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quinta-feira, 6 de março de 2025

O Pacto EJA pela superação do analfabetismo

Por Cândido B.C. Neto (*)

O lançamento, em junho de 2024, do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (EJA), marcou a união em torno de uma política pública construída de forma colaborativa pelo governo federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), junto com estados, Distrito Federal e municípios. Com o pacto, consolidou-se uma estrutura organizacional apta a colocar os índices de escolaridade em patamares regulares desejados, alimentando esperanças afirmativas de alcançarmos, no Ceará e no Nordeste, a redução das desigualdades regionais da educação em questão de tempo.

O pacto reúne ações de articulação intersetorial implementadas com a participação de ministérios, sociedade civil organizada, organismos internacionais e setor produtivo, com a finalidade de superar o analfabetismo; elevar a escolaridade; ampliar a oferta de matrículas da educação de jovens e adultos (EJA) nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre estudantes privados de liberdade; e aumentar a oferta da EJA integrada à educação profissional.

Almejamos uma grande frente nacional, trabalhando em favor da enorme massa de brasileiros sem ou com baixa escolaridade, concentrada, principalmente, no Nordeste, e historicamente excluída das escolas regulares.

A Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi-MEC) é o órgão responsável diretamente pelo pacto e conta com o apoio de diversos parceiros para o alcance das metas nos 5.570 municípios e em todas unidades federativas.

O foco principal está nos 900 mil estudantes do Programa Brasil Alfabetizado; nos 100 mil jovens do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem); nos 540 mil estudantes beneficiários do Pé-de-Meia EJA; nos 190 mil estudantes do sistema prisional; nos dez mil alunos da Universidade Aberta do Brasil formados; nos 10 mil educadores populares; e nas três mil escolas com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (Pode-EJA).

Juntou-se, portanto, a fome com a vontade de "saber", pegou-se o eixo metodológico e criou-se aversão do pacto como uma ampla frente da educação. Agora, devem vir as respostas às conclamações feitas à sociedade, chamada para participar dessa iniciativa, junto com União, estados, universidades, gestores municipais e empresas, em torno da construção de uma nova história para a educação brasileira.

(*) Professor da Uece e coordenador da Educação Superior da Secitece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/02/25. Opinião. p.20.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

EDUCAÇÃO, CRIATIVIDADE, TRABALHO E JUVENTUDES

Por Cláudia Leitão (*)

O Brasil é o segundo país (o primeiro é a África do Sul), de um total de 37 países, com maior proporção de jovens, com idade entre 18 e 24 anos, que não estudam e não trabalham. A pesquisa, apresentada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que 36% dos jovens brasileiros se encontram excluídos da escola e do mercado de trabalho.

O Brasil tem mais jovens que não estudam e nem têm ocupação do que os outros países da América do Sul, como Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Ser um jovem, pobre e pardo/negro no Brasil o insere em uma trágica categoria: a dos "jovens matáveis".

Segundo Giorgio Agamben, ao participar desse grupo, qualquer um pode matá-lo sem cometer homicídio, pois a sua inteira existência é reduzida a uma vida despojada de todo direito. A invisibilidade, o apagamento e o aniquilamento aproximam historicamente as juventudes brasileiras da necropolítica.

Basta consultarmos o Atlas da Violência do Instituto de Pesquisa e Estudos Aplicados (Ipea, 2020), no qual a taxa de homicídios de negros no Brasil saltou de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes entre 2008 e 2018, o que representa aumento de 11,5% no período.

Registram-se 57 mil homicídios de jovens por ano - em sua maioria, pobres, pardos e negros. É tarefa do Estado educar as juventudes para o novo trabalho e reconhecer a transfiguração das ocupações no século XXI.

Se observarmos o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), que indica a razão de existir de uma empresa, não encontraremos, por exemplo, as atividades econômicas relativas à criação, essenciais aos trabalhadores da cultura e da economia criativa.

Ora, enquanto os setores culturais e criativos atraem as juventudes brasileiras para um novo trabalho, os currículos escolares não refletem essa demanda. Que educação para competências criativas estamos oferecendo às nossas crianças e jovens no Brasil? Afinal, criatividade e cultura também se aprendem na escola e, ao perdermos nossas juventudes, estamos assumindo que somos um país sem futuro.

