupante da Cadeira 56 da ACM.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

* Publicado In: Jornal do médico digital, 2(21): 38-40, janeiro de 2022. (Revista Médica Independente do Ceará).

RD-Janeiro-2022-app.pdf (jornaldomedico.com.br)


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

FOLCLORE POLÍTICO LXIX: Porandubas Políticas 623

Abro a coluna com Arandu, cidade do Estado de São Paulo, que começou sua história como pequeno povoado no bairro do Barreiro, no município de Avaré.

Emprego pro plural

Em 1898, um pedaço de uma fazenda leiteira da região foi doado para a construção de uma capela. Elevado a distrito de Avaré/SP, em 1944, Arandu ganhou a atual denominação. Em 1964, conquistou a emancipação política. No primeiro comício, os candidatos a prefeito exibiam seus verbos. Dentre eles, o simplório José Ferezin. Subiu ao palanque e mandou brasa:

– “Povo de Arandu, vô botá água encanada, asfaltá as rua, iluminá as praça, dá mantimento nas escola…”.

Ao lado, um assessor cochichou:

– “Zé, emprega o plural”.

O palanqueiro emendou na lata:

– “Vô dá emprego pro prural, pro pai do prural e pra mãe do prural, pois no meu governo não terá desemprego”.

(Historinha enviada por Marcio Assis)

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

O CINTO DE SEGURANÇA E A VACINA DA COVID

Por Henrique Soárez (*)

Este texto é sobre os Estados Unidos: uma democracia federativa com propensão a debates baseados em dados. Em 1981 somente 11% dos ocupantes de automóveis usavam cinto de segurança.

Ao longo de 40 anos, após novas leis, campanhas educacionais e uso de tecnologia esse índice subiu para 91%. Nos estados onde há sanção primária (multa para qualquer motorista sem cinto) o uso do cinto é 6 pontos percentuais maior que nos estados onde a sanção é secundária (o policial só pode multar o motorista sem cinto se ele for parado por outra infração).

Céticos alegam que o cinto de segurança pode prejudicar o usuário no caso de um acidente em que o carro seja submerso ou pegue fogo. Mas nem 1% dos acidentes envolvem água ou fogo, e nesses casos o cinto de segurança aumenta as chances de os ocupantes estarem conscientes após o impacto.

As forças exercidas pelo cinto de segurança no momento do impacto são significativas e podem até ferir mulheres grávidas e crianças. Isso não significa essas pessoas devam evitar o cinto.

Pelo contrário, devem tomar cuidados especiais quando forem utilizá-lo. Há uma estatística incômoda sobre as vítimas fatais. Entre os 23 mil mortos de 2009, 53% não usavam cinto de segurança.

É óbvio que os usuários do cinto levam vantagem, mas ainda assim, 47% das fatalidades estavam dentro da lei. Por isso é necessário lembrar que naquele ano 84% dos acidentados (4,6 milhões) usavam cinto e somente 16% (880 mil) estavam desprotegidos.

Isso indica que o uso do cinto reduz em 80% o risco de morte por acidente de trânsito (a fatalidade cai de 1,4% para 0,2%). Sim, os airbags aumentam a segurança no trânsito, mas são complementos e não substitutos do cinto.

O uso do cinto de segurança é obrigatório em 49 dos 50 estados americanos. A exceção é estado de New Hampshire. Eu gostaria de morar lá algum dia, mas o que me atrai são as estações de esqui e não a liberdade de dirigir sem cinto.

Em 2017 o uso do cinto de segurança evitou 15.000 mortes de americanos. Já em 2021, nos Estados Unidos, mais de 400.000 morreram de covid. Neste mesmo ano, não fosse a chegada da vacina, outros 1,1 milhão poderiam ter perdido suas vidas naquele país.

(*) Engenheiro eletricista, diretor do Colégio 7 de Setembro e da Uni7

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/01/22. Opinião, p.18.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

ROBERTO MISICI: um médico cultor do bel canto

 


Roberto Misici, filho de Emidio Misici e Letizia Albertina Bottelli Misici, nasceu em Milão-Itália em 21/04/1947, mas é cidadão brasileiro naturalizado.

