quinta-feira, 6 de março de 2025

A 1ª EDIÇÃO DO LIVRO “EPIDEMIOLOGIA & SAÚDE” DE M. ZÉLIA ROUQUAYROL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Autor: MARIA ZÉLIA ROUQUAYROL

Colaboradores:

Atenção Primária em Saúde FÁTIMA MARIA FERNANDES VERAS

Saúde Mental JOSÉ JACKSON COELHO SAMPAIO

Saneamento Básico SUETÔNIO MOTA

Políticas de Saúde HERVAL PINA RIBEIRO

Saúde Ocupacional PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA

Editado com o auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Impresso na Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Fundação Educacional Edson Queiroz.

Fortaleza, 1983. 327p.

Capa e ilustrações: Mário Kaúla.

Adotado como livro-texto em Epidemiologia e Medicina Preventiva por diversas universidades do Brasil, "Epidemiologia & Saúde" encontra-se na 8.ª edição.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 28/02/2025.

https://preblog-pg.blogspot.com/2025/02/a-1-edicao-do-livro-epidemiologia-saude.html


MAIS LIVROS, MAIS LITERATURA

Por Irenísia Oliveira (*)

A última pesquisa "Retratos da leitura no Brasil", realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), revelou que o Brasil perdeu 7 milhões de leitores nos últimos anos e que a escola é cada vez menos lugar de referência para a leitura, tendo sido mencionada apenas por 19% dos entrevistados.

O declínio acentuado vem desde 2015, coincidindo com o golpe neoliberal na presidenta Dilma e todos os retrocessos sociais que vieram na sua esteira. Leitura, portanto, depende do emprego, da renda do trabalhador, da inclusão educacional, de bons currículos escolares, de políticas públicas para a cultura, de tudo o que decaiu nos anos pós-golpe.

O fenômeno da Internet e das redes sociais pode ser apresentado como explicação imediata, mas o problema da concorrência com tecnologias emergentes não é novo para a leitura. Em tempos não tão distantes, a televisão, o cinema e antes o rádio foram vistos como ameaças e ela continuou tendo seu espaço.

A leitura é um requisito básico no mundo moderno. E estar fora da leitura é, em grande parte, um indício de se estar excluído desse mundo. Ademais, em tempos de desinformação, melhorar a leitura e a compreensão de textos pode nos livrar das piores armadilhas, sobretudo nas redes sociais. Verdade que também existe leitura que aliena e manipula e, para esta, a resposta deve ser a ampliação e a diversificação do universo de leitura disponível.

Mas, ao contrário disso, o tempo dedicado à literatura diminuiu nas escolas depois do Novo Ensino Médio, enquanto bibliotecas públicas e comunitárias são escassas e muitas vezes negligenciadas. Em relação à escola, não se trata apenas de aumentar as aulas de literatura, mas que estas se dediquem efetivamente à leitura e à discussão de romances, poesia, teatro, incluindo autores/as contemporâneos/as. As universidades públicas poderiam contribuir muito para isso se a formação continuada de docentes da rede pública não estivesse entregue a institutos privados.

Assim como a educação, a leitura depende de melhoria da vida social e requer novos currículos e práticas, mais tempo, espaço e livros disponíveis, desde a escola até a comunidade, o bairro e a cidade.

(*) Professora de Literatura da UFC e Presidente da ADUFC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/02/25. Opinião. p.18.


O Pacto EJA pela superação do analfabetismo

Por Cândido B.C. Neto (*)

O lançamento, em junho de 2024, do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (EJA), marcou a união em torno de uma política pública construída de forma colaborativa pelo governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), junto com estados, Distrito Federal e municípios. Com o pacto, consolidou-se uma estrutura organizacional apta a colocar os índices de escolaridade em patamares regulares desejados, alimentando esperanças afirmativas de alcançarmos, no Ceará e no Nordeste, a redução das desigualdades regionais da educação em questão de tempo.

O pacto reúne ações de articulação intersetorial implementadas com a participação de ministérios, sociedade civil organizada, organismos internacionais e setor produtivo, com a finalidade de superar o analfabetismo; elevar a escolaridade; ampliar a oferta de matrículas da educação de jovens e adultos (EJA) nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre estudantes privados de liberdade; e aumentar a oferta da EJA integrada à educação profissional.