(*) Cientista Social. Ex-secretária de Cultura do Estado do Ceará. Professora da Uece.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/09/23. Opinião. p.18.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

IGREJA CATÓLICA E JUVENTUDE

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

A Igreja põe-se à escuta da realidade dos jovens, na pessoa do compassivo e conciliador Papa Francisco. A pós-modernidade globalizada exerce forte influência sobre os jovens, que sentem o dilaceramento da dupla experiência do vazio de sentido da sociedade consumista e hedonista, de um lado, e de outro, a necessidade absoluta do ser humano de horizonte amplo de sentido a ser encontrado em Deus. 

Os jovens possuem um coração permeado do desejo de encontro com o sentido de todos os sentidos, pois, quanto mais fundo a sociedade mergulha no oceano infindável do materialismo dos bens de consumo, utilitarismo e pragmatismo reinante, mais alto a juventude ergue o clamor pela Transcendência.

O Papa se propõe a ouvir os jovens em profundidade e a discernir sobre questões postas por eles, à luz do Evangelho e da missão da Igreja, que precisa e quer estar mais ao lado deles no discernimento de questões cruciais de sua vida e de seu futuro.

Francisco possui o dom de agregar, de acolher, de abraçar a todos (as) e apela para que os jovens dialoguem entre si, mas é preciso principalmente que dialoguem com os mais velhos. Os que vão pelo seu caminho sem dialogar com os mais velhos perdem as raízes, perdem o sentido da História, perdem o sentido de pertença. O dedo está apontado para a crescente atomização geracional, muitas vezes revestida da mais cruel desumanidade. 

Na Jornada Mundial da Juventude de 2023 observamos o apelo chamado de Francisco pelo diálogo entre gerações. E, com energia e força renovadas pelas suas palavras, trabalharemos para instituir um diálogo 'mais fecundo' entre jovens e "jovens há mais tempo". 

A investida é o vigor político na preservação de uma sociedade em que a juventude e a senioridade, a irreverência e a sabedoria andem de mãos dadas na construção do futuro e no respeito pelo passado. 

Os jovens querem que a Igreja seja uma instituição que brilhe por sua coerência, competência, corresponsabilidade e solidez cultural e que compartilhe sua situação de vida e não somente os seus sermões. Em tempos favoráveis para reconhecer suas falhas e omissões, os jovens oferecem elementos significativos para a Igreja retomar sua missão e anúncio profético junto à juventude.

Ao voltar-se para eles, antes de apelar para a sua conversão, é a própria Igreja que se propõe a fazer um caminho de "conversão pastoral e missionária". E isso requer mudança de atitudes e posturas pastorais em relação aos jovens.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Diretor do Seminário Apostólico de Baturité.

Fonte: O Povo, de 10/06/2023. Opinião. p.18.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

O FUTURO DAS GERAÇÕES

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Bastaria lembrar a crise climática, as consequências econômicas desta pandemia, temperadas pelas conquistas tecnológicas e agravadas pelos embates políticos e as guerras, que fizeram desaparecer o apogeu e provocaram o declínio de muitas premissas tidas como sólidas…

Em meio a um contexto de pandemia e crise econômica, penso e discuto a importância de o indivíduo instruir-se seguramente no que concerne a formação para o futuro trabalho da juventude em geral e a brasileira em particular.

Quanto aos nascidos neste mundo contemporâneo que se torna cada vez mais líquido, nas palavras do filósofo judeu-polonês Zygmunt Bauman (1927-2017), arrazoo afoitamente e pergunto: “Teriam os jovens de hoje muito a esperar ou muito a perder?”.

Bastaria lembrar a crise climática, as consequências econômicas desta pandemia, temperadas pelas conquistas tecnológicas e agravadas pelos embates políticos e as guerras, que fizeram desaparecer o apogeu e provocaram o declínio de muitas premissas tidas como sólidas.

Resumindo: a pós-modernidade trouxe com ela a fluidez do líquido existencial, ignorando divisões e barreiras, assumindo formas, ocupando espaços, diluindo certezas, crenças e práticas.

Os nascidos após 1990 (a apelidada geração Z) sofrem hoje máximas taxas de desemprego, maiores impostos, além das dívidas pós-pandemia e de um mundo cada vez mais internáutico, quando a ciência estuda as comunicações e o sistema de controle não só nos organismos vivos, mas também nas máquinas.

Por falar em gerações que me sucederão, permita-me recordar esta subdivisão geracional (conferir detalhes em (https://www.pewresearch.org/fact-tank/2019/01/17/where-millennials-end-and-generation-z-begins/):

Baby Boomers são a geração que nasceu após a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964, uma época que foi marcada por um forte aumento nas taxas de natalidade. O termo “baby boomer” é usado às vezes em um contexto cultural. Dessa forma, os Baby Boomers cresceram com medo de uma guerra nuclear, mas acreditando que existiria um milagre econômico e também uma explosão das estatais. No começo isso aconteceu, no entanto, as crises não demoraram a chegar.