Aos 8 anos de idade veio para o Brasil com seus pais, se fixando em Fortaleza, onde cumpriu o restante do curso primário no Colégio Externato Cristo Rei, atual Colégio Santo Inácio, sob a direção dos padres jesuítas. O Ginasial e o Científico foram realizados no Colégio Cearense Sagrado Coração, em Fortaleza-Ceará, recebendo a esmerada educação marista, o que lastreou a sua classificação em 7º lugar para ingresso em Medicina, no vestibular de 1966, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Cursou a Faculdade de Medicina da UFC, de 1966 a 1971. A par da grade curricular do Curso de Medicina, na vida acadêmica, dedicou parte de seu tempo de universitário frequentando estágios de aperfeiçoamento na Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza e no Hospital de Maracanaú, cursos e alguns congressos para estudantes de Medicina. Enquanto universitário, foi professor do Centro de Cultura Italiana da UFC, de 1967 a 1971.

Fez, no Rio de Janeiro, Residência Médica em Cirurgia Geral, na Clínica São Vicente, no Serviço Cirúrgico do Dr. Fernando Paulino, e em Coloproctologia, no Hospital Miguel Couto, no Serviço do Dr. Décio Pereira. Cursou Especialização em Medicina Desportiva (UFRJ), em Coloproctologia-Colonoscopia no Ospedale Maggiore di San Giovanni Battista, em Turim-Itália, e em Medicina do Trabalho, na UFC.

Tem ainda: Título de Especialista, aprovado no concurso, em Coloproctologia, da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP); Qualificação de Especialista em Proctologia e em Cirurgia Geral, pelo Conselho Federal de Medicina; Habilitação em Video-Colonoscopia, pela SBCP e SBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva); Título de Especialista em Cirurgia Geral, pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC); Habilitação e Qualificação em Ultrassom Anorretal, pela SBCP.

É mestre em Educação em Saúde pela UNIFOR, tendo defendido a dissertação: “Educação em Saúde: um resgate na qualidade de vida do colostomizado definitivo”, por meio da qual criou a imagem do “Cuidador Informal e Formal dos Colostomizados”, no Clube dos Colostomizados.

Foi staff do Serviço de Proctologia da Santa Casa de Misericórdia, de 1974 a 1986, sob a chefia do Dr. Pedro Henrique Saraiva Leão, e professor da UNIFOR, de 1974 a 1992, tendo iniciado no corpo docente como professor colaborador, passando para professor assistente até chegar a professor adjunto IV. Exerce a Coloproctologia, em seu movimentado consultório particular, desde 1974. Leciona, atualmente, na Faculdade Integrada do Ceará – FIC, desde 2001.

Sua produção científica consta de 14 artigos publicados em periódicos médicos, 12 capítulos de livros publicados, dois livros publicados e 248 trabalhos apresentados em Congressos. Integra o Conselho Editorial de vários periódicos científicos.

É Vice-Cônsul Honorário da Itália em Fortaleza-Ceará, desde 1997, no qual instalou o Núcleo de Direitos Humanos, e membro associado da Sociedade Consular do Ceará, na qual ocupou o cargo de Secretário Geral em 1998. Foi fundador do Istituto di Cultura Italiana di Fortaleza (ICIF), em 1998, e idealizador e coordenador do convenio de Pós-Graduação com dupla titulação Brasil / Itália (2009).

É um notório expert em ópera italiana, fazendo incursões no bel canto, com sua maviosa voz de barítono.

Participante assíduo dos eventos realizados pela Academia Cearense de Medicina, ingressou nesse sodalício em 11/04/2014, ocupando a cadeira 2, patroneada por Moura Brasil, que teve por fundador o Acad. Walter Bezerra Sá, considerado o primeiro proctologista do Ceará.