Almejamos uma grande frente nacional, trabalhando em favor da enorme massa de brasileiros sem ou com baixa escolaridade, concentrada, principalmente, no Nordeste, e historicamente excluída das escolas regulares.

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi-MEC) é o órgão responsável diretamente pelo pacto e conta com o apoio de diversos parceiros para o alcance das metas nos 5.570 municípios e em todas unidades federativas.

O foco principal está nos 900 mil estudantes do Programa Brasil Alfabetizado; nos 100 mil jovens do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem); nos 540 mil estudantes beneficiários do Pé-de-Meia EJA; nos 190 mil estudantes do sistema prisional; nos dez mil alunos da Universidade Aberta do Brasil formados; nos 10 mil educadores populares; e nas três mil escolas com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (Pode-EJA).

Juntou-se, portanto, a fome com a vontade de "saber", pegou-se o eixo metodológico e criou-se aversão do pacto como uma ampla frente da educação. Agora, devem vir as respostas às conclamações feitas à sociedade, chamada para participar dessa iniciativa, junto com União, estados, universidades, gestores municipais e empresas, em torno da construção de uma nova história para a educação brasileira.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/02/25. Opinião. p.20.

quarta-feira, 5 de março de 2025

AINDA ESTAMOS AQUI

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Dizia Genuíno Sales: "Uma coisa é o que eu faço. Outra coisa é o que nós fazemos." Os primeiros humanos viviam sob normas obedecidas por serem naturais. A seguir o provérbio latino "Onde há sociedade, há direito", a Grécia Antiga concluiu que, mesmo com restrições a estrangeiros, mulheres e escravos, a tomada de decisões pela coletividade era melhor do que por uma só pessoa.

Posteriormente, Roma criou um modelo formado por Executivo, Legislativo e Judiciário. Surgia a República tradicional. Porém, ainda hoje temos autocracias e tentativas de autoritarismos. Quer seja de esquerda ou de direita, uma ditadura é como um animal feroz, incontrolável, que, impunemente, pode atacar. Nela, poderosos agem sem limites, e a sociedade perde seus direitos fundamentais.

Um taxista de Brasília me confidenciou: "Em 31 de março de 1964, eu aqui estava com 3 colegas, e um soldado impediu nossa conversa por ser proibida a formação de grupos." Há pouco tempo, ao saber, pela mídia, que um homem, no Rio de Janeiro, foi a óbito por pisar sem querer no pé do assassino, lembrei-me de um meme que surgiu na época do regime militar, portanto presencial. "Em diálogo num ônibus lotado, dois homens estavam juntos e de pé. O primeiro perguntou ao segundo: 'O senhor é militar?' Ele respondeu: 'Não.' 'O senhor tem algum parente militar?' 'Não.' Possui algum amigo militar?' 'Não.' Há algum militar íntimo, seu conhecido?' 'Não.' Então disse o primeiro: 'Nesse caso, o senhor poderia tirar o seu pé de cima do meu?'"

A obra cinematográfica “Ainda Estou Aqui” mostra, com impressionante sutileza e profundidade, num período de arbítrio, o drama de uma família brasileira a enfrentar dores que levaram o ator Selton Mello a dizer: "O filme é o corpo do Rubens, que nunca foi encontrado." Mesmo que não ganhem os prêmios, as 3 indicações ao Oscar já são uma vitória do Brasil, de Fernanda Torres, Walter Salles e seus companheiros de trabalho. No próximo 2 de março, em clima de Copa do Mundo, torçamos e demonstremos que ainda estamos aqui, na esperança de que o planeta reconheça a excelência brasileira também nas artes.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/02/25. Opinião, p.14.

terça-feira, 4 de março de 2025

Pesar da Academia Brasileira de Letras por Affonso Romano de Sant’Anna

Com imenso pesar, a Academia Brasileira de Letras lamenta a morte do escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna, aos 87 anos, na manhã desta terça-feira (4/2/25). Mineiro de Belo Horizonte, ele foi um dos grandes cronistas do país e autor de mais de 60 livros de poesia e prosa. Era casado com a também escritora Marina Colasanti (1937-2025).