Geração X é como os demógrafos e os pesquisadores costumam designar quem nasceu desde o início dos anos 1960 até o final dos anos 70.

Millenials, também conhecidos como a Geração Y. Os demógrafos e pesquisadores usam tipicamente o início dos anos 1980 até meados da década de 90 como anos de nascimento.

Zoomers, é a geração de pessoas que sucederam a Geração Y, com nascimento desde meados da década de 1990 até o início dos anos 2000, embora ainda haja pouco consenso quanto ao ano de término dos nascimentos. Denominados de “nativos digitais”, têm mais afinidade com a tecnologia, por isso acabam levando uma vida que não distingue entre o ‘online’ e o “offline”.

Vale destacar que a geração Z está entrando agora no mercado de trabalho e que seus componentes são muito proativos e empreendedores. Por outro lado, podem ser exigentes e, em simultâneo, imediatistas. Ao contrário do que se imaginava antes da virose de 2020, embora a maior parte deles ter nascido no período mais próspero da história da humanidade, não sabem prever o futuro.

Os anos vividos me ensinaram que o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente. E que essa última geração – a geração Z – foi a primeira que nasceu num ambiente completamente digital. Essa geração não precisou, como as anteriores, fazer cursos de informática básica para lidar com computadores à semelhança da minha, que necessitou aprender datilografia. Disso tenho certeza. Prever o futuro é muito mais fácil quando o futuro que me resta é tão pequenino. Mas, é o que penso e sei que a minha obrigação é preparar e alertar os que me sucederão. Assim, digo e afirmo: se vários podem ser os futuros, como se poderá prever como e quando um deles acontecerá?

Resta-me apenas parafrasear Sir Winston Leonard Spencer-Churchill (1874-1965): “É muito fácil profetizar, quando sabemos que os que vão nos ler ou ouvir, todos ou na maioria, não estarão mais por aqui, em breve curso do tempo”.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 5 de maio de 2022

DOS VELHOS E DOS MOÇOS

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Todo país que se preza enaltece os seus velhos. Assim foi e continua sendo, desde os primórdios da civilização.

O que assisto agora é que os jovens não aceitam mais os conselhos dos idosos. Refiro-me aos jovens e aos adultos igualmente e advirto ser a consideração com o próximo coisa rara neste contemporâneo. No caso dos jovens, trata-se de uma verdadeira contestação inter-geracional.

Explanações socioeconômicas não são suficientes para explicar o desamparo/desprezo dirigido à geração precedente.

Os avanços tecnológicos tornam tudo isso mais avassalador neste embate desrespeitoso. Repito — inter-geracional.

Tais avanços ofertaram aos jovens a oportunidade de se tornarem desrespeitosos para com as gerações anteriores, na ilusão de que apenas o que é novo é certo. Porém sei também que muitos idosos de hoje, que vivem mais e têm mais experiência, em lugar de exercerem a sua função apreendida pela angústia vital, preferem tentar disfarçar a idade, seja por cirurgias plásticas ou outras camuflagens e embustes. Submetem-se a disputar com a juventude o papel (aparência) que não mais lhes pertence, tornando-se prezas fáceis dos que oferecem panaceias para que pareçam sempre mais novos do que são. Bastaria dizer que já existe uma especialidade médica dedicada ao aumento da longevidade denominada Geriatria. Uma espécie de Pediatria para idosos.

O resultado aí está. Idosos perdem a deferência e o respeito das crianças, jovens e adultos. A juventude inebriada, por sua vez, julga que só o que é novo é bom, pois a experiência ainda está para ser adquirida por este grupo etário. E como o passado não lhes importa, julgam-se os donos da verdade. Resultado: os mais velhos são esquecidos como sucata da vida privada ou pública. Pertinente será lembrar uma historieta bíblica.

O Velho Testamento ensina que o rei Davi, antes de ser rei, era um pastor de ovelhas e, dizem, bastante competente. Suas ovelhas eram as mais bonitas da região. Sabem porquê? Pela maneira como as alimentava.