Recentemente, após eleição, foi aprovado e empossado, em maio de 2015, no Conselho Universitário da UFC, como membro efetivo externo, representando a sociedade civil, pinçado dentre as entidades culturais, como indicado da Academia Cearense de Medicina.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina

* Ampliado a partir do texto publicado In: SILVA, M.G.C. da. Roberto Misici: um médico cultor do bel canto. In: MISICI, Roberto. Ópera, doença e morte: um espetáculo compartilhado. Fortaleza: Academia Cearense de Medicina, 2015. 36p. p.23-24.

** Homenagem inserida In:  MISICI, Roberto. Da Milano a Fortaleza. Fortaleza: Academia Cearense de Medicina, 2021. 144p. p.135-136.

UM APELO PARA QUE PROGRAMEM A MÚSICA PARA A ESCOLA PÚBLICA

Por Lêda Maria Feitosa Souto (*)

A volta às aulas não tem o colorido dos outros anos. Com o avanço da covid-19 e de outras doenças, as mudanças de comportamento e de rotinas exigem atitudes bruscas para se adequar ao novo. E as crianças e os jovens padecem, conhecem o medo e o desamor.

Há tendências de animação sob o sol, pouco brilhante, envolvendo os dias de pandemia, na escola? Sim. Existe a musicalização infantil, capaz de incentivar nas unidades escolares a formação de bandinhas, corais, orquestras? Shakespeare, em Noite de Reis, afirmou: "Se a música é o alimento do amor, toque". E essa ligação vai muito além, alcançando o emocional.

A presença dos músicos na escola é algo quase celestial. Não tem preço. Vamos reunir não só os professores e maestros, mas cantores e instrumentistas da comunidade em projetos criativos, levando o alunado para cantar, saudando o Pavilhão Nacional, conhecendo e interpretando a poesia do Cancioneiro Popular e de nossos compositores.

ser humano precisa da música estimulando a coordenação motora, o desenvolvimento integral, a saúde, a comunicação e o amor de Deus.

Uma professora de música do Colégio das Irmãs Dorotéias, madre Arruda (para minhas colegas relembrarem), apaixonada que era, repetia sempre: "Eu gostaria de ensinar o mundo a cantar". Aqui a ideia caminha em harmonia: "Eu gostaria de ver a escola do Ceará ensinando todos a cantar".

O governador e o prefeito de Fortaleza cresceram em um ambiente musical. Camilo Santana, criança, estudou flauta doce na escola de música do Crato. Jovem, herdou a flauta transversa, de prata, do seu avô materno, José Amorim Sobreira. Continuou estudando e foi para violão, sax e piano. José Sarto, cantor, descobriu o violão, do qual até hoje é amigo inseparável.

Os dois líderes têm inspiração e poderes para executar, com urgência, um melodioso projeto cultural retornando a disciplina de música (antes era Canto Orfeônico) para a grade curricular da escola pública. A alegria merece ocupar o cenário das unidades escolares, cenário orquestrado agora por partituras amargas de um ano que já começa com dificuldades para celebrar a festa da vida. 

(*) Jornalista; colunista de O Povo; membro da Academia Fortalezense de Letras.

Fonte: O Povo, de 24/01/2022. Opinião. p.16.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

PESAR PELO FALECIMENTO DO DR. ROBERTO MISICI

 


Aos amigos, confrades e colegas.

Duas perdas irreparáveis para a Academia Cearense de Medicina (ACM) ocorreram em um prazo tão curto: Pedro Henrique Saraiva Leão, em 21/01/2022, e agora o também proctologista Roberto Misici em 1º/02/2022.

O Acad. Roberto Misici era um confrade muito ativo e presente nas ações da ACM, respondendo pela Dretoria Científica.

Ele estava concorrendo à vaga entre s imortais da Academia Fortalezense de Letras, com amplas possibilidades de ser eleito.

No ano passado cuidei de organizar o seu livro Roberto Misici: da Milano a Fortaleza, que reunia a sua produção literária.