A ABL presta homenagem a esse grande escritor, autor de um dos mais potentes poemas sobre o Brasil – “Que país é este?” (1980) –, com a primeira das sete partes da obra. A coletânea de mesmo nome rendeu a Affonso o Prêmio Jabuti.

O poema ganhou a primeira página do Jornal do Brasil à época e foi traduzido para o francês, inglês, espanhol e alemão. Impresso em pôsteres, decorou a parede de escritórios, sindicatos, universidades e bares, refletindo sua enorme repercussão popular.

Uma coisa é um país,

outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,

outra um regimento.

Uma coisa é um país,

outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas

usei caderno “Avante”

— e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um “futuro radioso”

e éramos maiores em tudo

— discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,

outra um fingimento.

Uma coisa é um país,

outra um monumento.

Uma coisa é um país,

outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça

em busca da especiosa raiz? ou deveria

parar de ler jornais

e ler anais

como anal

animal

hiena patética

na merda nacional?

Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo

comendo o que as traças descomem

procurando

o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa visão do paraíso

que nos impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos

nacionais, como qualquer santo barroco

a rebuscar

no mofo dos papiros, no bolor

das pias batismais, no bodum das vestes reais

a ver o que se salvou com o tempo

e ao mesmo tempo

– nos trai.

Fonte: enviado por Fernando Melo e circulando em grupos de WhatsApp.


Pinturas Clássicas Amedrontadoras: 7. "O rosto da guerra" de Salvador Dalí (1940)

Se Hieronymus Bosch usou o surrealismo como traço para expressar uma ideia moral específica, Salvador Dali transformou essa representação onírica em um estilo artístico completo, como podemos ver na grande maioria de suas obras de arte mais famosas. No entanto, relógios que derretem, girafas queimando e telefones tipo lagosta, que existem principalmente para atordoar e entreter nossas mentes não são as únicas características artísticas do estilo de Dalí. A obra está exposta no Museu Boijmans Van Beunigen, em Roterdam.

Uma de suas pinturas mais significativas e certamente a mais comovente é O Rosto da Guerra, que Dalí criou em 1940 depois que ele e sua esposa Gala fugiram para a Califórnia no início da Segunda Guerra Mundial. O trauma da guerra e o sofrimento massivo que o artista presenciou serviram de inspiração para este trabalho. Na verdade, Dalí disse uma vez que toda a sua visão artística era uma premonição de uma guerra iminente, mas é essa peça específica que expressa o terror da guerra de forma mais direta.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Pinturas Clássicas Amedrontadoras: 6. "Pirâmide de crânios" de Paul Cézanne (1901)

Paul Cézanne é mais conhecido por suas paisagens impressionistas vivas e dinâmicas e suas representações de pessoas comuns participando de suas atividades diárias. A maioria das naturezas mortas do pintor também tende a mostrar assuntos menos horríveis, como maçãs, peras e laranjas. No entanto, sabe-se que Cézanne também demonstrou maior interesse pela morte à medida que se aproximava da velhice, e pode-se dizer que a Pirâmide de Crânios é o auge dessas reflexões existenciais.

Ao mostrar nada mais do que uma pilha de quatro crânios humanos, a pintura força o espectador a ficar cara a cara com sua própria mortalidade. Na verdade, a inclusão de caveiras e ossos nas belas-artes não é nenhuma novidade, tem até uma definição própria: memento mori. Esta frase em latim se traduz como "lembre-se de que você tem que morrer" e, por séculos, os artistas incluíram crânios humanos como símbolos da mortalidade e da inevitabilidade da morte. No entanto, ao contrário de seus antecessores, que normalmente apresentavam um crânio como parte do fundo de uma obra de arte, Cézanne decidiu trazer os crânios (e, portanto, também a questão da mortalidade) para o primeiro plano e torná-los o centro das atenções, completamente claros e dolorosamente aparentes. É por isso que essa obra de arte, pertencente a uma coleção particular, é a mais assustadora, na nossa opinião.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


 

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