Separava a ração que oferecia: o primeiro grupo comia as folhas mais tenras; a parte de cima do capim mais novo era para as ovelhas mais velhas. Depois vinham as crianças, digo os cordeirinhos, e por último os jovens e sadios pois necessitavam e tiravam melhor proveito da parte endurecida da ração, formando uma juventude mais bem treinada para os embates da vida.

Agora, quando se toma qualquer medida coletiva, penaliza-se primeiro os velhos, que acham que nada sabem, não desejam conhecer sua experiência ou sabedoria acumuladas.

Uma aldeia que não tiver seu conselho de anciões perecerá na certa. O resto, os leitores podem deduzir.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A JUVENTUDE E A PÓS-MODERNIDADE

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

A pós-modernidade desafia a Igreja a fazer compreensível a mensagem de Jesus aos jovens. Como atualizar sua mensagem? Primeiro, conhecer a realidade deles. O jovem está inserido numa época de novas denominações: influenciadores, redes sociais, seguidores, entre outras.

Geração denominada "nativos digitais", "millennial" ou geração Y, que possui controle da informação, utilizam linguagem própria, interagem em diferentes redes sociais. Mergulhados no ciberespaço com milhares de 'amigos', são solitários.

Nunca tivemos uma geração tão abastada e tão solitária, ansiosa, cheia de medos, complexos, desamparo e incompletude. Possuem milhares de "conhecidos virtuais", mas não dialogam com os que estão perto. O excesso de uso das mídias digitais tem aumentado a infelicidade.

Alguns se deprimem porque acompanham vidas perfeitas e querem uma igual, contudo o que vemos é apenas um recorte. Nunca tivemos uma geração tão depressiva.

Na minha vivência com famílias, no ambiente escolar e na igreja é fácil constatar isso. Existe esperança de transformação desse cenário.

Acreditamos na construção de pressupostos que podem servir de suporte para a transformação da vida das próximas gerações.

O que posso fazer para que os jovens tenham dias felizes e saudáveis numa sociedade que cresce doente? Numa perspectiva inaciana o enfoque está na construção do projeto de felicidade, que dá sentido à própria vida, educando no autoconhecimento, no saber e competências relacionais.

Uma orientação holística, que engloba corpo, pensamento, sentimentos e movimentos interiores. A interioridade não se reduz ao intimismo, mas também a relação com o outro, despertando solidariedade e partilha. Jovem que desenvolve sua liberdade para viver e decidir com responsabilidade.

Disposto a superar-se, a perder, ganhar, desenvolver habilidades intelectuais, emocionais e sociais a serviço dos outros.

Reconhece o outro em sua dignidade. Comprometido com a transformação da humanidade e com o cuidado da "casa comum". Quando estas atitudes interagem, formamos para a felicidade e atualizamos a mensagem de Deus. 

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Diretor do Seminário Apostólico de Baturité.

Fonte: O Povo, de 25/9/2021. Opinião. p.16.

domingo, 12 de setembro de 2021

O OUTRO LADO DA SÍNDROME DO NINHO VAZIO

Mães,

Escrevo isto como filho que se doeu lendo textos sobre como vocês se sentiram quando nós, filhos, saímos de casa.

A dor de vocês foi chamada pela psicologia de Síndrome do Ninho Vazio, mas a nossa ainda não ganhou nome.

Seria um outro ninho vazio? Não sei, mas venho falar sobre os medos, as angústias e as delícias de sair do ninho para o mundo, lugar para o qual vocês nos criaram.

Nosso primeiro ninho, o ventre materno, tinha tempo de estadia.

Perto dos 9 meses, às vezes antes, nós sairíamos daquele lugar onde nada podia nos tocar.

Nós, filhos, não lembramos da experiência de querer sair de lá.

Imagino que, em um certo ponto, começamos a nos sentir apertados e desconfortáveis.

Talvez algum questionamento do tipo,  “mas o que está acontecendo? Era tão gostosinho aqui antes!”,  tenha aparecido nas nossas cabeças.

Quem sabe até uma mágoa: "por que ela não me dá mais espaço?”, assim ficaríamos mais um tempo por ali. Vocês, mães, por outro lado, não viam a hora de ver a nossa cara.

Nosso segundo ninho, o lar ao lado de vocês, nunca teve limite de permanência. Vocês não nos empurrariam para fora jamais. Foi ali que aprendemos tudo: comer, falar, andar, agarrar mãos e objetivos, dar risada, ir ao banheiro, ler, escrever… tudo. Passamos por fases fáceis e divertidas, difíceis e intermináveis.