O Acad. Roberto Misici sofreu um infarto agudo do miocárdio fulminante enquanto estava no seu consultório na tarde de hoje. Estava com 74 anos de idade e mantinha-se em plena atividade profissional e intelectual.

Católico fervoroso, participava conosco das celebrações da Sociedade Médica São Lucas.

Que Deus o acolha em Seus braços misericordiosos.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

Em tempo: As exéquias do amigo e confrade Dr. Roberto Misici, segundo informações do seu filho Emídio, acontecerão amanhã, dia 2/02/2022 (quarta-feira), na Funerária Ethernus, com velório das 8h30 às 14h. A Santa Missa de corpo presente será às 14h e em seguida se dará a saída do cortejo fúnebre para o sepultamento do corpo do ilustre companheiro.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

UMA FACADA

Por Alfredo Guarischi, médico

O dia nunca termina na emergência, mas, às vezes, durante a madrugada, consegue-se juntar parte da equipe no refeitório para comer pão de queijo recheado de histórias pinçadas entre centenas que lhe dão sabor especial.

Na última quinta-feira foram as histórias corriqueiras, como a do homem com forte dor no peito que não morreu porque a Cardiologia desobstruiu sua artéria coronária com um stent. Houve o parto daquela minúscula mineirinha que resolveu nascer antes da hora, exatamente durante a consulta de rotina de sua barriguda mamãe. Os pediatras salvaram um recém-nato que se sufocou no banho e um adolescente com traumatismo craniano. Não faltaram as fraturas de todos os tipos.

Mas faltava ouvir as histórias da turma da Cirurgia Geral, que opera todos os dias hérnias, vesículas e tumores, mas vibra ao vencer a morte que persegue as vítimas de trauma. Essa vibração parece ter um componente genético.

Há um século – agosto de 1918 –, médicos da UFMG partiram para servir na Missão Brasileira durante a Primeira Guerra Mundial. Chefiados pelo tenente-coronel Eduardo Borges da Costa, os capitães Machado e Lacerda e os tenentes Silva, Vasconcellos, Lodi e Carmo se destacaram pelos procedimentos cirúrgicos que realizaram na França, numa guerra de baionetas. Na recente véspera de feriado nacional, novamente a medicina mineira orgulhou a nação.

Todos os presentes no refeitório já sabiam que mais um esfaqueado havia sido operado, mas foi emocionante a descrição do atendimento e do controle do sangramento, na profundeza do mesentério, por onde passam todos os vasos intestinais. Houve a necessidade de ligar uma veia importante, suturar partes do intestino e, para tentar diminuir os riscos de complicações, realizar uma colostomia. O tratamento continuou por toda a tarde, noite e madrugada adentro, para devolver uma vida quase perdida. Era preocupante constatar tanto sangue e fezes – e ódio e sujeira – misturados. Juntos podem matar, e uma facada os uniu. No que dependeu dos cirurgiões, anestesistas, clínicos, enfermeiros e técnicos, o problema médico foi sanado.

O Dia da Independência nascia, e o paciente seguiria seu caminho. Tinha esse direito.

Foi mais uma missão cumprida nos 164 anos da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em cujos ambulatórios e 523 leitos são realizados anualmente 86 mil atendimentos, 20 mil cirurgias, 2 mil partos e cateterismos e uma centena de transplantes em pacientes vindos de 96 municípios, quase 2 milhões de habitantes, sendo 72% desses procedimentos pagos pelo SUS. Naquele 6 de setembro, foram 67 cirurgias, sendo 15 de urgência.

Os hospitais de emergência lutam contra o tempo e recursos para salvar vidas. Seus cirurgiões – como soldados profissionais – são heróis, adequando-se ao anonimato e continuando felizes em ajudar brasileiros.

Fica o apelo ao próximo Presidente da República para que reflita sobre a importância do SUS, e a lembrança de que na primeira hora após um traumatismo é que se elege a vida ou a morte.

Nota: Publicado no O Globo – Ciência em 11/09/2018.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones).

 

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