Nós crescemos, vocês também. Assistimos às  suas crises existenciais, aos conflitos com a idade, ao amadurecimento como mãe e à beleza de ser o que se é todos os dias.

Vocês assistiram às transformações, às pernas crescendo demais, aos brinquedos aparecendo e depois sumindo da sala.

Começamos a sair por aí nos nossos voos curtos. Deixamos vocês sem dormir direito diversas vezes, enquanto bebíamos em algum canto da cidade. Discutimos o motivo dos “nãos” para viagens para praia no carro do amigo do amigo da prima.

Ficamos os dois desconfortáveis com as conversas que mães e filhos têm que ter. Mentimos para vocês e vocês mentiram para nós. Choramos num quarto, vocês no outro.

Perto dos 20 anos, às vezes antes, às vezes depois, o ninho começou a ficar apertado de novo. Nossas vontades e sonhos não cabiam mais ali.

Era óbvio que sairíamos um dia: para morarmos sozinhos, para um intercâmbio, para morar com uma amiga ou um amigo, com uma companheira ou um companheiro. A hora ia chegar, mas nenhum de nós sabia quando. Por fim, saímos, e o ninho ficou vazio.

As primeiras noites, chegando em casa sem ter quem nos esperasse, foram estranhas tanto quanto para vocês. O beijo na testa antes de dormir fez falta, o cheiro do café quando saíamos do quarto prontos para fazer o que tínhamos que fazer, o lembrete para levar a blusa e o guarda-chuva.

Mãe, eu continuo levando a blusa e o guarda-chuva.

O arroz grudou, a roupa ficou mais ou menos limpa, coisas estragaram na geladeira, eu cheguei em casa tarde demais, dormi pouco, fiquei doente, te liguei perguntando como cozinhar alguma coisa e para saber como lavava a roupa direito.

O amor, a essência da nossa relação, permanece igual. Mudaram os hábitos, a vida, o caminhar das coisas.

Mãe, eu descobri que o ninho nunca foi um espaço físico; foi sempre o seu coração – e de mim ele nunca ficará vazio.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e sem autoria definida).

sábado, 24 de novembro de 2018

COMO MANTER-SE JOVEM



"Maria Jiló" é uma senhora de 92 anos, miúda e tão elegante, que todo dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.
Hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente e não havia outra solução.
Depois de esperar pacientemente por 2 horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, a atendente deu uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.
A senhora a interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho:
- Ah, eu amo essas cortinas!
- Dona "Maria Jiló", a senhora ainda nem viu seu quarto. Espera um pouco...
- Isto não tem nada a ver, - ela respondeu - felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada. Vai depender de como eu preparo minha expectativa.
- E eu já decidi que vou amar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
- Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.
- Simples assim? - pergunta a atendente.
- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e todos podem aprender. Exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.
Calmamente a senhora continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidade na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois ela pediu para anotar:
"COMO MANTER-SE JOVEM"
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha os amigos divertidos. Os depressivos procure ajudar se puder.
3. Aprenda sempre. Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. 'Uma mente preguiçosa é a oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!
4. Aprecie mais as pequenas coisas. Aprecie mais.
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele/ela!
6. Quando as lágrimas aparecerem. Aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios. VIVA enquanto estiver vivo.
7. Rodeie-se das coisas que ama: a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
8. Tome cuidado com a sua saúde: Se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda.
9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa.
10. Diga às pessoas que as ama, e que ama cada oportunidade de estar com elas.
Fonte: Circulando por e-mail (internet) e i-Phones.

domingo, 14 de outubro de 2018

A IGREJA É JOVEM


Por Pe. Eugênio Pacelli SJ
O Papa Francisco, após consulta às Conferências Episcopais, estabeleceu que a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro, terá como tema a juventude, e discutirá "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional".
A Igreja põe-se à escuta da realidade dos jovens para o discernimento Evangélico sobre a realidade atual. A pós-modernidade exerce influência sobre os jovens, que sentem o dilaceramento da experiência do vazio de sentido da sociedade consumista e hedonista e absoluta falta de horizonte amplo de sentido a ser encontrado em Deus.
Há no coração dos jovens um desejo de encontro com o sentido de todos os sentidos, pois, quanto mais a sociedade mergulha no oceano infindável do materialismo, utilitarismo e pragmatismo reinante, mais alto a juventude clama pela Transcendência. O Papa se propõe ouvi-los e discernir questões à luz do Evangelho e da missão da Igreja.
Francisco já tem em mãos o texto que vai orientar o encontro, fruto de trabalho realizado entre a equipe do evento e jovens de vários locais do mundo, que reuniram respostas à pergunta: que Igreja os jovens desejam? Resposta clara e direta: transparente, acolhedora, acessível, alegre, interativa, menos institucional, mais relacional, que acolha sem julgar previamente e misericordiosa. O documento evidencia que muitos jovens católicos não seguem as orientações da moral sexual da Igreja. Sugerem que ela deve debater sem preconceitos, temas controversos: anticoncepcionais, homossexualidade, aborto, casamento, além daqueles que os jovens já discutem: novas tecnologias, migrações, desemprego, novas escravidões e o papel da mulher. Há também quem nada peça à Igreja, ou apenas ser deixado em paz, considerando-a presença inútil, que "incomoda e irrita". Os jovens pedem que a Igreja reforce sua política tolerância zero contra abuso sexual na instituição e justifique posições doutrinais e éticas frente à sociedade. Os jovens querem que ela brilhe por sua coerência, competência, corresponsabilidade e compartilhe sua realidade, não apenas sermões.
(*) Padre jesuíta e mestre em Teologia.
Fonte: O Povo, de 1/9/2018. Opinião. p.18.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

ALGORITMO DA VIOLÊNCIA I (A carne é fraca)


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
O jovem contempla, atemorizado, as incertezas do desconhecido porvir. Ensinado a se envergonhar de se mostrar sentimental, expressa na violência a metamorfose do medo.
Algoritmo é vocábulo originário do latim: algorismus, por influência do grego arithmos, que significa: números. Portanto, trata-se de processo de cálculo ou resolução de um grupo de problemas análogos. A grande vantagem em estudar a problemática da violência pelo método algorítmico, é o de conseguir delimitar e estratificar as responsabilidades geradoras da violência. Assim decodificada, torna-se factível priorizar-se as causas e, planejar medidas essenciais ao seu combate e prevenção.
Como é muito difícil e complexo combatê-la, talvez seja mais eficiente, estabelecer estratégias de combate e sobretudo preveni-la, e, por maior que seja o número de jovens marginais presos e não presos, eles não são a maioria da população juvenil (segundo a PEC da Juventude aprovada pelo Congresso em setembro de 2010 e o Estatuto da Juventude sancionado em 2013. Considera-se jovem no Brasil todo o cidadão entre 15 a 29 anos de idade).
Assisto pasmado à diversidade de sugestões e opiniões que surgiram nas mídias sociais e profissionais, autoridades governamentais, chocadas, como todos nós, pós-explosão das chacinas nos presídios, organização criminosa, greves de policiais, e a recém-informada ocorrência de aumento do número de assassinatos, saques e roubos no estado do Espírito Santo. Além das não noticiadas... Pois mesmo as noticiadas, são logo esquecidas.
As opiniões e sugestões são das mais superficiais. Permita-me sugerir, que os gatilhos da violência, entre nós, já foram identificados, ordenados. Contudo, isso não significa, que possam ser impedidos de agir. A Ciência é dinâmica para ser ciência. Temos suficientes pesquisas de “diagnóstico de situação” sobre a origem da violência. Faltam-nos profilaxias, tratamento da “doença da violência”.
Enumero as principais etiologias por ordem de grandeza: 1. Desemprego; 2. Miséria; 3. Doenças dos genitores; 4. Morte de um dos pais; 5. Prisão; 6. Separação; 7. Pai trabalhando em outra localidade; 8. Mãe trabalhando em tempo integral; 9. Maus tratos infanto-juvenis.
Assim sendo, é possível buscar medidas, ações, atitudes coordenadas e sequenciais, para não desperdiçar os nossos parcos recursos que são compreensivamente limitados. Cada um dos nove itens mencionados é de terapêutica especifica.
Decisões tomadas de afogadilho, emocionalmente, tendem à ineficiência, como acontece na maioria das vezes. Aprende-se mais com os erros do que com os acertos e, se errarmos quanto a essa patologia da violência, poderemos corrigir o erro.
Estaremos, então, no caminho certo. Cada vez mais atemorizados com a situação do aqui e do agora, necessitamos de uma atuação imediata, enérgica e agressiva.
Será que a tarefa de enfrentar a violência é mais complexa do que o enfrentamento da adulteração da carne?
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

REFORMA EDUCACIONAL (Tem Muito Cacique Para Pouco Índio)


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Existe uma piada dizendo que se você quer fazer Deus rir, basta fazer uma previsão. Ou como diz um dito judaico: O homem planeja e o Deus de Israel acha graça.
É importante relembrar o que escreveu o poeta judeu-russo naturalizado americano Joseph Brodsky (nome de batismo Iosif Aleksandrovich Brodsky), nascido em Leningrado, 24 de maio de 1940 e falecido em Nova Iorque em 28 de janeiro de 1996, detentor do prêmio Nobel de Literatura por seu trabalho de grande envergadura, imbuído de clareza de pensamento e intensidade poética.
Em discurso intitulado ELOGIO AO TÉDIO, feito aos formandos do Dartmouth College, instituição fundada em 1769 e uma das universidades mais conceituadas dos Estados Unidos, dois anos após ganhar o Nobel de Literatura de 1987, o poeta previa ou especulava (esclareço: nos séculos XX e XXI não existem mais profetas, quando muito há especuladores, com todo respeito ao bardo naturalizado americano):
“Neurose e depressão vão entrar no vocabulário de vocês; comprimidos passarão a frequentar suas gavetas. Não há nada essencialmente errado em fazer da própria vida uma busca constante por alternativas, nada errado em pular de emprego em emprego, de casamento em casamento, mudar de casa, clima, etc., desde que se possa bancar as pensões e suportar o tumulto das lembranças”.
Como psicoterapeuta de jovens, conheço alguns de meus pacientes desde crianças, a maioria deles vi nascer e acompanhei até à idade adulta. Apesar de meus muitos anos da prática médica, fico assombrado com o sofrimento desses, para mim, sempre, jovens, embora, alguns deles já estejam para lá dos quarenta. Para mim continuam crianças, do ponto de vista afetivo e são, também, agora, mãe e pai. Quando percebem que a vida é uma repetição de fatos, entram em tédio vital.
A vida real não é aquela para a qual foram educados, se formaram, e, muito menos a dantes apalavrada, ou, aquela com a qual sonharam ou lhes foi prometida. Nem eles nem eu, conseguiríamos assegurar, que o Mercado ou alguma das Entidades Transcendentais ou Metafísicas apelidadas de representantes do Poder, têm ocupação para tantos portadores de títulos universitários.
Entretanto, mesmo antes da crise econômica que estamos vivendo, eu já havia registrado tal fenômeno clínico. E, não pretendo discutir aqui a qualidade das universidades: particulares, estaduais, federais, e sim, a condição dos jovens que navegam por tais cursos... de curso tão impreciso. Já que contexto sócio/econômico-financeiro piorou, uma colocação no mercado de trabalho é cada vez menor, enquanto o avanço tecnológico está cada vez mais rápido. Logo, fica evidente, que, cada vez mais raros serão os empregos.
Perguntar não ofende:
“Não seria melhor que o dinheiro empregado para financiar esses jovens desavisados e seus responsáveis, fosse utilizado para melhorar os ensinos primário e médio ou as escolas técnicas? Não seria essa conduta mais urgente do que ficar proclamando estratégias e reformas curriculares?”
Cito, para terminar, um clichê que aprendi na minha infância:
“Tem muito cacique para pouco índio”.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha). Foi um dos primeiros neonatologistas brasileiros.

sábado, 8 de julho de 2017

DESABAFO DE UM JOVEM


Ontem, meu pai e eu estávamos sentados na sala, falando das muitas coisas da vida.
Falávamos de viver e morrer.
Então, eu lhe disse:
- Pai, nunca me deixe viver em estado vegetativo, dependendo somente de máquinas e líquidos, se o senhor me vir nesse estado, desligue tudo o q estiver me mantendo vivo, por favor!
Ele se levantou, desligou a TV, o WiFi, o ar condicionado, jogou minha coca-cola fora e ainda me tomou o celular.
Pensa num véio ignorante .
Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones sem autoria definida).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

RESPONSABILIDADE DA GERAÇÃO PASSADA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta

Se os jovens não forem alertados a tempo, a quantidade absurda de informação poderá tornar-se muito perigosa para a soberania pública. É bom lembrar que temos ainda a esperança de que, em certo momento, uma probabilidade fundamentada na facilidade digital nos permita alcançar algo que possa pôr fim às excentricidades e futilidade deste contemporâneo cibernético…

Texto de um Facebook
“Essa semana uma amiga passou mal, foi levada a emergência e enquanto tava sendo medicada não parava de pensar nos textos que precisava ler e no quanto não podia adoecer simplesmente pq precisava se esgotar entre mestrado, graduação e estágio. Tem uns dois semestres que eu venho inventando força do além pra não surtar, não enlouquecer enquanto luto contra a depressão trabalhando dez horas por dia, fazendo graduação e me preparando pra uma pós. Todo semestre alunos trancam cursos pq ou priorizam sua saúde mental e abandonam o curso ou se matam. Todo fim de semestre estudantes universitários movimentam o mercado de remédios controlados pra ficarem acesos pras provas. Todos fins de semestres alunos têm crises e mais crises de ansiedade, depressão e pânico por precisar da conta de uma rotina enlouquecedora de provas e afins. Mais da metade dos meus amigos da faculdade desenvolveram algum transtorno psíquico durante o curso. O TCC e o exame da ordem adoecem e enlouquece mais da metade dos alunos de direito.
Hoje, um rapaz no meio de ataque psíquico ameaçou explodir com bombas (que depois foi comprovado que não era nada mais que balas de gengibre) o local onde iria ser realizada a prova da OAB. Hoje algumas centenas de pessoas passaram pelo pior dia das suas vidas, acharam que morreriam, tiveram crise de pânico e desespero. 
Hoje quem surtou foi o tal “homem bomba”. Mas, hoje poderia ser qualquer um estudante universitário que se vê sobrecarregado com dinâmicas e pressões mil sobre o presente e sobre a necessidade de ter respostas e soluções mágicas do futuro. Más, amanhã quando a poeira baixar o sistema de educação universitária vai continuar surtando e adoecendo tantos alunos. Já passou da hora de reavaliar os métodos educacionais atuais.
*Post editado por faltar certeza sobre as causas do suicídio do colega e enviado por um pai de uma jovem”.
*****
Não estou aqui desejando fazer autobiografia sobre a minha experiência pretérita de Pediatra ou Psicoterapeuta de Jovem, porém acredito ser pertinente este artigo que acabei de escrever.
Qual a responsabilidade das pessoas de gerações anteriores, ainda vivas?
A pergunta refere-se ao encargo que cada um tem com relação ao mundo que deixa para a posteridade. Ou se continuaremos, depois de partir, a influenciar as pessoas pelas quais fomos responsáveis.
O conhecimento que passamos aos que ficam, a impressão do formato das ideias que transmitimos, na intenção de fazer com que os fulanos permaneçam comprometidos são a nossa responsabilidade para com um mundo pelo qual não somos mais responsáveis. Independentemente de crermos ou não na vida após a morte.
A geração atual passou pela infância, adolescência e entrou na idade adulta habitando um planeta digital e nós, que desconhecíamos esse planeta, não tínhamos nada para comparar seus méritos ou vícios com os avanços tecnológicos. O meu GPS não estava pronto e aprendi a viver com ele. Como a linguagem da informática não foi minha língua materna, falo com sotaque, mas me comunico.
Se os jovens não forem alertados a tempo, a quantidade absurda de informação poderá tornar-se muito perigosa para a soberania pública. É bom lembrar que temos ainda a esperança de que, em certo momento, uma probabilidade fundamentada na facilidade digital nos permita alcançar algo que possa pôr fim às excentricidades e futilidade deste contemporâneo cibernético…
O mundo só pode andar pra frente. Não valeria a pena chegar aos setenta, agora aos mais de oitenta anos, se toda a sabedoria do mundo fosse tolice acumulada.
Aprendi como médico psicoterapeuta não negar a ninguém a religião, se nada melhor existe para pôr no seu lugar.
De qualquer maneira, nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos quando fazemos. Nos dias que não fazemos, apenas duramos e então, perdemos a razão de viver.
A responsabilidade do idoso (não confundir com velho) é, enquanto possível, tentar instruir, educar, exemplificar, a partir de nossa vivência, os que irão prosseguir na jornada e nunca dizer no meu tempo, pois o tempo é o mesmo enquanto vivo formos velhos, moços ou crianças…
Enquanto vivos, temos essa obrigação. No entanto, existem três tipos de pessoas cuja vida não merece este nome: as de coração mole, as de coração duro e as de coração pesado.
Concluo dizendo que cada geração trabalha pelos seus cômodos e felicidades e desconhece que na verdade vive para as gerações seguintes. A vida responsável não termina quando se morre. Lembro uma coisa: o tempo da vida é o tempo da memória. E tem mais, às pessoas respeitam quem se respeita a si mesmo.
Jamais devemos perder a capacidade de nos indignar.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).
 

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